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27 maio 2026

Europa busca simplificar normas de sustentabilidade


A Comunidade Européia parece desejar reduzir o custo de aplicação das normas de sustentabilidade. No caso da Europa, as normas são denominadas de ESRS e possuem um rigor muito maior que as normas emitidas pelo ISSB, o braço de sustentabilidade da Fundação IFRS. 

Nesse momento parece que a Europa admite que há complexidade demais nas normas e a relação custo e benefício da informação são complicadas demais. A pretensão é reduzir divulgações obrigatórias, simplificar pontos, mas manter a utilidade da informação para os investidores e demais usuários. 

O prazo para sugestões vence agora em junho. Imagem aqui

IFRS 20

O Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB) publicou sua nova norma IFRS 20, "Ativos e Passivos Regulatórios". A IFRS 20 exige que uma entidade sujeita a um acordo regulatório forneça informações sobre seus ativos regulatórios, passivos regulatórios, receitas regulatórias e despesas regulatórias. A IFRS 20 entra em vigor para os períodos de reporte anual com início em ou após 1º de janeiro de 2029.

Fundo

O IASB desenvolveu um modelo contábil que exige que as empresas reguladas por tarifas forneçam informações sobre seus direitos incrementais de adicionar valores e suas obrigações incrementais de deduzir valores na determinação das tarifas futuras a serem cobradas dos clientes em decorrência de bens ou serviços já fornecidos.

Até então, não havia diretrizes específicas nas IFRS abordando a contabilização de atividades reguladas por tarifas, e as empresas utilizavam diferentes modelos contábeis para relatar os efeitos da regulação tarifária. Consequentemente, comparar e compreender os efeitos da regulação tarifária entre diferentes países e empresas era difícil.

A IFRS 20 substituirá a IFRS 14 - Contas de Diferimento Regulatório, publicada em janeiro de 2014, para fornecer uma solução provisória de curto prazo para entidades reguladas por tarifas que ainda não haviam adotado as IFRS, mas que reconheciam saldos de diferimento regulatório de acordo com seus princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP) anteriores. 

Principais características da norma

O objetivo da IFRS 20 é fornecer informações relevantes que representem fielmente como a receita regulatória e a despesa regulatória afetam o desempenho financeiro de uma entidade, e como os ativos regulatórios e os passivos regulatórios afetam sua posição financeira.

Os ativos regulatórios são definidos na IFRS 20 como direitos presentes e exigíveis de adicionar um valor às tarifas futuras. Da mesma forma, os passivos regulatórios são definidos como obrigações presentes e exigíveis de deduzir um valor das tarifas futuras. Esses valores representam a compensação por bens ou serviços regulatórios já fornecidos, mas que ainda não foram incluídos na receita da entidade.

Uma entidade é obrigada a reconhecer todos os ativos e passivos regulatórios existentes no final do período de reporte. Em caso de incerteza quanto à existência, a entidade é obrigada a reconhecer um ativo ou passivo regulatório se for mais provável que ele exista do que não. O reconhecimento de alguns ativos e passivos regulatórios está sujeito ao cumprimento de determinadas condições.

Para mensurar os ativos e passivos regulatórios, uma entidade utiliza uma técnica baseada no fluxo de caixa. Na mensuração inicial, a entidade deve incluir todos os fluxos de caixa futuros estimados, decorrentes de um ativo ou passivo regulatório, descontados pela taxa de juros regulatória. Nas mensurações subsequentes, a entidade atualiza as estimativas dos fluxos de caixa futuros e continua a utilizar a taxa de juros regulatória como taxa de desconto, a menos que o acordo regulatório altere essa taxa.

Uma entidade é obrigada a apresentar suas receitas ou despesas regulatórias na demonstração do resultado e seus ativos e passivos regulatórios no balanço patrimonial. É obrigada também a divulgar informações adicionais sobre receitas, despesas, ativos e passivos regulatórios.

Data de entrada em vigor e transição

A IFRS 20 entra em vigor para os períodos de reporte anual com início em ou após 1 de janeiro de 2029. A aplicação antecipada é permitida. A entidade é obrigada a aplicar a IFRS 20 a todos os ativos e passivos regulatórios, seja retrospectivamente ou utilizando uma abordagem retrospectiva modificada, conforme explicado na norma.

