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05 maio 2026

Efeito da proibição de celular nas escolas


O resumo

Escolas em todos os Estados Unidos têm restringido drasticamente o uso de celulares pelos alunos durante o período escolar. Avaliamos um tipo de restrição — capas protetoras para celulares com trava — usando dados nacionais que combinam pesquisas em larga escala, registros de GPS, notas em testes padronizados e registros administrativos escolares, juntamente com registros de vendas do maior fornecedor de capas protetoras. Usando um delineamento de diferenças em diferenças escalonadas, descobrimos que a adoção de capas protetoras reduz substancialmente o uso de celulares, conforme medido por registros de GPS e relatos de professores. No primeiro ano após a adoção, os incidentes disciplinares aumentam e o bem-estar subjetivo dos alunos diminui, o que é consistente com a interrupção de curto prazo. No entanto, os efeitos sobre o bem-estar tornam-se positivos nos anos seguintes e os efeitos disciplinares diminuem. Em relação ao desempenho acadêmico, os efeitos médios nas notas dos testes são consistentemente próximos de zero. As escolas de ensino médio observam efeitos positivos modestos, particularmente em matemática, enquanto as escolas de ensino fundamental apresentam pequenos efeitos negativos. Encontramos poucas evidências de efeitos sobre a frequência escolar, a atenção relatada em sala de aula ou a percepção de bullying online.

Segundo Tyler Cowen, trata-se do melhor estudo sobre proibição de celular em escolas. 

Em suma, não há problema em querer administrar uma escola dessa maneira, mas não espere grandes ganhos educacionais, se é que haverá algum. As evidências sobre isso estão se acumulando, mas muitos parecem incapazes de aceitar os resultados. De qualquer forma, não é algo que mereça uma grande cruzada moral.

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Uso de IA no mercado de capitais


O resumo:

Estudamos o uso de IA generativa para análises financeiras específicas de empresas na plataforma Seeking Alpha. Após o lançamento inicial do ChatGPT em novembro de 2022, a participação de artigos gerados por IA aumentou acentuadamente para 13,5% do total, declinando no final de 2023, depois que a Seeking Alpha equiparou o uso de IA ao plágio e anunciou sua proibição. Organizamos nosso estudo em torno de duas questões: (1) O uso de IA aumenta a produtividade dos autores? e (2) O uso de IA tem consequências no mercado de capitais e, em última análise, afeta o cenário informacional? Constatamos que os autores que adotam a IA se tornam mais produtivos, publicando mais artigos e cobrindo mais novas empresas do que aqueles que não a adotam. As conclusões sobre a informatividade dos artigos gerados por IA são mais complexas. Em média, os artigos gerados por IA são menos informativos do que os artigos escritos por humanos, resultando em menor volume de negociação e respostas de retorno anormais. No entanto, o uso de IA leva a uma maior cobertura das empresas e, consequentemente, a uma melhor liquidez e descoberta de preços mais rápida. Nossos resultados sugerem que, embora os artigos gerados por IA sejam atualmente percebidos como menos informativos do que os artigos escritos por humanos, seu custo comparativamente baixo permite uma maior cobertura das empresas e, assim, melhora o panorama informativo geral.

Bradshaw, MT, Ma, C., Yost, BP e Zou, Y. (2026), Uso de IA generativa por intermediários de informação do mercado de capitais: evidências do Seeking Alpha. Journal of Accounting Research. https://doi.org/10.1111/1475-679x.70053
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04 maio 2026

IA que pensa que estamos nos anos 30


Um projeto de IA foi desenvolvido para responder como estivesse no início dos anos 30 do século passado. Quando perguntado sobre regras de etiqueta para um cavalheiro visitar uma dama, a IA responde que deve fazer a visita entre duas e seis da tarde, nos dias de semana. 

Um texto explicativo pode ser encontrado aqui. Não é o único projeto nesse sentido. Há o Mr.Chatterbox, que foi treinado para era vitoriana. 

Culpa do Auditado


A big Four KPMG está deixando de auditar o exército dos Estados Unidos depois de uma década de trabalho. O interessante aqui é que o grande problema aqui não é o auditor, mas o auditado. O Departamento de Defesa é uma grande bagunça, que dá muito trabalho, rende relatórios indicando problemas sérios e nenhuma solução no médio e longo prazo. 

Além da Defesa, a KPMG trabalha para Justiça, Trabalho, Transporte, Energia e Tesouro. Mas todos os contratos serão encerrados gradualmente até 2030. E então a KPMG irá tratar somente de consultoria. 

Venda de autoria em pesquisa científica

Eis um trecho da notícia


O conjunto de dados, chamado BuyTheBy, é a primeira tentativa sistemática de compreender o mercado de produtos de fábricas de artigos, segundo seus criadores. Ele reúne mais de 18.000 anúncios em formato de texto de sete fábricas de artigos que operam na Índia, Iraque, Uzbequistão, Letônia, Ucrânia, Rússia e Cazaquistão, coletados em vários momentos entre março de 2020 e abril de 2026. Os pesquisadores descobriram que os preços variam bastante dependendo da região, de US$ 56 a US$ 5.631 para um anúncio com o primeiro autor, de acordo com um estudo.…

Há muitos anos, um famoso cantor da música brasileira subia ao morro para comprar co-autoria em música de compositores pobres. Ou seja, isso parece bem mais antigo do que imaginado. O estranho é cientistas, muitas vezes sem recursos, comprarem esse tipo de produto. Mas será estranho mesmo? 

Governo Brasileiro adota norma para barrar o acesso a informação

Eis a notícia


O Ministério da Fazenda fechou o portão para a entrada de plataformas do mercado de previsão, o Prediction Market. As plataformas negociam previsões sobre eventos populares, esportivos, de política e até premiações como Oscar ou Prêmio Nobel. E nesta sexta-feira (24), em coletiva de imprensa, o governo anunciou a proibição de 27 plataformas que operam essas apostas. Gigantes do Mercado como Kalshi – cuja cofundadora é a brasileira Luana Lopes Lara a mais jovem bilionária não herdeira do mundo – e Polymarket tiveram seus sites derrubados. 

Isso é horrível e um grande retrocesso. Se desejo saber quem terá chance de ganhar a Copa do Mundo, posso consultar a Kalshi ou a Polymarket. Mesma coisa se tenho interesse em acompanhar os favoritos para próxima eleição. Censura combinada com idiotice. Enquanto isso, é possível apostar em eventos esportivos.

Se a medida é idiota, uma forma simples de ter a informação é perguntar para uma IA... Imagem aqui

IA erra muito tarefas contábeis reais

Executamos 19 dos principais modelos de IA em 101 fluxos de trabalho contábeis reais. Não eram tarefas triviais. Não era um exercício de múltipla escolha do tipo "o que são contas a pagar". Eram cenários contábeis reais: classificar esta transação, criar um lançamento contábil para este cenário, conciliar este extrato bancário e fechar o mês. O tipo de trabalho que está na fila de todas as equipes financeiras todos os dias. O melhor modelo que testamos obteve 79,2% de precisão. Esse foi o Claude Opus 4.7. O segundo lugar ficou com o OpenAI GPT-5.4, com 77,3%. O GPT-4 obteve 39,8% nas mesmas tarefas. Independentemente da sua opinião sobre IA, essa trajetória é difícil de ignorar.

