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02 fevereiro 2026

Fusões e Aquisições no Brasil

 Eis o resumo: 


Este artigo tem como objetivo evidenciar as práticas de valuation no mercado de fusões e aquisições em um país de mercado emergente, como é o Brasil. Como lacuna, há a ausência de uma análise das especificidades da prática de valuation em um mercado emergente sem restrições a um nicho específico de atuação ou a uma associação profissional, além da ampliação do escopo do questionário. Os resultados deste artigo trazem percepções importantes sobre a prática de valuation no mercado brasileiro de fusões e aquisições. O estudo é relevante para avaliadores, acionistas e diretores de empresas que adotam como estratégia o crescimento inorgânico, bem como para o fisco, pois o goodwill é dedutível fiscalmente em caso de incorporação pela adquirente. Um questionário estruturado com respostas pré-definidas foi aplicado a profissionais envolvidos em valuations, e foram realizadas análises de distribuição e de correspondência. Os resultados indicam que não há uma prática comum entre os avaliadores, havendo maior similaridade entre os profissionais de empresas de assessoria financeira e consultoria. Sugere-se que as transações podem ocorrer a preços superiores ao valor justo da empresa adquirida, especialmente por parte dos investidores estratégicos. Cerca de 15% dos avaliadores sinalizam estar sujeitos à influência do efeito manada. A maioria dos avaliadores considera prêmios adicionais à base conceitual do Capital Asset Pricing Model, sustentados majoritariamente por conhecimento privado do avaliador. Contudo, parece que os investidores estratégicos não os consideram, tendo uma maior preocupação com a representatividade do período perpétuo. Há espaço para discutir os vieses cognitivos e outros fatores que podem influenciar a definição do preço em uma fusão e aquisição, bem como os erros conceituais e metodológicos que podem ocorrer no processo de avaliação.

O artigo pode ser baixado aqui . Imagem criada pelo GPT a partir do resumo. 

01 fevereiro 2026

IA e Dunning-Kruger

Eis um trecho:

(...) estudo apresenta evidências convincentes de que a IA pode conduzir diretamente os usuários ao efeito Dunning-Kruger — uma armadilha psicológica conhecida, na qual as pessoas menos competentes tendem a ser as mais confiantes em suas habilidades. (...)

O estudo envolveu mais de 3.000 participantes em três experimentos distintos, mas com uma lógica geral semelhante. Em cada um deles, os participantes foram divididos em quatro grupos para discutir temas políticos, como aborto e controle de armas, com um chatbot. Um grupo conversou com um chatbot sem qualquer instrução especial; o segundo interagiu com um chatbot “sicerofântico”, programado para validar suas crenças; o terceiro falou com um chatbot “discordante”, instruído a desafiar seus pontos de vista; e o quarto, grupo de controle, interagiu com uma IA que apenas falava sobre gatos e cachorros.  


Ao longo dos experimentos, os participantes conversaram com uma ampla gama de grandes modelos de linguagem, incluindo GPT-5 e GPT-4o da OpenAI, Claude da Anthropic e Gemini do Google, representando os principais modelos do setor. A exceção foi o GPT-4o mais antigo, que continua relevante porque muitos usuários do ChatGPT ainda o consideram sua versão favorita — ironicamente, por ser percebido como mais pessoal e mais complacente. 

Após a realização dos experimentos, os pesquisadores constataram que conversar com chatbots de IA sicerofânticos levou os participantes a adotar crenças mais extremas e a aumentar sua certeza de que estavam corretos. De forma surpreendente, porém, falar com chatbots discordantes não produziu o efeito oposto: isso não reduziu nem a intensidade das crenças nem o grau de certeza em comparação com o grupo de controle. 

Na prática, o único impacto perceptível de tornar o chatbot discordante foi sobre o prazer do usuário. Os participantes preferiram interagir com o companheiro sigerofântico, e aqueles que conversaram com chatbots discordantes mostraram-se menos inclinados a utilizá-los novamente.  

Os pesquisadores também observaram que, quando o chatbot era instruído a fornecer fatos sobre o tema debatido, os participantes consideravam o fornecedor de fatos sigerofântico menos enviesado do que o discordante. 

“Esses resultados sugerem que a preferência das pessoas por sigerofantia pode criar ‘câmaras de eco’ de IA, que aumentam a polarização e reduzem a exposição a pontos de vista opostos”, escreveram os autores.  

Igualmente relevante foi o efeito dos chatbots sobre a autopercepção dos participantes. As pessoas já tendem a se considerar acima da média em atributos desejáveis, como empatia e inteligência, mas os pesquisadores alertam que a IA pode amplificar ainda mais esse “efeito acima da média”.  

Nos experimentos, a IA sigerofântica levou os participantes a se avaliarem mais positivamente em traços desejáveis, como inteligência, moralidade, empatia, informação, bondade e perspicácia. De forma curiosa, embora a IA discordante não tenha conseguido alterar de maneira significativa as crenças políticas, ela levou os participantes a atribuírem notas mais baixas a si mesmos nesses mesmos atributos.  

Este não é o único estudo a documentar uma relação aparente com o efeito Dunning-Kruger. Outra pesquisa mostrou que pessoas que utilizaram o ChatGPT para realizar uma série de tarefas tenderam a superestimar amplamente seu próprio desempenho, sendo esse efeito ainda mais pronunciado entre aquelas que se declaravam experientes em IA. Seja lá o que a IA esteja fazendo com nossos cérebros, provavelmente não é algo positivo. 

Resumidamente, Dunning-Kruger é o efeito em que pessoas com baixa competência em determinado tema tendem a superestimar suas próprias habilidades, enquanto indivíduos mais competentes costumam ser mais conscientes de suas limitações. 

Leitura Rápida e Seletiva


O texto “Front-load Key Words”, do Sketchplanations, apresenta uma técnica simples e eficaz para tornar a comunicação escrita mais clara, especialmente em contextos digitais, onde a maioria das pessoas não lê palavra por palavra, mas faz uma leitura rápida e seletiva (scanning). A ideia central é antecipar as palavras-chave, colocando os termos mais importantes no início de frases, parágrafos, listas ou links.

