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21 agosto 2025

Ambiente e IA: dados de consumo não são alarmantes

Um dos pontos controversos da Inteligência Artificial refere-se ao consumo de energia do seu uso. Já postamos isto anteriormente no blog (aqui, aqui, aqui, por exemplo). Agora, o Google anuncia não somente o valor do consumo de cada consulta, como também a metodologia usada. A informação foi obtida via MIT Technology Review 


O Google acaba de divulgar um relatório técnico detalhando quanta energia seus aplicativos Gemini utilizam em cada consulta. No total, o prompt mediano — aquele que se encontra no meio da faixa de demanda energética — consome 0,24 watt-hora de eletricidade, o equivalente a ligar um micro-ondas padrão por cerca de um segundo. A empresa também forneceu estimativas médias para o consumo de água e as emissões de carbono associadas a um prompt de texto no Gemini.

É a estimativa mais transparente já divulgada por uma Big Tech com um produto de IA popular, e o relatório inclui informações detalhadas sobre como a empresa calculou sua estimativa final. À medida que a IA vem sendo mais amplamente adotada, cresce o esforço para entender seu uso de energia. Mas tentativas públicas de medir diretamente a energia usada pela IA têm sido dificultadas pela falta de acesso completo às operações de uma grande empresa de tecnologia.

20 agosto 2025

Uma crítica aos mercados de previsões

Um texto (aqui) observa que os prediction markets (mercados de previsão) estão em alta: plataformas como Polymarket e Kalshi movimentam cerca de US$ 30 milhões por dia e Kalshi possui avaliação de mercado de US$ 2 bilhões. Reguladores como a SEC e a CFTC parecem ter desistido de tentar limitar sua expansão, especialmente no que tange ao seu uso similar ao de apostas esportivas, desafiando regulamentações estaduais. Apesar de, na teoria, esses mercados agregarem informações de forma eficiente — conforme defendido por economistas como Robin Hanson —, o autor afirma que, na prática, eles não entregam previsões confiáveis e podem até representar um risco à sociedade.

Ele compara os mercados de previsão aos mercados financeiros, destacando quatro características de mercados eficientes — produtos padronizados, alta liquidez, baixos custos de transação e participantes heterogêneos — e observa que os prediction markets carecem desses elementos essenciais. Em especial, faltam hedgers naturais, ou participantes com diferentes perfis de risco, o que compromete a utilidade real desses mercados.

Sem diversidade nos agentes, os prediction markets acabam dominados por especuladores e apostadores recreativos (“noise traders”), criando uma dinâmica disfuncional, onde o único fluxo constante provém de novos entusiastas dispostos a perder dinheiro. Essa dependência de “dinheiro ingênuo” torna esses mercados vulneráveis à manipulação e incapazes de fornecer previsões robustas.


Passivo de pensões e a falta de representação fidedigna

O resumo está aqui 

Relevance and faithful representation are identified by standard-setters as fundamental qualitative characteristics for useful accounting information. We critically assess whether current pension measurement guidance under International Financial Reporting Standards (IFRS) and US generally accepted accounting principles (GAAP) results in pension measurement that achieves these characteristics. We argue that: (1) conceptual justification is inconsistent with current guidance; (2) IFRS and US GAAP provide differing justifications; and (3) existing guidance applies inconsistent measurement principles and uses principles that are inconsistent with other standards. We conclude that current guidance does not achieve representational faithfulness. Next, we introduce two alternative approaches to pension liability measurement—going concern and settlement—which use consistent measurement principles and thus are more representationally faithful than current standards. We summarize empirical evidence, suggesting that both alternative measures demonstrate stronger relevance to equity and debt investors than current measurement. We conclude by recommending that standard-setters: (1) use settlement measurement for pension liabilities; and (2) require disclosures that would enable users to re-estimate pension liabilities using different parameters that would suit their particular needs and consider the characteristics of the plans themselves. We believe that our recommendations would improve the relevance and faithful representation of pension liabilities.

Contabilidade Eleitoral

Eis um resumo da notícia:


A Comissão de Contabilidade Eleitoral do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) realizou uma reunião em 19 de agosto de 2025 para preparar a entrada em vigor da Norma Brasileira de Contabilidade Eleitoral — NBC‑TPE 01, aprovada em 2024 e que passará a vigorar em janeiro de 2026. Durante o encontro, foram debatidas estratégias para sua ampla divulgação e aplicabilidade por contadores, tanto na esfera pública quanto privada. O evento também reforçou a importância de capacitação profissional e será tema central do I Seminário Nacional de Contabilidade Eleitoral, que busca consolidar a norma como referência na prestação de contas e na transparência eleitoral.

Imagem: aqui  

Exemplo de como o interesse financeiro pode prejudicar a qualidade da informação: Rotten Tomatoes

O Rotten Tomatoes é uma das plataformas de crítica mais conhecidas do cinema e da televisão. Criado em 1998, reúne resenhas de críticos profissionais e avaliações do público, atribuindo notas que resultam no índice “Tomatometer”. Esse indicador tornou-se referência global para medir a recepção de filmes e séries, influenciando tanto a decisão de espectadores quanto o desempenho comercial de produções. Sua importância está em condensar múltiplas opiniões em uma métrica simples e acessível, permitindo rápida percepção sobre a qualidade percebida de uma obra no mercado audiovisual.