E imaginar que algumas empresas estão substituindo o ser humano pelo computador... Fonte: aqui, via aqui. Imagem aqui

KPMG e EY rebaixam sócios no Reino Unido


Ser promovido a sócio de uma das Big Four já foi garantia de um emprego lucrativo para a vida toda. Mas as empresas de contabilidade começaram a rebaixar sócios discretamente no Reino Unido, buscando concentrar os lucros entre os profissionais de melhor desempenho. A KPMG e a EY removeram membros de sua sociedade de participação acionária — os profissionais seniores que detêm a propriedade da empresa e compartilham os lucros — e, em vez disso, ofereceram a eles cargos de "sócio assalariado", segundo diversas fontes com conhecimento do assunto falaram ao FT.

Fonte original aqui via aqui. Imagem aqui

Contabilidade e a Política de Integridade na Atividade Cientifica

O CNPq publicou uma portaria que institui a Política de Integridade na atividade científica com o ente e alguns pontos chamam a atenção.

Autoplágio é tratado como infração grave. Mesmo quando o texto é seu, publicações anteriores precisam ser referenciadas, evitando redundância e falsa avaliação de mérito.

Já a publicação fragmentada (salami science), quando resultados são divididos artificialmente para inflar produtividade e número de publicações, é considerada infração gravíssima.

As sanções vão além da interrupção de bolsas, podendo incluir ressarcimento ao erário e, um ponto curioso: o currículo Lattes pode ser suspenso de 3 meses a 1 ano.

Quanto à inteligência artificial, há muito que já vem sendo solicitado pelas revistas e congressos, com declarações e detalhamentos do uso de inteligência artificial.

Porém, como publicado aqui, referenciando um artigo da Accounting Research Journal, a questão ética no uso de inteligência artificial em artigos científicos de contabilidade envolve muito trabalho. Por exemplo, todas as citações deveriam ser lidas e verificadas e os resultados gerados novamente para garantir precisão. Porém, os pareceristas não teriam tempo ou recursos para isso. Keloharju e Keloharju (aqui) já apontaram: políticas padronizadas podem não atendem às necessidades da pesquisa contábil.

Ainda há muito a ser discutido e, talvez, não na velocidade necessária.

29 abril 2026

Agenda da Fundação IFRS


Li aqui que, na agenda futura da Fundação IFRS, há um projeto de pesquisa sobre Capital Humano em análise. Isso parece interessante, se resultar em algo inovador para as demonstrações das empresas. Há também trabalhos envolvendo sustentabilidade e equivalência patrimonial, ambos com objetivo de elaboração de normas. Já na parte de manutenção, normas de pequenas e médias empresas e, novamente, equivalência patrimonial. 

Será que há fôlego para mais? 

Reclame aqui para o contador? Ainda não...


O cidadão ganhou novo reforço para confiar ainda mais no trabalho e garantias oferecidas pelos profissionais de contabilidade. Já estão em vigor as alterações da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nº 1.589, de 19 de março de 2020. As mudanças que tratam de denúncias relativas ao exercício da profissão contábil foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) neste mês de abril.

(...) Entre as alterações, destaque para o Artigo 1º, que cita: “Qualquer pessoa física ou jurídica poderá apresentar ao Conselho Regional de Contabilidade (CRC) denúncia ou comunicação de irregularidade relativa ao exercício da profissão contábil, à conduta ética do profissional da contabilidade ou à exploração da atividade contábil".

As denúncias de pessoas físicas ou jurídicas devem ser encaminhadas ao Conselho Regionais do local onde ocorreu o fato, por e-mail, pelo sistema de denúncias do CRC local ou por documentos protocolados no CRC, contendo a descrição dos fatos denunciados e todos os documentos comprobatórios que o denunciante tiver.  

Se você recebeu um serviço ruim de um profissional — médico, contador, advogado etc. —, faria uma denúncia à entidade da profissão? Talvez a resposta típica do contratante seja “não”, mas uma nota baixa no Google, um texto no Reclame Aqui ou o uso de outros canais pode ocorrer. Talvez o problema da norma seja justamente este: ela não incorpora os canais tradicionais de denúncia disponíveis que são, efetivamente, utilizados pelas pessoas. Uma resolução no sentido de permitir que uma investigação seja aberta em casos em que há muitas avaliações negativas no Reclame Aqui ou no Google Maps talvez fosse mais interessante.

Claude identifica o nome de uma autora em um texto inédito


O texto traz, com espanto, que o Claude Opus 4.7 conseguiu identificar o nome de uma autora de um texto inédito. Eis o texto: 

Kelsey Piper, redatora da Future Perfect, da Vox, colou 125 palavras de uma coluna política inédita no Claude Opus 4.7 na semana passada e recebeu seu próprio nome como resposta. Ela não estava logada; o teste foi feito em modo anônimo, confirmado pela API e repetido no computador de um amigo. O mesmo resultado apareceu todas as vezes.

O mesmo modelo a identificou a partir de um relatório escolar que ela havia escrito sobre redações de um aluno sobre Pokémon — um gênero totalmente fora de seus textos publicados — e de uma crítica de cinema sobre uma comédia da Segunda Guerra Mundial de 1942 que ela nunca havia resenhado publicamente. Foram necessárias 500 palavras de ficção inédita para chegar à mesma conclusão. Foi necessária uma redação de candidatura à faculdade escrita 15 anos antes. ChatGPT e Gemini, em sua maioria, erraram os palpites, enquanto o Opus 4.7 acertou. 

Piper escreve no The Argument que qualquer pessoa que tenha escrito de forma prolífica usando seu nome real provavelmente já perdeu um grau significativo de anonimato. Ela testou amigos com presença online mínima, e Claude não conseguiu identificá-los — mas chegou perto ao sugerir amigos em comum do mesmo círculo social, captando tiques estilísticos que se espalham por comunidades. O limiar para a desanonimização provavelmente cairá à medida que os modelos melhorem e os dados de treinamento aumentem.

Fonte: aqui

28 abril 2026

Um quarto dos jovens não possui emprego e não estuda

 Da pesquisa citada na postagem anterior

Em 2024, quase um quarto dos jovens de 18 a 24 anos no Brasil não estava empregado, nem estudando, nem em treinamento (NEET), percentual superior à média da OCDE, de 14% (Tabela A2.2). Essa proporção diminuiu seis pontos percentuais entre 2019 (30%) e 2024 (24%). Observa-se uma diferença significativa de gênero no Brasil: em 2024, 29% das mulheres e 19% dos homens estavam na condição de NEET, enquanto, na maioria dos demais países da OCDE, as taxas de NEET entre homens e mulheres tendem a ser semelhantes. 