Ao “front-loadar” as palavras-chave, o leitor consegue entender rapidamente sobre o que é o conteúdo, mesmo sem ler tudo. Isso reduz o esforço cognitivo, melhora a navegação visual do texto e aumenta a chance de a mensagem principal ser compreendida. A técnica é particularmente útil em e-mails, apresentações, relatórios, textos institucionais e interfaces digitais.

O autor demonstra o conceito por meio de um exemplo prático: uma lista de instruções que, ao ser reorganizada com os termos centrais no começo de cada item, torna-se mais clara, objetiva e fácil de escanear. O significado não muda, mas a acessibilidade da informação melhora drasticamente.

Em síntese, o texto defende que escrever bem não é apenas escolher boas palavras, mas organizar a informação de acordo com o modo como as pessoas realmente leem. Antecipar palavras-chave é uma estratégia simples, de alto impacto, que melhora clareza, eficiência e comunicação.

(Na contabilidade, tenho lido muitas pesquisas sobre legibilidade e compreensibilidade. Mas esse é um ponto interessante que não damos atenção.) 

IVSC propõe uma revisão nos padrões


O IVSC é uma entidade dedicada ao estudo da mensuração. Seus trabalhos contribuem para a Fundação IFRS, especialmente no que se refere às questões de mensuração contábil, e servem de base para os processos de mensuração em geral, incluindo as avaliações empresariais.

O documento vigente é relativamente sucinto, na medida do que pode ser sucinto um texto produzido por uma entidade que pretende regular temas da nossa área. No momento, o IVSC lançou uma revisão do documento, aberta a sugestões por um período de três meses, que inclui alterações no glossário, ampliações do escopo de atuação, revisões dos aspectos relacionados à sustentabilidade e, de forma particularmente interessante, a inclusão de modelos de valuation baseados em inteligência artificial.

No documento do IVSC, encontra-se uma das definições mais curtas — e talvez uma das melhores — de ativo: direito a um benefício econômico. Quem sabe, uma luz para uma futura revisão da Estrutura Conceitual.

Imagem aqui

Reino Unido deve adotar normas de sustentabilidade baseadas no ISSB

O regulador britânico Financial Conduct Authority (FCA), em língua portuguesa Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (FCA), lançou uma consulta pública para alterar regras de evidenciação relacionadas a sustentabilidade. No caso, os que foram provisioramente denominados de UK Sustainability Reporting Standards (SRS)

As regras propostas estão baseadas nas normas IFRS S1 e S2. A consulta deve finalizar em março e o prazo previsto para entrar em vigor é 2027.

30 janeiro 2026

As notícias mais bonitas de 2025

 O site Information is Beautiful traz algumas boas notícias que deveriam ser manchete no ano passado: 

Eis a lista:

Mais de 2 bilhões de doses de uma nova vacina contra a pólio foram aplicadas em mais de 40 países.

27 países já eliminaram o tracoma.

Vacinas contra HPV reduzem casos de câncer cervical em até 98%.

Vendas de carros elétricos cresceram 25% no mundo.

Primeiro medicamento 100% eficaz na prevenção do HIV é aprovado.

Governo da Irlanda vai pagar renda básica a artistas criativos (€325 por semana).

A indústria de peles está em forte queda.

A doença de Huntington foi tratada com sucesso pela primeira vez.

A taxa de homicídios nos EUA é a mais baixa em 125 anos.

Baleias-jubarte se recuperaram para 93% de sua população pré-caça.

Mortes por tuberculose caíram 29% em 10 anos.

O buraco na camada de ozônio está se recuperando e pode desaparecer 20 anos antes do previsto.

O mundo ultrapassou o “pico da poluição”.

Energia eólica e solar geraram mais eletricidade globalmente do que o carvão pela primeira vez na história.

Políticas sociais do México tiraram 13,4 milhões de pessoas da pobreza em apenas sete anos.

A expectativa de vida na África aumentou 9 anos desde 2000.

100 milhões de crianças a menos estão sendo forçadas ao trabalho infantil hoje (comparado a 2000).

PwC e Google Cloud fecham um acordo de 400 milhões


A PwC e o Google Cloud fecharam um grande acordo de cooperação, na quarta, com prazo de três anos e estimativa de 400 milhões de dólares de valor. Pelo acordo, a PwC irá ajudar o Google Cloud a " modernizar as operações de segurança em torno da IA".

Ao combinar as plataformas de segurança do Google Cloud e a inteligência de ameaças com os recursos de transformação, risco e serviços gerenciados da PwC, as duas empresas visam ajudar os clientes a melhorar a visibilidade, acelerar a detecção e a resposta e operar programas de segurança de forma mais eficaz em ambientes híbridos e multinuvem.

Fonte aqui 

Rir é o melhor remédio

Só eles... Fonte: aqui
 

29 janeiro 2026

Salário e fraude


Novamente fraude

Combinamos dados do Censo dos Estados Unidos com ações de fiscalização da SEC para examinar os resultados dos empregados — como salários e rotatividade — antes, durante e após períodos de fraude em relatórios financeiros. Constatamos que funcionários de empresas envolvidas em fraude perdem cerca de 50% do salário anual acumulado, em comparação com uma amostra pareada, e que a taxa de desligamento é muito mais alta após os períodos de fraude.

Ainda assim, o crescimento do emprego nessas empresas é positivo durante o período de fraude: elas se expandem excessivamente e contratam novos empregados com salários mais baixos, diferentemente de empresas em dificuldade, que tendem a se contrair. Quando a fraude é revelada, as empresas demitem trabalhadores, revertendo esse crescimento anormal e gerando a maior parte das perdas salariais. Os efeitos negativos são mais intensos em mercados de trabalho pouco dinâmicos, e empregados de baixa renda, embora improváveis responsáveis pela fraude, sofrem perdas salariais mais severas do que os de maior renda.

 Imagem aqui

Fraudulent financial reporting and the consequences for employees
Jung Ho Choi & Brandon Gipper
Journal of Accounting and Economics 

Imigração e fraude

O resumo do paper do MIT: 

Examinamos o impacto da política de imigração dos Estados Unidos — especificamente o programa de vistos H-1B — sobre a probabilidade de má conduta financeira nas empresas. Argumentamos que empregadores têm maior poder sobre funcionários com visto H-1B, pois esses trabalhadores precisam manter um emprego elegível ao H-1B para residir legalmente no país. Sustentamos que empresas que dependem do H-1B para contratar profissionais em funções contábeis têm maior capacidade de distorcer demonstrações financeiras, devido aos custos mais elevados que esses empregados enfrentam caso sejam demitidos inesperadamente por não atenderem às exigências dos superiores ou por denunciarem irregularidades.