O Rotten Tomatoes é uma referência, juntamente com o ImdB. Com seu crescimento, o Rotten terminou sendo comprada pela Fandango Media. Esta empresa, por sua vez, é especializada na venda de ingressos de cinema, controlada pela NBC Universal (75%) e pela Warner (25%). A aquisição ocorreu em 2016. 

Na newsletter de Daniel Parris, de hoje, ele faz uma análise sobre o impacto da compra pela Fandango. Eis a evolução das notas do Rotten ao longo do tempo:

Veja que a média das notas, em torno de 50 a 60 entre 1998 a 2014, aumentam com o tempo e hoje estão mais próximas dos 70 do que antes. Será que os filmes melhoraram? 

Há algo adicional na análise de Parris: a correlação entre as notas dos críticos e as notas do público. É certo que nem sempre o público entrega uma nota alta para Cidadão Kane, que os críticos adoram. Mas a divergência não é tão expressiva assim, conforme o gráfico:

A correlação entre as notas, entre 0,6 e 0,8 em todos os anos, começa a cair a partir de 2016 e agora está em 0,4. O que ocorreu? Parece que não mudaram a metodologia, algo que poderia ser feito, mas poderia significar a perda de credibilidade na informação. 

Se antes de 2016 a média de críticas por filme estava entre 100 a 130, com a aquisição a Fandango ampliou o número de pessoas que opinam. E muitos dos novos "críticos" não eram provenientes de uma fonte "confiável". Ou seja, o aumento da nota dos filmes decorre da incorporação de novos avaliadores, muitos deles sem um bom preparo para tal. 

Como afirma o autor: 

Segundo uma análise da Vulture em 2023, agências de PR passaram a cortejar ativamente críticos de veículos menores para inflar as notas do Tomatometer antes do lançamento de um filme. Surgiu, aparentemente, uma espécie de “indústria paralela” voltada a recrutar não–Top Critics para garantir o selo “fresh” na fase pré-lançamento — recurso que os estúdios então usam como gancho de marketing.

O resultado: o Rotten deixou de ser confiável como fonte confiável sobre a qualidade de um filme. 

Nos anos recentes as fontes de avaliação de obras de arte foram criticadas. O Imdb, concorrente do Rotten, agiu de forma estranha no filme Pequena Sereia. O próprio Rotten já está sendo olhado com desconfiança há tempos. 

Não deixa de ser um alerta sobre a relevância da reputação na contabilidade. No primeiro capítulo de Teoria da Contabilidade, Niyama e Silva recordam que as empresas de auditoria costumam afirmar que seu maior fiscalizador é justamente a reputação. Para o profissional, o simples medo de perdê-la seria suficiente para induzir atitudes de busca pela qualidade.

Apesar das críticas ao Rotten Tomatoes, a ferramenta continua sendo utilizada por falta de um substituto à altura. De modo semelhante, ainda associamos a Big Four à qualidade, mesmo quando o temor de perder reputação já não parece exercer o mesmo peso.

Nos anos 1980, a contabilidade foi sacudida pelo livro Relevance Lost, que acusava a área de ter perdido importância. A crítica dialoga com a história recente do Rotten: ambos enfrentam questionamentos sobre sua relevância, ainda que continuem sendo referências em seus campos.

 

Agosto, mês das crises


Interessante, pois agosto é um mês que dá medo:

Agosto é um ótimo momento para uma crise financeira. O colapso asiático de 1997, a crise russa de 1998, o “quant quake” de 2007, a crise das hipotecas de 2008, a crise da dívida grega em 2011 e a queda das ações chinesas em 2015 começaram ou se aprofundaram no auge do verão. No agosto passado, o índice de volatilidade conhecido como “índice do medo” de Wall Street registrou seu maior salto diário.

O culpado é uma tempestade perfeita de liquidez escassa e psicologia nervosa. Embora os computadores possam negociar sem férias, os humanos que os programam desaparecem em agosto. Gestores de portfólio que já acumularam ganhos no ano tornam-se conservadores sem seus chefes por perto para dividir os créditos — ou a culpa. Os que permanecem conectados tendem a ser menos experientes e a reagir de forma precipitada.

Como observou recentemente o The Bulwark, agosto também se tornou um “caldeirão de controvérsias” na política, quando menos pessoas estão prestando atenção, mas aquelas que permanecem estão profundamente comprometidas em amplificar o ruído diário.

Neste agosto, a lenha já está empilhada, e não faltam faíscas. O discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, na sexta-feira em Jackson Hole é um alvo tentador para o presidente Donald Trump. O mercado precificou em 85% a chance de um corte de juros no próximo mês e reagirá mal a qualquer tom mais duro. O entusiasmo com a inteligência artificial vem mascarando pontos de fraqueza corporativa enquanto as tarifas continuam a pesar. As tensões comerciais com México, Canadá e Índia fervem enquanto as tarifas corroem as margens corporativas. Pode-se pensar que 2021 foi o auge da mania dos investidores de varejo, mas isso seria um engano. Some-se os alertas de estrategistas de Wall Street sobre ações supervalorizadas e temos todos os ingredientes para outro colapso de verão. Os chefes nos Hamptons talvez queiram vigiar a loja mais de perto este ano.
 

Lizz Hoffman, Semafor Business Editor . Imagem Wikipedia

Rir é o melhor remédio

Será que é só comigo que acontece? Pelo cartoon, não. Quando vejo o celular e aparece alguém "digitando", durante muito tempo, a angústia bate.