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28 agosto 2025

Uma medida de evidenciação baseada no site da empresa


O resumo:

Propomos uma nova medida de divulgação das empresas baseada em seus sites corporativos, que são amplamente acessíveis e contêm uma grande quantidade de informações. Para uma amostra de companhias abertas dos EUA, construímos nossa medida de divulgação utilizando dados históricos de websites, validando-a ao correlacioná-la com medidas já existentes de divulgação e de assimetria de informação, além de explorar seus determinantes. Em seguida, aplicamos nossa medida ao estudo da divulgação de empresas privadas nos EUA e da conformidade de empresas francesas com uma exigência de divulgação não financeira. Nossas aplicações ilustram que a medida baseada em websites fornece um complemento útil às medidas existentes de divulgação, que são mais estreitamente focadas nos investidores dos mercados de capitais públicos.

O artigo completo pode ser baixado aqui  

Lei de Murphy na Contabilidade


A Lei de Murphy afirma que “tudo que pode dar errado, dará errado”, e aparece em expressões alternativas como “se algo pode dar errado, vai dar errado” ou “o que pode falhar, falhará”. Alguns exemplos cotidianos: o sinal fica vermelho quando você está com pressa, a torrada cai com o lado da manteiga virado para baixo, ou a loja está fechada justamente no dia da sua visita. E o balanço não fecha, apesar de todo o cuidado. 

A existência da Lei de Murphy tem um aspecto positivo: alerta a todos que é necessário ser conservador nas nossas expectativas. Se planejamos chegar em dez minutos em um local, considerando que o sinal pode ficar vermelho várias vezes, pode ser melhor considerar um tempo adicional. 

Já escreveram até um livro contando a história da Lei de Murphy:


 O caso da postagem anterior parece um típico exemplo da aplicação. 

Europa regula - 2


Parece um automóvel que saiu de fábrica com problema. Eis a notícia:

O International Accounting Standards Board (IASB) anunciou, nesta quinta-feira (21), a emissão de emendas à IFRS 19 Subsidiárias sem Obrigação Pública: Divulgação. Essa atualização conclui o trabalho planejado pelo Conselho para modernizar a norma, visando simplificar as obrigações de divulgação contábil para subsidiárias que não possuem responsabilidade pública.

A IFRS 19, originalmente emitida em maio de 2024, oferece uma solução prática para subsidiárias elegíveis, permitindo-lhes aplicar as Normas Contábeis IFRS com um conjunto de divulgações simplificado. A versão inicial, no entanto, contemplava apenas as normas e emendas emitidas até fevereiro de 2021.

Um ano e alguns meses de sair com a norma, o Iasb emendou a norma. Só bastou assinar a declaração de incompetência.  

Imagem: aqui 

Europa regula


Do WSJ:

Mas a falta de dinamismo econômico da Europa tem raízes mais profundas também. Impostos e regulações aumentaram de forma inexorável; o volume de regulamentos da União Europeia dobrou desde 2010. Regras extensas protegem prédios antigos, empresas estabelecidas e consumidores envelhecidos, limitando a criação de novas infraestruturas e indústrias. Como afirma a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni: “A América inova, a China imita, a Europa regula.” 

Lembrando que as principais entidades reguladoras contábeis estão na Europa: IFRS (Londres), ISSB (ok, com outras cidades também, mas a sede central é em Frankfurt), IFAC (Genebra), Iosco (Madri) ...

Big Four, públicos conflitantes e mercados complexos

O resumo: 

Como as empresas globais [leia-se Big Four] gerenciam públicos conflitantes em mercados complexos? As quatro grandes firmas de auditoria expandiram tanto em tamanho quanto em escopo a ponto de precisarem se relacionar simultaneamente com diferentes públicos, por vezes em questões controversas. Isso é particularmente relevante diante de sua atuação em planejamento tributário agressivo, em paralelo a suas obrigações profissionais tradicionais, o que gera um conflito entre a discrição oferecida a clientes “offshore” e a responsabilidade oferecida a outros stakeholders. Isso exige uma duplicidade estratégica — envio de sinais diferenciados para públicos distintos. Sugerimos que as firmas utilizam o fracionamento organizacional em estruturas jurídicas e geografias para viabilizar essa duplicidade. Testamos essa hipótese com um conjunto único de dados sobre estruturas de propriedade e número de funcionários das Big 4 em todas as localidades, mostrando que suas organizações são fortemente segmentadas. Demonstramos que elas utilizam essa diferenciação geográfica e legal para enviar sinais contrastantes: aos stakeholders “onshore”, um sinal de transparência, e aos “offshore”, um sinal de discrição. Essa dualidade lhes permite atuar em questões controversas com públicos conflitantes.

O artigo pode ser acessado aqui 

Eis o número de funcionários pela população:


 

Competitividade tributária


O ranking International Tax Competitiveness Index 2024, elaborado pela Tax Foundation, avalia os países da OCDE segundo eficiência e simplicidade na arrecadação. Estônia lidera pelo 11º ano consecutivo, graças ao imposto único de 20% sobre renda pessoal e corporativa, cobrado apenas na distribuição de lucros, o que incentiva reinvestimentos e reduz dupla tributação. O país também evita impostos sobre herança e riqueza, simplificando o sistema e atraindo startups e capital estrangeiro. Letônia (2º) e Lituânia (5º) confirmam a força do modelo báltico, caracterizado por regimes de taxa única e baixa complexidade. Já grandes economias, como Alemanha (16º), EUA (18º), França (36º) e Itália (37º), enfrentam desvantagens: estruturas complexas, altos encargos trabalhistas e regimes de tributação internacional que elevam custos de conformidade. O estudo ressalta, contudo, que “competitividade tributária” prioriza mobilidade de negócios e fluxos de investimento, mas não necessariamente objetivos como redução da desigualdade, sustentabilidade fiscal ou manutenção de estados de bem-estar robustos.

O Brasil, como não faz parte da OCDE, não está na pesquisa. Mas os últimos colocados são: Portugal, França, Itália e Colômbia.  

O estudo originalmente foi publicado em outubro de 2024 

Tendências Culturais e IA

Mostramos que modelos de inteligência artificial (IA) generativa — treinados com dados textuais que são inerentemente culturais — apresentam tendências culturais quando utilizados em diferentes línguas humanas. Aqui, focamos em dois conceitos fundamentais da psicologia cultural: orientação social e estilo cognitivo. Primeiro, analisamos as respostas do GPT a um amplo conjunto de medidas em chinês e em inglês. Quando usado em chinês (em comparação ao inglês), o GPT apresenta uma orientação social mais interdependente (versus independente) e um estilo cognitivo mais holístico (versus analítico). Segundo, replicamos essas tendências culturais no ERNIE, um modelo de IA generativa popular na China. Terceiro, demonstramos o impacto prático dessas tendências culturais. Por exemplo, quando usado em chinês (em comparação ao inglês), o GPT tende mais a recomendar anúncios com uma orientação social interdependente (versus independente). Quarto, análises exploratórias sugerem que prompts culturais (por exemplo, instruir a IA generativa a assumir o papel de uma pessoa chinesa) podem ajustar essas tendências culturais.

 Cultural tendencies in generative AI - Jackson Lu, Lesley Luyang Song & Lu Doris Zhang - Nature Human Behaviour, forthcoming via aqui. 

Imagem: aqui