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09 setembro 2025

Sobre o excesso de confiança

O Excesso de confiança parece uma característica do ser humano. Mesmo quando existem informações precisas, ainda persiste. Um estudo com jogadores de xadrez mostrou esse aspecto:  

 


A autoconfiança excessiva é considerada um viés cognitivo fundamental, mas geralmente é estudada em ambientes nos quais as pessoas não dispõem de informações precisas sobre suas habilidades. Conduzimos um experimento de pesquisa pré-registrado, seguido de uma replicação, para investigar se a autoconfiança excessiva persiste entre jogadores de xadrez de torneio, que recebem feedback objetivo, preciso e público sobre seu nível de habilidade. Nossa amostra combinada incluiu 3.388 jogadores ranqueados, com idades entre 5 e 88 anos, provenientes de 22 países e com uma média de 18,8 anos de experiência em torneios. Em média, os participantes afirmaram que sua habilidade era 89 pontos Elo superior ao que suas classificações observadas indicavam — esperando superar um oponente de mesmo rating por quase 2 a 1. Um ano depois, apenas 11,3% dos jogadores autoconfiantes alcançaram o rating que haviam declarado. Os jogadores de menor classificação superestimaram mais suas habilidades, enquanto os de topo estavam bem calibrados. Padrões consistentes com excesso de confiança surgiram em todos os subgrupos sociodemográficos analisados. Concluímos que a autoconfiança excessiva persiste no xadrez de torneio, um ambiente informacional do mundo real que deveria ser inóspito a ela.

Na contabilidade, o excesso de confiança pode ser fatal para as situações onde há exigência de julgamento. Com uma contabilidade que usa cada vez mais o julgamento para suas decisões, o excesso de confiança deve ser estudo a fundo, para evitar queda na credibilidade profissional.  

(Foto: série Gambito da Rainha) 

Prática da DFC na Austrália


Eis o resumo executivo:

Em resposta ao feedback recebido na Terceira Consulta da Agenda do International Accounting Standards Board (IASB), realizada em 2022, o IASB iniciou um projeto sobre a demonstração dos fluxos de caixa para explorar possíveis melhorias no IAS 7 – Demonstração dos Fluxos de Caixa.

Este relatório de pesquisa apresenta resultados de uma análise dos relatórios anuais das 50 maiores entidades listadas na Bolsa de Valores da Austrália (ASX top 50), em 2023. Os achados foram os seguintes:

a) Métodos de reporte de fluxos de caixa operacionais: 72% das entidades apresentaram a demonstração de fluxos de caixa pelo método direto e a reconciliação do lucro com o fluxo de caixa operacional líquido (método indireto) nas notas explicativas. Os 28% restantes utilizaram apenas o método indireto na demonstração.

b) Caixa e equivalentes de caixa: 40% das entidades não forneceram informações desagregadas sobre os valores de caixa e equivalentes. Além disso, 62% e 2% definiram maturidade de curto prazo como três meses e 12 meses, respectivamente, enquanto 36% não divulgaram ou definiram o limite de curto prazo.

c) Classificação: Observou-se inconsistência na classificação de itens de fluxo de caixa, especialmente em recebimentos e pagamentos de juros e dividendos. Entre as entidades que divulgaram dividendos pagos, quase 98% os classificaram em atividades de financiamento. Houve grande variação na classificação de juros pagos, juros recebidos e dividendos recebidos.

d) Divulgações voluntárias incentivadas: A maioria das entidades divulgou informações sobre linhas de crédito não utilizadas. Contudo, informações voluntárias sobre fluxos de caixa destinados a aumentar e manter a capacidade operacional, bem como fluxos de caixa segmentados, foram menos comuns.

e) Fluxo de Caixa Livre (FCF): 52% das entidades divulgaram FCF, refletindo sua importância nos relatórios anuais. Entretanto, a forma de determinação e a localização da divulgação no relatório anual variaram.

Esses achados fornecem evidências adicionais de que há diversidade na prática sobre como as demonstrações de fluxo de caixa e informações relacionadas são apresentadas e divulgadas. Eles reforçam a necessidade de revisões no IAS 7 para melhorar a consistência e a utilidade das informações de fluxo de caixa, atendendo melhor às necessidades dos usuários.

