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06 setembro 2025

Trabalho mais chato perto da extinção

Neste semestre, na minha primeira aula da graduação, apresentei um slide com alguns motivos para se ter orgulho da contabilidade. E agora, passando por textos publicados recentemente sobre o assunto, deparei com este artigo da Business Insider com o título de America's most boring job is on the brink of extinction. Eis uma ideia do conteúdo do texto:

A contabilidade carrega um estereótipo persistente: o profissional entediante, preso em um cubículo, sem glamour. Embora os CPAs possam atuar em áreas estratégicas, como auditorias em grandes empresas ou investigações no FBI, a imagem negativa da profissão continua forte. Para a Geração Z, esse estigma pesa ainda mais. Jovens buscam propósito no trabalho e rejeitam carreiras vistas como seguras, mas pouco estimulantes. O contraste com as redes sociais, que valorizam experiências “interessantes” e visíveis, também afasta muitos da contabilidade.

Além da questão de imagem, tornar-se CPA é um processo árduo: exige mestrado, quatro exames rigorosos e um período de prática supervisionada. Ao mesmo tempo, a remuneração inicial é inferior à de outros cargos em finanças, como o de banqueiro de investimento, que pode ultrapassar US$ 100 mil já no primeiro ano. Assim, a profissão enfrenta tanto desafios de atratividade quanto barreiras estruturais de formação, agravando a atual escassez de contadores.

É bem verdade que o título é bem sensacionalista. Mas a crise de credibilidade é somente em alguns países? Precisamos de pesquisa sobre o assunto.  

Ensino online versus presencial

Pesquisas recentes destacaram os efeitos prejudiciais do ensino on-line para alunos mais jovens, mas, no nível universitário, há poucas evidências sobre se a instrução virtual é tão eficaz quanto a experiência educacional presencial em sala de aula.

Em um artigo publicado na American Economic Review: Insights, os autores Michael S. Kofoed, Lucas Gebhart, Dallas Gilmore e Ryan Moschitto apresentam os resultados de um experimento em um curso introdutório universitário e constatam que o aprendizado on-line reduziu as notas finais em meio grau de letra.

No semestre do outono de 2020, a Academia Militar dos EUA em West Point transferiu alguns alunos para o ensino on-line a fim de ajudar a conter a disseminação da COVID-19. Naquele momento, os pesquisadores organizaram um experimento para comparar os resultados de desempenho, designando aleatoriamente 551 estudantes entre 12 instrutores em 36 turmas de um curso obrigatório de Princípios de Economia. Ao comparar os estudantes alocados em turmas presenciais com aqueles em turmas virtuais, foi possível isolar o impacto da instrução on-line


 

Como Trump ganhou bilhões com a política

Um texto da Forbes mostra depois de deixar a presidência em 2021, Donald Trump viu seu patrimônio cair para cerca de US$ 2,4 bilhões, quase saindo da lista Forbes 400. No entanto, sua fortuna se recuperou quando ele abraçou novos modelos de negócio vinculados à política. 

Trump entrou no setor de mídia e tecnologia com uma proposta de participação de 90% sem investimento inicial, o que o impulsionou de volta ao topo dos bilionários com um patrimônio estimado em US$ 4,3 bilhões. Grande parte dessa valorização vem da Trump Media & Technology Group, dona da Truth Social, que abriu capital em março, elevando sua fortuna a US$ 2,2 bilhões apenas desse negócio. A renda operacional total estimada de seus empreendimentos saltou 58% em relação ao período em que estava na Casa Branca. Seus clubes e campos de golfe também triplicaram de valor, chegando a US$ 1,1 bilhão em patrimônio. Ele também capitalizou sua imagem, vendendo de NFTs a pedaços do terno usado em debates, reforçando a estratégia de monetizar sua presença política como marca pessoal. 

