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08 maio 2025

Falha no Exame de Suficiência

Um Conselho que representa mais de 500 mil profissionais no Brasil decidiu terceirizar a aplicação de seu exame mais relevante. A impressão que se tem é de que nenhum desses profissionais seria capaz de conduzir tal avaliação. Durante anos, a prova foi realizada por uma instituição reconhecida, mas, recentemente, o Conselho optou por transferir a responsabilidade de elaboração das questões, aplicação, correção e divulgação dos resultados para uma entidade sem tradição na área contábil. Era uma escolha arriscada — e o resultado foi desastroso.

Diversos relatos indicam que a prova do Exame de Suficiência foi absurdamente fácil. Ainda assim, houve um número expressivo de reprovações. Onde está o problema?

Para agravar a situação, a instituição responsável atribuiu a uma "falha operacional do sistema" a publicação, no Diário Oficial da União, de uma lista incorreta de aprovados. A justificativa sugere um erro técnico, mas, na prática, alguém deu o comando para que todos os inscritos fossem considerados aprovados — inclusive aqueles que sequer realizaram a prova. Não parece um simples erro de sistema.

Curiosamente, a nota de esclarecimento partiu da própria instituição que cometeu o equívoco. Mas não deveria o Conselho se manifestar oficialmente? Afinal, foi ele o responsável por escolher a entidade que conduziu o exame de forma tão negligente. A nota termina afirmando que a instituição lamenta o ocorrido e reafirma seu compromisso com a transparência, a seriedade e a correção do processo. São palavras vazias.

Como profissional registrado neste Conselho, espero uma posição oficial da entidade que me representa — não um comunicado genérico da executora do exame. Delegar tarefas não implica em abdicar da responsabilidade. E, neste caso, a responsabilidade é, sim, do Conselho.

Avaliação de prestação de contas de projetos financiados pelo CNPq, Finep e Embrapii

Pesquisadores são convidados a contribuir para aprimorar processos de fomento à pesquisa. Enquete do TCU e CGU busca identificar desafios e oportunidades na prestação de contas de projetos de PD&I: prazo vai até 10 de maio.

Via: @sbpcnet

Este questionário tem como objetivo coletar a percepção de pesquisadores acerca do processo de prestação de contas de recursos para financiar atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) , subsidiando auditoria em curso no Tribunal de Contas da União.

A auditoria tem como finalidade analisar o processo de prestação de contas dos instrumentos definidos pelo Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, identificando os desafios, dificuldades e oportunidades presentes em sua implementação.

A realização desta enquete só foi possível graças à colaboração da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), cuja diretoria se empenhou diretamente em sua distribuição.

O questionário contém nove perguntas e pode ser respondido em cerca de 10 minutos. 

Ao responder, considere somente as experiências com prestações de contas nos últimos 3 anos para agências de fomento que efetivamente apoiaram seus projetos de PD&I.

Acesse o questionário: aqui.


Agradecemos de antemão sua colaboração!


Tribunal de Contas da União

Norma Climática do ISSB Já Precisa de Revisão


Algo parece estar errado, ainda que por meio de sinais sutis. Assim que o ISSB foi criado, aproveitou textos que estavam sendo discutidos por outras entidades — posteriormente incorporadas ao regulador — para publicar rapidamente suas normas. Há um ditado antigo que diz que a pressa é inimiga da perfeição, mas um grupo de profissionais preparados não deveria permitir problemas em normas, desde que exista, ao menos, um ambiente minimamente adequado para discussões sérias e aprofundadas.

Agora, o ISSB está propondo alterações na IFRS S2 – Divulgação Relacionada ao Clima. Segundo informado, o “objetivo é facilitar a aplicação das exigências relacionadas à divulgação de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)”. A motivação para a mudança seriam “desafios específicos enfrentados na aplicação da norma”. Além disso, busca-se “facilitar e manter a utilidade das informações fornecidas aos investidores para a tomada de decisões”.

