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16 setembro 2025

Uma observação sobre III Prêmio Qualidade da Informação Contábil e Fiscal


As duas figuras apresentam os resultados do ranking dos Estados e das Capitais. Também é possível obter os valores dos municípios, mas observe um ponto interessante: em verde (?) estão destacados os entes com as melhores notas. É visível que, com o passar do tempo, as notas máximas melhoraram — e muito.

Uma possibilidade é que a qualidade das informações tenha melhorado substancialmente, quase como em um passe de mágica. No entanto, essa hipótese parece pouco plausível. É mais provável que os entes tenham passado a perseguir as metas do prêmio, seguindo uma espécie de cartilha para alcançar boas avaliações. Trata-se de um caso típico de inflação de notas, fenômeno já bastante discutido no campo da educação.

A inflação de notas corresponde ao aumento contínuo e generalizado das avaliações escolares ou acadêmicas sem que haja, necessariamente, uma elevação proporcional no desempenho real dos estudantes. Esse fenômeno ocorre quando professores ou instituições, pressionados por expectativas sociais, políticas educacionais ou pela busca de prestígio, passam a atribuir notas mais altas de forma desproporcional. Como consequência, reduz-se a capacidade das notas de refletir com precisão o nível de conhecimento ou das habilidades adquiridas, comprometendo comparações entre turmas, instituições e gerações distintas. Além disso, a inflação de notas pode criar uma falsa percepção de mérito, desvalorizar o esforço dos alunos mais dedicados e enfraquecer o papel da avaliação como instrumento de diagnóstico e de incentivo ao aprendizado.

Será que o mesmo não estaria acontecendo também no prêmio?

 

Mais sobre relatórios trimestrais


A Long-Term Stock Exchange, uma Bolsa dos EUA que se diz especializada em companhias que priorizam as metas de longo prazo, quer acabar com o ritual dos balanços trimestrais. “Ouvimos muito a respeito de como é excessivamente oneroso ser uma empresa de capital aberto”, Bill Harts, o CEO da LTSE, disse ao Wall Street Journal. Para ele, o fim dos relatórios trimestrais é “uma ideia cuja hora chegou.”

Segundo o Journal, a LTSE planeja encaminhar uma petição à Securities and Exchange Commission sugerindo o fim da obrigatoriedade de publicação dos balanços trimestrais. A divulgação passaria a ser semestral, e valeria não apenas para as companhias de capital aberto. Nos EUA há cerca de 3.700 companhias com ações negociadas na Bolsa – uma queda de 17% em relação a 2022 e quase metade do pico de 1997.

Em 2018, em meio a um movimento empresarial para reavaliar as exigências regulatórias, Jamie Dimon, o CEO do JP Morgan, e Warren Buffett defenderam o fim do guidance trimestral em um artigo no Wall Street Journal e numa entrevista à CNBC. “O ‘curto-prazismo’ está prejudicando a economia,” dizia o título do artigo.

“Reduzir ou mesmo eliminar as projeções de lucros trimestrais não eliminará, por si só, todas as pressões de desempenho de curto prazo que as empresas de capital aberto dos EUA enfrentam atualmente, mas seria um passo na direção certa,” escreveram Dimon e Buffett. Na opinião de Dimon e Buffett, tudo que os mercados acionários dos EUA puderem fazer para “focar no futuro e construir riqueza e oportunidades de longo prazo tornará o país mais forte, resiliente e competitivo.”

Fonte: aqui 

Contabilidade para Criptomoedas


O resumo:

Este artigo investiga as participações em criptomoedas e as práticas contábeis de empresas públicas nos Estados Unidos entre 2013 e 2022, no contexto da recente norma de contabilidade para criptoativos, a ASU 2023-08. As análises descritivas indicam um crescimento exponencial nas participações corporativas em criptoativos e uma variação significativa nas práticas contábeis adotadas, ressaltando a necessidade da norma. Testes de hipóteses com dados anteriores à regra revelam três achados diretamente relevantes. Primeiro, as empresas tendem a tratar os criptoativos mais como investimentos do que como ativos intangíveis, em linha com a exigência do modelo de valor justo. Segundo, as auditorias das Big Four direcionam as empresas ao modelo de impairment e a escolhas de apresentação menos detalhadas. Essa abordagem conservadora dificilmente atende ao objetivo da nova norma de fornecer informações mais úteis à decisão. Terceiro, a maior liquidez dos mercados de criptoativos incentiva o uso do modelo de valor justo e uma apresentação mais detalhada, coerente com o foco da norma em tokens mais ativamente negociados. Contudo, na amostra analisada, há indícios de que o reporte a valor justo aumenta a volatilidade do retorno das ações e não há evidência de que melhore a relevância das informações sobre lucros. 