Utilizando a forte redução do teto de vistos H-1B em 2004 como um choque nesse tipo de emprego, constatamos que empresas que dependiam desse programa para funções contábeis antes do choque apresentaram queda de 2,3 pontos percentuais nas irregularidades contábeis após o choque. Testes transversais mostram que a redução das irregularidades é maior em empresas nas quais funcionários com visto H-1B têm (1) maior influência sobre os relatórios financeiros ou (2) menos oportunidades de emprego externas. Além disso, a relação entre o uso do visto H-1B e irregularidades é mais forte em empresas com maior participação de investidores de curto prazo, que tendem a pressionar gestores por metas de lucro imediatas. Corroboramos esses resultados utilizando o desfecho das loterias de vistos H-1B como choques adicionais nesse tipo de emprego.

Fonte: Does U.S. immigration policy facilitate financial misconduct?
Ruiting(Dan) Dai et al.
MIT Working Paper, December 2023 

Voltando na questão financeira da Fundação IFRS


Recentemente postamos sobre a preocupação com a saúde financeira da Fundação IFRS. A entidade planeja reduzir o número de pessoas do board, tanto do IASB quanto do ISSB, de 14 para 10 membros. A própria Fundação expressou essa questão no final de 2025.

Antes disso, o presidente da SEC, Paul Atkins, já havia expressado sua preocupação com a questão financeira da Fundação. Nas palavras dele, é necessário financiamento estável para cumprir o seu papel. Mas Atkins foi muito claro ao associar o fato à criação do International Sustainability Standards Board (ISSB), o que significa arrumar dinheiro para os dois boards.

Para quem estava assistindo de longe, era muito claro o processo de expansão da Fundação IFRS. O quadro de pessoal dobrou, e adicionar 14 membros a um board deve representar algo em torno de 8,4 milhões de libras esterlinas. Durante meses, o nosso CFC anunciava a abertura de vagas para profissionais no ISSB. Além disso, abriram-se escritórios em vários locais do planeta. Se estão gastando, devem estar arrecadando.

Mas há um efeito carona aqui. Quem está adotando as duas normas de sustentabilidade, que nem foram produzidas pelo ISSB, não deve estar pagando os direitos autorais. Com a troca da presidência do IASB nos próximos meses, a Fundação deve arrumar dinheiro para pagar o salário de quem está saindo e de quem está entrando. Tudo isso somado, parece que a conta não está fechando. Vamos esperar o balanço. Pelo anterior, a Fundação ainda tem reserva para queimar, mas será por quanto tempo?

Imagem aqui 

Rir é o melhor remédio

Aonde estão as fraudes?

Adaptado daqui 


 

28 janeiro 2026

Ciência e IA


Da newsletter da Nature 

Um estudo de 42 milhões de artigos nas ciências naturais descobriu que pesquisadores que utilizam métodos de IA publicam mais trabalhos, obtêm mais citações e tornam-se líderes de projetos mais cedo do que aqueles que não adotam ferramentas de pesquisa de IA. No entanto, esses cientistas que realizam pesquisas 'aumentadas por IA' o fazem em um conjunto mais restrito de tópicos e interagem menos com outros cientistas. 'Parecia claro que [a IA] estava realmente comprimindo ou meio que automatizando campos científicos existentes, em vez de gerar novas perguntas', afirma James Evans, cientista de dados e coautor do estudo.

Eis a citação do estudo:

Hao, Q., Xu, F., Li, Y. et al. Artificial intelligence tools expand scientists’ impact but contract science’s focus. Nature 649, 1237–1243 (2026). https://doi.org/10.1038/s41586-025-09922-y 

Carrie Bradshaw Index

A revista The Economist criou um indicador para avaliar a acessibilidade de viver em uma cidade europeia. Trata-se do European Carrie Bradshaw Index, assim denominado em homenagem a uma personagem de uma série de televisão. O índice é simples: um assalariado mediano pode pagar um apartamento de um quarto, mantendo o aluguel em até 30% da sua renda? Eis o resultado:

Das 39 cidades pesquisadas, somente oito passaram no teste da acessibilidade. A 
 surpresa é que na lista não estão Lisboa, Madri ou Londres. A relação entre aluguel e salário são desfavoráveis nessas cidades. Estão em vermelho no gráfico. Entre as oito, Berlin, Bonn, Berna, Bruxelas, Helsinque, Luxemburgo, Lion e Viena. 

Rir é o melhor remédio

 

Renovado depois de umas férias. 

27 janeiro 2026

IA treinada com dados de IA pode ser um problema

Modelos de IA funcionam sendo treinados em enormes volumes de dados da internet. Mas, à medida que a IA vem sendo cada vez mais usada para despejar na web páginas cheias de conteúdo lixo, esse processo corre o risco de ser minado. 

(...) À medida que modelos subsequentes produzem saídas que passam a ser usadas como dados de treinamento para modelos futuros, o efeito piora. Ilia Shumailov, cientista da computação da Universidade de Oxford que liderou o estudo, compara o processo a tirar fotos de fotos. “Se você tira uma foto, escaneia, depois imprime, e repete esse processo ao longo do tempo, basicamente o ruído acaba dominando todo o processo”, diz ele. “Você fica com um quadrado escuro.” O equivalente desse quadrado escuro para a IA é chamado de “colapso do modelo”, explica, ou seja, o modelo passa a produzir lixo incoerente. 

(...) E o problema tende a piorar à medida que um número crescente de sites lixo gerados por IA começa a entulhar a internet. 

Os modelos atuais de IA não vão simplesmente colapsar, diz Shumailov, mas ainda assim pode haver efeitos substanciais: as melhorias vão desacelerar e o desempenho pode sofrer. (...)