Salário do professor no Brasil

Se você acha que um professor é algo digno e que deveria ser valorizado em termos de salário, a figura mostra os países onde a profissão é mais valorizada:

Luxemburgo, Alemanha, Suíça, México (!), Noruega, Austria e Espanha estão no topo. O salário inicial de Luxemburgo é de quase 100 mil anuais em dólares. Depois de 15 anos de labuta, chega a 137 mil. E no topo é de 173 mil. A tabela só traz alguns países, mas na parte debaixo temos: 
Apesar do resultado depender da taxa cambial usada, é óbvio que a posição do salário mostra a fraqueza do nosso sistema educacional.

Mais uma evolução da IA

A OpenAI anunciou seu modelo gerativo ChatGPT Images 2.0. Um dos novos recursos é que você pode gerar mais de uma única imagem em um prompt, o que significa que você não precisa gerar imagens um por um e cosê-las sozinhas.

Então, agora todo mundo pode gerar cartazes de pesquisa como o acima com um rápido prompt. Dia abençoado. Embora os robôs vão eventualmente fazer todo o trabalho para nós de qualquer maneira, então eu não tenho certeza de qual é o ponto.

Aqui

Norma estável é desejável


Nova pesquisa mostrando que uma nova norma não agradou. 

Este estudo investiga a adoção e as implicações da norma de contabilização de arrendamentos Accounting Standards Codification (ASC) 842 em contratos privados de empréstimo. Ao analisar uma amostra abrangente de contratos de empréstimo materiais de 2011 a 2023, documentamos uma relutância generalizada em adotar a ASC 842. Especificamente, constatamos que, para empréstimos emitidos antes da data de vigência da norma, mas com vencimento posterior a ela, apenas 41% dos empréstimos adotam a norma. Para empréstimos emitidos após a data de vigência da norma, apenas 46% dos empréstimos adotam a norma. Nossas análises dos determinantes revelam que, para empréstimos emitidos antes da data de vigência, a relutância em adotar a ASC 842 está associada a: (1) uma preferência pelo uso de classificações de arrendamentos consistentes ao longo do tempo; (2) preocupações com o oportunismo do tomador; e (3) os custos de negociação ou renegociação de termos de empréstimos relacionados a arrendamentos dentro de sindicatos de credores. Em contraste, para empréstimos emitidos após a data de vigência, apenas os custos de negociação estão associados à relutância em adotar a norma. Nossos achados sugerem que os custos de adoção da ASC 842 em contratos privados de empréstimo frequentemente superam os benefícios e que as partes contratantes preferem um ambiente de normas contábeis estável. 

Grifo nosso.  

Cheng, L., J.Jaggi, M. Y.Yan, and S.Young. 2026. “Loan Contracting and Changes to the Accounting for Leases: Implications of Accounting Standards Codification 842.” Contemporary Accounting Research1–28. https://doi.org/10.1111/1911-3846.70050

Rir é o melhor remédio

 

Da revista New Yorker. Tente reduzir seu nível de estresse e, se você de alguma forma conseguir, por favor me diga como — em nome de Deus — você fez isso.

27 abril 2026

Liberdade acadêmica


A liberdade acadêmica está em declínio em todo o mundo, de acordo com a atualização mais recente do Índice de Liberdade Acadêmica (AFI) de 2026, com dezenas de países apresentando piora e apenas nove registrando melhora nos últimos anos. O relatório conclui que os EUA estão em situação crítica, com uma "deterioração rápida e acentuada" na autonomia institucional.

"O declínio da liberdade acadêmica nos Estados Unidos começou por volta de 2020, impulsionado em grande parte por ações em nível estadual em diversos estados, e realizadas majoritariamente por autoridades alinhadas ao movimento MAGA", conclui o relatório. "Em 2025, sob a segunda administração Trump, os ataques à liberdade acadêmica em nível estadual intensificaram-se, apoiados por uma série de medidas federais. Esses ataques minam não apenas as liberdades individuais ao visar docentes, funcionários e estudantes, mas também, e de forma mais proeminente, a autonomia das instituições de ensino superior. A interferência política na governança universitária, nas decisões curriculares, nas práticas de contratação e nas agendas de pesquisa tornou-se cada vez mais uma característica do ensino superior contemporâneo dos EUA." O AFI utiliza um modelo bayesiano revisado por pares, baseando-se em mais de um milhão de pontos de dados e avaliações de 2.357 acadêmicos de 157 países.

O Reino Unido e algumas outras democracias ocidentais também caíram no ranking, que mede cinco "pilares" de liberdade: pesquisa/ensino, intercâmbio acadêmico, autonomia institucional, integridade do campus e expressão acadêmica. O relatório constatou que as liberdades individuais e a integridade do campus estão diminuindo mais rapidamente do que a autonomia institucional. 

Leia mais aqui

Interessante que a liberdade acadêmica no Brasil é bastante grande, segundo a pesquisa. Enfim uma boa notícia...

Multa para PwC por conta da Evergrande


A incorporadora chinesa Evergrande era a segunda maior empresa imobiliária da China em vendas. Chegou a estar entre as maiores empresas do mundo nesse setor. Mas, a partir de 2021, a empresa começou a ter problemas financeiros e entrou com pedido de falência em 2023, seguido de liquidação ordenada a partir de janeiro de 2024. Chegou a ter um time de futebol, negócios em painéis solares e agronegócios, entre outros.

O elevado endividamento (300 bilhões de dólares de passivo) e os boatos sobre a dificuldade da empresa fizeram com que as suas ações recuassem no mercado de Hong Kong.

As investigações concluíram que a empresa inflou suas receitas entre 2019 e 2020 em mais de 78 bilhões de dólares, sob os olhares, nem sempre atentos, da PwC. A auditoria falhou em detectar os sinais de fraude.

Agora, surge um novo capítulo da história. Os reguladores de Hong Kong puniram a auditoria por conta dos problemas da Evergrande. O acordo talvez seja um dos maiores da história do setor, incluindo cifras de 166 milhões de dólares americanos. A maior parte do valor irá para os minoritários, através de um fundo gerido pelo regulador de mercado de capitais de Hong Kong, totalizando 128 milhões. O restante é uma multa regulatória da Accounting and Financial Reporting Council (AFRC), de 38 milhões de dólares. E, por um prazo de seis meses, a PwC não poderá aceitar nenhum novo cliente entre as empresas com ações na bolsa.

Dois antigos sócios da PwC também foram multados em algo em torno de 1 milhão pelo trabalho que não foi realizado adequadamente.

Como compensação, a PwC não admite responsabilidade e evita processos adicionais.