Grifo do blog.  Imagem aqui

Trump sugere eliminar relatórios trimestrais


O presidente Trump sugeriu abolir os relatórios trimestrais. Lembro de Johnson e Kaplan, em Relevance Lost, já criticavam a frequência da contabilidade financeira nos anos oitenta, então a crítica não é nenhuma novidade. O foco no desempenho de curto prazo seria o grande problema.

Mas veja que temos algo bom hoje: alguns países tentaram fazer no passado. E o resultado foi a não adesão das próprias empresas. As poucas que aderiram tiveram uma redução na liquidez e uma menor cobertura dos analistas. 

Regime contábil nos Fundos Imobiliários


Sobre a contabilidade dos Fundos Imobiliários (FIIs):  

A contabilidade dos Fundos Imobiliários (FIIs) pode adotar dois regimes distintos para o reconhecimento de receitas e despesas: o de caixa e o de competência. [A CVM publicou] em novembro de 2024, um ofício circular reforçando que a distribuição dos FIIs deve ser baseada em 95% em resultado do lucro caixa. (...)

Outro ponto importante é que o gestor precisa definir se o fundo seguirá o regime de caixa ou de competência e manter essa escolha de forma consistente. “Antes, era comum os administradores alternarem entre os regimes, dependendo do cenário. Agora não pode mais: a decisão deve ser definitiva, sempre respeitando a trava dos 95% do caixa”, destaca Corrêa. Essa regra reduz a margem para distribuições artificiais e aumenta a previsibilidade para o investidor.

Imagem aqui 

15 setembro 2025

China está salvando o mundo da mudança climática?


Noah Smith argumenta que, embora a China ainda seja a maior fonte individual de poluição, é hoje quem executa a estratégia mais eficaz para conter a crise climática: escalar maciçamente tecnologias verdes até que fiquem mais baratas do que as fósseis. Com subsídios, crédito barato, cadeias integradas e abundância de engenheiros, a China domina a produção global de painéis solares, turbinas eólicas e mais de 70% dos carros elétricos. 

Esse volume aciona leis de escala (gráfico 2), derruba custos e já começa a substituir o carvão na geração elétrica e no aquecimento industrial, levando as emissões chinesas a um platô e leve queda recente (gráfico 1). Ao exportar painéis e automóveis elétricos baratos, o país permite que nações em desenvolvimento, incluindo o Brasil, cresçam pulando a etapa fóssil — não por moral, mas por economia. 

É interessante lembrar que o segundo posto do ISSB, entidade criada para regular as normas contábeis relacionadas à sustentabilidade, é ocupado por um chinês.  Mas o país ainda é reticente em usar as IFRSs. 

OpenAI e sua crise existencial

 


A OpenAI, responsável pelo ChatGPT, está procurando resolver o que o NY Times chamou de crise existencial. Isso inclui redefinir sua parceria com a Microsoft e ajustar sua forma de atuação. Hoje, a OpenAI é uma entidade sem fins lucrativos, e a solução passa pela mudança desse status. Vários financiamentos, inclusive alguns já contratados, dependem dessa mudança — que também permitiria, no futuro, a abertura de capital.

Quanto à parceria com a Microsoft, as mudanças negociadas alterariam a cláusula do acordo original que tratava do acesso da empresa à tecnologia mais avançada caso a startup atingisse a chamada inteligência geral artificial — uma IA tão capaz quanto o cérebro humano, seja lá o que isso seja. Pelo desenho discutido, a Microsoft ficaria com cerca de 30% da nova OpenAI, enquanto a organização sem fins lucrativos que hoje a controla teria algo acima de 20%.

Para a Microsoft, o acordo pode ajudar a manter a empresa na liderança do desenvolvimento de IA. Há dúvidas se os reguladores aceitarão a conversão e existe, naturalmente, a pressão dos concorrentes.

A OpenAI precisa resolver o problema, pois os custos de IA são enormes. A própria empresa projetou um desembolso de caixa de 115 bilhões de dólares até 2029, o que inclui computação em nuvem e processadores.

Do ponto de vista contábil, essa mudança de natureza jurídica conecta-se ao que Niyama e Silva destacam no capítulo 1 de Teoria Contábil: a forma de estruturação de uma entidade — inclusive se pertence ao segundo ou ao terceiro setor — afeta como ela mensura e evidencia seu desempenho. Uma entidade do terceiro setor privilegia métricas de missão; já uma companhia com fins lucrativos passa a enfatizar geração de resultado, retorno ao investidor e divulgações alinhadas a essa finalidade.