Shumailov explica o que ele acha que está acontecendo usando esta analogia: imagine que você está tentando encontrar o nome menos provável de um estudante na escola. Você poderia passar por todos os nomes dos alunos, mas isso levaria tempo demais. Em vez disso, você olha 100 dos 1.000 nomes. Você obtém uma estimativa razoavelmente boa, mas provavelmente não é a resposta correta. Agora imagine que outra pessoa venha e faça uma estimativa com base nos seus 100 nomes, mas selecione apenas 50. A estimativa dessa segunda pessoa vai estar ainda mais distante da realidade. 

“Você certamente pode imaginar que o mesmo acontece com modelos de aprendizado de máquina”, diz ele. “Então, se o primeiro modelo viu metade da internet, talvez o segundo modelo não vá pedir metade da internet, mas, na verdade, vai raspar os últimos 100.000 tweets e ajustar o modelo em cima disso.” 

Além disso, a internet não contém uma quantidade ilimitada de dados. Para alimentar seu apetite por mais, modelos futuros de IA talvez precisem treinar com dados sintéticos — ou dados que tenham sido produzidos por IA. 

(...) Matthias Gerstgrasser, pesquisador de IA em Stanford que é autor de outro artigo examinando o colapso de modelos, diz que adicionar dados sintéticos aos dados do mundo real, em vez de substituí-los, não causa grandes problemas. Mas acrescenta: “Uma conclusão com a qual toda a literatura sobre colapso de modelos concorda é que dados de treinamento de alta qualidade e diversos são importantes.” 

Fonte: aqui 

O texto é de 2024, mas o alerta ainda é válido. Talvez por isso seja tão importante uma enciclopédia, como a Wikipedia, escrita por humanos. Ou, sendo pouco humilde, um blog escrito por três abnegados, possa ser útil para treinar os modelos de LLM 

Escolha seu difícil

 

E aqui uma adaptação, com ajuda do GPT:


 

Ignorância estratégica


Eu chamaria de ignorância estratégica. O colunista chamou de efeito avestruz ou evitação de informação. 

Provavelmente, você consegue lembrar de uma ocasião em que escolheu deliberadamente não saber de algo. Alguns de nós evitam conferir o saldo bancário depois de um fim de semana de gastos. Outros ignoram suspeitas persistentes sobre a fidelidade do parceiro. Há quem passe rapidamente por manchetes pesadas sobre guerras ou mudanças climáticas.

Esse pensamento de “quanto menos eu souber, melhor” é surpreendentemente comum na vida adulta. O que é menos óbvio, porém, é de onde vem esse comportamento. Afinal, crianças são notoriamente (e até irritantemente) curiosas. Estão sempre fazendo perguntas e querendo saber mais.

Isso realmente é comum. Mas há outras razões que o texto não aborda como situações onde sabemos que não temos controle dos fatos, então preferimos não estar informado. Pense na situação onde você pode assistir o jogo do seu time de futebol, mas sabe que sua torcida não irá afetar o resultado, mas você irá sofrer durante os minutos do jogo. A ignorância estratégica é muito interessante aqui, pois evita os sentimentos ruins e a perda de tempo. 

Mas há outro aspecto que interessa de perto a contabilidade. Há um pressuposto de que mais informação é melhor. Mas em muitos casos a ignorância pode ser útil. Muitas vezes não queremos saber se uma empresa onde somos acionistas subornou alguém para conseguir negócios vantajosos. E outros exemplos surgem facilmente.  

Imagem aqui 

Probabilidades. São probabilidades.


Lendo isso na ótima Forbes: 

Tanto a Polymarket quanto a Kalshi previram, no início da semana, os mesmos 10 indicados a Melhor Filme, mas apenas nove se confirmaram. Apostadores de ambas as plataformas erraram ao projetar que It Was Just An Accident seria indicado, enquanto nenhum dos dois mercados previu o indicado real: F1.

No início da semana, três filmes tinham chances de 100% de indicação na Polymarket: One Battle After Another, Hamnet e Marty Supreme. Completavam as dez vagas possíveis na Polymarket Sinners (99%), Frankenstein (98%), Sentimental Value (97%), Bugonia (90%), O Agente Secreto (84%), Train Dreams (79%) e It Was Just An Accident (64%).

 O texto que fazer parecer que os sites de previsão erraram. O texto tem o título: Oscar 2026: o Que os Mercados de Previsão Erraram nas Indicações. Mas parece que a pessoa que escreveu não entende de probabilidade e chances. De dez filmes, os mercados de previsão acertaram "apenas" nove. Mas isso é algo excelente. E veja que o erro foi cometido em um filme cuja chance era de 64%, algo bem mais próximo do chute - 50% - do que da certeza, ou 100%. 

Google tomou notas da minha vida e decidiu entregar o caderno


O Google lançou esta semana um novo e poderoso recurso no Modo IA da Busca. Ele se chama Inteligência Pessoal e integra vários serviços existentes da empresa de uma forma radicalmente nova. Isso também foi lançado recentemente no Gemini, o chatbot de IA do Google. Pranav Dixit, do Business Insider, testou e ficou impressionado. Aqui está a avaliação dele: 

“A Inteligência Pessoal parece que o Google esteve silenciosamente tomando notas sobre toda a minha vida e finalmente decidiu me entregar o caderno.” 

Com a minha permissão, o Gemini pode acessar minha conta do Google — Gmail, Fotos, histórico de buscas, YouTube e mais — e raciocinar sobre tudo isso para responder perguntas como um assistente humano faria, só que este tem anos de registros sobre a minha vida. 

Isso é algo que eu queria desde que os chatbots com IA explodiram no fim de 2022. Naquela época, eu despejava minha alma no ChatGPT e recebia uma resposta inteligente. Em seguida, o bot imediatamente esquecia que eu existia, como um peixe-dourado genial. Nos últimos anos, a OpenAI e a Anthropic permitiram que seus chatbots se conectassem a serviços como Gmail, Google Drive e Google Agenda. Mas o Google tem a vantagem de jogar em casa: ele já possui a visão mais ampla do que você realmente fez, pesquisou, assistiu e salvou. 

A capacidade do Gemini de conectar os pontos é assustadoramente boa, muito além do que o ChatGPT ou o Claude conseguem fazer. Quando pedi ideias de passeios turísticos para meus pais, que já visitaram a Bay Area algumas vezes, ele sugeriu museus e jardins, inferindo corretamente que eles já tinham feito trilhas e viagens a florestas de sequoias. 

