Translate

17 março 2011

Pesquisa no Brasil

A seguir, trechos da entrevista com Miguel Nicolelis, concedida ao Estado de São Paulo, sobre ciência

O que você acha da política científica brasileira? 

Está ultrapassada. Principalmente, a gestão científica. Foi por isso que eu escrevi o Manifesto da Ciência Tropical (PS do Viomundo: publicado primeiro aqui mesmo, neste espaço). O mais importante nós temos: o talento humano. Mas ele é rapidamente sufocado por normas absurdas dentro das universidades. Não podemos mais fazer pesquisa de forma amadora. Devemos ter uma carreira para pesquisadores em tempo integral e oferecer um suporte administrativo profissional aos cientistas. Visitei um dos melhores institutos de física do País, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e o pessoal não tem suporte nenhum. Se um americano do Instituto de Física da Universidade Duke visitar os pesquisadores brasileiros, não vai acreditar. Eles tomam conta do auditório, fazem os cheques e compram as coisas, porque não é permitido ter gestores científicos com formação específica para este trabalho. Nós preferimos tirar cientistas que despontaram da academia. Aqui no Brasil há a cultura de que, subindo na carreira científica, o último passo de glória é virar um administrador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) ou da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). É uma tragédia. Esses caras não tem formação para administrar nada. Nem a casa deles. Não temos quadros de gestores. A gente gasta muito dinheiro e presta muita atenção em besteira e não investe naquilo que é fundamental. 

Como avaliar mérito na academia?

Nós publicamos mais do que a Suíça. Mas o impacto da ciência suíça é muito maior. Basta ver o número de prêmios Nobel lá. E eles têm apenas cinco milhões de habitantes. Na academia brasileira, as recompensas dependem do que eu chamo de "índice gravitacional de publicação": quanto mais pesado o currículo, melhor. Ou seja, o cientista precisa colecionar o maior número de publicações - sem importar tanto seu conteúdo. Não pode ser assim. O mérito tem de ser julgado pelo impacto nacional ou internacional de uma pesquisa. Não podemos dizer: quem publica mais, leva o bolo. Porque aí o sujeito começa a publicar em qualquer revista. Não é difícil. A publicação científica é um negócio como qualquer outro. Mesmo se você considerar as revistas de maior impacto. Também não adianta criar e usar um índice numérico de citações (que mede o número de citações dos artigos de um determinado cientista).

Talento não está no número de citações: é imponderável. Meu departamento na Universidade Duke nunca pediu meu índice de citação. Também nunca calculei. Quando sai do Brasil, achei que estava deixando um mundo de lordes da ciência. Fui perguntando nome por nome lá fora. Ninguém conhecia. Ninguém sabia quem era. Críamos uma bolha provinciana que deve ser estourada agora se o Brasil quer dar um salto quântico. Mas as pessoas têm receio de falar com medo de perder o financiamento. Há outras formas de medir o impacto científico: ver o que cara está fazendo e consultar a opinião de pessoas que importam no mundo, dos líderes de cada área. Sob este ponto de vista, o impacto da ciência brasileira é muito baixo. E precisamos dizer isso sem medo. Não dá para esconder o sol com a peneira.

Quando decidem criar um Instituto Nacional (de Ciência e Tecnologia), em vez de dividir o dinheiro entre 30 ou 40 pesquisadores promissores, preferem pulverizar o dinheiro entre 120 cientistas, muitos deles com propostas que não vão chegar a lugar nenhum. Cada um recebe um R$ 1 milhão, uma quantia considerável na opinião de muita gente mas que não paga nem a conta de luz de um projeto bem feito. Não podemos ter receio de selecionar os melhores. Você precisa escolher os bons jogadores, não os pernas-de-pau. Outra coisa: só o Brasil ainda admite cientista por concurso público. Cientista tem de ser admitido por mérito, por julgamento de pares, por entrevista, por compromisso, por plano de trabalho.
Qual é o futuro dos jovens pesquisadores no País?

Atualmente, eles têm uma dificuldade tremenda de conseguir dinheiro porque não são pesquisadores 1A do CNPq. Você precisa ser um cardeal da academia para conseguir dinheiro e sobressair. Com um físico da UFPE, cheguei à conclusão de que Albert Einstein não seria pesquisador 1A do CNPq, porque ele não preenche todos os pré-requisitos - número de orientandos de mestrado, de doutorado.

Se Einstein não poderia estar no topo, há algo errado. Minha esperança é que o futuro ministro ataque isso de frente pois, até agora, ninguém teve coragem de bater de frente com o establishment da ciência brasileira. Ninguém teve coragem de chegar lá e dizer: "Chega! Não é assim! A ciência não está devolvendo ao povo brasileiro o investimento do povo na ciência." Os cientistas brilhantes jovens não têm acesso às benesses que os grandes cardeais - pesquisadores A1 do CNPq - têm, muitos deles sem ter feito muita coisa que valha.