Nepal e a relevância das mídias sociais


O Nepal foi sacudido por protestos liderados por jovens. Tudo começou quando o governo decidiu bloquear 26 plataformas de mídias sociais — incluindo Facebook, X e YouTube. Antes disso, o governo tinha decidido impor algumas regras burocráticas para o funcionamento das mídias, como o registro compulsório com o Ministério das Comunicações. 

A falta de acesso trouxe um grande número de pessoas para ruas. E os protestos começaram a ficar mais violentos, com conflitos com a polícia e registro de mortes e feridos. O Parlamento foi invadido e queimado, edifícios do governo foram atacados, indicando uma crise. Como consequência, o governo revogou a proibição e o primeiro-ministro, responsável pela medida, renunciou.  

IA, Educação e Dívida Cognitiva

 O artigo do ZeroHedge discute como a inteligência artificial está transformando profundamente a educação, levantando debates sobre seus benefícios e riscos. Desde 2022, ferramentas como o ChatGPT passaram a integrar o cotidiano dos estudantes, que muitas vezes as utilizam não como apoio ao aprendizado, mas como uma forma de evitar o esforço cognitivo tradicional. Isso gera um dilema: de um lado, a IA pode personalizar a experiência de estudo e facilitar a produção de conhecimento; de outro, pode se tornar um atalho que compromete o desenvolvimento intelectual. Um estudo conduzido pelo MIT ilustra esse ponto ao analisar a escrita de redações em três grupos — com IA, com buscadores tradicionais e sem auxílio tecnológico. Os resultados mostraram que os participantes que recorreram ao ChatGPT apresentaram menor engajamento cerebral e desempenho inferior quando tiveram de escrever sem apoio, sugerindo a criação de uma “dívida cognitiva”. Assim, a IA redefine a educação, mas também desafia sua essência.


A chegada da IA na educação trouxe uma grande mudança de hábito. Existem várias questões que poderiam ser discutidas, como a desonestidade, mas é inegável que também não devemos esquecere dos grandes ganhos. Mas como a IA pode ajudar ou atrapalhar. Muitos pesquisadores estão trabalhando agora neste assunto e a cada momento novas pesquisas surgem. 

Um novo estudo do MIT (via aqui) sugere um aspecto de dívida cognitiva e declínio na qualidade da escrita. Ou seja, as conclusões são negativas. Por mais de quatro meses, os pesquisadores estudaram 54 adultos, divididos em três grupos. O primeiro, usou o GPT; o segundo, como ferramenta de pesquisa; e o terceiro, somente para melhorar suas habilidades. A equipe monitorou a atividade cerebral e analisou os textos. O grupo de dependia mais da IA mostrou menor engajamento cerebral e mais dificuldade de lembrar o seu próprio texto. E quando solicitado a escrever um texto sem ajuda, mostraram um desempenho ruim. 

O estudo foi realizado com um grupo pequeno e provavelmente não será definitivo. Isto faz lembrar as primeiras pesquisas que analisaram o efeito dos quadrinhos sobre os jovens, condenando como leitura. Ou, conforme aqui, as calculadoras. 

O verdadeiro desafio é que as instituições não atualizaram seus padrões ou sequer sabem como fazê-lo. Os professores ainda atribuem as mesmas tarefas e esperam os mesmos resultados de cinco anos atrás, ignorando o fato de que agora existe uma nova e poderosa ferramenta.

É essencial que as gerações atuais e futuras saibam pensar de forma crítica e criativa e resolver problemas. No entanto, a IA redefine o que isso significa. Escrever redações à mão já não é a única maneira de demonstrar pensamento crítico, assim como fazer contas de divisão longa não prova automaticamente habilidades numéricas.

08 setembro 2025

Kakeibo ou método de finanças pessoais


O Kakeibo é um sistema de finanças pessoais criado em 1904 por Motoko Hani (foto), uma das vozes feministas do Japão daquela época. Concebido como uma “contabilidade doméstica”, o método permite controlar gastos e economizar sem custo, sendo resgatado atualmente por aplicativos que digitalizam o modelo original.

