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24 junho 2011

Legado de David


A Contabilidade possui poucas estrelas, mas Sir David Tweedie é uma delas. Como o primeiro chefe do International Accounting Standards Board (IASB), que estabelece normas de contabilidade para a maioria das principais economias do mundo, fora os EUA, ele é figura de destaque na profissão. Após 10 anos na cadeira, ele vai entregar [o cargo]  à Hans Hoogervorst, um regulador financeiro holandês, em 01 de julho.


O maior projeto de Sir David tem sido a convergência das normas do IASB com os dos EUA do Financial Accounting Standards Board (FASB). Os dois tiveram um prazo definido de junho, para coincidir com a aposentadoria Sir David, para resolver as suas diferenças. Que não serão cumpridos. Em abril, eles anunciaram o adiamento em quatro questões: o reconhecimento de receitas, contabilidade de locação [leasing], contratos de seguro e o valor justo dos instrumentos financeiros.


Como tratar instrumentos financeiros é, de longe, pergunta o mais difícil. Em 2009, sob seu presidente anterior, Bob Herz, o Fasb votou pela margem de 2 a 3 FASB que todos os ativos devem ser registrados pelo valor justo nos balanços de bancos. O IASB propôs um modelo menos zeloso. (...)


Sir David não deve estar muito desapontado que a convergência não está completa. Que o processo tenha chegado tão longe (...) é algo que ninguém poderia ter previsto há dez anos, diz Nigel Sleigh-Johnson, do Institute of Chartered Accountants da Inglaterra e País de Gales. O prazo de junho foi útil para concentrar as mentes, mas agora, diz ele, é mais importante para fazer as coisas direito.


The balladeer of the balance-sheet - The Economist - 23 jun 2011 - Mais aqui

Sobre a adoção das IFRS nos EUA


Uma pesquisa do AICPA com os contadores dos EUA (CPAs):

=> 78% dos CPAs já tem algum conhecimento sobre IFRS

=> 50% dos CPAs trabalhando para empresas estrangeiras de capital aberto e 39% de propriedade estrangeira em empresas privadas já adotaram o IFRS ou estão pronto para adotar.

=> 32% já começaram a preparar para adoção.

=> 18% estão planejando adotar IFRS.

=> 30% disseram que o ritmo de mudança da convergência é muito rápido; 36% disse que o ritmo é adequado; 28% não tem certeza; 6% acham que o ritmo de mudança é lento.

=> 51% acreditam que uma data de adoção 2015-16 daria tempo suficiente para a implementação, 17% disseram que não seria tempo suficiente, e 32% não tem certeza.

Fonte: aqui

Termômetro da "bolha" de tecnologia




Fonte: aqui

23 junho 2011

Rir é o melhor remédio









Recuperaçação econômica dos EUA

Por Pedro Correia


Este mês marca dois anos do término da recessão e início da recuperação econômica americana. No entanto,a recuperação foi tão fraca, que pode ser considerada como inexistente. O gráfico abaixo faz uma comparação entre a recuperação econômica após a crise de 1981-82 e a recente crise financeira.Após 1982, o PIB teve um crescimento real de 7% ao ano.Enquanto que, após 2008, o crescimento foi de apenas 2,8% ao ano.Além disso, o desemprego continua bastante alto.Jonh Taylor explica as falhas das políticas keyneysianas adotadas pelo governo norte-americano e propõe uma saída.


Uma das mais importantes discussões econômicas nos EUA gira em torno da redução do gasto governamental. A questão é : a redução dos gastos governamentais vai impulsionar a recuperação econômica ou vai limitá-la? Taylor defende que uma boa estratégia oçamentária irá ajudar na recuperação ,se as seguintes ameaças forem removidas: nova crise fiscal, impostos mais altos, aumento da inflação e taxas de juros altas. Segundo o economista, para equilibrar o orçamento sem aumentar os tributos, será necessário reduzir o crescimento dos gastos em 6 trilhões de dólares durante o perído de 10 anos.

Grécia e derivativos

Por Pedro Correia


Recentemente, foi noticiado que o risco Brasil é menor que dos EUA. No entanto, são dados referentes ao CDS negociados em um ano.São derivativos pouco negociados e diversos outros países também têm CDS de um ano menor que o americano, como por exemplo: Rússia, Chile, México, Casaquistão.A medida mais adequada para mensurar o risco país seria o CDS negociado em prazos mais longos (5 anos) ou através do EMBI (Emerging Markets Bond Index).

Qual é a importância do CDS (Credit Default Swaps)? O CDS é o único derivativo que conecta os bancos do mundo inteiro.Este derivativo protege os credores no caso dos países não pagarem suas dívidas.Além disso, foi este instrumento financeiro que colaborou para o colapso financeiro do American International Group.

A preocupação com a crise grega é crescente.O bilhonário pacote de ajuda à Grécia não deixa de ser uma ajuda aos bancos europeus. O NYT informa que na França e na Alemanha, os bancos são credores de 90 billhoes de dólares da dívida pública e privada grega.Além disso, o banco central europeu também possui boa parcela destas dívidas. Assim, um calote grego poderia gerar perdas em cascata para todo sistema financeiro europeu.Mas será que os bancos americanos estão livres desta ameaça? Ninguém sabe ao certo. Eles não são grandes credores gregos, no entanto, participam de forma vultosa no mercado de derivativos.

Portanto, se a Grécia der o calote , o banco europeu que possuir um CDS sobre a dívida grega ,assegurado por um banco norte-americano, terá direito a receber um pagamento deste banco.Não obstante, não se sabe ao certo quem possui estes CDS e quem é responsável pelo pagamento do seguro.A partir das evidências disponíveis, não parece que um calote grego teria o mesmo poder destrutivo do caso AIG. Será? Somente o tempo dirá.

Ser terceiro é melhor


Falando no Festival Cannes Lions, Malcolm Gladwell comentou uma mensagem simples, mas poderosa: ser terceiro (ou segundo) é melhor (e mais rentável) do que estar em primeiro lugar.

Usando a batalha de 1982 com Israel e Síria, Gladwell apontou a razão Israel ganhou (abateu 87 aviões sírios perdendo apenas 3 soldados): porque eles usaram as invenções dos outros. Ou seja, a Rússia e os Estados Unidos.

No exemplo de Gladwell a Rússia, tradicionalmente muito centralizadora, é excelente para o desenvolvimento de estratégia militar. Os Estados Unidos, com suas forças armadas descentralizadas e acesso a um setor privado é excelente em criar dispositivos intrincados e eficaz da guerra. Israel, pequeno e pobre, é excelente na implementação das estratégias e desenvolvimentos de outros para o seu sucesso.


Afastando-se do tema da guerra e com exemplos de empresas, Gladwell lembrou à platéia que Steve Jobs não inventou o computador pessoal, nem a sua interface gráfica do usuário. A Xerox, numa operação bem financiada com legiões de engenheiros e técnicos e com a cultura de inovação, inventou o que Jobs finalmente se transformou em um dispositivo acessível aos consumidores poderia compreender, usar e pagar.



Fonte: aqui