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07 setembro 2025

Relação dívida PIB em 25 anos


Desde 2000, especialmente após a crise financeira de 2008 e a pandemia de COVID-19, os níveis de endividamento público cresceram significativamente em diversas economias avançadas. O indicador dívida/PIB mede quanto um país deve em relação ao tamanho de sua economia e reflete sua capacidade de administrar e pagar obrigações futuras.

Segundo dados do FMI, os países com maiores aumentos foram Japão (+116 pontos percentuais), Singapura (+86 pp) e Estados Unidos (+71 pp). Apesar de possuírem economias estáveis e pouco risco de calote, enfrentam o peso crescente dos pagamentos de juros.

Em contrapartida, apenas Bélgica (-2,8 pp), Islândia (-21,2 pp) e Israel (-20,6 pp) reduziram sua relação dívida/PIB desde 2000. Os dados da figura acima estão desatualizados, mas isto não afeta a análise da tendência. 

A relação para o Brasil acompanha o crescimento mundial. Em 2000, no governo FHC, a relação era de 62%. Agora, em 2025, está em 92%, com estimativa, para 2030, de 99,4%, ainda abaixo das economias mais avançadas.  

A evolução da relação dívida/PIB está diretamente ligada à contabilidade pública, pois esse indicador resulta da mensuração e do registro das obrigações financeiras do Estado em comparação com a riqueza gerada pela economia. A contabilidade pública não apenas cumpre uma função técnica de registro, mas também exerce um papel estratégico: oferece transparência, subsidia análises sobre solvência e capacidade de endividamento e orienta tanto os órgãos de controle quanto a sociedade sobre a viabilidade das políticas fiscais e a necessidade de reformas estruturais.

Efeitos da obrigação de divulgação ESG no mundo


 Eis o resumo:

Compilamos um novo conjunto de dados sobre a divulgação obrigatória de informações ambientais, sociais e de governança (ESG) ao redor do mundo para analisar os efeitos dessas exigências na liquidez das ações. Documentamos um efeito positivo das exigências de divulgação ESG sobre a liquidez das ações em nível de empresa. Os efeitos são mais fortes quando os requisitos de divulgação são implementados por instituições governamentais, não em regime de “cumprir ou explicar”, e quando estão associados a uma forte aplicação por instituições informais. Empresas com ambientes informacionais mais frágeis se beneficiam mais das exigências de divulgação ESG. Nossos resultados apoiam a visão de que a regulação da divulgação ESG melhora o ambiente informacional e gera efeitos benéficos nos mercados de capitais. 

Fonte: The Effects of Mandatory ESG Disclosure Around the World - Philipp Krueger et al

06 setembro 2025

Rir é o melhor remédio

Como você lia um jornal - antes e depois da tecnologia. 
 

Reputação e valor


Este artigo investiga como o consumo da obra criativa de um artista é impactado quando há um movimento de “cancelamento” do artista nas redes sociais devido a sua má conduta. Diferentemente de marcas de produtos, marcas humanas são particularmente vulneráveis a riscos de reputação, mas ainda se entende pouco sobre como a má conduta afeta seu consumo. Usando o caso de R. Kelly, examinamos a demanda por sua música após choques inter-relacionados de publicidade e sanções de plataformas — especificamente, a remoção de suas músicas das principais playlists da maior plataforma global de streaming. Uma análise superficial do consumo após esses escândalos poderia levar à conclusão equivocada de que os consumidores estão intencionalmente boicotando o artista em desgraça. Propomos uma estratégia de identificação para distinguir os efeitos da curadoria da plataforma dos da escuta intencional, explorando a variação no status de remoção das músicas e a demanda geográfica. Nossas descobertas mostram que a queda no consumo é motivada principalmente por fatores do lado da oferta devido às remoções de playlists, e não por mudanças na escuta intencional. A cobertura midiática e os apelos ao boicote têm efeitos promocionais, sugerindo que boicotes nas redes sociais podem, inadvertidamente, aumentar a demanda musical. A análise de outros casos de cancelamento envolvendo Morgan Wallen e Rammstein não mostra queda de longo prazo na demanda, reforçando os potenciais efeitos promocionais dos escândalos na ausência de sanções pelo lado da oferta.

