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15 setembro 2025

Confiabilidade facial e auditores independentes

Eis trecho do resumo: 


Utilizando  um  algoritmo  de machine  learning para detecção facial, a pesquisa identifica a confiabilidade facial por meio de 68 pontos de referência facial, com foco na aparência, gênero e expressão. Características-chave como sobrancelhas, formato do rosto, queixo e buço foram analisadas em 700 imagens. Doze imagens representando os quartis mais altos e mais baixos de confiabilidade foram selecionadas manualmente para uso em cenários baseados em questionários aplicados a 101 auditores independentes.

Resultados:Os  principais  resultados,  obtidos  a  partir  de  análise  de  regressão  pelo modelo Probit,   sugerem   que   os   auditores   tendem   a   considerar parcialmente   a confiabilidade  facial  dos  executivos  na  precificação  de honorários,  especificamente  o gênero facial e a expressão facial. Quando a aparência facial foi analisada, verificou-se que não há associação com os valores dos honorários de auditoria, já que não apresentou significância estatística.

Relação entre IPSAS e Investimento Estrangeiro Direto

Objetivo: Esta pesquisa investigou a relação entre a adoção das Normas Internacionais de Contabilidade do Setor Público (IPSAS) e os fluxos de Investimento Estrangeiro Direto (IED). 
Método: Foi analisado um painel de dados, composto por 352 observações de 32 países que concentram cerca de 80% do IED global, utilizando o método do Método Generalizado dos Momentos (GMM-Sys).
Originalidade/Relevância: Com base em evidências empíricas, os resultados sublinham que a adoção das IPSAS não parece ser uma estratégia significativa para aumentar a credibilidade junto dos investidores internacionais e atrair IED. Esta conclusão faz avançar o debate acadêmico sobre os benefícios, críticas e consequências da adoção das IPSAS.
Resultados: Os resultados das cinco estimativas GMM-Sys mostraram que a adoção das IPSAS não levou a um aumento significativo nos influxos de IED dos países da amostra.
Contribuições Teóricas/Metodológicas: Do ponto de vista acadêmico, esta pesquisa acrescenta evidências sobre os efeitos das IPSAS nas economias e também levanta discussões sobre a suposição em estudos anteriores que presumem benefícios da
adoção das IPSAS na forma de aumento do investimento estrangeiro.
Contribuições Sociais/para a Gestão: Para os gerentes públicos e formuladores de políticas públicas, essa conclusão sugere que a adoção das IPSAS dentro de uma estratégia de reforma governamental destinada a obter recursos externos deve ser
considerada com cautela, de modo que outros fatores institucionais parecem, neste momento, ser mais eficazes.

Begnini, D. L., Azevedo, F. G. P., Portulhak, H., Barros, C. M. E. (2025). A (Não) relação das IPSAS com o Investimento Estrangeiro Direto. Revista Contabilidade, Gestão e Governança, 28 (esp), 240-273

Rastreabilidade do impacto climático

O impacto da mudança climática tem sido atribuído aos produtores de combustíveis fósseis. À medida que novos dados e novas técnicas se desenvolvem, as informações ficam mais precisas, embora continuem apontando para os mesmos responsáveis. Entre 2000 e 2023, um quarto das ondas de calor registradas pode ser associado a empresas de energia e a outros grandes emissores de carbono. Eis um gráfico esclarecedor:

Para as empresas que estão no gráfico, isso pode ser uma má notícia: conseguir traçar uma onda de calor a uma empresa específica pode ajudar nos processos judiciais. Ou seja, tratem de aumentar as provisões

14 setembro 2025

Escravos no século XIX


Em agosto de 1833, os britânicos aprovaram uma legislação que aboliu a escravidão no Império Britânico, colocando mais de 800 mil africanos escravizados no caminho da liberdade. Para viabilizar isso, o governo britânico pagou uma soma enorme — £20 milhões, ou cerca de 5% do PIB da época — para compensar/subornar os proprietários de escravos a aceitarem o acordo. Em termos ajustados pela inflação, isso corresponde a cerca de £2,5 bilhões hoje (2025), mas, em proporção ao PIB, os britânicos gastaram o equivalente a cerca de $170 bilhões para libertar os escravizados — uma despesa muito elevada.

