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19 agosto 2025

Mestre em contabilidade é o novo Controlador-Geral de SP (e nosso amigo!!!)

É com muita alegria que compartilhamos uma excelente notícia: nosso querido amigo Rodrigo Fontenelle, atual Controlador-Geral de Minas Gerais, foi convidado pelo governador Tarcísio de Freitas para assumir o cargo de Controlador-Geral da Controladoria-Geral do Estado de São Paulo (CGE-SP).

Trata-se de um cargo de enorme relevância, responsável por zelar pela integridade, transparência e eficiência da gestão pública em um dos maiores estados do país. Essa nomeação reflete não apenas a confiança em sua competência técnica, mas também o reconhecimento nacional de sua trajetória dedicada ao controle e à boa governança. Mais ainda, demonstra o respeito à profissionais tecnicamente qualificados e realmente preparados para tamanha responsabilidade.

Rodrigo é mestre em Ciências Contábeis pela Universidade de Brasília (Programa Multi UnB/UFPB/UFRN) e chegou a iniciar o doutorado em Gestão Pública, mas optou por se dedicar integralmente à honrosa responsabilidade de liderar a Controladoria-Geral de Minas Gerais, oportunidade que surgiu na mesma época.

Além da carreira sólida e respeitada, Rodrigo é simplesmente uma pessoa ótima! Inteligente, carismático, brincalhão, camarada, bom amigo mesmo. Quem já conviveu pessoalmente com ele sabe da seriedade com que encara os desafios, mas também da leveza, estilo e bom humor que carrega consigo.

Além da minha ligação, o professor César teve a chance de ser um tanto seu mentor e dar sugestões preciosas na caminhada do Rodrigo como mestrando, trocando ótimas ideias e incentivos. Mesmo após o encerramento do mestrado, a ligação e admiração entre eles continuou então sei que falo por nós dois quando disserto com entusiasmo sobre a capacidade e carisma do Rodrigo. Para completar, o livro de auditoria escrito por ele chegou a ser, inclusive, utilizado como fonte de pesquisa para o próprio professor César, quando responsável pela parte de planejamento e orçamento na UnB. 

Olha, o Tarcísio realmente soube escolher!

Orgulho não define! Parabéns, Rods, pela merecida nomeação. Que você siga exercendo com a mesma maestria, ética e inspiração tudo aquilo a que se propõe. Vai lá e arrasa!!!

P.S. – Não poderia deixar de registrar um episódio divertido (e compartilhável, sem a equipe de compliance precisar chamar a minha atenção) do nosso mestrado: o Rodrigo foi um dos que me “trolou” porque eu comprei um Kindle em vez de um iPad (na época, lançamentos e com preços parecidos). (Você também, Glauber! 😂) Pouco tempo depois, ele mesmo me pediu o Kindle emprestado para ler um artigo de Contabilidade Avançada em pdf e ainda me deu bronca porque deixei o aparelho sem senha, o que permitiu que ele comprasse um livro na Amazon, só de brincadeira. Eu nem sabia que isso era possível! 😂


Foto do dia da defesa do Rodrigo. Da esquerda para a direita, parte superior: Rodrigo Fontenelle, Glauber Barbosa, Flavia Carvalho, Luiz Felipe Andrade, Giovanni Pacelli. Parte inferior, ao centro: Odair Corrêa e eu, Isabel Sales. Essa foto tem muito peso pesado!!!

Testando a Teoria Contábil através da Inteligência Artificial


Do blog Marginal Revolution uma proposta de Tetlock para testar teorias sociais. Eis um resumo: 

Philip Tetlock, renomado cientista social, aponta uma nova abordagem para testar grandes teorias políticas e econômicas — tradicionalmente difíceis de validar devido às condições ceteris paribus raramente observáveis no mundo real. Em vez de depender de experiências complexas e demorada, ele sugere o uso de modelos de linguagem (LLMs). A proposta envolve instruir a IA a reconstruir as perspectivas de diferentes correntes de pensamento, como o neorrealismo de Mearsheimer dos anos 1990, e testar se a IA pode reproduzir os pressupostos, hipóteses e previsões condicionais dessas escolas. O processo inclui três etapas: (1) validar se os LLMs conseguem passar por um “teste de Turing ideológico”; (2) avaliar sua capacidade de raciocinar para frente e gerar previsões de 2025 a 2050; e (3) pedir que sintetizem os melhores pressupostos e previsões das diferentes escolas, criando um observador ideal capaz de superar cada corrente de forma isolada. Essa estratégia pode acelerar a validação teórica e representar um salto em direção à inteligência super-humana em análise social. 

Fiquei imaginando se isto poderia ser aplicável na contabilidade. Minha impressão era um grande Sim, já que é uma ciência social. Optei por perguntar a própria inteligência artificial se ela era capaz de fazer isso. Lógico que respondeu com um sim. 

Veja a resposta: 

Sim, seria possível aplicar esse tipo de abordagem da Tetlock também na contabilidade, especialmente para testar e comparar grandes teorias contábeis ou pressupostos normativos e positivos.

