24 junho 2013
A Contabilidade nos anos 80 do Século XIX
Na metade do século XIX surgiu no Brasil um grande número de
empresas, incluindo indústrias, bancos, seguros e estradas de ferro. A
população brasileira chegou a 14 milhões de habitantes em 1889, quando caiu o
império.
Nos anos 80, do século XIX, a Companhia Paulista, uma
estrada de ferro, publicava regularmente suas demonstrações, com periodicidade
semestral (1). O relatório da diretoria apresentado aos acionistas constava da
apuração do lucro, a proposta de distribuição de dividendos, a quantidade de
mercadorias transportadas, pagamentos de empréstimos, obras futuras, entre
outras.
É bem verdade que as informações contábeis são reduzidas. O
que corresponderia a atual Demonstração do Resultado possuía duas três linhas:
receitas, despesas e o saldo. Indicava também a relação entre despesa e
receita, que no caso da Cia Paulista atingia 39%. Esta elevada lucratividade
pode estar mascarada pela ausência da depreciação. Sobre a contabilidade,
somente uma observação (em linguagem da época): “está em dia esta parte do
serviço como podeis verificar pelos annexos ns. 3 e 4, e pelos livros, que
estão à vossa disposição.” E só.
Profissional
O profissional da contabilidade era denominado de
guarda-livros. Aqui cabe uma observação: alguns autores confundem a denominação
“contador”, existente desde a descoberta do Brasil. Este termo não corresponde
a profissão, mas uma função da administração pública. Em 1882, por exemplo, o
contador José Julio Dreys é o diretor de contabilidade do Tesouro Nacional (2).
Contabilidade Pública
Apesar da existência de legislação sugerindo a adoção do
regime de competência, o setor público ainda funcionava pelo caixa. Após o
encerramento da Guerra do Paraguai, que consumiu uma grande quantidade de recursos
nos anos 60, os relatórios da contabilidade pública apresentavam contínuos déficits.
Ademais, tudo leva a crer que existia uma grande desorganização nas contas
públicas (3). Em 1884 o governo nomeou uma comissão para compilar todas as
disposições e regulamentos da contabilidade do tesouro, tomando providências
para uniformizar a legislação (4). O presidente da comissão nomeada foi o Barão
de Paranapiacaba, que indicaria os demais membros.
Antes disto, o governo chegou a enviar para Europa um
conselheiro para estudar o serviço de
contabilidade e a organização do tesouro (5)
Ensino
Além das aulas particulares, a contabilidade era ensinada em
colégios e internatos, inclusive em escolas técnicas. E a contabilidade era
ensinada para homens e mulheres, garotos e adultos. O interessante é que o
ensino ocorria junto com matérias como leitura, caligrafia, ortografia e
gramática. Em 1884, por exemplo, o Collegio Paulistano anunciava que seu estabelecimento,
localizado na Rua do Barão de Itapetininga 6, na cidade de São Paulo, aceitava
no curso geral o ensinamento de contabilidade (6). O mesmo ocorria em outro
anuncio, onde a instrução primária considerava a leitura, caligrafia,
contabilidade e desenho linear (7).
Livro
Em 1883 é lançada a obra Manual
do Escriptorio, de Ildefonso de Sousa Cunha, como 153 páginas. O autor era
um guarda-livros que atuava no Rio de Janeiro, que depois passou a ser
negociante de fazendas, miudezas e ferragens (8). Anteriormente tinha publicado
Guia Theórico e prático da escripturação commercial
ou a escripturação a alcance de todos.
Também um autor deste período foi Jeronymo Joaquim de Oliveira,
que também era guarda-livros e escreveu o Compêndio
Commercial, publicado em Campos, no estado do Rio de Janeiro. O livro teve
duas edições, a primeira de 1878 e a segunda de 1887, três anos antes do seu
falecimento.
