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18 junho 2011

Capitalismo no Brasil?

Por Pedro Correia




Um levantamento inédito de ÉPOCA identifica 675 empresas na órbita do governo federal e revela a extensão da interferência estatal na economia.

...O economista americano Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia em 2001, afirmou recentemente a ÉPOCA: “Não é o tamanho do Estado que importa, é o que o governo faz”.

De diferentes formas, o governo interfere na gestão de algumas das maiores empresas privadas nacionais, em setores tão distantes quanto metalurgia, criação de animais para abate ou telefonia. A teia de interesses estatais nos negócios é tão complexa, tem tantas facetas e envolve tantos conflitos de interesse que o próprio governo não consegue avaliá-la de modo preciso. Nem o Ministério do Planejamento, a que está ligado o Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais, nem a Secretaria do Tesouro Nacional, que controla o caixa federal, sabem quantas empresas no país têm participação estatal. E não há, em nenhuma repartição de Brasília, um diagnóstico completo da atuação e da influência do governo sobre nossa economia.

Nos últimos três meses, uma equipe de jornalistas de ÉPOCA dedicou-se a desfazer o nevoeiro que encobre essa questão. Com o apoio da empresa de informações financeiras Economática, mergulhamos em relatórios ministeriais, balanços e planilhas de dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), das estatais, da Bolsa de Valores e das empresas privadas sob influência do governo. Restringimos nosso trabalho às participações do governo federal – um critério conservador para estimar o tamanho do Estado, por omitir as estatais em poder de Estados e municípios. No futebol da economia brasileira, o governo não é apenas juiz, bandeirinha, técnico, zagueiro e artilheiro ao mesmo tempo. Ele também corta o gramado do estádio, costura as redes e – se quiser – pode até mexer no tamanho das traves.

De acordo com o levantamento, existem hoje no país pelo menos 675 empresas de todos os setores com algum tipo de participação ou influência do governo federal. São participações diretas ou indiretas do Tesouro, dos bancos e das empresas estatais ou dos fundos de pensão (entidades híbridas, inegavelmente na órbita do governo). Dessas, o governo controla 276, se somarmos todos os tipos de participação. Levando em conta apenas as 628 empresas não financeiras, o faturamento soma R$ 1,06 trilhão, algo como 30% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) ou 2,5 vezes as vendas dos 50 maiores grupos privados nacionais . Nas 247 empresas não financeiras controladas pelo governo, as vendas somam R$ 468,5 bilhões, ou 13% do PIB. E o valor de mercado das 99 empresas cujas ações são negociadas na BM&FBovespa totaliza R$ 1,7 trilhão, ou 71% do valor de mercado das empresas na Bolsa.

A interferência do Estado na economia via estatais, BNDES e fundos de pensão é tão intensa que, durante a pesquisa, ÉPOCA teve de atualizar os dados de muitas companhias que receberam recentemente dinheiro do governo, como o frigorífico JBS ou a Cipher, especializada em sistema de segurança de informação. “O governo brasileiro é um dinossauro com apetite insaciável. Nunca tivemos um capitalismo de Estado tão evidente”, diz o economista Rodrigo Constantino, sócio da Graphus Capital, uma empresa de gestão de recursos do Rio de Janeiro.

Confira tabelas do levantamento aqui.

17 junho 2011

Rir é o melhor remédio


Links

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A crise da Grécia, numa explicação animada

Bolha de revista em quadrinhos

Por Pedro Correia

Nos idos de 1993 a bolha de revistas em quadrinhos estourou:

In 1974 you could buy an average copy of Action Comics #1—the first appearance of Superman—for about $400. By 1984, that comic cost about $5,000. This was real money, and by the end of the decade, comics sales at auction houses such as Christie’s or Sotheby’s were so impressive that the New York Times would take note when, for instance, Detective Comics #27—the first appearance of Batman—sold for a record-breaking $55,000 in December 1991. The Times was there again a few months later, when a copy of Action Comics #1 shattered that record, selling for $82,500. Comic books were as hot as a market could be. At the investment level, high-value comics were appreciating at a fantastic rate. At the retail level, comic-book stores were popping up all across the country to meet a burgeoning demand. As a result, even comics of recent vintage saw giant price gains. A comic that sold initially for 60 cents could often fetch a 1,000 percent return on the investment just a few months later.

