Bom critério
21 janeiro 2026
Expansão da Deloitte 3
Eis o que diz um executivo de uma empresa de contabilidade:
Algumas empresas têm tentado aumentar seu quadro de funcionários terceirizando trabalho para países como a Índia e as Filipinas. Mas Goldstein [Philip Goldstein, CEI da Goldstein Lieberman & Co.] afirmou que sua firma decidiu não seguir esse caminho. “Acreditamos que isso coloca nossos clientes e suas informações corporativas e pessoais em risco de roubo de identidade”, já que as práticas de proteção contra roubo de identidade nesses países nem sempre atendem aos padrões dos Estados Unidos.
A grande questão é que perdas de clientes e possíveis punições de reguladores possuem um custo baixo para uma empresa como a Deloitte.
Expansão da Deloitte - 2
Ontem eu postei sobre o plano impressionante da Deloitte de contratar 50 mil empregados na Índia. Terminei esquecendo de comentar que a empresa foi a primeira Big Four que ultrapassou a marca de 70 bilhões de dólares em receita, no ano fiscal encerrado no final de maio.
Em termos globais, a Deloitte é seguida pela PwC, EY e KPMG. A parte de auditoria dessas empresas estão com um crescimento quase vegetativo, avançando em impostos, estratégia e outras áreas.
Mensurando a complexidade regulatória
Eis o resumo
Propomos um arcabouço para estudar a complexidade regulatória, baseado em conceitos da ciência da computação. Distinguimos diferentes dimensões de complexidade, classificamos medidas existentes, desenvolvemos novas, calculamo-las em três exemplos — Basel I, a Lei Dodd–Frank e as regras de reporte da Autoridade Bancária Europeia — e as testamos por meio de experimentos e de uma pesquisa sobre custos de conformidade. Destacamos duas medidas que capturam a complexidade para além do simples comprimento de uma regulação. Propomos uma abordagem quantitativa para o trade-off de política pública entre complexidade regulatória e precisão.
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Depois de um processo, empresas ficam mais conservadoras
No quarto de século desde os colapsos da Enron (2001) e da WorldCom (2002), que aumentaram a conscientização sobre os perigos da fraude contábil, cerca de 25 empresas do S&P 500 são processadas em um ano típico por divulgações supostamente enganosas, segundo a Cornerstone Research.
Um artigo a ser publicado na Review of Accounting Studies, de autoria de Frank Heflin (Universidade da Geórgia), Mark P. Kim (UCLA Anderson), James R. Moon Jr. (Georgia Institute of Technology) e Spencer R. Pierce (Florida State), conclui que o simples fato de uma empresa ser processada por fraude em valores mobiliários — independentemente de as acusações virem ou não a ser comprovadas — altera o comportamento de divulgação financeira corporativa.
Os autores constatam que, nos três primeiros anos após o ajuizamento de uma ação coletiva por fraude em valores mobiliários, as empresas acusadas são significativamente mais propensas a reconhecer más notícias nas demonstrações financeiras mais rapidamente do que boas notícias — um indicador-chave de conservadorismo contábil conhecido como tempestividade assimétrica dos lucros.
Os pesquisadores comparam essa mudança repentina para relatórios mais conservadores a motoristas que tiram o pé do acelerador após receberem uma multa por excesso de velocidade… ao menos temporariamente.
Como mostra a linha vermelha pontilhada abaixo, o conservadorismo aumenta imediatamente quando o processo é iniciado (ano 0), permanece elevado por cerca de três anos e, em seguida, retorna gradualmente aos níveis anteriores ao litígio.
Traduzido daqui
20 janeiro 2026
Nigéria adota normas ISSB
O Conselho de Relato Financeiro da Nigéria (Financial Reporting Council of Nigeria – FRCN) lançou uma consulta pública sobre uma versão emendada do documento-roteiro para a adoção das normas do ISSB e das diretrizes de relatórios de sustentabilidade. O período para envio de comentários vai até 20 de janeiro de 2026.
O roteiro foi publicado originalmente em abril de 2024 e agora foi alterado para incluir também o governo e organizações governamentais, que, assim como as entidades de interesse público, deverão reportar para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2028.
A exigência de asseguração limitada sobre as divulgações de sustentabilidade passará a ocorrer no quarto e quinto anos de reporte (antes, terceiro e quarto anos), com a transição para asseguração razoável a partir do sexto ano (antes, quinto ano). As divulgações sobre emissões de GEE do Escopo 3, análise de cenários e planos de transição exigirão asseguração limitada a partir do sexto ano (antes, quinto ano) e asseguração razoável a partir do sétimo ano (antes, sexto ano).
O FRCN também publicou uma diretriz de relato de sustentabilidade para esclarecer questões decorrentes da adoção e implementação das normas do ISSB na Nigéria, visando maior transparência e accountability.
IA, Contabilidade e Auditoria
Eis o resumo
Este artigo apresenta uma revisão sistemática da literatura sobre a implementação da inteligência artificial (IA) na contabilidade e na auditoria. Com base em artigos revisados por pares e trabalhos acadêmicos, ele mapeia o panorama atual da integração da IA, destacando aplicações, benefícios e desafios. A revisão também explora fatores éticos, organizacionais e regulatórios que moldam a adoção, enfatiza lacunas de pesquisa e orienta práticas futuras. Os resultados indicam que a IA aumenta a eficiência operacional, melhora a credibilidade das demonstrações financeiras, automatiza tarefas rotineiras e fortalece a detecção de fraudes por meio de ferramentas como aprendizado de máquina e análise preditiva. A IA também está mudando o papel dos auditores, de inspeções retrospectivas para monitoramento em tempo real e apoio à tomada de decisão. No entanto, a adoção enfrenta desafios, incluindo altos custos, preocupações éticas como substituição de empregos e privacidade de dados, desigualdade de preparo entre regiões e poucos estudos empíricos sobre IA em contabilidade e auditoria. A revisão ressalta a necessidade de diretrizes regulatórias atualizadas, colaboração interdisciplinar e reformas na educação contábil para preparar os profissionais para ambientes orientados por IA. Também destaca a importância de determinantes psicológicos e organizacionais, como utilidade percebida, facilidade de uso e confiança, na adoção. Em síntese, o artigo conclui que, embora a IA tenha grande potencial para transformar a contabilidade e a auditoria, sua adoção efetiva exige enfrentar desafios estruturais, éticos e educacionais. Esses insights oferecem orientações valiosas para profissionais, acadêmicos e formuladores de políticas públicas sobre como melhor aproveitar a IA no setor financeiro.
Abdo-Salloum, A. M., & Chehade, S. (2026). The Role of Artificial Intelligence in Transforming Accounting and Auditing Practices: A Systematic Review. Sage Open, 16(1). https://doi.org/10.1177/21582440251403296 (Original work published 2026)





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