12 setembro 2025
11 setembro 2025
Estados Unidos pode exigir IFRS, mas só com conciliação com US GAAP
O presidente da SEC (Securities and Exchange Commission) dos EUA, Paul Atkins, advertiu que pode revogar a regra que permite a empresas multinacionais apresentarem seus demonstrativos financeiros segundo as IFRS sem a necessidade de reconciliação com o US GAAP.
Ele enfatizou que uma condição para manter essa dispensa é que a IFRS Foundation (entidade que supervisiona o IASB) tenha financiamento estável. Se não houver garantias de continuidade e qualidade no trabalho do IASB, ele alertou que pode ser preciso reavaliar a decisão tomada em 2007 de eliminar essa exigência de reconciliação.
Atkins também expressou preocupação sobre a expansão da missão da IFRS Foundation, principalmente com envolvimento em padrões de sustentabilidade via o ISSB (International Sustainability Standards Board). Ele defendeu que os padrões contábeis financeiros sejam mantidos focados em relatórios financeiros confiáveis, sem servir de “porta de entrada” para agendas políticas ou sociais.
Claramente um maior distanciamento com entre os Estados Unidos, leia-se Fasb, e os demais países do mundo, leia-se IFRS.
Albânia quer colocar a IA no governo
Uma nova ministra da Albânia encarregada de cuidar dos contratos públicos será imune a subornos, ameaças ou tentativas de obter favores. Isso porque Diella, como é chamada, é um bot gerado por inteligência artificial.
O primeiro-ministro do país, Edi Rama, que está prestes a iniciar seu quarto mandato, disse nesta quinta-feira que Diella, que significa “Sol” em albanês, administrará todas as licitações públicas nas quais o governo contrata empresas privadas para vários projetos.
“Diella é o primeiro membro do gabinete que não está fisicamente presente, mas é virtualmente criado pela IA”, disse Rama durante um discurso de apresentação de seu novo gabinete. O bot ajudará a tornar a Albânia “um país onde as licitações públicas são 100% livres de corrupção“.
(...) Mas nem todo mundo está convencido da eficácia do sistema. Um usuário do Facebook disse: “Até a Diella será corrompida na Albânia.” Outro disse: “Os roubos continuarão e Diella será responsabilizada.”
Fonte: aqui
O uso de inteligência artificial na política desperta entusiasmo e desconfiança. Entre os principais desafios está a transparência: quem controla o algoritmo e define seus critérios de decisão? Sem clareza, há risco de reproduzir ou até ampliar vieses já existentes. Outro ponto crítico é a responsabilidade: se uma IA toma uma decisão equivocada, quem responde por suas consequências?
Uma leitura do livro Weapons of Math Destruction: How Big Data Increases Inequality and Threatens Democracy , de Cathy O’Neil, publicado em 2016, poderia ser útil nesse debate.
Nesse cenário, a governança torna-se fundamental. Não se trata apenas de regular a tecnologia, mas de garantir mecanismos de supervisão humana, auditoria independente e participação social nos processos. A governança deve equilibrar eficiência e inovação com princípios democráticos, preservando a legitimidade das decisões políticas. Afinal, substituir ou apoiar políticos com IA só fará sentido se for para fortalecer — e não fragilizar — a democracia.
Salve o Corinthians
O Corinthians fechou o primeiro semestre de 2025 com um déficit de cerca de R$ 60 milhões, o que elevou a dívida bruta do clube para aproximadamente R$ 2,6 bilhões. O principal fator para esse resultado negativo foi o alto gasto com pessoal, incluindo salários, direitos de imagem e encargos, que superaram em muito as projeções. Apesar de contar com receitas expressivas vindas de televisão, patrocínios, bilheteria e transferências de jogadores, o montante arrecadado não foi suficiente para equilibrar as contas, sobretudo diante das despesas do clube social e dos esportes amadores.
Leia mais aqui. A impressão que tenho é que o clube precisa de um choque de gestão, o que inclui uma condução mais séria e organizada das suas finanças. Os mesmo dirigentes de sempre só fazem agravar a crise.
XI ACG - II
Ainda sobre o evento, que ocorrerá de 17 a 19 de setembro de 2025, em Brasília. Os palestrantes presentes no evento.
O congresso conta com o patrocínio do Banco do Brasil, da Caixa e do Governo Federal, além da promoção do Sebrae e da organização da Finatec. Também recebe o apoio do CRCDF, do CFC, do CNPq e do Banco do Brasil.
Este evento surgiu no âmbito do Programa de Pós-graduação em Ciências Contábeis e ganhou muita força ao longo do tempo. Já tivemos a presença de dois nomes que fazem parte do Hall da fama da Ohio University.