Finalmente, outro autor foi João Baptista da Silva Sobrinho,
empregado do tesouro nacional e docente do Collegio de Pedro II. Escreveu duas
obras na área: Noções elementares de
Escripturação Mercantil e Escripturação
Mercantil. O primeiro, de 24 páginas, publicado em 1882; o segundo, com 141
páginas, de 1885, que recebeu uma segunda edição em 1890.
(1) Vide, por exemplo, Correio Paulistano, edição 6979,
1880, p. 1-2, para o relatório submetido à assembleia de 29 de fevereiro de
1880.
(2) Correio Paulistano, edição 7651, 1882, p. 2.
(3) Correio Paulistano, edição 7689, 1882, p. 2. Conforme o
texto do jornal: “lamentamos a verdadeira desordem que do systema em voga,
resulta para a contabilidade”.
(4) Conforme notícia da Gazeta de Notícias e Correio do Rio,
publicada no Correio Paulistano, edição 8234, 1884, p. 3. É interessante notar
que esta comissão foi designada após a publicação da Lei de 20 de janeiro de
1883, que organizou a tesouraria e a contabilidade geral. Vide Correio
Paulistano, edição 8381, p.1, 1884.
(5) A Constituinte, edição 286, p. 3, 1880. Trata-se do
conselheiro João José do Rosario.
(6) Correio Paulistano, edição 8536, p. 3, 1884. A escola
anunciava que a diretora era “norte-americana”.
(7) Correio Paulistano, edição 8600, p. 2, 1885. Tratava-se
de um curso noturno, para adultos e menores, localizado na rua do Commercio.
(8) Esta informação e as seguintes foram retiradas do
Diccionário Bibliographico Brazileiro, de Augusto Victorino Alves Sacramento
Blake, publicado em 1895, pela Imprensa Nacional.
História da Contabilidade: Ainda João Lessa
Anteriormente postei sobre a figura de João Lessa. Na ocasião tinha pouca informação sobre o mesmo. Mas encontrei no Diccionário Bibliographico Brazileiro,
de Augusto Victorino Alves Sacramento Blake, publicado em 1895, pela Imprensa Nacional, informações adicionais.
Seu nome completo é João Francisco de Araújo Lessa, filho de
Bernardo Francisco Lossa, nascido em 13 de maio de 1829 e falecido em 1 de
dezembro de 1872. Fez o curso de comércio e tornou-se guarda-livros e professor
de matemática, francês, espanhol e contabilidade. Sua principal obra foi o Manual theorico e pratico do
guarda-livros : tratado completo de escripturação mercantil por partidas
simples, mixtas e dobradas,
publicado no Rio de Janeiro, 185S, com 208 páginas. Segunda edição de 1869. Logo
após sua morte, outra edição de 1881. Além de outras obras, não relacionadas
com a contabilidade. Consta que deixou inéditos: Historia do commercio
do Rio de Janeiro; Diccionario do commercio pelo systema de Mac Culloch;
Commentaríos ao código do commercio do Brazil.
Angela Lee Duckworth: A chave para o sucesso? A determinação.
Deixando um cargo de alto nível na área de consultoria, Angela Lee Duckworth tornou-se professora de matemática de alunos do sétimo ano, em escolas públicas da cidade de Nova Iorque. Ela imediatamente percebeu que o Q.I. não era a única coisa que separava alunos bem sucedidos de alunos com dificuldades. Aqui, ela explica sua teoria da "determinação" como indicador de sucesso.
Mais um excelente vídeo. O mais importante é a determinação a longo prazo, resistência, viver a vida como uma maratona, não como uma breve corrida.
Mais um excelente vídeo. O mais importante é a determinação a longo prazo, resistência, viver a vida como uma maratona, não como uma breve corrida.
Dívida em dólar
As empresas brasileiras com dívida no exterior já tiveram uma perda cambial equivalente a R$ 16,6 bilhões desde março, período em que o dólar aumentou quase
R$ 0,25, segundo estudo da consultoria Economatica.