Ou seja, a norma precisa de ajustes. É como um carro recém-lançado que já precisa de recall para troca de peças com defeito — peças que, em tese, haviam passado pelo controle de qualidade. O que se pode dizer, então, sobre esse controle? A pergunta é retórica. Mas eis as palavras da entidade:

“Propor essas emendas a uma norma relativamente nova não é uma decisão tomada de forma leviana. Consideramos cuidadosamente a necessidade de tais emendas e procuramos equilibrar as necessidades dos investidores, considerando a relação custo-benefício para os preparadores”, disse a vice-presidente do ISSB, Sue Lloyd.

O fato de se tratar da segunda norma emitida pelo ISSB — e em um contexto em que a pauta ambiental vem enfrentando retrocessos — é uma péssima notícia para a credibilidade do órgão.

Notícia via aqui

Tamanho do setor contábil na Austrália e reflexões sobre o Brasil


 A KPMG da Austrália sobre emprego no país, usando os anos de 2014 e 2024. A tabela acima foi retirada do estudo. A contabilidade não é uma profissão de rápido crescimento (somente 5,3% no período), mas continua sendo uma das mais comuns. Mas o número de profissionais, 442 mil, é impressionante, considerando uma população de 27 milhões de habitantes ou 1,6% da população, e um PIB de 1,7 bilhão - 1 profissional para cada 3,8 milhões de dólares de riqueza gerada. 

A título de comparação, considerando esses parâmetros, o Brasil deveria ter 3,4 milhões de profissionais. Os dados do CFC indicam que temos registrados 18% do total, mas há muitas pessoas que trabalham sem o registro - assim como muitos profissionais que pagam anuidade, mas não exercem a profissão. De qualquer forma, supondo um total de 1 milhão de profissionais, isso corresponde a 0,5% da população. E esse valor de 1 milhão de profissionais seria coerente com o tamanho da economia. (Os dados do PIB e população eu retirei da Wikipedia)

Ciência nos dias atuais


Ioannidis ficou conhecido pela crítica aos métodos científicos, especialmente na área de saúde. Seus artigos deveriam ser lidos com atenção, mesmo discordando de algumas opiniões. Em uma palestra em abril de 2025, o professor de Stanford destacou algumas questões interessantes, como a impacto de conflito de interesses, mídia, influenciadores e outros que distorcem as evidências científicas. 

O interesse financeiro também distorce os resultados, já que muitos estudos são patrocinados e tendem a apresentar resultados inflados em favor dos patrocinadores. Durante a pandemia, muitos especialistas assumiram posições sem uma base sólida em evidências, movidos pela visibilidade ou conexão política. Nesse sentido, Ioannidis destaca o papel do contraditório e a necessidade de não rotular opiniões divergentes como desinformação. 

Há um trecho da palestra que Ioannidis mostra uma preocupação com o uso de modelos de linguagem treinados em dados enviesados, o que pode perpetuar informações incorretas. É o famoso "entra lixo, sai lixo". 

A palestra pode ser encontrada aqui

Rir é o melhor remédio


 Fonte: aqui

07 maio 2025

Preço da saúde gratuita


Um artigo do blog Managerial Econ, intitulado “The price of 'free' healthcare is the wait” (“O preço da saúde 'gratuita' é a espera”), argumenta que, embora o sistema de saúde canadense seja tecnicamente gratuito, o verdadeiro custo é medido pelos tempos de espera. Isto parece ser válido também para o Brasil, correto? 

Mas lá temos os dados concretos. Em 2023, o tempo médio de espera até o tratamento atingiu 27,7 semanas - o mais longo já registrado e quase o triplo das 9,3 semanas relatadas em 1993. Veja que esse número é médio, não máximo. No Brasil eu conheço casos de tempo de espera de anos. 

Para os autores, os tempos de espera funcionam como um mecanismo de racionamento, determinando quem recebe atendimento. A minha surpresa é grande quando há a sugestão de permitir que pacientes vendam suas posições na fila, o que poderia reduzir a ineficiência do sistema. Aqui seria caso de imprensa e polícia.