Além disso, veja a situação do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT, que assessora o presidente da República nas decisões relacionadas à política científica). O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) - agora, um grande matemático - me perdoe, mas ele não deveria ter cadeira cativa nesse conselho. O Brasil deveria ter um conselho de gente que está fazendo ciência mundo afora. E não pessoas que ocupam cargos burocráticos em associações de classe. Deveria ser gente com impacto no mundo. E pessoas jovens com a cabeça aberta. Mas as pessoas têm muita dificuldade de quebrar esses rituais.
 

Japão








Fonte: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui

Ilusão de ótica

O que é isto? 
 Uma obra de arte?



A resposta é:

16 março 2011

Rir é o melhor remédio

Fonte: aqui

Teste 447


O blog divulgou hoje a lista das maiores empresas de auditoria dos Estados Unidos. Quando considera somente a atividade de auditoria (audit and attest), a maior empresa não é a Deloitte. Que empresa é esta?

Resposta do Anterior: R$0,42 vezes 223 vezes 30 = R$2 800 (aproximadamente)

Relação Espúria : Acesso Online e Citações

Relação Espúria - Acesso Online e Citações - Postado por Pedro Correia



Fonte: Online Access and Citations — A Spurious Relationship, Economists Say

Harvard - S.O.S.

Harvard - S.O.S.
Por Isabel Sales

Hoje eu estava conversando com o Glauber Barbosa (a quem agradeço) que me informou que Harvard está iniciando um trabalho com o Brasil para um intercambio entre professores e estudantes. Interessante, não é mesmo? Ainda mais após a postagem fresquinha sobre as top 100 universidades do mundo.

Acho importante o relacionamento saudável entre universidades internacionais. Isso conta, inclusive, na avaliação da Capes que incentiva o intercâmbio com outros centros, acordos e convênios com instituições internacionais.

Minha torcida por esse envolvimento Brasil-Harvard cessa a partir do momento em que eu leio que os norte-americanos buscam, adicionalmente, recursos financeiros nesses convênios. Isso mesmo. Recursos financeiros. Do Brasil. Para Harvard.

Bom, tendo em vista que somos a 7ª economia em expansão (EUA em primeiro), que não entramos na lista das maiores universidades (Harvard é a primeira) – se eu souber que o Brasil está financiando Harvard eu me tornarei uma mini-acadêmica muito frustrada. E irritada. Como foi publicado aqui no blog, o orçamento total de Harvard corresponde a 60% do orçamento total do Ministério de Educação e Cultura, cerca de US$ 25 bilhões. Todavia, falemos de outros pontos importantes.

A presidente de Harvard, Drew Gilpin Faust, estará em são Paulo no dia 23 de março. No jornal “The Boston Globe” publicado ontem, Faust e Hockfield (presidente da MIT – Massachusetts Institute of Technology) discorreram sobre como os Estados Unidos superaram muitos problemas, tais quais guerras e depressões. Assim, estar em um momento que envolve crise não é sinônimo de que o país não terá um futuro próspero, mas sim que são necessárias atitudes que levem a ressurreição da moral e da prosperidade.

As presidentes afirmam que acelerar a inovação e aplica-la ao mercado de trabalho requer comprometimento tanto da indústria quanto do governo. Segundo um novo relatório da Bettele, uma empresa de desenvolvimento de pesquisa e tecnologia, as fontes públicas e privadas dos Estados Unidos ainda são líderes mundiais em financiamento de P&D (pesquisa e desenvolvimento). Todavia, a China, a Coréia, a Índia, a Rússia e o Brasil (!!!) estão expandindo seu comprometimento com P&D de forma muito mais rápida que os Estados Unidos e outros líderes tradicionais, como a Alemanha e o Japão.

Ela termina o seu texto com um parágrafo que diz: “O Congresso está frente a um déficit orçamentário nacional doloroso. Mas os Estados Unidos também sofrem de um déficit nacional de inspiração; nós acreditamos muito pouco no nosso poder de inventar um futuro melhor para focar prioridades que trarão resultados não no próximo trimestre, ou mesmo no próximo ciclo eleitoral, mas nas próximas gerações. A história e a ciência julgariam esse pessimismo um erro”.

Olha que bonito. Mesmo sendo a universidade n. 1 do mundo, ela continua buscando e pregando a excelência. Depois dessa, quem não quer contribuir com Harvard?

Leia mais em:
Harvard busca alunos, professores e fundos em outros países