O International Auditing and Assurance Standards Board (IAASB) divulgou dois novos documentos para apoiar a adoção do padrão ISSA 5000 — International Standard on Sustainability Assurance, que define requisitos gerais para auditorias de sustentabilidade. Os documentos incluem extratos selecionados da norma, separados entre limited assurance e reasonable assurance, facilitando a implementação por reguladores e profissionais sem alterar o padrão integral. O IAASB também publicou FAQs esclarecendo que, quando o ISSA 5000 entrar em vigor, em dezembro de 2026, os padrões anteriores ISAE 3000 (Revised) e ISAE 3410 não se aplicarão mais às auditorias de sustentabilidade.
16 agosto 2025
Normas de Mensuração do setor público
A International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB), que emite normas internacionais de contabilidade para o setor público, aprovou em junho de 2025 as Emendas às Normas IPSAS Resultantes da Aplicação da IPSAS 46, Mensuração (vide aqui também). Estas alterações entrarão em vigor em 2028.
O principal objetivo deste projeto foi introduzir a abordagem de valor operacional atual como uma base de mensuração nas normas. Esta nova abordagem terá um impacto na IPSAS 12, Inventários, onde o método será agora utilizado tanto na mensuração inicial de inventários adquiridos em transações sem contraprestação, quanto na mensuração subsequente para inventários mantidos pela sua capacidade operacional.
Outra alteração crucial ocorre na IPSAS 21, Desvalorização de Ativos Não Geradores de Caixa. A definição de "valor recuperável do serviço" foi atualizada para o mais alto entre o valor justo menos custos de venda e o valor operacional atual. Isso alinhando a IPSAS 21 com os princípios de mensuração da IPSAS 46.
Além disso, as emendas adicionam uma definição de estimativa contabil na IPSAS 3, consistente com a terminologia da IPSAS 46. E a terminologia das divulgações de mensuração de valor atual em diversas normas IPSAS foi aprimorada.
IA prefere IA
Uma pesquisa publicada na Proceedings of the National Academy of Sciences revela que grandes modelos de linguagem, como GPT-3.5, GPT-4 e Llama 3.1, exibem um forte “viés AI-AI”: ao escolher entre descrições humanas e geradas por IA de produtos, filmes ou artigos científicos, eles preferem consistentemente os textos produzidos por outras IAs. O efeito foi mais intenso no GPT-4, sobretudo em avaliações de bens de consumo. Embora humanos também tenham mostrado leve preferência por descrições de IA, essa inclinação foi muito mais fraca.
Para os autores, o fenômeno levanta preocupações sobre discriminação estrutural contra humanos em um futuro dominado por sistemas automatizados de decisão. Se empresas e instituições adotarem IAs para avaliar currículos, trabalhos acadêmicos ou propostas, humanos que não utilizarem LLMs correm o risco de serem sistematicamente preteridos. Isso poderia ampliar a “divisão digital” e criar um “imposto de acesso”, reforçando desigualdades sociais, culturais e econômicas já existentes.
Na contabilidade, podemos supor que as empresas estão usando a IA para preparar suas demonstrações contábeis e comunicados relevantes ao mercado. E os investidores também estão trabalhando com a ferramenta (vide aqui).
Primeiro-ministro da Albânia propõe colocar IA no seu lugar (e dos seus ministros)
Governos nacionais vêm explorando novas tecnologias para enfrentar desafios políticos e econômicos. El Salvador, por exemplo, tornou o Bitcoin moeda legal, mas a medida teve efeitos contrários aos esperados.
Já a Albânia, com 2,7 milhões de habitantes, discute o uso da IA para combater a corrupção. O primeiro-ministro Edi Rama sugeriu que algoritmos poderiam substituir ministros e até mesmo chefiar um governo inteiro, evitando nepotismo e conflitos de interesse.
Na época do comunismo, a Albânia era uma experiência extrema de governo "do povo". A onda de democracia e capitalismo mudou o país, mas alguns problemas estruturais, como a corrupção, permanece. E a proposta de Rama encontra apoio do ex-ministro Ben Blushi, que argumenta que a IA não se corrompe, não erra e não exige salário.
Ele não conhece direito os problemas de destruição em massa de uma IA. Mas a proposta ganha força pelo simbolismo de Mira Murati, albanesa que foi CTO da OpenAI e hoje lidera sua própria startup.
15 agosto 2025
A mudança na fórmula da Coca-Cola
A mais conhecida bebida industrial do mundo, a Coca-Cola tem evoluido ao longo do tempo. A fórmula inicial, que continha extrato de coca com cocaína, foi substituída por folhas descocainizadas, para evitar os efeitos psicoativos, em 1903.
Oitenta anos depois, a empresa trocou, em alguns países, o açúcar de cana pelo xarope de milho com alto teor de frutose. Uma das razões foi o custo. Mas como essa troca ocorreu somente em alguns países, criou-se o mito do sabor da Mexican Coke. Muitos consumidores preferem consumir uma Coca-Cola no México do que nos Estados Unidos, por exemplo.
Recentemente, o presidente Trump pressionou a empresa para mudar o sabor. A empresa então anunciou um versão com açúcar de cana para os Estados Unidos, sem abandonar a versão tradicional.
Texto como Dado
Os avanços em tecnologia da informação, aliados ao rápido crescimento de textos digitalmente acessíveis, ampliaram significativamente a capacidade dos economistas de usar textos como dados em suas pesquisas (Baker, Bloom e Davis 2016; Gentzkow, Kelly e Taddy 2019). Atualmente, a variedade de fontes textuais é praticamente ilimitada, incluindo livros, contratos, transcrições, artigos de notícias, feeds de redes sociais e muitos outros. Naturalmente, os economistas já analisam textos há muito tempo, como demonstram, por exemplo, Romer e Romer (1989, 2023), que estudaram transcrições históricas das reuniões de formulação de políticas do Federal Reserve. Este artigo se concentra nos avanços tecnológicos que transformaram essa prática. Exploramos como essas inovações possibilitam um processamento de texto mais rápido, em maior escala e de forma mais consistente, além de facilitar a mensuração de múltiplas dimensões textuais.
Há um vasto campo para pesquisa em contabilidade. E vários dos autores são professores de contabilidade.