Fonte: Iasplus

Mulheres poderosas


Em sua 29ª edição, a lista das Mulheres Mais Poderosas nos Negócios da Fortune homenageia as líderes femininas que estão moldando o cenário empresarial global da atualidade, bem como aquelas que estão prestes a exercer uma influência ainda maior.

A lista deste ano apresenta líderes de 94 empresas, incluindo 50 mulheres em empresas da Fortune Global 500, 39 em empresas da Fortune 500, 18 em empresas da Fortune 500 Europa, cinco em empresas da Fortune 500 China e duas em empresas da Fortune Sudeste Asiático 500. Juntas, essas líderes representam um total de 11,8 milhões de funcionários e US$ 7,3 trilhões em receita anual. Elas ocupam 180 assentos em conselhos de administração e abrangem 20 países e territórios.

Os Estados Unidos têm o maior número de executivas, seguidos pela China continental com 9; França e Reino Unido com 6 cada; Brasil, Alemanha e Emirados Árabes Unidos com 3 cada; Austrália, Hong Kong, Singapura, África do Sul, Coreia do Sul e Espanha com 2 cada; e Índia, Japão, México, Holanda, Suécia, Suíça e Taiwan com 1 cada.

Tecnologia e finanças dominam a lista, com 27 e 26 mulheres em cada setor, respectivamente, entre elas Yi He, da Binance (64ª posição). As mulheres também estão se destacando em outros setores, como Meg O'Neill, da BP (16ª posição), a primeira CEO mulher de uma grande petrolífera e estreante na lista MPW. À medida que a IA continua sua ascensão meteórica, as mulheres estão cada vez mais contribuindo para moldar seu futuro, desde Fidji Simo (28ª posição), que ocupa um cargo abrangente na OpenAI como CEO de implantação de AGI, até Amy Hood, da Microsoft (38ª posição), e outras líderes femininas que tomam decisões de investimento que ajudarão a determinar o futuro de suas empresas, da tecnologia e até mesmo da economia global.

Há 16 novos nomes, de uma ampla gama de áreas, incluindo Gunjan Kedia, presidente e CEO do US Bancorp (nº 14); Kecia Steelman, presidente e CEO da Ulta Beauty (nº 39); Latriece Watkins, presidente e CEO do Sam's Club (nº 87); Anna Manz, vice-presidente executiva e diretora financeira da Nestlé (nº 91); e Christina Zhu (nº 92), presidente e CEO do Walmart China.

As 10 mulheres mais poderosas do mundo dos negócios deste ano [na ordem] :

Jane Fraser, Presidente e CEO do Citigroup (EUA)

Mary Barra, Presidente e CEO da General Motors (EUA)

Lisa Su, Presidente e CEO da AMD (EUA)

Julie Sweet, Presidente e CEO da Accenture (EUA)

Ana Botín, Presidente Executiva, Banco Santander (Espanha)

Tan Su Shan, CEO e Diretora do DBS Group (Singapura)

Thasunda Brown Duckett, Presidente e CEO da TIAA (EUA)

Grace Wang, Presidente e CEO da Luxshare Precision Industry (China)

Reshma Kewalramani, Presidente e CEO da Vertex Pharmaceuticals (EUA)

Abigail P. Johnson, Presidente e CEO da Fidelity Investments (EUA)

Fonte aqui. A reportagem da revista está aqui

Felicidade em uma pesquisa global

Um estudo realizado em 76 países revelou que pessoas mais confiantes, pacientes, altruístas e cooperativas tendem a relatar níveis mais elevados de felicidade e satisfação com a vida, sugerindo que o bem-estar depende de mais do que apenas prosperidade material. O estudo foi publicado no periódico International Journal of Happiness and Development (via aqui).

A pesquisa analisou preferências comportamentais, padrões estáveis ​​na forma como as pessoas tomam decisões e interagem com os outros, e como esses padrões se relacionam com o bem-estar subjetivo. O bem-estar subjetivo é uma métrica que engloba tanto a satisfação com a vida quanto experiências emocionais como felicidade, prazer e preocupação.

Overdick, K. and De Neve, J-E. (2026) ‘Subjective wellbeing and behavioural preferences: evidence from global survey data’, Int. J. Happiness and Development, Vol. 10, No. 2, pp.140–171.