XI ACG
Entre os dias 17 e 19 de setembro de 2025, Brasília será palco de mais uma edição do UnB Accounting & Governance Conference (ACG). O evento, que chega à sua 11ª edição, já se consolidou como um dos principais espaços de debate acadêmico sobre contabilidade e governança no Brasil. A programação deste ano mostra um equilíbrio entre temas clássicos da área e discussões atuais que atravessam fronteiras acadêmicas e sociais.
Dia 17 – Abertura e Sustentabilidade em foco
O congresso começa com o Consórcio Doutoral, espaço essencial para jovens pesquisadores trocarem experiências e receberem feedback qualificado.
À tarde, a Palestra Magna será ministrada por Katherine Schipper (Duke University), referência mundial em pesquisa contábil, discutindo sustainability reporting from a financial reporting perspective. Um tema que conecta diretamente os relatórios financeiros às crescentes demandas por transparência socioambiental.
Na sequência, os participantes poderão escolher entre dois debates de peso: o Painel sobre regras fiscais, conduzido por Selene Peres Nunes, e o Workshop sobre a nova IFRS 18, com Silvio Hiroshi Nakao.
Dia 18 – Inteligência Artificial, digitalização e recursos naturais
A manhã do segundo dia abre com duas atividades paralelas. De um lado, o Painel sobre inteligência artificial e tomada de decisão, liderado por Daniel Cajueiro (UnB). De outro, o Workshop sobre pesquisa qualitativa, com Niamh Brennan (University College Dublin). Logo depois, a Plenária 1 traz Dorota Dobija (IESE Business School) discutindo os lados “claros e escuros” da digitalização na contabilidade e auditoria. À tarde, além das tradicionais sessões paralelas de artigos, o destaque é a Plenária 2, novamente com Niamh Brennan, sobre extração e esgotamento de recursos naturais no Sul Global — um tema que extrapola a contabilidade e toca dimensões sociais, políticas e ambientais. O dia se encerra com o Painel dos patrocinadores sobre risco e um coquetel de confraternização.
Dia 19 – Novas fronteiras da pesquisa
O último dia dá destaque à produção acadêmica. Pela manhã, o Fórum de Editores de Periódicos discute o uso da inteligência artificial na produção científica, enquanto Katherine Schipper conduz um workshop sobre os efeitos econômicos das normas contábeis. Depois do coffee break, Dorota Dobija retorna com um workshop inovador sobre o uso de fotografias em pesquisas qualitativas. O encerramento fica por conta de novas sessões paralelas de artigos e da cerimônia de fechamento, coroando três dias intensos de troca de conhecimento.
10 setembro 2025
Estrutura Conceitual: enxuta ou detalhada?
A Estrutura Conceitual do IASB/CPC vive um dilema curioso. De um lado, existe a tentação de mantê-la curta e objetiva, uma espécie de documento simples que orienta sem complicar. Essa escolha traz clareza, facilita a leitura e cumpre bem a função de guia geral para acadêmicos, reguladores e profissionais. Mas, ao ser concisa demais, a Estrutura corre o risco de deixar de fora pontos essenciais e abrir espaço para diferentes interpretações.
Do outro lado, há a opção de detalhar cada vez mais. Isso permitiria enfrentar lacunas que ainda persistem, como a discussão sobre manutenção de capital, a definição explícita de unidade de medida ou mesmo a questão da periodicidade. O problema é que, quanto mais a Estrutura cresce — já são cerca de 30 mil palavras — mais ela se aproxima de virar um documento denso. E grandes documentos estão mais sujeitos a erros, incoerência, falta de consistência e outros problemas.
Quando pensamos no dilema da Estrutura Conceitual do IASB — ser curta e objetiva ou crescer para preencher lacunas — há um detalhe importante que não pode ser ignorado: a posição hierárquica da EC. Ela está abaixo de um pronunciamento e, muitas vezes, é tratada quase como um apêndice sem grande importância. Se esse papel secundário é real, faria sentido optar pelo caminho mais simples: um documento enxuto, sem ambições de resolver tudo.
Por outro lado, a história mostra que a EC já influenciou mudanças em normas, revelando que talvez não seja tão irrelevante quanto aparenta. Afinal, se ela é o fio condutor que deveria dar coesão às normas, não seria lógico aproveitar esse espaço para tratar de temas ainda nebulosos, como os princípios da evidenciação ou a distinção entre materialidade e relevância? Um documento que conseguisse esclarecer essas bases teria impacto direto na aplicação da técnica contábil.
Uma tendência recente dos reguladores é alongar as explicações, sendo redundantes, exemplificando e incorporando novas seções, como glossários ou FAQs. Tendências como essa parecem indicar que os reguladores são remunerados pelo número de palavras redigidas na estrutura, e não pela concisão e objetividade. É essa contradição que alimenta o dilema sobre seu futuro: manter-se simples ou assumir, de vez, sua relevância.
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