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12 março 2026

Academia e democracia

Como professor universitário, tenho ouvido com frequência preocupações relacionadas à existência de possíveis vieses no ambiente acadêmico. Alguns observadores apontam a presença de tendências predominantes que, em certos contextos, podem dificultar a plena expressão de perspectivas divergentes. As iniciativas adotadas para enfrentar esse desafio têm se concentrado, em grande medida, em políticas de inclusão voltadas a determinados grupos — por exemplo, relacionadas a raça ou gênero. Trata-se de medidas importantes para ampliar a diversidade. Ainda assim, discute-se com menor frequência a diversidade de perspectivas e visões de mundo como um aspecto igualmente relevante para a vitalidade do debate acadêmico.

Não podemos deixar de lembrar do Princípio de Plank

Uma nova verdade científica não triunfa convencendo seus opositores e fazendo-os ver a luz, mas porque seus opositores eventualmente morrem, e cresce uma nova geração familiarizada com ela.

O artigo a seguir propõe uma reflexão sobre essa questão. Eis o resumo:

 


Este artigo defende uma tese provocativa: a saber, que a estrutura e a composição atuais da academia comprometem a legitimidade democrática. Filósofos políticos frequentemente têm enfatizado que o sufrágio universal, por si só, não é suficiente para garantir tal legitimidade. Nessas críticas, o foco costuma recair sobre o poder desproporcional dos ricos em moldar a política e o discurso público. Argumento aqui que existe um problema mais profundo e relativamente pouco percebido nessa mesma direção: o sistema universitário exerce um enorme poder ao moldar as perspectivas do público por meio de diversos mecanismos. No entanto, a academia é, para todos os efeitos práticos, democraticamente irresponsiva. Além disso, como tem sido documentado em uma série de estudos empíricos, ela é politicamente homogênea. Como resultado, sustento que esse poder assimétrico compromete a legitimidade do sistema político considerado como um todo. Isso pode ser observado a partir de três influentes concepções de legitimidade democrática: o republicanismo, o liberalismo da razão pública e as teorias do consentimento. O artigo conclui explorando alguns possíveis remédios para avançar em direção a uma maior legitimidade democrática.

Fonte: Democracy and the Academy, Hrishikesh Joshi - Philosophy & Public Affairs, forthcoming  via aqui

11 fevereiro 2021

Princípio de Planck


O Princípio de Planck, que homenageia o cientista de mesmo nome, afirma que uma mudança na ciência acontece quando os velhos cientistas morrem. Uma nova verdade não irá mudar a mente dos atuais cientistas. Mas os jovens, acostumados a esta nova ideia, irão substituir os antigos e promover a mudança. 

Assim, o progresso da ciência ocorre não pelo convencimento das pessoas. Raramente "Saulo se torna Paulo", lembrando de São Paulo, que foi convertido ao cristianismo (a nova ideia). Ou como lembra a wikipedia: a ciência avança a cada funeral. 

Isto ocorreu na contabilidade? Provavelmente a renovação promovida nos anos 60/70 na Universidade de São Paulo contou com o vácuo de pesquisadores com influência italiana. A renovação quantitativa nos Estados Unidos foi acompanhada desta renovação. Lembro também do impacto da renovação provocada pelo professor Corrar, em métodos quantitativos no Brasil, quando incorporou novas ideias de pesquisa, na pós-graduação brasileira. 

Foto: aqui