Evidenciação de impactos relacionados com pessoas


Anteriormente comentamos sobre o assunto. O Grupo de Trabalho sobre Desigualdade e Divulgação de Informações Financeiras Relacionadas a Assuntos Sociais (TISFD, na sigla em inglês) lançou um documento de um arcabouço regulatório, visando ajudar empresas e bancos a divulgar os riscos relacionados com recursos humanos. O sumário está na imagem. 

O prazo é 31 de julho de 2026. A proposta inclui harmonização e convergência de normas existentes, incluindo GRI. 

Usando IA para escolher seu candidato: coloque na sua agenda


Eis o texto:

Não estou dizendo que a IA é superinteligente ou que pode decidir melhor do que você. Estou dizendo que, se você — como eu — dedica uma hora ou mais à pesquisa antes de votar em eleições locais, a IA pode auxiliar nessa pesquisa de forma muito eficaz. E se você não faz essa pesquisa — porque não estava disposto a perder uma hora com isso antes —, a IA a torna tão mais rápida que talvez você queira começar a fazê-la.

Isso é de Scott Alexander (Astral Codex). Ele passou para o Claude suas crenças e características: Votarei nas primárias da Califórnia em junho de 2026. Sou um liberal centrista ...) e a IA devolveu com uma lista de potenciais candidatos, com uma recomendação forte. 

A seguir, Alexander fez uma análise de eleições passadas. Continuando: 

Eu testei isso informalmente (sem controles rigorosos) em 10 eleições difíceis, nas quais eu não tinha certeza em quem votaria. Atribuo uma nota A ao Claude se ele recomendou o mesmo candidato em que acabei votando, uma nota B se recomendou minha segunda opção dentre vários candidatos, uma nota C se eu entendo o raciocínio dele, mas discordo, e uma nota F se escolheu alguém que eu detesto. Sua pontuação final foi:

5 x As

3 x Bs

2 x Cs

Quando falhava, geralmente era porque eu sigo a política de fazer meu voto valer em eleições importantes, em vez de fazer escolhas por diversão/utópicas/guiadas pela consciência em eleições que não importam. Eu não contei isso para o Claude, e ele tendia a ignorar candidatos marginais sem chance de vitória.

Isso me lembra uma piada que contavam durante a ditadura. O governo, para decidir quem seria o sucessor do presidente Medici, comprou um computador poderoso e começou a eliminar potenciais candidatos com as instruções. Começou pelo básico: tem que ser militar. Eliminou milhões de brasileiros. Continuou, general ou similar. Reduziu mais ainda a lista. E colocaram para o computador analisar a última instrução: tem que ser honesto. O computador processou durante muito tempo e voltou com a resposta: Honesto não tem. Serve Ernesto?

Válido para os tempos atuais? 

26 maio 2026

IA e verdade na prática contábil


O resumo parece promissor:

Este ensaio reflexivo examina como a inteligência artificial (IA) está transformando a produção da verdade na prática contábil. Com base na analítica da governamentalidade de Foucault e na experiência do autor como diretor de auditoria em uma Big Four e professor de contabilidade, o ensaio argumenta que sistemas baseados em IA estão constituindo um novo aparato contábil, que desloca as reivindicações de verdade da correspondência representacional com a realidade documentada para a plausibilidade probabilística dentro de distribuições aprendidas. Evidência, materialidade e julgamento profissional estão sendo reorganizados em torno de resultados de modelos, escores de risco e limiares algorítmicos. A contribuição distintiva do ensaio é mostrar que essa transformação opera por meio da cumplicidade, e não da coerção: os profissionais aderem à governança algorítmica porque o sistema torna a conformidade o caminho de menor exposição profissional em comparação com o exercício do julgamento contextual. Essa disposição é, em si mesma, um efeito governamental. O ensaio identifica as condições institucionais necessárias para manter a verdade probabilística aberta à contestação, argumentando que a coragem profissional individual é necessária, mas insuficiente sem estruturas de apoio em normas, educação, regulação e prática organizacional. A menos que a profissão construa tais condições, a contabilidade corre o risco de se estreitar em uma conformidade algorítmica autorreferencial, corroendo a accountability pública da qual depende sua legitimidade.

Othmar Manfred Lehner, AI and the production of truth in accounting practices: a Foucauldian analysis, Critical Perspectives on Accounting, Volume 103, 2026, 102862, ISSN 1045-2354.