Planilha eletrônica e sua história

Existe alguma ferramenta tão onipresente e, ao mesmo tempo, tão pouco amada? Não seria exagero dizer que o Microsoft Excel, o produto que hoje define a categoria das planilhas, é o software de aplicação mais bem-sucedido já fabricado, contando com cerca de um sexto da humanidade entre seus usuários e decidindo os termos nos quais trilhões de dólares em capital são alocados. E, no entanto, você terá dificuldade em encontrar pessoas que amem a planilha. Você encontrará pessoas que falam poeticamente sobre a beleza e a elegância de certas peças de software — sobre Linux, ou Rust, ou gerenciadores de pacotes Python particularmente rápidos. Mas será difícil encontrar um verdadeiro admirador do Excel. 

(...) Mas não se pode entender realmente a transformação da economia americana ao longo das últimas décadas sem entender a planilha. 

É por isso que, no mundo pré-moderno — quando processar informações e coordenar ações eram tarefas extraordinariamente caras, pois a comunicação era lenta e a coordenação fora de grupos de parentesco relativamente pequenos era difícil — as firmas tendiam a ser negócios locais, centrados em famílias ou redes de alta confiança semelhantes, como mosteiros. Quase todo negócio no mundo era uma empresa familiar. 

Isso mudou com a ascensão da máquina a vapor. O poder mecânico que a máquina a vapor permitiu que as pessoas dominassem trouxe uma aceleração dramática na velocidade, volume e complexidade da vida econômica: expandiu enormemente as oportunidades de lucro, mas — devido à sua periculosidade e complexidade inerentes — também exigiu um controle rigoroso. Era preciso ser capaz de processar toda a complexidade que a fábrica gerava. Assim, entre as décadas de 1840 e 1920, vemos o surgimento de tecnologias projetadas para comunicar informações e coordenar ações em escala — o telégrafo, a impressora rotativa, o arquivo de aço, a máquina de escrever, o telefone, o processador de cartões perfurados e o bloco de papel colunar (columnar pad). 

Esta foi a "revolução do controle". Com essa nova capacidade de processar informações e coordenar atividades, vemos o surgimento da corporação moderna: muito maior, mais ambiciosa e mais centralizada do que qualquer firma do período pré-moderno. Era uma entidade burocrática, operada por gerentes profissionais, projetada para coordenar trabalho e capital em escala massiva.

E, como tantas outras coisas, esse equilíbrio foi abalado pela Lei de Moore. Era inevitável que, conforme os microprocessadores se tornassem mais baratos e potentes ao longo das décadas de 1960 e 1970, alguém descobrisse como representar as funções contábeis do mundo corporativo em um computador. E esse alguém, no final das contas, foi um engenheiro de 27 anos chamado Dan Bricklin.

Bricklin havia estudado ciência da computação no MIT e passara alguns anos criando softwares de processamento de texto para a Digital Equipment Corporation (DEC), a empresa pioneira do minicomputador; mas ele se sentia atraído pelo lado dos negócios e, no final da década de 1970, decidiu deixar a DEC para estudar na Harvard Business School. Sentado em uma sala de aula de Harvard em 1978, observando um professor usar o quadro-negro para resolver os cálculos complexos e interligados envolvidos na avaliação (valuation) de uma empresa, Bricklin percebeu que era possível fazer tudo aquilo em um computador. Ele poderia simplesmente criar, como disse, “um processador de texto que funcionasse com números”. E assim nasceu a ideia da planilha eletrônica.

Bricklin decidiu que essa ideia valia ouro e representaria sua incursão no empreendedorismo. Ele se juntou a um amigo do MIT chamado Bob Frankston, fundou uma empresa chamada Software Arts e passou a maior parte de 1978 e 1979 dando vida à visão da planilha eletrônica.

Como se viu, era um problema intensamente difícil. Bricklin e Frankston estavam projetando seu pacote para o Apple II, que tinha centenas de milhares de vezes menos memória do que um laptop moderno. As demandas de recursos para o processamento de texto eram gerenciáveis, já que um documento é, em última análise, um fluxo de caracteres armazenados sequencialmente na memória; mas as planilhas eram um jogo inteiramente diferente. Cada célula carregava um valor, uma fórmula, formatação e informações de dependência, e a memória necessária para armazenar tudo isso acumulava-se rapidamente; uma grade de qualquer tamanho útil ameaçava esgotar totalmente a capacidade da máquina.

Por isso, Bricklin e Frankston tiveram que ser extraordinariamente precisos na forma como usavam cada byte. Eles escreveram todo o pacote em linguagem assembly para o microprocessador 6502 do Apple II, armazenaram as células em blocos fixos de 32 bytes para minimizar o processamento excedente (overhead) e representaram os valores em formatos de comprimento variável com indicadores de tipo, de modo que valores pequenos consumissem apenas alguns bytes. Mesmo após toda essa engenhosidade, as planilhas resultantes eram pequenas para os padrões modernos: a grade do VisiCalc estendia-se a apenas 63 colunas e 254 linhas — uma tela minúscula comparada ao que um usuário de planilhas hoje considera garantido, mas o suficiente para transformar o trabalho de qualquer um que se sentasse diante dela. Cada decisão de design era, no fundo, uma decisão sobre como economizar memória.


E a atenção aos detalhes valeu a pena. Eles chamaram o pacote de software que produziram de “VisiCalc” — o calculador visível (visible calculator) — e o lançaram para o Apple II no final de 1979. E era realmente uma maravilha da engenharia de software. Era uma fusão brilhante da metáfora organizacional do bloco colunar com a interatividade do processamento de texto e a velocidade do microprocessador. Agora era possível calcular e recalcular coisas instantaneamente; podia-se executar fórmulas complexas de forma programática em vez de manual; e tarefas que antes levavam horas agora levavam alguns minutos. O VisiCalc era uma ferramenta extraordinariamente poderosa. E transformou o Apple II, que até então era um dispositivo para entusiastas, em uma máquina de negócios útil. De fato, o VisiCalc era tão potente que o Apple II era vendido, como escreveu o jornalista John Markoff, principalmente como um “acessório do VisiCalc”. Foi o primeiro software tão convincente que as pessoas compravam o hardware especificamente para executá-lo: o primeiro dos “killer apps”.

(...) (Mitch) Kapor já fora instrutor em tempo integral de meditação transcendental antes de trabalhar como chefe de desenvolvimento na VisiCorp, a empresa que comercializava e distribuía o VisiCalc; ao perceber a oportunidade no mercado de planilhas eletrônicas, decidiu abrir um concorrente. No início de 1983, sua empresa, a Lotus, lançou a planilha eletrônica Lotus 1-2-3, construída especificamente para a máquina da IBM. O Lotus 1-2-3 era uma melhoria significativa em relação ao VisiCalc — oferecia gráficos e uma funcionalidade rudimentar de banco de dados junto com a planilha básica, e conseguia lidar com grades vastamente maiores, oferecendo 256 colunas e mais de oito mil linhas — e, assim, Kapor rapidamente superou Bricklin e Frankston. (...)