Quando perguntei ao Gemini como ele sabia disso, ele me disse que deduziu com base em “migalhas” deixadas pela minha conta do Google: e-mails da família, fotos do Muir Woods, uma reserva de estacionamento no Gmail e uma busca no Google por “trilhas fáceis para idosos”. Isso é tão poderoso que o Google já está tentando se antecipar ao susto. O vice-presidente Josh Woodward disse que o Google toma “medidas para filtrar ou ofuscar dados pessoais” das conversas que temos com o Gemini. 

“Nós não treinamos nossos sistemas para aprender o número da sua placa; nós os treinamos para entender que, quando você pede por isso, podemos localizá-lo”, escreveu ele recentemente. Então, pedi a ele o número da placa do meu carro e ele conseguiu encontrá-lo, com base em fotos do meu carro no Google Fotos. 

Também perguntei ao Gemini quando o seguro do meu carro venceria para renovação, e ele acertou, com base em e-mails da AAA na minha caixa de entrada do Gmail. Quando pedi que me ajudasse a planejar uma viagem próxima, ele levou em conta o fato de que estamos viajando com um bebê — porque ele já sabe que temos um recém-nascido. Claro que sabe. 

Fiquei pensando no meu caso: uso gmail, posto aqui no blogger,  já usei muito o google para pesquisar - incluindo o Maps e uso eventualmente o gemini. Meu celular trabalha com o Android. Mas não uso o navegador deles, mas acho que isso é insuficiente para o Google não me conheça muito bem. 

26 janeiro 2026

Economias hiperinflacionárias em 2026


 A previsão mundial de inflação. A Argentina parece que está conseguindo reduzir sua taxa. 

LLM e vieses comportamentais

Eis o resumo:  

Os modelos de IA generativa, particularmente os grandes modelos de linguagem (LLMs), exibem vieses comportamentais sistemáticos em decisões econômicas e financeiras? Em caso afirmativo, como esses vieses podem ser mitigados? Com base nas literaturas de psicologia cognitiva e economia experimental, realizamos o conjunto mais abrangente de experimentos até hoje — originalmente concebidos para documentar vieses humanos — em famílias proeminentes de LLMs, abrangendo diferentes versões e escalas de modelos. Documentamos padrões sistemáticos no comportamento dos LLMs. Em tarefas baseadas em preferências, as respostas tornam-se mais semelhantes às humanas à medida que os modelos se tornam mais avançados ou maiores, enquanto, em tarefas baseadas em crenças, modelos avançados de grande escala frequentemente geram respostas racionais. Solicitar explicitamente que os LLMs tomem decisões racionais reduz os vieses.

Parece piada, mas não é...


Em entrevista ao portal “Sports Russia”, Andrei Orlov, ex-diretor esportivo do clube, revelou bastidores da saída do técnico espanhol, em agosto de 2025. Moreno chegou ao FC Sochi em dezembro de 2023 e, com o passar do tempo, adotou a inteligência artificial em seu dia a dia.

O problema é que a confiança absoluta no “ChatGPT” levou o treinador de 48 anos a implementar medidas que se mostraram prejudiciais ao time russo. (...) Ao pedir para a ferramenta de inteligência artificial montar um cronograma para a partida fora de casa, Robert Moreno fez seus atletas acordarem às 5h da manhã e treinar duas horas depois, a dois dias do jogo. (...) 

o elenco “não entendia” porque o técnico espanhol não levou em consideração o período de descanso pré-viagem, o que causou mal-estar, principalmente com o agendamento de uma atividade tão cedo no dia. 

Fonte aqui 

Contadora do Zeppelin faleceu

Joan Hudson, a contadora que gerenciou com devoção as finanças e os assuntos empresariais do Led Zeppelin por mais de 50 anos, desde o auge da banda até anos recentes, morreu em 31 de dezembro, aos 87 anos, segundo apurou o LedZepNews.

Hudson vendeu sua firma de contabilidade em Londres, Joan Hudson & Co, para a SRLV em 2023, o que lhe permitiu finalmente se aposentar após passar décadas de sua vida administrando o intricado universo do Led Zeppelin. A notícia de sua morte surgiu pela primeira vez no grupo de e-mails For Badgeholder’s Only no início desta semana.

A dedicação de Hudson aos integrantes do Led Zeppelin continuou até sua morte: a contadora evitava a exposição pública e nunca concedeu entrevistas à mídia sobre seu trabalho. Suas décadas de serviço ao Led Zeppelin fazem com que ela tenha sido, provavelmente, a funcionária com mais tempo de casa da banda.

(Via aqui)

A notícia só foi divulgada ontem.  

Frase


"Erros são quase sempre de natureza sagrada. Nunca tente corrigi-los. Pelo contrário: racionalize-os, compreenda-os perfeitamente. Depois disso, será possível para você sublimá-los." (Salvador Dali)

Provavelmente não é válido para contabilidade. Ou será que é válido? 

25 janeiro 2026

Carros Elétricos e Poluição


Carro elétrico faz bem para a saúde? Parece que sim. Eis o resumo: 

Este artigo fornece a primeira evidência em nível nacional sobre como a adoção de veículos elétricos (VEs) melhorou tanto a qualidade do ar quanto a saúde infantil. Reunimos um rico conjunto de dados de 2010 a 2021 que vincula os registros de VEs em nível de condado a medidas de poluição do ar, desfechos ao nascer e atendimentos em departamentos de emergência. A endogeneidade da adoção de VEs é tratada por meio de duas estratégias complementares: efeitos fixos em duas dimensões e variáveis instrumentais (VI). A VI explora a implementação escalonada dos Corredores de Combustíveis Alternativos como uma fonte de variação exógena na infraestrutura de recarga que afetou a adoção de VEs. As estimativas mostram que uma maior penetração de VEs reduz significativamente o dióxido de nitrogênio (NO₂), um poluente-chave associado às emissões veiculares. Essas melhorias na qualidade do ar geram benefícios relevantes à saúde, incluindo reduções em casos de muito baixo peso ao nascer e de nascimentos extremamente prematuros, além de menos atendimentos de emergência por asma entre crianças de 0 a 5 anos. Isso permanece verdadeiro mesmo quando se consideram aumentos potencialmente compensatórios na poluição decorrente da geração de eletricidade necessária para abastecer os VEs. Os benefícios são maiores nos condados com altos níveis de poluição que possuem Corredores de Combustíveis Alternativos, onde as exposições iniciais são mais elevadas. As reduções resultantes apenas nos casos de muito baixo peso ao nascer poderiam gerar benefícios anuais de US$ 1,2 a US$ 4,0 bilhões. Esses achados destacam os benefícios ambientais e de saúde pública associados à adoção de veículos elétricos.