A proposta consiste em registrar todos os gastos — mesmo os mais pequenos — com constância e precisão. No início de cada mês, anotam-se os rendimentos e despesas fixas (aluguel, luz, hipoteca etc.), para depois categorizar as despesas variáveis (alimentação, lazer, vestuário, moradia), com data e tipo especificados. Isso oferece uma visão completa das finanças e ajuda a identificar gastos supérfluos, favorecendo o acúmulo de poupança.

Hani criou o Kakeibo em um contexto de empoderamento feminino: ela defendia que mulheres, cuja autonomia financeira era limitada, conquistassem poder por meio do controle econômico — sugerindo economizar até 15% dos rendimentos.

Origens da tributação e da sonegação

Foram os egípcios que criaram o primeiro sistema tributário conhecido por volta de 3000 a.C. Nos primórdios, o imposto era coletivo, sendo calculado pela água do Rio Nilo. Se o volume de água fosse acima ou abaixo do normal, pagava-se menos imposto. Com a alfabetização e o aumento dos escribas, a tributação passou a ser individual. Isso ocorreu no Novo Reino. 


Junto com a arrecadação, o Egito conheceu também a evasão fiscal e a corrupção.  Mas na maior parte da sua história, o imposto era sobre bens, o que incluia a arrecadação de grãos, tecidos, gado e outras mercadorias. Os tributos eram ajustados de acordo com a produtividade da terra e o tamanho da colheita.

Escribas e nomarcas frequentemente cooperavam para subnotificar valores ao Estado e ficar com o excedente, ou cobravam dos camponeses mais do que o devido. Ao mesmo tempo, os contribuintes inventavam formas criativas de evitar o pagamento. Balanças usadas para pesar grãos, por exemplo, podiam ser facilmente manipuladas.

“As pessoas escondiam pedras no grão para atingir o peso tributado de seus campos”, diz Wilkinson. “O problema tornou-se tão comum que foram emitidos éditos reais ordenando que não se trapaceasse o sistema.”

Por volta do século XIII a.C., o faraó Horemheb, da 18ª dinastia, emitiu um decreto determinando que tanto a extorsão quanto a evasão de impostos poderiam ser punidas com a remoção do nariz e o exílio. Essa declaração reafirmava o dever da população de pagar ao faraó e ao reino, já que tudo no Estado era entendido como pertencente ao soberano.

A ocupação estrangeira trouxe a moeda metálica a partir da metade do primeiro milênio antes de Cristo. E isto facilitou muito o processo de cobrança pela praticidade.  

Era também comum o governante isentar os templos e outras camadas da população quando precisava obter o apoio político.  A famosa pedra de roseta (foto), que ajudou a decifrar os hieróglifos, era um texto que falava da isenção fiscal aos templos. 

leia mais sobre a importância do Egito na história da contabilidade aqui

Saúde, desemprego e poluição


Primeiro, vamos detalhar a pesquisa, conduzida pelos economistas Amy Finkelstein, Matthew Notowidigdo, Frank Schilbach e Jonathan Zhang. Eles analisaram o impacto da Grande Recessão de 2007-2009 nas taxas de mortalidade em diferentes regiões dos EUA, algumas das quais sofreram aumentos mais acentuados no desemprego. Descobriram uma correlação impressionante: quando a taxa de desemprego sobe um ponto percentual em uma das 741 regiões metropolitanas ou “zonas de deslocamento” dos EUA, a taxa de mortalidade naquela área cai 0,5%. Esse benefício persiste por pelo menos uma década e se distribui uniformemente entre as faixas etárias, embora, em termos absolutos, os idosos — por estarem mais sujeitos à morte — tenham usufruído do maior benefício. (...)


O ar fica mais limpo em áreas onde a economia desacelera. Os pesquisadores estimam que esse ar mais limpo explica mais de um terço da redução da mortalidade. Isso pode surpreender, porque não estamos acostumados a considerar a poluição atmosférica como um problema em países ricos — o clichê é que cidades em industrialização na Ásia estão cobertas de smog, mas que, para América e Europa, o único poluente preocupante seria o gás de efeito estufa dióxido de carbono.

Fonte: aqui