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03 maio 2025

Grandes nomes da história mundial da contabilidade: Alberti

Trata-se de uma família nobre de Florença, a família Alberti, com ascendência remontando ao século IX. Alberto, um de seus membros, provavelmente nasceu no final dos anos 1200 e faleceu em 1324. Casado com Ciaberonta, foi pai de vários filhos, entre eles Iacopo Alberti (nascido em Florença, possivelmente em 1327, e falecido em 7 de agosto de 1377). Alberto foi uma figura influente na cidade, tendo ocupado altos cargos na administração florentina e participado ativamente da política local.

Entre 1333 e 1346, ocorreu uma grave crise no mercado, que levou à falência de mais de 350 empresas. No entanto, a Casa Alberti não apenas sobreviveu como também ampliou seu prestígio e riqueza, tornando-se banqueira do Papa na corte de Avignon. Esse período marcou a fase de maior expansão da família Alberti.

A gestão dos negócios passou então para Niccolò di Jacopo degli Alberti, que se destacou como uma figura proeminente na vida florentina. Atuou como mecenas e diplomata — mediador da paz com Pisa e embaixador em Avignon, onde tentou convencer o Papa a retornar a Roma. Por suas numerosas boas ações, ganhou o apelido de "Pai dos Pobres".

Sobre a questão contábil, eis o que diz o verbete sobre Alberti em The History of Accounting:

Alberti del Giudice - Entre 1300 e 1345, as casas mercantis e bancárias mais poderosas de Florença eram os Bardi, os Peruzzi e os Acciaiuoli. Na década de 1340, todas as três faliram devido à excessiva concessão de crédito e à inadimplência de monarcas. A casa bancária Alberti del Giudice foi então escolhida para arrecadar as receitas papais e tornou-se importante até se dividir em várias firmas rivais por conta de disputas familiares. Assim como os registros dos Peruzzi, os documentos remanescentes dos Alberti contêm elementos da escrituração por partidas dobradas, mas não um sistema completo. Nem todas as transações são registradas duas vezes, não há indícios das contas de resumo de despesas ou receitas que permitiriam verificar a igualdade entre débitos e créditos, e os lucros eram calculados sem o fechamento dos livros. Os registros mais extensos dos Alberti estão no libro segreto, ou "livro secreto", contendo dados sobre o capital dos sócios de 1302 a 1339, juntamente com 12 demonstrações financeiras elaboradas em intervalos irregulares para apuração de resultados. Como em muitas companhias florentinas, passavam-se de um a cinco anos entre esses fechamentos, momento em que os livros eram encerrados, os ativos e passivos eram inventariados, e o contrato de parceria era renovado ou prorrogado


. Nesse ínterim, os sócios não podiam se retirar da firma nem novos sócios podiam ser admitidos.

— Michael Chatfield

Outras fontes: Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui


02 maio 2025

Tecnologia, Desconfiança e os Limites da Intimidade Digital


A startup RAW Ring anunciou um anel inteligente que promete detectar infidelidade monitorando batimentos cardíacos, temperatura corporal e interações do parceiro. Apelidado de “rastreador de lealdade distópico”, o dispositivo foi criticado por potencialmente incentivar relacionamentos baseados em desconfiança e ser suscetível a uso abusivo. A CEO defende que o anel busca promover confiança e faz parte de um ecossistema que inclui um app de namoro anti-catfishing. No entanto, não há protótipo funcional até o momento, e especialistas duvidam da viabilidade e da ética por trás da proposta.

Leia mais aqui

Trump, Harvard e Fisco - 2


 O ex-comissário do IRS durante o governo Trump, Charles Rettig, criticou a recente ameaça do ex-presidente de revogar o status de isenção fiscal da Universidade de Harvard. Rettig afirmou que tal ação exigiria anos de processos legais e a aprovação de um juiz federal. Ele enfatizou que o IRS não pode ser utilizado como ferramenta política e que qualquer investigação sobre a isenção fiscal de uma instituição deve ser baseada em exames apropriados e objetivos. Além disso, ressaltou que organizações têm o direito de apelar administrativamente e judicialmente, o que pode prolongar o processo por anos. 

A ameaça de Trump ocorre após semanas de críticas à universidade, acusando-a de parcialidade ideológica. No entanto, a lei federal proíbe o presidente ou o vice-presidente de ordenar que o IRS puna adversários políticos ou recompense aliados. Rettig destacou que o Departamento do Tesouro monitora de perto qualquer tentativa de influenciar as operações do IRS.

A revogação do status de isenção fiscal de Harvard poderia ter implicações significativas para a universidade e para o setor educacional como um todo, afetando financiamento, bolsas de estudo e pesquisas. Especialistas jurídicos e políticos consideram a ameaça de Trump como uma potencial violação da separação de poderes e um uso indevido da autoridade presidencial

Fonte: aqui

Europa busca regular o mercado de ratings de ESG

A Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados, conhecida pela sigla ESMA, reguladora e supervisora dos mercados financeiros da União Europeia, publicou hoje um documento de consulta referente as classificações ESG.