Como funcionaria

  • Passo 1 – Reconstrução das escolas contábeis
    Um modelo de linguagem poderia ser instruído a “pensar” como diferentes escolas de pensamento em contabilidade (ex.: teoria da entidade, teoria do comando, teoria da propriedade, abordagem normativa versus positiva). Ele teria que reproduzir seus conceitos, princípios e justificativas para decisões específicas.

  • Passo 2 – Teste prospectivo
    A IA poderia ser desafiada a aplicar essas teorias a cenários futuros — por exemplo, como reconhecer passivos climáticos em 2035, como mensurar ativos digitais ou como lidar com moedas digitais dos bancos centrais. Assim, poderíamos comparar como cada teoria geraria diferentes registros contábeis ou divulgações.

  • Passo 3 – Síntese entre correntes
    A etapa final seria pedir que a IA sintetize os melhores elementos de cada escola, construindo uma “contabilidade observador ideal”, capaz de oferecer soluções mais equilibradas para dilemas contemporâneos (como sustentabilidade, valor justo ou relatórios integrados).

Benefício

Esse processo poderia ajudar a identificar lacunas nas normas atuais, explorar impactos de novas práticas e até subsidiar debates em órgãos reguladores como IASB e CPC.

Uma situação proposta seria a seguinte: Crie um exemplo sobre: se tivessemos um crise ambiental, faria sentido reconhecer o Escopo 3 das empresas? A resposta que obtive:

Ótima provocação 👌 Vamos montar um exemplo aplicado, inspirado no método de Tetlock, mas dentro da contabilidade.


Cenário

Em 2030, uma crise ambiental global provoca protestos e pressões de investidores. O debate é: empresas deveriam reconhecer contabilmente o Escopo 3 (emissões indiretas da cadeia de valor)?


📌 Escola Normativa (Princípios da Utilidade e Relevância)

  • Defende que a contabilidade deve informar usuários externos com a máxima transparência.

  • Argumenta que, como o Escopo 3 representa a maior parte da pegada de carbono de várias empresas, não reconhecer seria omitir informação relevante.

  • Proposta: criar passivos ambientais provisionados com base em modelos de precificação de carbono para toda a cadeia.


📌 Escola Positiva (Watts & Zimmerman)

  • Foca em como as empresas realmente se comportam, não no que “deveriam” fazer.

  • Diria que empresas só reconheceriam o Escopo 3 se houvesse pressão regulatória ou incentivos econômicos claros (ex.: imposto sobre carbono transferido aos fornecedores).

  • Conclusão: na prática, as companhias tenderiam a divulgar em notas explicativas em vez de reconhecer no balanço.


📌 Escola Crítica/Sociológica

  • Enfatiza que a contabilidade é também um instrumento de poder e legitimação.

  • Reconhecer o Escopo 3 seria um avanço, mas também redistribui responsabilidades: quem decide como medir as emissões da cadeia? A empresa ou o regulador?

  • Conclusão: poderia haver risco de greenwashing contábil, já que métricas imprecisas podem ser usadas para mostrar compromissos sem efetiva responsabilização.


Síntese

Uma “contabilidade do observador ideal” poderia combinar:

  • A relevância normativa (Escopo 3 é crucial para transparência),

  • O realismo positivo (reconhecimento só se vinculado a políticas de precificação do carbono),

  • E a crítica sociológica (necessidade de mecanismos de auditoria e governança para evitar manipulação).

👉 Resultado: seria plausível reconhecer Escopo 3 como passivo contingente, vinculado a cenários regulatórios e preços de carbono, enquanto se fortalece a divulgação obrigatória padronizada.

Imagem: aqui 

Painel Imaginário de Conselheiros para ajudar o profissional nas decisões difíceis

 


Criar um painel imaginário de conselheiros é uma técnica útil para ampliar perspectivas e tomar decisões difíceis. Basta pensar em pessoas ou figuras cujos valores e julgamentos você respeita — de familiares a líderes históricos como Lincoln, Buda ou Roosevelt — e se perguntar: “O que você faria?”. A diversidade de vozes torna a reflexão mais rica, pois cada conselheiro abordaria o problema de forma distinta. Essa prática lembra os 6 Chapéus do Pensamento de De Bono e os “conselheiros invisíveis” descritos por Napoleon Hill.

Na contabilidade, por exemplo, um profissional diante da dúvida se deve ou não reconhecer um passivo poderia imaginar o que um auditor rigoroso, um gestor prudente ou um acadêmico da área fariam, ampliando a análise e fundamentando melhor sua decisão.

Tipologia do torcedor


O resumo 

Esta pesquisa tem como objetivo determinar as tipologias de torcedores de basquete e verificar se as variáveis diferem de acordo com essas tipologias. A amostragem por critério, um dos métodos de amostragem intencional, foi utilizada na seleção da amostra para identificar as tipologias dos torcedores. Nesse contexto, 211 torcedores participaram do estudo. A “Escala de Tipologia de Torcedores” foi utilizada como instrumento de coleta de dados. Valores de assimetria e curtose foram examinados para verificar se o conjunto de dados era adequado à distribuição normal. Após essa verificação, utilizou-se uma análise de cluster hierárquica em duas etapas para identificar a tipologia dos torcedores, e as questões da pesquisa foram testadas com análises ANOVA e qui-quadrado.