Fonte: Clean Rides, Healthy Lives: The Impact of Electric Vehicle Adoption on Air Quality and Infant Health
Cavit Baran et al.
NBER Working Paper, September 2025 

Imagem aqui 

Privacidade perdida e gerenciamento de resultados


Quando uma empresa acredita que terá um resultado decepcionante, os gestores começam a adotar práticas como alterar o valor da depreciação, aumentar incentivos para vendas, reduzir investimentos em pesquisa, entre outras. Uma pesquisa mostrou que o impacto vai além da contabilidade, atingindo também a área de tecnologia da empresa.

Wen-Hsin Chang, em Privacy Lost? Consumer Digital Privacy and Earnings Benchmarks, mostrou que empresas que têm risco de não entregar o resultado esperado aumentam o rastreamento dos clientes, por parte de terceiros, em seus sites, para tentar elevar visitas e transações. Parece que isso realmente aumenta o número de visitas, mas pode prejudicar os consumidores e as próprias empresas.

Estudando dados entre 2018 e 2022 e combinando informações de diferentes fontes, Chang conclui que as empresas que mal bateram seu benchmark de resultados haviam incorporado cerca de 20% mais rastreadores do que a média de seu setor. Houve um aumento nas visitas, mas isso pode gerar problemas no futuro, pois tende a tornar a situação irritante.

Leia também aqui 

CEO do Itau não está mentindo quando diz que não distribuiu CDB do Master

Eis a manchete: 


O print foi retirado da página do Estado de São Paulo. Aqui está o endereço. Mas veja a imagem de um extrato de investimento de um cliente Itaú


 Na parte debaixo, CDB WillCFI, sendo que Will significa WillBank. Eis o que diz a Wikipedia:


 Em outras palavras, WillBank é Master. Mas acusar alguém sem conhecer os aspectos técnicos da questão pode dar processo. De curiosidade fiz a seguinte pergunta para o Chat GPT> 

Me ajude a entender a situação. O CEO do Itau diz que nunca distribuiu CDB do Master. Mas a imagem de um extrato de investimento de um correntista mostra claramente um CDB do WillBank. A Imagem da Wikipedia afirma que o Will Bank foi comprado pelo Master. O CEO do Itau está mentindo ou manipulando os fatos ou ele tem razão?

A resposta do GPT foi a seguinte:

Excelente pergunta — e a aparente contradição é real apenas à primeira vista. Tecnicamente, o CEO do Itaú não está mentindo, mas a situação envolve uma distinção jurídica e operacional que não é óbvia para o público.

Vou organizar em três camadas.


1) O que exatamente o CEO do Itaú disse

Segundo a entrevista ao Estadão:

Nunca distribuímos um CDB do Banco Master, porque ele não passou nos critérios técnicos.”

Ou seja, a afirmação é estritamente literal:
o Itaú diz que nunca colocou na prateleira um produto cujo emissor formal fosse o Banco Master.

Isso é relevante porque, em renda fixa no Brasil, o emissor legal do título é o que define:

  • risco de crédito,

  • cobertura do FGC,

  • enquadramento interno de risco,

  • e compliance regulatório.


2) O que a imagem do extrato realmente mostra

O extrato do correntista mostra:

“CDB WILL CFI CDI 117% 06/05/2026”

Pontos técnicos importantes:

  • O emissor não aparece como “Banco Master”.

  • O nome comercial do produto é Will Bank.

  • O CDB está rotulado como um título do Will Bank (ou do veículo financeiro dele).

Portanto, formalmente:

O Itaú não distribuiu um CDB do Banco Master.
Ele distribuiu um CDB do Will Bank.

Mesmo após a aquisição do Will Bank pelo Master, isso não altera automaticamente o emissor legal dos títulos já emitidos ou dos produtos ofertados sob a marca Will.


3) O que a Wikipedia adiciona (e o que ela NÃO resolve)

A Wikipedia afirma:

Em fevereiro de 2024, o Banco Master comprou o controle do Will Bank.
Em janeiro de 2026, o BC decretou liquidação extrajudicial do Will Bank devido à crise do Master.

Isso mostra que:

  • Houve controle societário do Will Bank pelo Master.

  • Houve contágio financeiro da crise do Master para o Will Bank.

  • Mas não houve fusão jurídica imediata entre os dois bancos.

  • O Will Bank continuou existindo como CNPJ, licença bancária e emissor próprio.

Em termos regulatórios brasileiros, isso é crucial:

Controle societário ≠ identidade jurídica do emissor.


4) Então o CEO do Itaú está mentindo?

Não.
Ele está sendo tecnicamente preciso — e politicamente cuidadoso.

O que ele disse é verdadeiro no sentido estrito:

  • O Itaú não distribuiu títulos emitidos pelo Banco Master.

  • O Itaú distribuiu títulos emitidos pelo Will Bank, que:

    • tinha marca própria,

    • licença própria,

    • balanço próprio,

    • e emissões próprias.


5) Mas há, sim, uma zona cinzenta de comunicação

Embora a frase seja tecnicamente correta, ela omite um ponto relevante para o público leigo:

  • O Will Bank já estava sob controle do Banco Master.

  • Logo, o risco econômico real já estava ligado ao grupo Master.

  • E, de fato, a crise do Master acabou levando à liquidação do Will Bank.

Ou seja:

O Itaú não mentiu.
Mas comunicou a verdade no nível jurídico-formal, não no nível econômico-grupal.

Isso é típico em crises financeiras:
instituições usam a separação legal entre entidades do mesmo grupo como linha defensiva de reputação e compliance.


6) Conclusão objetiva

Resposta curta:

  • ❌ O CEO do Itaú não está mentindo.

  • ❌ Ele também não está manipulando fatos.