But 1992 was the height of the comic-book bubble. Within two years, the entire industry was in danger of going belly up. The business’s biggest player, Marvel, faced bankruptcy. Even the value of blue chips, like Action Comics #1 and Detective Comics #27, plunged. The resulting carnage devastated the lives of thousands of adolescent boys. I know. As a 12-year-old I had a collection worth around $5,000. By the time I was ready to sell my comic books to buy a car—such are the long-term financial plans of teenagers—they were worthless.

The comic-book bubble was the result not of a single mania, but of a confluence of events. Speculation was part of the story. Price gains for the high-value comics throughout the 1980s attracted speculators, who pushed the prices up further. At the retail level, the possibility that each new issue might someday sell for thousands of dollars drove both the sale of new comics and the market for back-issue comics. It was not uncommon for a comic book to sell at its cover price (generally 60 cents or $1) the month it was released and then appreciate to $10 or $15 a few months later.

But the principal cause of the bubble was the industry’s distribution system. Comic books are created and released by publishing houses. There are two giants (Marvel and DC) and then a raft of much smaller independents, which come and go with great frequency. All of the publishing houses left the task of physically getting comics from the printing presses to the retailers to a group of middlemen—the distribution companies.

These distribution companies determined who could and couldn’t sell comic books. They imposed requirements on retailers, demanding that they demonstrate financial reserves and guarantee certain numbers of orders each month. The reason comics were so slow to migrate from newsstands and five-and-dimes to dedicated comic book shops (a process that took nearly 50 years) is that it was hard for these small start-ups to muster the resources needed to secure distribution. These hurdles are why, in 1979, there were only about 800 comic-book shops in the entire world.


Leia mais aqui.

Apple

A figura acima mostra como é informativo a separação da demonstração do resultado de uma empresa pelas linhas de negócio. O gráfico diz respeito ao lucro da Apple em dois segmentos: música (azul) e Apps (vermelho). A tendência de crescimento do lucro nos segmentos mostra também que a venda de aplicativos (Apps) poderá ultrapassar o resultado das músicas brevemente. 

Botín

A poderosa família espanhola Botín foi denunciada na Espanha por delito fiscal e evasão de divisão, com a ocultação de dinheiro no HSBC da Suiça. A família Botín é proprietária do grupo Santander, que no Brasil adquiriu o Banco Real.

Aparentemente, o criador do grupo Santander, Botín pai, que faleceu em 1993, deixou uma grande quantidade de dinheiro na Suíça. O fato remota a Guerra Civil Espanhola, quando Emilio Botín abriu uma conta na Suiça depois de deixar a Espanha e ir para Londres, em 1937. Segundo apurou o NY Times, somente o ano passado os herdeiros, incluindo o atual chefe do Santander, também chamado Emílio Botín, e 11 parentes, foram informados pelas autoridades espanholas do dinheiro “esquecido” na Suíça. A lista inclui 569 espanhóis e permitiu ao país recuperar 300 milhões de euros em receitas fiscais. E este montante deve aumentar.

Apurou-se que a família Botín pagou 200 milhões de euros em impostos atrasados em 2010.

RSPL

Um ex-orientando pergunta:

Estava conversando com a Controller XXX e ela fez um curso com o XXX sobre indicadores de desempenho. Disse-me que fora mencionado um índice de Retorno sobre PL que serviria como parâmetro para qualquer empresa. Algo como um índice "internacional". Sinceramente, não sei se a colega entendeu bem ou se realmente há algum estudo que defina esse padrão. 

Penso que há inúmeras formas de comparação e parametrização e que devem ser condicionadas a diversos outros índices, estrutura de capital, políticas macroeconômicas etc.
 

Pergunto se você tem algum estudo dessa natureza ou alguma informação sobre esse assunto.


Resposta:


Não existe nenhum "indice internacional". Veja que o RSPL deve ser comparado com o custo de oportunidade do capital do acionista. No Brasil provavelmente o custo de oportunidade é maior que as nações desenvolvidas. Consequentemente, espera-se que o RSPL seja superior a de outros países.

Além disto, existem pelo menos quatro formas de cálculo deste índice e não existe consenso na literatura sobre a melhor delas.
Tentaram fazer isto com alguns modismos (EVA, EBITDA etc), mas não foi possível.