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08 setembro 2025

Resultado dos Correios


Os Correios registraram um prejuízo recorde de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025, quase o triplo do resultado negativo do mesmo período de 2024. Apenas no segundo trimestre, o déficit foi de R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes maior que o de um ano antes. A queda de receita líquida, de R$ 9,28 bilhões para R$ 8,18 bilhões, somada ao aumento expressivo de despesas administrativas (de R$ 1,2 bi para R$ 3,4 bi) e financeiras (de R$ 3 mi para R$ 673 mi), agravou a situação. A estatal atribuiu a crise, em parte, à retração do segmento internacional, afetado por novas regras sobre importados, como a chamada “taxa das blusinhas”, além da maior concorrência no setor. Para reverter o quadro, a empresa lançou um plano de contingência com foco na diversificação de serviços, corte de custos e expansão no e-commerce, incluindo um marketplace próprio. Também obteve autorização para uma linha de crédito de R$ 4 bilhões junto ao NDB, banco dos Brics. O governo pressiona por medidas como o Plano de Desligamento Voluntário, que deve gerar economia anual de R$ 1 bilhão.

A falha na responsabilização em países em desenvolvimento


O resumo: 

Este capítulo examina por que as democracias no mundo em desenvolvimento frequentemente apresentam baixo desempenho na oferta de uma governança eficaz. Argumentamos que essas deficiências decorrem de fragilidades nos mecanismos de accountability, que deixam os governos vulneráveis à corrupção, ao clientelismo e à captura por elites. Nosso arcabouço distingue três canais de accountability: vertical (o controle dos cidadãos sobre os políticos), horizontal (os freios e contrapesos entre as instituições estatais) e diagonal (a supervisão pela mídia e pela sociedade civil). Sintetizamos a literatura teórica e empírica recente para avaliar como cada canal opera, em quais condições tem sucesso e por que frequentemente falha. Uma constatação central é que as instituições de accountability raramente fracassam sozinhas; em vez disso, são ativamente minadas por atores políticos que buscam preservar rendas e consolidar poder. Essa dinâmica enfraquece a competição eleitoral, erode a independência judicial e restringe a liberdade da mídia, produzindo um ciclo mutuamente reforçador de accountability fraca. Além disso, sustentamos que reformas sustentáveis não podem ser alcançadas fortalecendo apenas um canal isoladamente. Como a accountability vertical, horizontal e diagonal são interdependentes, uma reforma eficaz exige o fortalecimento simultâneo dos três. Concluímos discutindo as implicações dessa perspectiva para pesquisas futuras, incluindo o papel das novas tecnologias, da polarização política e da seleção de candidatos na reconfiguração da accountability em democracias em desenvolvimento.

Há vários exemplos citados no texto do Brasil. Afinal um dos autores é da PUC Rio.  

UKEB irá avaliar o impacto de uma norma contábil

O UKEB (UK Endorsement Board) está adotando um critério para avaliar o impacto da adoção de uma norma contábil. Isto parece ser inédito e muito bom para evitar que um país, no caso o Reino Unido, adote uma norma ruim. 

O UKEB está pensando em avaliar os efeitos na alocação de capital. O documento do Board contém os critérios, o que inclui, por exemplo, um acompanhamento do efeito sobre o modelo de Gordon. Se uma norma reduzir o custo do capital, podemos inferior, a princípio, que é uma boa norma. 

Mas o próprio documento é realista quanto o alcance da medida, já que é muito difícil de isolar o efeito de uma norma: 

A falta de inferência causal na literatura é atribuída a:

a) Falta de um grupo de controle: os pesquisadores enfrentam dificuldades em identificar um “grupo de controle”, ou seja, um grupo comparável de empresas que não aplicaram/aplicam as IFRS. Isso ocorre porque a adoção das Normas Contábeis IFRS geralmente exige a aplicação por todas as empresas listadas em uma determinada jurisdição ao mesmo tempo, o que torna praticamente impossível identificar um grupo de controle de empresas com informações públicas disponíveis e características semelhantes.

