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19 agosto 2025

Dólar internacional e seu uso na contabilidade: uma proposta


O dólar internacional (também escrito como international-$ ou int-$) é uma moeda hipotética com poder de compra equivalente em qualquer país, ajustando-se tanto pelas diferenças no custo de vida entre nações quanto pela inflação ao longo do tempo

O seu uso facilita comparações internacionais de valores em diferentes moedas. Por exemplo, enquanto o PIB per capita da Índia parece quase 30 vezes menor que o dos EUA em dólares de mercado, em dólares internacionais essa diferença cai para cerca de oito vezes. A lógica da moeda é o conceito de Paridade de Poder de Compra, que já existe há mais de um século. 

A filosofia é que para comparar economias de forma justa, era preciso ajustar as moedas de acordo com o que realmente podiam comprar em bens e serviços, e não apenas pela taxa de câmbio de mercado. O conceito tem sido usado por entidades internacionais, como Banco Mundial, OCDE e ONU.  

Na contabilidade, nós usamos as taxas de câmbio de mercado. A possibilidade de usar o dólar internacional poderia, quem sabe, trazer uma visão mais fiel da capacidade de geração de valor das entidades em diferentes contextos. 

Os times de futebol mais valiosos (?) do mundo

O Real Madrid é o clube mais valioso do mundo em 2025, com avaliação de US$ 6,75 bilhões e receita de US$ 1,13 bilhão, um aumento de 2 % em relação ao ano anterior. Na sequência aparecem Manchester United (US$ 6,6 bilhões), Barcelona (US$ 5,65 bilhões), Liverpool (US$ 5,4 bilhões), Manchester City (US$ 5,3 bilhões) e Bayern de Munique (US$ 5,1 bilhões). Entre os dez mais valiosos, destacam-se seis clubes da Premier League — incluindo Arsenal, Tottenham e Chelsea — além de dois da La Liga, um da Ligue 1 e um da Bundesliga. A soma dos valores dos 30 clubes mais valiosos ultrapassa US$ 72 bilhões, com média de US$ 2,4 bilhões por club.

Mas você realmente acredita nisto? Se sim, não deveria, pois é um grande chute da Forbes.  Eis o que ela diz sobre sua metodologia:

As avaliações de equipes da Forbes são baseadas no valor empresarial (valor do patrimônio líquido mais dívida líquida), com base em transações históricas e nas projeções econômicas futuras de cada liga e cada equipe. (...) Os valores das equipes incluem a parte econômica dos estádios utilizados, mas não o valor do imóvel do estádio em si. Participações acionárias em outros ativos relacionados ao esporte e projetos imobiliários de uso misto também são excluídas.(...)

Eis a relação:



É possível notar uma clara tendência aqui. Eu destaquei na tabela acima, para facilitar. Em um grande clube europeu, a relação entre o valor e receita está entre 7,91 e 2,62. Isto seria o múltiplo, mas há uma forte variação aqui. Fora dos clubes europeus, a tabela apresenta também oito times dos Estados Unidos. Aqui a relação entre valor e receita vai de 6,67 a 11,22. Parece suspeito. 

18 agosto 2025

Trafigura, petróleo e fraude


A Trafigura no passado esteve envolvida em um esquema no Brasil onde efetuava pagamento de até US$0,20 por barril negociado com a Petrobras. A operação era oculta através de empresas de fachada e contas offshore. No final, a empresa admitiu a corrupção, pagando multa para o Departamento de Justiça dos EUA (US$127 milhões), alem de multa criminal (US$ 80,5 milhões) e confisco de lucros (US$ 46,5 milhões). 

A empresa de negociação de commodities de Cingapura divulgou, no final do ano passado, que o seu resultado líquido reduziu de 7,3 bilhões para 2,8 bilhões. O motivo foi uma perda de 1,1 bilhão por uma fraude na sua operação de petróleo na Mongólia.  


 

A queda (?) da estatística bayesiana

Eu diria, porém, que ela [a estatística bayesiana] diminuiu como participação relativa dentro da estatística. Nos últimos vinte anos, o “bolo” da estatística e do aprendizado de máquina cresceu bastante, e a fatia bayesiana também aumentou em tamanho absoluto, mas ficou menor em relação ao bolo como um todo. O que é natural. Como John afirma, a estatística bayesiana amadureceu — e eu até gostaria de levar um pouco do crédito por isso! — e deixou de ser algo tão novo e empolgante. Ainda há muita pesquisa ativa e muitos problemas em aberto (veja aqui, por exemplo), mas eu diria que o auge da Bayes ocorreu por volta de 2010, antes de os métodos bayesianos se tornarem parte do pano de fundo.

A fonte da citação acima é de Gellman 

Kodak revela problemas de endividamento


A famosa empresa Eastman Kodak, responsável pelo período áureo das máquinas de fotografia não digitais, informou que precisa de dinheiro para quitar suas dívidas. Caso contrário, deverá deixar de operar. A empresa tem uma história de 133 anos e o volume de dívidas de curto prazo chega a 500 milhões de dólares, para uma receita de 1 bilhão e ativos de 2 bilhões. 

Com 3900 empregados, a empresa, ao divulgar a informação, teve uma redução no valor das ações em 26%. 

Fraude na ciência


Um estudo publicado na PNAS revelou que a fraude científica vem crescendo com o auxílio de redes maliciosas, por meio da análise de mais de 5 milhões de artigos em 70 mil periódicos (via aqui). Existem grupos de editores que conspiram para publicar em massa estudos de baixa qualidade, burlando o processo de revisão por pares, muitas vezes com ajuda de intermediários que conectam autores fraudulentos aos periódicos

Esses artigos podem conter dados falsificados, plágio ou imagens manipuladas e sua publicação sistêmica compromete análises científicas, atrasando avanços e tratamentos. Estima-se que até 1 em cada 7 artigos tenha informações falsas, alimentado pela ação de “fábricas de artigos”, periódicos predatórios e “autopromoção” — onde autores também atuam como editores. A inteligência artificial também facilita essa prática ao permitir a duplicação de imagens fraudadas em larga escala.

Imagem: aqui 

Gastos das grandes empresas de IA com segurança... dos seus executivos


Grandes empresas de tecnologia, como Meta, Alphabet, Nvidia, Amazon e Palantir, aumentaram drasticamente os gastos com proteção dos CEOs, ultrapassando US$ 45 milhões em 2024, segundo um levantamento do Financial Times (via aqui). 

Meta lidera o ranking, investindo US$ 27 milhões na segurança de Mark Zuckerberg e sua família, superando todo o orçamento combinado das cinco maiores empresas de tecnologia. Jensen Huang, da Nvidia, viu os custos subirem de US$ 2,2 milhões para US$ 3,5 milhões, enquanto Amazon destinou US$ 1,6 milhão para Jeff Bezos e US$ 1,1 milhão para Andy Jassy. 

Elon Musk teve despesa oficial de apenas US$ 500 mil, mas viaja com até 20 seguranças e chegou a fundar sua própria empresa de segurança, a Foundation Security. 

O aumento é reflexo de ameaças crescentes desde atentados contra executivos, que elevaram consultas e solicitações de segurança executiva. Além do setor de tecnologia, bancos, saúde e mídia também intensificaram a proteção a seus líderes, destacando a percepção de risco elevado no ambiente corporativo atual.