Como resultado, determinou-se que os torcedores de basquete se dividem em três tipologias: fanáticos, clássicos e sociais. Ao analisar a distribuição dos grupos, verificou-se que a maioria (43,6%) era de torcedores clássicos, e a minoria (20,9%) de fanáticos. Torcedores hooligans com tendências violentas não apareceram neste estudo específico para o basquete. Considerando que a porcentagem de torcedores fanáticos — com médias elevadas em variáveis de comportamento e motivação para apoiar o time — é menor na distribuição de torcedores de basquete, e que os grupos clássico e social, com motivações como entretenimento e socialização em vez do apoio exclusivo ao time, são maioria, pode-se afirmar que atender às expectativas dos torcedores é um fator mais crítico para clubes de basquete do que para clubes de futebol.

A imagem obtida aqui 

Que tal uma tipologia dos profissionais de contabilidade? Fanáticos, clássicos e sociais poderia ser um bom ponto de partida.  

Dólar internacional e seu uso na contabilidade: uma proposta


O dólar internacional (também escrito como international-$ ou int-$) é uma moeda hipotética com poder de compra equivalente em qualquer país, ajustando-se tanto pelas diferenças no custo de vida entre nações quanto pela inflação ao longo do tempo

O seu uso facilita comparações internacionais de valores em diferentes moedas. Por exemplo, enquanto o PIB per capita da Índia parece quase 30 vezes menor que o dos EUA em dólares de mercado, em dólares internacionais essa diferença cai para cerca de oito vezes. A lógica da moeda é o conceito de Paridade de Poder de Compra, que já existe há mais de um século. 

A filosofia é que para comparar economias de forma justa, era preciso ajustar as moedas de acordo com o que realmente podiam comprar em bens e serviços, e não apenas pela taxa de câmbio de mercado. O conceito tem sido usado por entidades internacionais, como Banco Mundial, OCDE e ONU.  

Na contabilidade, nós usamos as taxas de câmbio de mercado. A possibilidade de usar o dólar internacional poderia, quem sabe, trazer uma visão mais fiel da capacidade de geração de valor das entidades em diferentes contextos. 

Os times de futebol mais valiosos (?) do mundo

O Real Madrid é o clube mais valioso do mundo em 2025, com avaliação de US$ 6,75 bilhões e receita de US$ 1,13 bilhão, um aumento de 2 % em relação ao ano anterior. Na sequência aparecem Manchester United (US$ 6,6 bilhões), Barcelona (US$ 5,65 bilhões), Liverpool (US$ 5,4 bilhões), Manchester City (US$ 5,3 bilhões) e Bayern de Munique (US$ 5,1 bilhões). Entre os dez mais valiosos, destacam-se seis clubes da Premier League — incluindo Arsenal, Tottenham e Chelsea — além de dois da La Liga, um da Ligue 1 e um da Bundesliga. A soma dos valores dos 30 clubes mais valiosos ultrapassa US$ 72 bilhões, com média de US$ 2,4 bilhões por club.

Mas você realmente acredita nisto? Se sim, não deveria, pois é um grande chute da Forbes.  Eis o que ela diz sobre sua metodologia:

As avaliações de equipes da Forbes são baseadas no valor empresarial (valor do patrimônio líquido mais dívida líquida), com base em transações históricas e nas projeções econômicas futuras de cada liga e cada equipe. (...) Os valores das equipes incluem a parte econômica dos estádios utilizados, mas não o valor do imóvel do estádio em si. Participações acionárias em outros ativos relacionados ao esporte e projetos imobiliários de uso misto também são excluídas.(...)

Eis a relação:



É possível notar uma clara tendência aqui. Eu destaquei na tabela acima, para facilitar. Em um grande clube europeu, a relação entre o valor e receita está entre 7,91 e 2,62. Isto seria o múltiplo, mas há uma forte variação aqui. Fora dos clubes europeus, a tabela apresenta também oito times dos Estados Unidos. Aqui a relação entre valor e receita vai de 6,67 a 11,22. Parece suspeito. 

18 agosto 2025

Trafigura, petróleo e fraude


A Trafigura no passado esteve envolvida em um esquema no Brasil onde efetuava pagamento de até US$0,20 por barril negociado com a Petrobras. A operação era oculta através de empresas de fachada e contas offshore. No final, a empresa admitiu a corrupção, pagando multa para o Departamento de Justiça dos EUA (US$127 milhões), alem de multa criminal (US$ 80,5 milhões) e confisco de lucros (US$ 46,5 milhões). 

A empresa de negociação de commodities de Cingapura divulgou, no final do ano passado, que o seu resultado líquido reduziu de 7,3 bilhões para 2,8 bilhões. O motivo foi uma perda de 1,1 bilhão por uma fraude na sua operação de petróleo na Mongólia.