Mas a era de domínio da Lotus também não durou muito. O VisiCalc e o Lotus 1-2-3 eram ambos programas baseados em texto e acionados por teclado, navegados com as teclas de seta; mas o futuro, como reconhecido por uma ambiciosa empresa de software de Seattle chamada Microsoft, estava na interface gráfica do usuário, a GUI. Com a GUI, você podia substituir comandos digitados e toques de tecla pela manipulação visual direta, de modo que interagir com a planilha parecia trabalhar com um documento físico: e esta foi a aposta que a Microsoft fez com sua oferta de planilha, o Microsoft Excel. Agora você podia apontar e clicar com um mouse, e ver suas fontes e formatação na tela exatamente como apareceriam quando impressas.

E a Microsoft estava certa de que a GUI era o futuro. O paradigma da GUI conquistou gradualmente o mercado de computação pessoal no final dos anos 80 e início dos 90, e consolidou seu domínio com a ascensão do sistema operacional Windows. Assim que a Microsoft agrupou o Excel em sua oferta do Microsoft Office, junto com seu processador de texto Word e sua ferramenta de apresentações PowerPoint, o destino da Lotus estava selado. Fatalmente presa ao paradigma baseado em texto, a Lotus nunca se recuperou e foi vendida para a IBM em 1995. E assim, o Excel venceu as guerras das planilhas.

(...) Não é exagero imaginar que a introdução da planilha eletrônica terá um efeito semelhante ao provocado pelo desenvolvimento das partidas dobradas durante o Renascimento. Como a nova planilha, o livro-razão de partidas dobradas, com sua separação de débitos e créditos, deu aos mercadores uma visão mais precisa de seus negócios e permitiu que vissem — ali, na página — como poderiam crescer podando aqui e investindo ali. A planilha eletrônica está para a partida dobrada como uma pintura a óleo está para um esboço."

Leia o texto completo aqui

25 abril 2026

Vinho e Fraude


“Vinho e fraude andam de mãos dadas” 
Por Ian Frisch (Newletter do NYTimes)

 Um golpista britânico foi condenado, na segunda-feira, a 10 anos de prisão por enganar mais de 140 vítimas em um esquema de quase US$ 100 milhões. O ativo financeiro que ele usou para construir o golpe? Não foi cripto nem imóveis. Foi vinho. 

  O golpista, James Wellesley, disse a seus investidores que eles estavam concedendo empréstimos a colecionadores de vinho e que ele mantinha os vinhos valiosos desses colecionadores como garantia, segundo promotores federais. Infelizmente para aqueles que confiaram seu dinheiro a ele, nem o vinho nem os colecionadores existiam. 

  O caso de grande repercussão é um entre muitos incidentes recentes envolvendo fraudadores que transformam uvas em crimes financeiros. Patrick Briones, ex-principal comprador de vinhos da rede de supermercados Albertsons, declarou-se culpado em outubro por suborno e conspiração, depois que promotores alegaram que ele havia aceitado propinas, como férias luxuosas e relógios caros, de vendedores de vinho. E o produtor de vinho Jeffry Hill foi condenado em janeiro por organizar um golpe de US$ 2,5 milhões envolvendo uvas, no qual rotulava fraudulentamente suas garrafas.  

  Essa nova onda de fraudes com vinho ocorre em um momento em que o setor enfrenta uma forte desaceleração, com as mudanças climáticas afetando as condições de cultivo das uvas e os consumidores bebendo menos. Segundo o Silicon Valley Bank, o número de vinícolas com saúde financeira “muito fraca” quase triplicou desde 2022. 

  Especialistas hesitam em associar o aumento dos crimes ao ambiente mais amplo de negócios. Em vez disso, dizem que o crime financeiro é um problema antigo, praticamente incorporado ao setor.  

  Frances Dinkelspiel, autora de Tangled Vines, livro sobre um incêndio criminoso em uma casa de vinhos na Califórnia, diz que isso está relacionado à natureza do produto. “Acho que essa indústria atrai pessoas que querem trapacear, porque há uma certa mística em torno do vinho”, disse ela. “Vinho e fraude andam de mãos dadas.”  

  Maureen Downey, especialista em fraude de vinhos e fundadora da Chai Consulting, atribui a proliferação dos crimes envolvendo vinho à cadeia de suprimentos obscura do setor, dizendo que ela é “mais opaca do que a de armas ou drogas ilícitas”.  

  “Está ficando maior e pior porque ninguém quer falar sobre isso”, disse Downey sobre os crimes. “Os produtores não querem admitir que isso está acontecendo, as vítimas não querem se apresentar e os governos não querem investir tempo em investigá-lo.”  

  Uma tendência bem armazenada na adega  

  Um dos primeiros escândalos criminais modernos a abalar o mundo do vinho ocorreu no início dos anos 1990, em meio à ascensão meteórica da popularidade do white zinfandel, um vinho rosado criado pela vinícola de baixo custo Sutter Home. Seu sabor adocicado e preço baixo o tornaram extremamente popular.  

  Em 1993, o famoso vinicultor Fred Franzia, cujas caixas de white zinfandel com torneirinha enchiam muitas geladeiras de baby boomers na época, declarou-se culpado de apresentar uvas de qualidade inferior como se fossem zinfandel. Sua empresa pagou US$ 2,5 milhões em multas, e Franzia prestou serviço comunitário. Esse tipo de fraude, chamado de “blessing of the loads”, estendeu-se a outras vinícolas e, segundo o Los Angeles Times, custou aos consumidores US$ 55 milhões na época.  

  Foi a primeira amostra de até onde as vinícolas de Napa Valley iriam para aumentar os lucros, mas as manchetes logo ficaram em segundo plano à medida que o vinho se tornou mais popular, com as vendas de vinho tinto saltando 39% apenas em 1992. Franzia superou seu escândalo do white zin e, em 2002, lançou o “Two Buck Chuck” por meio da Trader Joe’s, que vendeu mais de 800 milhões de garrafas na década seguinte.  

  A posterior ausência de escândalos em Napa Valley durante os anos 2000 provavelmente não se deveu a uma redução dos crimes cometidos, mas sim à falta de fiscalização. “Houve uma calmaria”, disse Benjamin Kingsley, ex-procurador assistente dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, ao DealBook, acrescentando que o isolamento geográfico e cultural de Napa Valley tornava as investigações especialmente difíceis.  

  “A capacidade de construir um caso depende inteiramente de um agente realmente persistente e de um procurador assistente igualmente persistente”, disse ele, referindo-se ao cargo que ocupava anteriormente.  

  Essas estrelas da promotoria se alinharam depois da crise financeira de 2008. O dinheiro voltou a fluir para Napa Valley, o crime acompanhou esse movimento, e grandes casos começaram a ser construídos.  