Ceticismo saudável em pesquisas contábeis


O resumo:

Examinando estatísticas de testes em artigos de seis dos principais periódicos de contabilidade, detectamos descontinuidades em suas distribuições em torno dos limiares convencionais de significância (valores de p de 0,05 e 0,01) e encontramos uma abundância incomum de estatísticas de teste que são apenas significativas. Análises adicionais revelam que essas descontinuidades são mais proeminentes em estudos com amostras menores e mais marcantes em estudos experimentais do que em estudos arquivísticos. A discrepância de descontinuidade entre estudos experimentais e arquivísticos relaciona-se a vários indicadores de graus de liberdade dos pesquisadores. No entanto, essa evidência não implica que a pesquisa experimental seja mais propensa a práticas questionáveis do que os estudos arquivísticos. De modo geral, nossos achados dialogam com a preocupação de que pesquisadores em contabilidade possam exercer discricionariedade não revelada para obter e relatar resultados estatisticamente significativos. Com base em nossos resultados, um ceticismo saudável em relação a algumas estatísticas de teste “apenas significativas” é justificado. 

O artigo é de março deste ano, mas os achados estão dentro do esperado.  

Discontinuous Distribution of Test Statistics Around Significance Thresholds in Empirical Accounting Studies - XIN CHANG, HUASHENG GAO, WEI LI. Imagem aqui

05 setembro 2025

Fábrica de mosquito


Uma “fábrica de mosquitos” em Curitiba, Brasil, produz semanalmente até 100 milhões de ovos de Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia. Essa estratégia — chamada de “wolbitos” — ajuda a reduzir a transmissão de doenças como dengue e zika. Segundo um texto da Nature, em Niterói, houve queda de 69% nos casos nas áreas onde foram liberados mosquitos modificados, comparado os locais sem essa intervenção.  

Acho que o assunto poderia dar um belíssimo estudo sobre finanças públicas, onde o apoio a uma técnica científica permite (ou não) a economia de recursos em saúde pública. 

Blueskyismo


De Nate Silver 

O Bluesky, derivado do Twitter e que já foi promovido como uma alternativa mais gentil e acolhedora ao que hoje é conhecido como X, provavelmente não está à beira da morte. Mas, após um surto de crescimento em torno das eleições, a plataforma vem encolhendo e perdendo influência de forma constante, mesmo enquanto outros setores da esquerda prosperam durante o segundo mandato de Trump.

A vida e a morte das plataformas de mídia social são ditadas pelos efeitos de rede. Embora às vezes possam existir pontos de inflexão, em geral sua trajetória é previsível. Você entra porque outras pessoas estão entrando, o que as torna progressivamente mais úteis. E você permanece nelas por hábito até que, ou a menos que, uma massa crítica migre para outro lugar.

O Twitter/X vem declinando lentamente em influência, segundo evidências externas — apesar das alegações ocasionais em contrário de Elon Musk. Ainda assim, apesar de características extremamente problemáticas já documentadas pelo *Silver Bulletin*, o X permanece relativamente estável, em parte porque sua queda tem sido lenta após um pico elevado alcançado em anos anteriores de crescimento exponencial.

Alternativas como o Threads da Meta, o Truth Social de Trump e o independente Mastodon não conseguiram ganhar força. E, neste ponto, é provavelmente seguro assumir que o Bluesky também não substituirá o Twitter.

Nate Silver destaca o que ele chama de Blueskyismo, como uma atitude cultural, que corresponderia ao "politicamente correto", com uma atitude agressiva de censura interna, usando o que seria uma superioridade moral. É uma atitude excludente, que termina por dificultar o dialogo. O Blueskyismo não é exclusivo da plataforma Bluesky.  

Nvidia e a concentração nas receitas


As informações contábeis do segundo trimestre de 2025 da Nvidia revelaram que cerca de 40% da receita total — 47 bilhões de dólares — advêm de apenas dois grandes clientes, identificados como “Cliente A” (23%) e “Cliente B” (16%). A grande dependência de uma empresa na geração de receita para dois clientes pode ser um fator de risco: se um dos clientes reduzir suas compras, o fato poderá afetar as receitas reportadas e, como consequência, o resultado.

Acredita-se que esses dois clientes sejam gigantes de tecnologia, como Microsoft ou Apple. O problema é que quatro outros clientes também foram representativos na geração de receita, indicando que a soma dos seis representa 85%.