b) Fatores de confusão: fatores de confusão dificultam o isolamento do efeito das IFRS:
i. em nível macro, isso se deve muitas vezes a regulações financeiras introduzidas ao mesmo tempo que as IFRS. Por exemplo, no momento da adoção em 2005, muitas jurisdições iniciaram reformas relacionadas ao mercado de capitais para apoiar a adoção das IFRS. As estimativas de estudos sobre a adoção das IFRS em 2005 provavelmente capturam também o efeito dessas reformas concomitantes; e
ii. em nível micro, os desenhos de pesquisa normalmente não isolam o efeito dos requisitos contábeis do desempenho econômico subjacente de uma empresa e da aplicação que a própria empresa faz dos referidos requisitos. 

c) Dificuldades em identificar o período correto de tratamento: a identificação de um período apropriado de tratamento nem sempre é simples. É plausível, por exemplo, que os mercados financeiros antecipem mudanças nas normas contábeis e precifiquem essas mudanças antes que uma nova norma entre em vigor. Portanto, a magnitude ou até mesmo o sinal do coeficiente associado a uma variável do período pós-adoção pode não capturar totalmente o efeito das IFRS.

d) Desenho de pesquisa: alguns artigos utilizam desenhos de pesquisa que não produzem estimativas causais. Por exemplo, alguns estudos baseiam-se em modelos simples de regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (OLS), que não são adequados para estabelecer causalidade.

e) Viés sistemático em direção às grandes empresas: a maioria dos estudos foca no impacto das IFRS no custo de capital das grandes empresas. Empresas menores são frequentemente excluídas dessas análises, já que bases de dados comerciais geralmente têm cobertura muito mais limitada dessas companhias, o que gera viés sistemático nos resultados. Por exemplo, se empresas maiores experimentarem um benefício marginal mais elevado com as Normas Contábeis IFRS, as conclusões podem superestimar de forma incorreta os efeitos da adoção dessas normas.

Um grande avanço. Mas fica a pergunta: se chegarem a conclusão que a norma aumenta o custo do capital, o regulador deixará de endossá-la?  

07 setembro 2025

Consumo e dívida

 O Brasil iniciou um grande programa de expansão do crédito por meio de bancos estatais em 2011. O programa teve como principal alvo os trabalhadores do setor público, oferecendo empréstimos consignados. Usando dados administrativos em nível individual, constatamos que o programa levou a um aumento de 15 pontos percentuais na razão dívida/renda inicial para os servidores públicos. Desenvolvemos um novo método para estimar o crescimento esperado da renda dos trabalhadores e mostramos que o “suavizamento do consumo” não pode explicar o aumento do endividamento. Em vez disso, as evidências apontam para um “excesso de consumo”: trabalhadores menos sofisticados financeiramente tomaram mais empréstimos a taxas de juros reais elevadas e acabaram experimentando tanto maior volatilidade no consumo quanto menor consumo médio.

Link aqui 

Rir é o melhor remédio

Quando a estratégia vence a força
 

Falando em impostos, Lady Godiva ...


(...) uma nobre anglo-saxã do século XI, teria cavalgado nua pelas ruas de Coventry para protestar contra os impostos opressivos que seu marido, o conde Leofric de Mercia, impunha aos habitantes da região. De acordo com a lenda, após as repetidas súplicas dela, Leofric finalmente concordou em reduzir a tributação, mas impôs uma condição incomum: que ela fizesse o trajeto completamente nua. Assim, Lady Godiva aceitou o desafio, anunciando que os cidadãos deveriam manter-se em suas casas e fechar as janelas. Apenas um homem, mais tarde apelidado de "Peeping Tom", desobedeceu — e foi, conforme a tradição, punido por isso. Como resultado, Leofric cumpriu sua promessa e reduziu os impostos.

Fonte: Wikipedia 

Imposto e a lógica de Morton

A lógica de Morton era a seguinte: se o súdito vivia no luxo e gastava muito consigo mesmo, obviamente tinha renda suficiente para contribuir com o rei. Por outro lado, se o súdito vivia de forma frugal e não mostrava sinais de riqueza, então devia ter economias substanciais — e, portanto, também podia pagar ao rei.

Fonte: aqui