O valor considera a atualização do endividamento de 244 empresas à nova cotação do dólar e despreza o impacto de eventuais operações com derivativos, contratos que visam proteger as companhias da variação cambial.
Juntas, as 244 empresas com ações em Bolsa tinham uma dívida no exterior da ordem de R$ 137,3 bilhões no final de março. Com o câmbio de ontem, essa dívida saltava para R$ 153,9 bilhões.
Desde março, o dólar à vista subiu 12,1%, passando de de R$ 2,0161 para R$ 2,2605.
O impacto da taxa de câmbio já é suficiente para consumir o equivalente a dois terços dos ganhos operacionais (lucro antes de pagar impostos e juros) dessas empresas no primeiro trimestre de 2013: R$ 24,9 bilhões.
O estudo exclui empresas gigantes como Vale e Petrobras, além dos bancos e das companhias que não informaram sua dívida em dólar para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
"Todo o lucro do segundo trimestre pode ir para o ralo com essa alta do dólar. Não será difícil as empresas terem mais um trimestre perdido", disse Fernando Exel, presidente da Economatica e autor do estudo.
As empresas com maior dívida em dólar são as de maior porte, que se beneficiaram dos juros baixos no exterior nos últimos anos.
É o caso das alimentícias BRF (impacto de R$ 825 milhões) e JBS (R$ 817,8 milhões), e das fabricantes de papel e celulose Fibria (R$ 917,1 milhões) e Suzano (R$ 616,9 milhões).
PETROBRAS
No caso da Petrobras, que não foi incluída no estudo, a dívida em dólar somava R$ 118,4 bilhões no fim de março -R$ 132,7 bilhões atualizado pelo câmbio de ontem.
A perda de R$ 14,3 bilhões da estatal com o câmbio é quase o dobro do lucro líquido no primeiro trimestre (R$ 7,7 bilhões) e 42% superior ao lucro operacional do período (R$ 10 bilhões).
Vale lembrar que a Petrobras tem receita em dólares, o que ameniza esse impacto.
Porém, relatório do Itaú BBA diz que "o lucro líquido da Petrobras deve ser duramente afetado pela depreciação cambial, afetando particularmente o pagamento de dividendos para os donos de ações ordinárias [com voto]".
Os analistas do banco não acreditam que a estatal deve elevar o preço do combustíveis por causa da inflação.
R$ 0,25, segundo estudo da consultoria Economatica.
O valor considera a atualização do endividamento de 244 empresas à nova cotação do dólar e despreza o impacto de eventuais operações com derivativos, contratos que visam proteger as companhias da variação cambial.
Juntas, as 244 empresas com ações em Bolsa tinham uma dívida no exterior da ordem de R$ 137,3 bilhões no final de março. Com o câmbio de ontem, essa dívida saltava para R$ 153,9 bilhões.
Desde março, o dólar à vista subiu 12,1%, passando de de R$ 2,0161 para R$ 2,2605.
O impacto da taxa de câmbio já é suficiente para consumir o equivalente a dois terços dos ganhos operacionais (lucro antes de pagar impostos e juros) dessas empresas no primeiro trimestre de 2013: R$ 24,9 bilhões.
O estudo exclui empresas gigantes como Vale e Petrobras, além dos bancos e das companhias que não informaram sua dívida em dólar para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
"Todo o lucro do segundo trimestre pode ir para o ralo com essa alta do dólar. Não será difícil as empresas terem mais um trimestre perdido", disse Fernando Exel, presidente da Economatica e autor do estudo.
As empresas com maior dívida em dólar são as de maior porte, que se beneficiaram dos juros baixos no exterior nos últimos anos.
É o caso das alimentícias BRF (impacto de R$ 825 milhões) e JBS (R$ 817,8 milhões), e das fabricantes de papel e celulose Fibria (R$ 917,1 milhões) e Suzano (R$ 616,9 milhões).
