Acho que já postei antes, mas na dúvida:
17 agosto 2025
16 agosto 2025
IA e Auditoria: somente vantagens?
Eis o resumo de um artigo do Accounting Web:
A inteligência artificial está revolucionando o fechamento das revisões de demonstrações financeiras ao simplificar tarefas repetitivas e elevar a qualidade das auditorias. Os métodos tradicionais, muitas vezes manuais e propensos a erros — como recalcular valores ou revisar inconsistências — atrasam os processos e sobrecarregam as equipes. Os softwares de revisão com IA automatizam esses processos, reduzindo o esforço humano sem retirar o auditor do controle. O foco passa a ser na análise narrativa e qualitativa, enquanto a automação cuida da precisão numérica e da consistência entre versões, liberando o tempo dos profissionais para tarefas mais estratégicas e reflexivas. Essa transformação permite auditorias mais rápidas, eficientes e confiáveis — sem sacrificar a expertise humana.
Há outros aspectos que precisam ser considerados:
a) as empresas tenderam a dispensar os experientes auditores e contratar criadores de prompts.
b) nada garante que a IA será usada para revisão. Acredito que também será usada para fazer o trabalho principal.
c) quem irá perceber a alucinação de uma IA? Deveria ser uma pessoa, mas ela acabou de ser substituída por uma IA.
Fake news para dar paz aos moradores
E quando a tecnologia e o fake news é usada pelo locais para ter paz, isso é ético? Veja o caso do bairro residencial de Parkbuurt, em Zandvoort, Holanda, onde moradores frustrados com o tráfego intenso e a falta de vagas criaram uma tática inusitada: “fecharam” virtualmente suas ruas no Google Maps.
Eles aproveitaram a função de reportar incidentes de trânsito — dezenas de notificações simultâneas foram suficientes para o sistema redirecionar os visitantes a evitar o bairro nos finais de semana. E assim conseguiram que menos veículos passassem pelo local, com mais tranquilidade e alívio temporário sobre a infraestrutura. As áreas vizinhas sofreram, no entanto, já que tiveram que absorver o tráfego.
A prefeitura procurou o Google para remover os bloqueios falsos.
Efeito Netflix
O conceito de “efeito Netflix” refere-se à facilidade com que pequenos gastos recorrentes — como R$ 15 ou R$ 40 por mês — são automaticamente contratados e raramente questionados, mesmo somando valores expressivos ao longo do tempo, fenômeno apelidado de “dinheiro invisível”. Diferente de grandes compras, esses gastos diluídos não passam por reflexão, pois parecem inofensivos.
Além disso, ofertas com preços baixos reforçadas por “cancele quando quiser”, renovação automática e dificuldade para cancelamento criam uma percepção de conveniência que inibe nossa capacidade de escolher conscientemente e cancelamos menos do que deveríamos.
Para combater esse padrão, o autor do texto do link sugere quatro estratégias práticas: (1) revisar assinaturas a cada seis meses; (2) aplicar a “regra dos 12 meses” — perguntar-se se vale pagar a vista o valor anual; (3) concentrar as cobranças em um único dia do mês para sentir o impacto financeiro real; (4) usar um cartão único para rastrear todos esses gastos na fatura.
Tenho um adendo aqui: use a regra de multiplicar por 100 cada gasto. Isso é uma forma grosseira de trazer a valor presente uma perpetuidade - considerando um custo de oportunidade de 1% ao mês. Assim, uma assinatura de um streaming que você não usa, de 40 reais, corresponde a 4.000 reais a longo prazo. Vale a pena?
Novas orientações do IAASB fortalecem auditorias de sustentabilidade
O International Auditing and Assurance Standards Board (IAASB) divulgou dois novos documentos para apoiar a adoção do padrão ISSA 5000 — International Standard on Sustainability Assurance, que define requisitos gerais para auditorias de sustentabilidade. Os documentos incluem extratos selecionados da norma, separados entre limited assurance e reasonable assurance, facilitando a implementação por reguladores e profissionais sem alterar o padrão integral. O IAASB também publicou FAQs esclarecendo que, quando o ISSA 5000 entrar em vigor, em dezembro de 2026, os padrões anteriores ISAE 3000 (Revised) e ISAE 3410 não se aplicarão mais às auditorias de sustentabilidade.
Normas de Mensuração do setor público
A International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB), que emite normas internacionais de contabilidade para o setor público, aprovou em junho de 2025 as Emendas às Normas IPSAS Resultantes da Aplicação da IPSAS 46, Mensuração (vide aqui também). Estas alterações entrarão em vigor em 2028.
O principal objetivo deste projeto foi introduzir a abordagem de valor operacional atual como uma base de mensuração nas normas. Esta nova abordagem terá um impacto na IPSAS 12, Inventários, onde o método será agora utilizado tanto na mensuração inicial de inventários adquiridos em transações sem contraprestação, quanto na mensuração subsequente para inventários mantidos pela sua capacidade operacional.
Outra alteração crucial ocorre na IPSAS 21, Desvalorização de Ativos Não Geradores de Caixa. A definição de "valor recuperável do serviço" foi atualizada para o mais alto entre o valor justo menos custos de venda e o valor operacional atual. Isso alinhando a IPSAS 21 com os princípios de mensuração da IPSAS 46.
Além disso, as emendas adicionam uma definição de estimativa contabil na IPSAS 3, consistente com a terminologia da IPSAS 46. E a terminologia das divulgações de mensuração de valor atual em diversas normas IPSAS foi aprimorada.
IA prefere IA
Uma pesquisa publicada na Proceedings of the National Academy of Sciences revela que grandes modelos de linguagem, como GPT-3.5, GPT-4 e Llama 3.1, exibem um forte “viés AI-AI”: ao escolher entre descrições humanas e geradas por IA de produtos, filmes ou artigos científicos, eles preferem consistentemente os textos produzidos por outras IAs. O efeito foi mais intenso no GPT-4, sobretudo em avaliações de bens de consumo. Embora humanos também tenham mostrado leve preferência por descrições de IA, essa inclinação foi muito mais fraca.
Para os autores, o fenômeno levanta preocupações sobre discriminação estrutural contra humanos em um futuro dominado por sistemas automatizados de decisão. Se empresas e instituições adotarem IAs para avaliar currículos, trabalhos acadêmicos ou propostas, humanos que não utilizarem LLMs correm o risco de serem sistematicamente preteridos. Isso poderia ampliar a “divisão digital” e criar um “imposto de acesso”, reforçando desigualdades sociais, culturais e econômicas já existentes.
Na contabilidade, podemos supor que as empresas estão usando a IA para preparar suas demonstrações contábeis e comunicados relevantes ao mercado. E os investidores também estão trabalhando com a ferramenta (vide aqui).