  A ascensão do grande crime do vinho  

  Rudy Kurniawan é um dos fraudadores mais prolíficos do mundo do vinho moderno. Entre 2002 e 2012, ele vendeu cerca de US$ 150 milhões em vinhos fraudulentos. Tema do documentário Sour Grapes, de 2016, Kurniawan explorava a credulidade de consumidores de vinho pouco sofisticados que tentavam comprar prestígio adquirindo safras raras. Em 2009, o bilionário Bill Koch processou Kurniawan e, em 2013, o golpista foi condenado a 10 anos de prisão.  

  Kurniawan parecia ser um sinal precursor de certo tipo de criminoso que havia se infiltrado no ecossistema do vinho. Seus crimes envolviam mais dinheiro e eram mais sofisticados do que a maioria dos golpes anteriores no setor, com algumas exceções notáveis: em 2005, por exemplo, o produtor de vinho Mark Anderson incendiou um depósito que abrigava 4,5 milhões de garrafas de vinho — avaliadas em aproximadamente US$ 250 milhões — para apagar evidências de suas práticas comerciais fraudulentas.  

  Depois da prisão de Kurniawan, investigadores expuseram uma enxurrada de outras fraudes, falsificações e produtos falsos. Em 2015, uma contadora da Whitehall Lane Winery foi presa e acusada de desviar mais de US$ 600 mil e, no mesmo ano, o antigo comerciante de vinhos John E. Fox foi pego por operar um esquema Ponzi de décadas, no qual vendia “futuros de vinho” a investidores. Fox admitiu ter vendido, ou tentado vender, US$ 20 milhões em “vinho fantasma” entre 2010 e 2015.  

  Também por volta dessa época, ladrões roubaram US$ 550 mil em vinhos do famoso restaurante The French Laundry, na Bay Area, e o conhecido vinicultor de Napa Robert Dahl matou seu investidor, Emad Tawfilis, depois que Tawfilis descobriu que Dahl vinha desviando recursos. Depois de perseguir Tawfilis por seu vinhedo com uma arma e atirar nele, Dahl voltou a arma contra si mesmo.  

  Condições propícias ao amadurecimento  

  A indústria do vinho enfrentou fortes ventos contrários econômicos nos últimos anos, que estão entre os mais difíceis para Napa Valley. “Comecei a falar sobre uma correção de mercado em 2017”, disse Rob McMillan, vice-presidente executivo do Silicon Valley Bank e autor do relatório anual do banco sobre a indústria do vinho. “Mas está pior do que eu esperava.” &n 

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  Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho, o consumo de vinho está no nível mais baixo desde os anos 1960, e a Gallup constatou que o consumo geral de álcool atingiu seu menor nível em 90 anos, caindo para 54% entre adultos nos Estados Unidos em 2025, ante 60% em 2023.  

  

  Isso atingiu duramente as vinícolas, especialmente em Napa Valley. “Trinta por cento da indústria está realmente sofrendo”, disse McMillan. O meio está estável, acrescentou ele, e os 20% principais produtores estão indo bem — mais um exemplo de uma trajetória em formato de K.  

  Com o futuro de Napa Valley em risco, o crime pode parecer ainda mais tentador para vinicultores desesperados. E a própria natureza do mercado facilita a prática de fraude, falsificação, suborno e roubo. 

   

  Muitas vinícolas são pequenos negócios, o que atrai injeções de capital pouco estruturado, mais fáceis de manipular do que investimentos institucionais. A estrutura regulatória e a fiscalização criminal em torno do vinho têm se mostrado irregulares e, diferentemente da maioria dos produtos, determinar a legitimidade de um vinho exige um grau de sofisticação técnica extremamente difícil de dominar. Muitos consumidores de vinho, diante de uma degustação às cegas, teriam dificuldade em distinguir uma garrafa de US$ 2.000 de uma garrafa de US$ 20. Por isso, muitos acreditam que a fraude encontrará seu caminho no vinho, independentemente das condições econômicas.  

  “Em todas as economias dos últimos 30 anos, tivemos crime”, disse McMillan. “Há muitas maneiras de criar fraude por meio do vinho. Esse é o problema, não o estado da economia.”

Lider como ativo: caso de Cook da Apple

Um líder em uma organização pode ser considerado um ativo? Aqui, é necessário separar a teoria da prática, no sentido de que nem sempre o que se enquadra na teoria — nesse caso, o conceito de ativo — pode ser visto na prática contábil das empresas. No caso, a resposta pode ser um sonoro sim na teoria, mas um não quando verificamos o que é feito na prática. 

Parte da prática é influenciada pelos reguladores, como o IASB, mas não somente. Há também uma grande influência do que os profissionais contábeis fazem em razão dos dilemas que encontramos: a relação custo-benefício e a falta de instrumentos para separar a influência do líder de outros aspectos da gestão. De qualquer forma, há uma crença generalizada de que um comandante importa e de que os rumos de uma organização são ditados pelos administradores do alto escalão. Há dúvidas quanto a essa generalização, já que, em alguns casos, o líder pode simplesmente seguir na onda da cultura da entidade.  

O certo é que a discussão teórica não tem sido sequer considerada, nem pelos teóricos, nem pelos reguladores, quanto mais pelos profissionais contábeis. Estamos em um momento em que a Apple, uma das empresas mais conhecidas e admiradas no mundo dos negócios, está promovendo uma mudança no comando. Há alguns anos, mais precisamente em 2011, Tim Cook assumiu a difícil tarefa de substituir o grande líder da empresa, Jobs, que, por conta da saúde e posterior falecimento, deixou um incrível legado. A missão era difícil, mas o gráfico mostra que Cook se saiu bem, já que o preço da ação da empresa esteve bem acima do preço médio das ações do mercado.  


Agora, Cook anunciou que a empresa fabricante do iPhone estará sob novo comando brevemente. A data já está fixada para 1º de setembro de 2026. O novo chefão chama-se John Ternus. Ele trabalha na empresa há 25 anos e ajudou a empresa atuando no desenvolvimento do iPad e do Mac. Na sua área, a engenharia de hardware, está boa parte do sucesso da empresa. Isso é interessante, já que a Apple terá que conviver, nos próximos anos, com os impactos da inteligência artificial, e Ternus é uma pessoa do hardware. Nos próximos anos, iremos comprovar se Ternus será um ativo ou um passivo para a empresa.



14 abril 2026

Deloitte no espaço


Eu até fui verificar se não era notícia de primeiro de abril:  

Deloitte-2 e Deloitte-3 foram lançados em 29 de março de 2026 a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg para ampliar a presença orbital da Deloitte. Os novos satélites transportam cargas úteis projetadas para aumentar a capacidade de coleta de dados espaciais e ajudar a atender às crescentes necessidades dos clientes por dados e insights baseados no espaço.