PETROBRAS
No caso da Petrobras, que não foi incluída no estudo, a dívida em dólar somava R$ 118,4 bilhões no fim de março -R$ 132,7 bilhões atualizado pelo câmbio de ontem.
A perda de R$ 14,3 bilhões da estatal com o câmbio é quase o dobro do lucro líquido no primeiro trimestre (R$ 7,7 bilhões) e 42% superior ao lucro operacional do período (R$ 10 bilhões).
Vale lembrar que a Petrobras tem receita em dólares, o que ameniza esse impacto.
Porém, relatório do Itaú BBA diz que "o lucro líquido da Petrobras deve ser duramente afetado pela depreciação cambial, afetando particularmente o pagamento de dividendos para os donos de ações ordinárias [com voto]".
Os analistas do banco não acreditam que a estatal deve elevar o preço do combustíveis por causa da inflação.
Dívida da OSX
Dos R$ 2 bilhões de dívidas de curto prazo do estaleiro OSX, quase R$ 900 milhões são com bancos públicos, conforme balanço publicado pela empresa no primeiro trimestre deste ano.
O documento informa que a OSX tem uma dívida de R$ 491,5 milhões com o BNDES vencendo no dia 15 de agosto. Outro débito, de R$ 400 milhões com a Caixa Econômica Federal, vence no dia 19 de outubro.
(...) Os recursos dos bancos públicos serviram como um "empréstimo-ponte" para a implantação do estaleiro da empresa em São João da Barra, no litoral norte do Rio de Janeiro.
Anteontem, venceu outra dívida da OSX, no total de R$ 515,5 milhões com o banco Itaú BBA-Nassau. As dúvidas sobre a capacidade da empresa de honrar esse pagamento vêm provocando tensão no mercado.
Segundo a empresa, a dívida foi parcialmente paga e reescalonada. O Itaú BBA não quis comentar o assunto.
Outro credor da OSX é o Arab Banking Corporation. Segundo o balanço do primeiro trimestre, um empréstimo de R$ 106,8 milhões feito pela instituição para a OSX venceu no mês passado.
A OSX também contou com outra ajuda do setor público, mas dessa vez na forma de um empréstimo de longo prazo. O Fundo da Marinha Mercante, liberado pelo Ministério dos Transportes e financiado com impostos, aprovou R$ 4,2 bilhões de financiamento para a empresa.
O estaleiro OSX é a empresa mais problemática da EBX, mas está longe de ser a única em dificuldades.(...)
Folha de S. Paulo
O documento informa que a OSX tem uma dívida de R$ 491,5 milhões com o BNDES vencendo no dia 15 de agosto. Outro débito, de R$ 400 milhões com a Caixa Econômica Federal, vence no dia 19 de outubro.
(...) Os recursos dos bancos públicos serviram como um "empréstimo-ponte" para a implantação do estaleiro da empresa em São João da Barra, no litoral norte do Rio de Janeiro.
Anteontem, venceu outra dívida da OSX, no total de R$ 515,5 milhões com o banco Itaú BBA-Nassau. As dúvidas sobre a capacidade da empresa de honrar esse pagamento vêm provocando tensão no mercado.
Segundo a empresa, a dívida foi parcialmente paga e reescalonada. O Itaú BBA não quis comentar o assunto.
Outro credor da OSX é o Arab Banking Corporation. Segundo o balanço do primeiro trimestre, um empréstimo de R$ 106,8 milhões feito pela instituição para a OSX venceu no mês passado.
A OSX também contou com outra ajuda do setor público, mas dessa vez na forma de um empréstimo de longo prazo. O Fundo da Marinha Mercante, liberado pelo Ministério dos Transportes e financiado com impostos, aprovou R$ 4,2 bilhões de financiamento para a empresa.
O estaleiro OSX é a empresa mais problemática da EBX, mas está longe de ser a única em dificuldades.(...)
Folha de S. Paulo
Assinar:
Comentários (Atom)