O texto procura reduzir os riscos de conflitos de interesse em provedores de classificações ESG e outras atividades além da emissão dessas classificações. O prazo de consulta é curto e vai até outubro desse ano. 

Trump, Harvard e Fisco


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, 02, que planeja retirar da Universidade de Harvard seu status de isenção fiscal, a mais recente investida contra a instituição em meio a uma repressão maior às universidades de elite dos EUA.

“Vamos tirar o status de isenção de impostos de Harvard. É o que eles merecem!”, disse Trump em uma publicação em sua plataforma de mídia social, sem especificar quando poderia tomar a medida.

Representantes de Harvard não puderam ser contatados imediatamente para comentar a publicação do presidente.

Desde que assumiu o cargo em janeiro, Trump tem como alvo as principais universidades dos EUA, ao congelar o financiamento federal, iniciar investigações, revogar vistos de estudantes e fazer outras exigências, dizendo que o ensino superior foi dominado por ideologias antissemitas, antiamericanas, marxistas e de “esquerda radical”.

Harvard reagiu processando o governo sobre a suspensão do financiamento de pesquisas nos EUA e outras exigências, e juntando-se a mais de 200 presidentes de universidades e faculdades em protesto contra as políticas de ensino superior de Trump.

Fonte: aqui

01 maio 2025

Distorções na busca da neutralidade de carbono


Um artigo da MIT Technology Review, publicado em 24 de abril de 2025, explora como empresas de tecnologia, como Apple, Microsoft, Meta e TSMC, estão investindo em plantações de eucalipto no Brasil como parte de suas estratégias para atingir metas de neutralidade de carbono.

As plantações de eucalipto no Brasil, especialmente no Cerrado, são promovidas como uma solução rápida e escalável para compensar emissões de carbono. Empresas madeireiras destacam certificações de manejo sustentável, investimentos em prevenção de incêndios e a presença de biodiversidade nas áreas plantadas.

Apesar dos benefícios alegados, há críticas sobre o impacto ambiental e social dessas plantações. Comunidades locais e ambientalistas questionam a substituição de ecossistemas nativos por monoculturas de eucalipto, apontando para possíveis efeitos negativos na biodiversidade e nos recursos hídricos.

O artigo destaca a complexidade de equilibrar metas corporativas de sustentabilidade com práticas ambientalmente responsáveis e socialmente justas. 

Possibilidade de uma informação contábil contínua para o usuário externo

Nos anos 1980, Johnson e Kaplan publicaram Relevance Lost, uma obra na crítica à contabilidade da época. Entre os diversos pontos levantados, destacaram-se as preocupações com a crescente perda de relevância das informações contábeis, principalmente em virtude da questão temporal. Para os autores, a contabilidade havia se tornado excessivamente voltada ao curto prazo, com ciclos de informação que tornavam-se menos frequentes e menos úteis para a tomada de decisão estratégica.

Há muito tempo que a contabilidade produz informações com periodicidade definida: balanços e demonstrações anuais para a maioria das empresas, ou trimestrais para aquelas de maior porte, sobretudo as listadas em bolsa. Eventos relevantes são comunicados ao mercado de maneira pontual, por meio de notas explicativas ou comunicados oficiais. No entanto, essa lógica se sustenta ainda no contexto atual?

Vivemos em um mundo de dados em tempo real. As informações circulam constantemente, e modelos preditivos — em especial os baseados em estatística bayesiana — ajustam suas estimativas com cada novo dado incorporado. No caso de empresas em situação delicada, a lógica de acompanhar resultados com base em períodos fixos parece cada vez mais obsoleta. Aqui o acompanhamento deveria ser contínuo, quase em tempo real.


A contabilidade tradicional talvez não esteja estruturada para oferecer uma informação tão completa como àquela que é disponibilizada no encerramento do exercício. Ainda assim, há elementos que poderiam ser monitorados e divulgados com maior frequência. O caixa é o exemplo mais evidente, mas métricas como receitas ou fluxos de recebimento poderiam oferecer sinais úteis. Muitas empresas já acompanham esses dados internamente, com finalidades gerenciais; a questão é se parte disso poderia ser disponibilizada também aos usuários externos.

Não devemos deixar de considerar se isso passa pelo crivo da relação custo-benefício. Arrisco dizer que sim. Afinal, essas informações já existem — estão sendo coletadas, analisadas e utilizadas pelas empresas. No entanto, não se pode ignorar os custos ocultos dessa transparência: há o estresse gerencial e o risco de que gestores passem a tomar decisões voltadas apenas para manter indicadores positivos no curto prazo, e não para garantir a sustentabilidade do negócio. 

Por fim, cabe uma analogia com a meteorologia: modelos climáticos operam em ciclos curtos, ajustando-se a cada nova informação. No entanto, a informação contábil não é (ou talvez não deva ser) da mesma natureza. Há, aqui, uma diferença estrutural entre o que é medir o tempo e o que é capturar a substância de um negócio. Talvez esse seja o desafio da contabilidade contemporânea.

Escrito a partir de reflexões dessa postagem aqui