Atenção no mundo moderno

A capacidade média de atenção humana encolheu em cerca de dois terços entre 2004 e meados da década de 2010, com a queda mais acentuada por volta de 2012. Essa constatação vem da pesquisadora Gloria Mark, da UC Irvine, e serve de base para um artigo de opinião no New York Times escrito por Cal Newport — professor de Ciência da Computação em Georgetown e autor de Deep Work —, no qual ele argumenta que a capacidade cognitiva coletiva está declinando de maneiras que agora podem ser medidas por dados.
A proporção de adultos nos Estados Unidos com dificuldade em leitura básica ou matemática aumentou na última década. Também cresceu o percentual de jovens de 18 anos que relatam dificuldade para pensar ou se concentrar. Uma meta-análise associou plataformas de vídeo curto — como TikTok e Instagram Reels — a pior desempenho cognitivo. Segundo o Work Trend Index 2025 da Microsoft, trabalhadores de escritório são interrompidos a cada 2 minutos. O Financial Times chegou a perguntar se os seres humanos já ultrapassaram o “pico do poder cerebral”.



Newport chama o TikTok de “Doritos digitais” — conteúdo ultraprocessado, projetado para consumo, não para nutrição. Um experimento de 2023 constatou que um smartphone, mesmo parado e sem uso em um cômodo, ainda assim reduzia a capacidade de concentração dos participantes. Um estudo de janeiro encontrou uma “correlação negativa significativa entre o uso frequente de ferramentas de IA e as habilidades de pensamento crítico”, e outro estudo separado verificou que a conectividade cerebral foi “sistematicamente reduzida” quando as pessoas escreviam com ajuda de LLMs.
A recomendação dele é simples: ler algumas dezenas de páginas de um livro por dia e deixar o celular na cozinha durante a noite. As proibições do uso de celulares nas escolas oferecem uma prévia do que acontece quando os padrões mudam: um working paper do NBER constatou melhorias significativas nas notas dos testes após a entrada em vigor dessas proibições, e três quartos de 317 escolas de ensino médio na Holanda relataram maior foco dos estudantes.

Fonte: aqui 

13 abril 2026

Muitos anos depois...

APOLLO 11

20 de julho de 1969

    "Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade."
    — Neil Armstrong

ARTEMIS II

2 de abril de 2026

    "Eu tenho dois Microsoft Outlooks, e nenhum dos dois está funcionando."
    — Reid Wiseman

Quando a transparência atrapalha


Li um texto sobre o processo de contratação do Duolingo: 

No Duolingo, as entrevistas de emprego começam no momento em que o candidato entra no carro. Luis von Ahn, cofundador bilionário e CEO do aplicativo de aprendizado de idiomas, revelou no podcast The Burnouts, de Phoebe Gates e Sophia Kianni, que a forma como um candidato trata o motorista no trajeto do aeroporto até o escritório pode determinar se ele será contratado ou não — independentemente de quão impressionante seja seu currículo ou de quanto agrade aos entrevistadores durante o processo. 

É óbvio que tudo não se resume ao tratamento ao motorista, mas ao revelar que a empresa leva isso em consideração, não estaria a empresa perdendo o critério para as futuras contratações? 

Moro num país do homicídio

O gráfico acima mostra a causa da morte das pessoas no ano de 2023. Câncer e doença relacionada ao coração prevalecem. O interessante é esse mesmo gráfico para o Brasil:

No mundo, 1,1% dos mortos são decorrentes dos homicídios. Mas no Brasil, 3,6%. É muito elevada a discrepância. Nos países de alta renda a taxa é de 0,37%. Somos o país do crime, infelizmente. 

Monopólio da Ticketmaster em discussão


Em alguns dias haverá a decisão sobre um polêmico caso de monopólio, com impacto indireto no Brasil. A empresa Ticketmaster/Live Nation, responsável pela venda de ingressos de grandes espetáculos no mundo, está sendo julgada. A wikipedia brasileira traz hoje as polêmicas relacionadas com o vazamento de dados de clientes, mas sugiro a consulta ao verbete em língua inglesa, onde a lista de problemas é enorme. 

Fundada em 1976, a empresa cresceu através da aquisição da concorrência, estratégias de preços e exclusividade na venda de ingressos. Recentemente, a empresa chegou a ser multada, com um valor de 3 milhões de dólares. O processo atual começou em maio de 2024. 

É interessante lembrar que um processo judicial de monopólio, no final do século XIX, gerou desdobramentos até na contabilidade da época.  

11 abril 2026

Influenciadores e sua influência


O estudo investiga a capacidade de influenciadores digitais de interferirem na opinião dos usuários das informações contábeis, especialmente no contexto das escolhas contábeis relacionadas ao reconhecimento de ganhos e perdas. Por meio de um experimento com estudantes, os resultados evidenciam que a opinião de influenciadores pode afetar significativamente os julgamentos dos usuários, mesmo quando estes têm acesso às informações contábeis originais.

O original está aqui . Imagem aqui

Uma empresa em transformação

 

A empresa Apple completou 50 anos de idade. Nos primeiros anos, a empresa comercializava computadores e periféricos. Somente depois de uma grande crise é que a empresa diversificou e passou a ganhar dinheiro com outros produtos. Primeiro foi o iPod, depois o iTunes Music Store, sendo que em 2006 mais da metade das receitas era oriunda desse, então, novo negócio. Em 2007 surge o iPhone que, dez anos depois, já respondia por 2/3 dos negócios da empresa. 

Mesmo hoje, a empresa consegue nos celulares boa parte da sua receita, mas há um esforço no sentido de reduzir essa dependência através dos negócios de serviços, que inclui App Store, publicidade, Apple TV+ e outros. 

09 abril 2026

IA e segurança


A empresa Anthropic desenvolveu um sistema capaz de verificar os erros existentes nos softwares atuais. É um problema de segurança: 

A ironia é que a empresa que desenvolveu um modelo de fronteira capaz de infiltrar e minar praticamente qualquer sistema de computador no mundo é a mesma que foi proibida de trabalhar com o governo dos EUA. É como se uma empresa privada tivesse desenvolvido armas nucleares e o governo americano se recusasse a trabalhar com eles por serem "lacradores" demais. Okey dokey.

O segundo artigo sobre riscos de IA é o AI Agent Traps, do Google DeepMind. Eles apontam que agentes de IA na web são vulneráveis a todo tipo de ataque vindo de coisas como textos em HTML nunca lidos por humanos, comandos ocultos em PDFs, comandos codificados nos pixels de imagens usando esteganografia e assim por diante.

Somando tudo isso, temos a combinação preocupante de que IAs muito poderosas são também muito vulneráveis. A IA resolverá os problemas da IA? Eventualmente, o software será tornado seguro, mas coisas estranhas acontecem em corridas armamentistas e a jornada será turbulenta.