Fonte: aqui . Imagem aqui

Pensando no valor do artista como sendo a geração de caixa, a remoção de playlist pode afetar o ativo. Mas veja que o boicote como fator para aumentar a demanda parece estranho, já que não é este o objetivo.  

Trabalho mais chato perto da extinção

Neste semestre, na minha primeira aula da graduação, apresentei um slide com alguns motivos para se ter orgulho da contabilidade. E agora, passando por textos publicados recentemente sobre o assunto, deparei com este artigo da Business Insider com o título de America's most boring job is on the brink of extinction. Eis uma ideia do conteúdo do texto:

A contabilidade carrega um estereótipo persistente: o profissional entediante, preso em um cubículo, sem glamour. Embora os CPAs possam atuar em áreas estratégicas, como auditorias em grandes empresas ou investigações no FBI, a imagem negativa da profissão continua forte. Para a Geração Z, esse estigma pesa ainda mais. Jovens buscam propósito no trabalho e rejeitam carreiras vistas como seguras, mas pouco estimulantes. O contraste com as redes sociais, que valorizam experiências “interessantes” e visíveis, também afasta muitos da contabilidade.

Além da questão de imagem, tornar-se CPA é um processo árduo: exige mestrado, quatro exames rigorosos e um período de prática supervisionada. Ao mesmo tempo, a remuneração inicial é inferior à de outros cargos em finanças, como o de banqueiro de investimento, que pode ultrapassar US$ 100 mil já no primeiro ano. Assim, a profissão enfrenta tanto desafios de atratividade quanto barreiras estruturais de formação, agravando a atual escassez de contadores.

É bem verdade que o título é bem sensacionalista. Mas a crise de credibilidade é somente em alguns países? Precisamos de pesquisa sobre o assunto.  

Ensino online versus presencial

Pesquisas recentes destacaram os efeitos prejudiciais do ensino on-line para alunos mais jovens, mas, no nível universitário, há poucas evidências sobre se a instrução virtual é tão eficaz quanto a experiência educacional presencial em sala de aula.

Em um artigo publicado na American Economic Review: Insights, os autores Michael S. Kofoed, Lucas Gebhart, Dallas Gilmore e Ryan Moschitto apresentam os resultados de um experimento em um curso introdutório universitário e constatam que o aprendizado on-line reduziu as notas finais em meio grau de letra.

No semestre do outono de 2020, a Academia Militar dos EUA em West Point transferiu alguns alunos para o ensino on-line a fim de ajudar a conter a disseminação da COVID-19. Naquele momento, os pesquisadores organizaram um experimento para comparar os resultados de desempenho, designando aleatoriamente 551 estudantes entre 12 instrutores em 36 turmas de um curso obrigatório de Princípios de Economia. Ao comparar os estudantes alocados em turmas presenciais com aqueles em turmas virtuais, foi possível isolar o impacto da instrução on-line


 

Como Trump ganhou bilhões com a política

Um texto da Forbes mostra depois de deixar a presidência em 2021, Donald Trump viu seu patrimônio cair para cerca de US$ 2,4 bilhões, quase saindo da lista Forbes 400. No entanto, sua fortuna se recuperou quando ele abraçou novos modelos de negócio vinculados à política. 

Trump entrou no setor de mídia e tecnologia com uma proposta de participação de 90% sem investimento inicial, o que o impulsionou de volta ao topo dos bilionários com um patrimônio estimado em US$ 4,3 bilhões. Grande parte dessa valorização vem da Trump Media & Technology Group, dona da Truth Social, que abriu capital em março, elevando sua fortuna a US$ 2,2 bilhões apenas desse negócio. A renda operacional total estimada de seus empreendimentos saltou 58% em relação ao período em que estava na Casa Branca. Seus clubes e campos de golfe também triplicaram de valor, chegando a US$ 1,1 bilhão em patrimônio. Ele também capitalizou sua imagem, vendendo de NFTs a pedaços do terno usado em debates, reforçando a estratégia de monetizar sua presença política como marca pessoal.