  • ✅ Ele está usando uma distinção jurídica real:

    • “Banco Master”“Will Bank” como emissores formais de CDB.

Resposta substantiva:

  • O Itaú distribuiu um CDB do Will Bank.

  • O Will Bank já era controlado pelo Master.

  • A crise do Master contaminou o Will Bank.

  • Mas, legalmente, o emissor do título não era o Banco Master.

Portanto:

A frase do CEO é tecnicamente verdadeira,
mas economicamente incompleta para quem quer entender o risco de grupo.


Se você quiser, posso também:

  • destrinchar como isso impacta FGC, responsabilidade e eventuais ações judiciais, ou

  • avaliar se houve falha de suitability do Itaú ao distribuir esse CDB dado o risco do grupo controlador.

 
 Assim, aceito a resposta do GPT e afirmo, inclusive no título, que o CEO do Itau não está mentindo.  

24 janeiro 2026

Redução do número de pessoas do Board do Iasb e Issb

Passou desapercebido do blog uma decisão interessante da Fundação IFRS: a redução de 14 para 10 os membros dos dois conselhos (Iasb e Issb). Eis trecho do texto

Conforme destacado em seu Relatório Anual de 2024, a Fundação IFRS iniciou uma revisão estratégica e abrangente de suas operações e agora está implementando elementos-chave de um programa de transformação. O objetivo do programa é garantir que a organização permaneça preparada para o futuro, após um período de sucesso significativo e rápido crescimento, e continue a cumprir sua missão de levar transparência, eficiência e accountability aos mercados de capitais em nível global.


Como parte de seu programa de transformação, a Fundação:

  • simplificou suas estruturas de gestão, linhas de reporte e racionalizou a tomada de decisões operacionais em toda a Fundação e em seus conselhos;

  • realizou uma revisão dos custos operacionais para assegurar o uso eficiente e eficaz dos recursos em toda a Fundação. Como parte desse trabalho, os Trustees aprovaram uma redução nos custos de governança e de pessoal, bem como planos para reduzir os custos de operação dos dois conselhos. A redução será alcançada por meio de maior uso da flexibilidade prevista na Constituição para determinar o tamanho apropriado dos conselhos emissores de normas. Os Trustees pretendem reduzir gradualmente cada conselho de 14 para 10 membros até o final de 2028, à medida que os mandatos dos membros forem se encerrando; [negrito do blog] 

Já tínhamos comentado anteriormente (aqui, por exemplo) sobre a situação financeira da Fundação. Nos últimos anos, a despesa cresceu muito, com a contratação de mais pessoas. Isso é uma despesa fixa, mas será que ainda existem interessados em doar para a Fundação? Vamos ver o que diz o Relatório de 2025.

Papel da informação contábil na pesquisa de fraude

Este artigo revisa a extensa literatura sobre o poder preditivo das informações contábeis para a falência. Pesquisas anteriores demonstram que as informações das demonstrações financeiras preveem falências de forma eficaz fora da amostra (out-of-sample), tanto de forma independente quanto em combinação com dados de mercado. Discuto diversos atributos da informação contábil que podem ampliar ou prejudicar sua utilidade na previsão de falências. Utilizando um conjunto de dados abrangente de falências entre 1980 e 2023, analiso como o papel da informação contábil na avaliação do risco de crédito evoluiu nas últimas quatro décadas. Minhas descobertas revelam que o poder preditivo de modelos baseados exclusivamente em informações contábeis permaneceu estável nas décadas mais recentes, ao passo que o poder preditivo das informações do mercado de capitais apresentou um aumento modesto. Notavelmente, o desempenho dos modelos contábeis e de mercado nem sempre se alinha. Em períodos de declínio na eficácia da informação de mercado, a informação contábil frequentemente permanece robusta, mitigando o impacto em modelos combinados. Por outro lado, as informações de mercado frequentemente compensam reduções no poder preditivo dos dados contábeis, ressaltando as forças complementares dessas fontes de informação.

Resumo daqui 

Correia, Maria (2025) Accounting and corporate failure: the evolving role of accounting information in bankruptcy prediction. Accounting and Business Research, 55 (5). 510 - 537. ISSN 0001-4788  


Atratividade do salário do contador na América Latina

(...) A América Latina tornou-se a escolha óbvia para muitas equipes de contabilidade dos EUA, e aqui está o porquê:

  • Educação contábil de classe mundial. As principais universidades da região, como a Universidade de Buenos Aires e a Universidade de São Paulo, possuem programas de contabilidade consolidados com padrões rigorosos. Os graduados ingressam no mercado de trabalho com bases técnicas sólidas e um conhecimento profundo das normas IFRS, o que lhes confere as habilidades necessárias para se adaptarem rapidamente às necessidades das empresas americanas.
  • Alinhamento de fuso horário. São Paulo, Bogotá e Cidade do México compartilham a maior parte — ou a totalidade — da jornada de trabalho dos EUA. Isso significa que reconciliações, revisões e aprovações podem ocorrer em tempo real, e não de um dia para o outro. 
  • Experiência com firmas globais. Muitos profissionais iniciam suas carreiras nos escritórios latino-americanos das "Big Four" (PwC, Deloitte, etc.) ou em multinacionais. Isso significa que as empresas dos EUA podem contratar contadores que já sabem operar conforme os padrões globais e americanos.
  • Eficiência de custos. Para empresas que não conseguem acompanhar a aposta de bilhões de dólares da Ernst & Young em salários, a América Latina também oferece uma resposta prática às pressões de custos. As expectativas salariais para profissionais contábeis de alto nível na região são, normalmente, de 30% a 70% menores do que nos EUA, devido às diferenças no custo de vida. 


 Fonte: aqui

23 janeiro 2026

Influência dos influenciadores

Os influenciadores possuem um grande poder, não somente nas decisões de compra, mas também aconselhando as pessoas, inclusive em questões contábeis. Uma pesquisa mostrou a importância dos influenciadores (via aqui), como no Brasil (primeiro país da imagem), mas também cresce em outros mercados, como Coréia do Sul.