De fato, a despesa foi tão grande que o dinheiro foi tomado emprestado e os pagamentos finais dessa dívida só foram feitos em 2015. (...) Claro, em um mundo ideal, a compensação teria sido paga aos escravizados, não aos proprietários de escravos. Todo homem tem propriedade sobre a própria pessoa, e foram os escravizados que tiveram sua propriedade roubada. Em um mundo ideal, porém, a escravidão jamais teria acontecido. Assim, a questão enfrentada pelos abolicionistas britânicos não é o que acontece em um mundo ideal, mas como sair de onde estávamos para chegar a um mundo melhor. Compensar os proprietários de escravos foi a única forma prática e pacífica de alcançar um mundo melhor. 

O grande impacto ocorreu quando o Brasil, o maior mercado remanescente de trabalho escravizado (em meados do século XIX, quase 80% das viagens transatlânticas de escravos navegavam sob bandeiras brasileira ou portuguesa), promulgou sua lei contra o tráfico de escravos em 1850. A campanha britânica, porém, também influenciou o lado da demanda: a aprovação do Aberdeen Act, em 1845, permitiu à Royal Navy apreender navios negreiros brasileiros, o que pressionou o Brasil e ajudou a impulsionar a lei de 1850. (fonte: aqui)

No Brasil, o governo compensou os "proprietários" de escravos também como uma forma de obtenção de um apoio pacífico desse grupo. 

Trabalho remoto e o desligamento de funcionários do Itau

Há uma semana, o Itaú Unibanco desligou cerca de mil funcionários, e o assunto trouxe o debate do trabalho remoto e híbrido. Um grande desafio de uma empresa é monitorar o desempenho dos seus funcionários. Pela teoria da agência, o empregado — o agente — atua observando seus interesses, que nem sempre são os mesmos da empresa. A administração superior da empresa — o principal — deve criar mecanismos que conciliem os interesses do empregado com os da gestão.

No trabalho presencial, o monitoramento é mais fácil. A disposição das mesas, o ponto e a presença de um superior próximo ajudam a fazer com que os objetivos não sejam divergentes.

No trabalho remoto, a conciliação é bem mais difícil, pois a empresa tem dificuldade de saber o horário em que o funcionário começou a trabalhar, o que ele fez durante o período, entre outros aspectos. Em um mundo em que uma parte expressiva do trabalho é feita através de uma máquina, fazer um acompanhamento das tarefas realizadas remotamente não é tão difícil.

No caso do Itaú Unibanco, parece que os funcionários foram monitorados durante meses e a empresa descobriu que eles tinham “baixa aderência”. A instituição financeira verificou que muitos empregados ficavam mais de quatro horas sem atividade em seus computadores.

Há aqui um desafio para a instituição, que seria instalar o monitoramento dos funcionários sem ferir a legislação. A empresa pode acessar os aplicativos de mensagens — como Teams e WhatsApp —, se for usado o computador da empresa.

O problema é a Justiça do Trabalho, muito favorável ao empregado. Uma entidade como o Itaú deve tomar muito cuidado para não ter ultrapassado as normas. E a chance é razoavelmente grande de se encontrar um juiz simpático aos funcionários.

É bom lembrar que desligamentos em massa exigem reconhecimento de despesas em razão da rescisão e que pode afetar as provisões para contingências trabalhistas

Rir é o melhor remédio

Tetris para depois dos 40
 

Bem-estar financeiro no Brasil


O resumo 

Aumentar o bem-estar financeiro tem sido um desafio para os países, sobretudo devido aos seus impactos positivos sobre o crescimento econômico, a qualidade de vida e a saúde física e mental dos cidadãos. O objetivo principal deste artigo é estimar o nível de bem-estar financeiro percebido na população brasileira e investigar como variáveis socioeconômicas e demográficas influenciam essa percepção. Utilizando uma escala adaptada a países emergentes, este estudo empregou uma amostra ampla de 3.998 participantes, abrangendo as cinco regiões do Brasil. Os resultados revelam que uma parcela significativa da população brasileira apresenta um nível de bem-estar financeiro percebido abaixo do ideal, refletindo uma preocupante insegurança financeira que afeta mais de 60% dos respondentes. Observou-se, ainda, que certos grupos — como jovens, pessoas negras e pardas, indivíduos das classes socioeconômicas mais baixas, com escolaridade até o ensino fundamental completo e trabalhadores autônomos — são particularmente vulneráveis. Esses achados apontam para a necessidade de maior atenção dirigida da sociedade e de órgãos governamentais para mitigar desigualdades e promover o bem-estar financeiro de todos os estratos da população brasileira.

Fonte: aqui Imagem aqui