Detecção de plágio


O surgimento da inteligência artificial fez com que sua aplicação passasse a ser usada, e muito, no ambiente acadêmico. Tive a experiência de receber um trabalho em que, ao final do texto, havia uma frase do tipo: “Se você deseja um detalhamento maior, posso ajudá-lo...”. Claramente, o aluno usou IA para fazer o trabalho. Em outro, surgiram cinco citações cujo texto original não consegui localizar, indicando também que o trabalho deve ter sido feito pela ferramenta.

Mas, em outros casos, tive sérias dúvidas sobre a autoria, embora não pudesse comprovar, com certeza, o problema ético. Muitas vezes recebo e-mails em que tipicamente foi usada a IA para a redação. Isso é, de fato, um problema.

Na contabilidade, tivemos um caso na Austrália em que uma empresa de auditoria, contratada pelo governo para realizar um trabalho, usou — comprovadamente — IA. Teve que devolver o dinheiro recebido pelo serviço contratado. E os exemplos prosseguem.

Mas há uma consequência interessante desse mundo moderno. Assim como existe inteligência artificial para fazer trabalhos acadêmicos, os softwares de plágio começaram a vender soluções para detectar o uso de IA. Recentemente, minha universidade disponibilizou uma dessas ferramentas, o Turnitin, com essa função.

O grande problema é que as ferramentas de detecção não funcionam como anunciam. Por desconfiar disso, resolvi não pedir mais trabalhos científicos na disciplina de graduação. Além de dar muito trabalho ler duas vezes a peça, não tinha segurança sobre como o aluno havia avançado nisso.

E, infelizmente, algumas instituições estão levando essas ferramentas a sério e até punindo alunos. Há o caso de uma universidade da Austrália que usou o Turnitin para detectar o uso de IA. Seis mil estudantes foram acusados, e muitos deles não fizeram nada de errado. As empresas de software advertem para que os resultados sejam usados com cautela, mas essa universidade não o fez. Depois disso, a universidade resolveu desligar a ferramenta.

Rir é o melhor remédio

 

Fonte de todo o conhecimento.
Torneira de insights ocasionais.
Balde de trivialidades inúteis.
Aspersor de fatos duvidosos.
Poça de estatísticas enganosas.

Fonte: aqui 

Quantificação em excesso


Escrevendo sobre o uso de relógios fitness, Tim Harford observa

Ainda assim, como muitas métricas de desempenho, o relógio também pode me levar a atividades contraproducentes, como treinar em excesso até o ponto de lesão. A função de monitoramento do sono tenta muitas pessoas a pensar demais sobre o sono, o que é justamente o tipo de coisa que dificulta pegar no sono. Há até um termo técnico para isso: “orthosomnia”. Significa que você está perdendo sono porque está preocupado que seu rastreador de sono esteja julgando você.

Há outro efeito sutil em ação, algo chamado “fixação pela quantificação”. Um estudo publicado no ano passado pelos cientistas comportamentais Linda Chang, Erika Kirgios, Sendhil Mullainathan e Katherine Milkman convidou participantes a escolher entre uma série de duas opções, como destinos de férias ou candidatos a emprego. Chang e seus colegas descobriram que as pessoas levavam números mais a sério do que palavras ou símbolos. Ao decidir entre um hotel barato e caindo aos pedaços ou um caro e luxuoso, ou entre um estagiário com fortes habilidades de gestão ou outro com fortes habilidades em cálculo, os participantes do experimento favoreceram sistematicamente a característica que vinha acompanhada de um número, em vez de uma descrição como “excelente” ou “provável”. Os números podem nos fixar.

“Uma implicação central de nossos achados”, escrevem os pesquisadores, “é que, ao tomar decisões, as pessoas são sistematicamente enviesadas a favorecer opções que dominam em dimensões quantificadas. E trade-offs que colocam informações quantitativas contra qualitativas estão por toda parte.” 

Paper mills


(...) É uma entre muitas “paper mills” que surgiram por toda a Ásia e Europa Oriental nas últimas duas décadas. As paper mills têm obtido um sucesso notável ao vender dezenas de milhares de artigos falsos para periódicos acadêmicos e posições de autoria a pesquisadores universitários e da área médica que buscam inflar seus currículos em campos altamente competitivos.

Essas organizações sofisticadas também recorrem a artimanhas para conseguir publicar artigos, infiltrando periódicos com seus próprios editores e revisores e até mesmo recorrendo a subornos, segundo investigadores e um white paper da Wiley, editora sediada em Nova Jersey. A escala da fraude é impressionante: uma subsidiária da Wiley, a Hindawi, retratou mais de 8.000 artigos há dois anos por suspeita de envolvimento de paper mills.

Você pode continuar lendo aqui 

22 janeiro 2026

Fasb x IFRS

A EY soltou o documento síntese que traz a diferença entre as normas internacionais de contabilidade e as normas dos Estados Unidos. O documento é bastante completo. Um documento para quem se interessa sobre o assunto.


 

Trilema empresarial


O resumo:

A tese deste artigo é que o movimento ESG foi prejudicado pela falha em compreender um trilema: não é possível ter governança responsiva, ações líquidas e um compromisso crível com uma missão social simultaneamente. O artigo apresenta um novo relato descritivo sobre o propósito corporativo e desenvolve uma explicação baseada em custos de transação para o problema de ação coletiva enfrentado por investidores pró-sociais.

O texto identifica soluções institucionais — e suas respectivas compensações (trade-offs) — para fundadores e investidores que preferem estabelecer negócios pró-sociais. A análise justifica a aplicação da regra de julgamento empresarial (business judgment rule) na revisão de disputas sobre o propósito corporativo e gera insights contraintuitivos sobre questões de governança corporativa.

The corporate governance trilemma - Patrick Corrigan - Journal of Legal Analysis, 2025, Pages 141-165 Via aqui

Imagem aqui

Experiência educacional da Coréia do Sul


No ano passado, o governo da ex-presidente Yoon Suk Yeol, da Coréia do Sul, aprovou o produto de doze editores correspondente a um livro didático digital. Os livros continham material de matemática, inglês e ciência da computação. O livro poderia personalizar a aprendizagem, tentando melhorar a qualidade do ensino. 

O problema foi a qualidade do material, com erros. Mas também teve problemas técnicos, já o lançamento foi antecipado em seis meses, que incluía falhas de sistema e falhas no software. Algumas pessoas reclamaram do tempo de tela adicional e a questão da privacidade.