 

Máfia, gerenciamento e contadores


O resumo

Investigamos a qualidade do monitoramento de contadores com ligações com a Máfia em seu papel como auditores de empresas "limpas" — aquelas sem vínculos conhecidos com o crime organizado. Utilizando um banco de dados governamental proprietário, identificamos empresas italianas com supostas ligações com a Máfia por meio de seus executivos, diretores ou acionistas. Definimos "contadores suspeitos" como aqueles que atuam como auditores para essas empresas conectadas à Máfia, reconhecendo suas potenciais associações com entidades criminosas. Prevemos e encontramos evidências de que clientes "limpos" (grupo de tratamento) monitorados por contadores suspeitos são mais propensos a se envolver em práticas de gerenciamento de resultados que reduzem o lucro tributável, em comparação com uma amostra de controle de empresas "limpas" monitoradas por contadores sem ligações conhecidas com a Máfia (grupo de controle). Nossos achados sugerem que contadores com vínculos com a Máfia atuam como monitores de baixa qualidade na economia "limpa". 

Do JAR, Monitoring Quality of Mafia-Connected Accountants - Pietro A. Bianchi, Jere R. Francis, Antonio Marra, Nicola Pecchiari. Imagem aqui

"Auditor" do sorteio da Caixa


Lendo aqui sobre os sorteios de loteria: 

Todas as noites, dois auditores independentes acompanham os sorteios presencialmente para conferir se tudo está sendo feito de maneira correta. Os auditores são voluntários que representam o público.

Eles são escolhidos diariamente entre as pessoas que estão na plateia, com prioridade para quem ainda não participou. Por isso, a cada noite há pessoas diferentes desempenhando a função.

Quem deseja ser auditor voluntário não precisa se inscrever previamente: basta estar presente e atender aos seguintes critérios:

  • ser alfabetizado;
  • ser maior de idade;
  • apresentar documento de identificação;
  • apresentar condição física e psíquica adequada para realizar as atribuições;
  • não ser empregado das Loterias CAIXA, da CAIXA ou empresário lotérico.

A complexidade do trabalho do auditor ficou resumida a conferir se as coisas estão ocorrendo de maneira correta. Mas ao ler o texto, em lugar de ficar "tranquilo", o procedimento trouxe preocupação. Será que o auditor voluntário estaria preparado para o papel? Se um profissional é muitas vezes enganado, imagine alguém que é voluntário. 

08 abril 2026

Falácia McNamara


A Falácia de McNamara é a crença em métricas quantitativas fáceis de medir, em detrimento de fatores qualitativos difíceis de mensurar.

Robert McNamara foi presidente da Ford Motor Company e, mais tarde, Secretário de Defesa dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. Era extremamente inteligente e se destacava por lidar com dados e utilizá-los para orientar a estratégia.

Criada pelo cientista social Daniel Yankelovich, a Falácia de McNamara, também chamada de Falácia Quantitativa, envolve:

  • priorizar métricas quantitativas mais fáceis de medir; e

  • desconsiderar métricas qualitativas difíceis de medir como se não fossem importantes.

A falácia pode evoluir da seguinte forma:

  • medir o que pode ser medido;

  • desconsiderar o que não pode ser medido;

  • presumir que o que não pode ser medido não é importante;

  • concluir que o que não pode ser medido não existe.

    Nas palavras de Yankelovich:

    “A falácia é a seguinte: se você se depara com um problema complexo, repleto de elementos intangíveis, decide medir apenas os aspectos do problema que se prestam a uma quantificação fácil, seja porque considera os outros aspectos difíceis de medir, seja porque presume que eles não podem ser muito importantes ou sequer existem.” …

    “Há um passo curto, mas fatal, entre a afirmação ‘Há muitos intangíveis e fatores imponderáveis que não conseguimos colocar em nossos computadores’ e a afirmação ‘Vamos medir o que conseguimos e esquecer os intangíveis.’”

    Yankelovich menciona seu trabalho com a Ford na época de McNamara e relata ter compartilhado pesquisas que incluíam fatores quantitativos e qualitativos. Quando a pesquisa foi analisada, os dados qualitativos sobre os significados que as pessoas atribuíam aos carros pequenos foram descartados, enquanto os dados quantitativos e demográficos, menos significativos, foram mantidos.

    Exemplos da Falácia de McNamara

    Tomei conhecimento dessa falácia pela primeira vez em um artigo de um leitor sobre um dos aspectos mais fáceis de medir em uma bicicleta: seu peso. Mantidas iguais as demais condições, provavelmente preferiríamos uma bicicleta mais leve, mas outros aspectos, como manutenção, confiabilidade e dirigibilidade, também são importantes, embora mais difíceis de medir, relatar e comparar. Como resultado, o peso frequentemente ganha destaque em detrimento dos demais fatores. 

    Outros exemplos podem incluir:

  • Talvez o seu tempo de contratação tenha diminuído, mas como está a adequação das pessoas que você está trazendo?
  • Talvez mais pessoas estejam visitando o seu site, mas elas podem não ser as pessoas certas para o seu serviço.
  • Podemos calcular o PIB de um país, mas o PIB não considera o trabalho humano sem transação monetária — como uma refeição feita em casa — nem o trabalho vital realizado pela natureza, como filtrar a água, sequestrar carbono ou elevar o ânimo das pessoas.
  • Se a comida enlatada lhe fornece todos os nutrientes de que você precisa, o que você perde ao abrir mão das refeições em família?

Um exemplo frequentemente citado da Falácia de McNamara é a abordagem dos militares dos Estados Unidos para medir o progresso na Guerra do Vietnã.

A Falácia de McNamara e a Guerra do Vietnã

Como Secretário de Defesa dos Estados Unidos entre 1961 e 1968, McNamara empregou técnicas semelhantes às que havia utilizado com sucesso em contextos empresariais para avaliar o progresso da guerra no Vietnã.

Se guerras fossem vencidas por infligir danos ao inimigo, então métricas que medissem esses danos deveriam funcionar como bons indicadores indiretos. Em particular, a contagem de corpos passou a ser a principal medida de progresso.

A dependência de métricas puramente quantitativas apresentava deficiências significativas. Nesse contexto, a contagem de mortos do inimigo era mais fácil de quantificar do que seu moral, apoio político ou determinação para se defender. Por causa do interesse nessa medida, muitos oficiais acreditavam também que ela era frequentemente inflada.

Medir as toneladas de explosivos lançados é mais fácil do que medir a redução de capacidade que eles provocaram. Saber o número de tropas que você possui é mais fácil do que medir as capacidades dessas tropas.

De acordo com os números, os Estados Unidos estavam vencendo a guerra, mas não conseguiram superar a resistência do Vietnã do Norte.

Ideias relacionadas à Falácia de McNamara

Uma dependência excessiva de métricas quantitativas rapidamente leva a vários outros problemas correlatos:

Lei de Goodhart

Quando uma medida se torna uma meta, ela deixa de ser uma boa medida.

Por exemplo, avaliar o progresso da guerra pelo número de inimigos mortos pode levar ao aumento de mortes apenas para inflar os números.

Lei de Campbell

Quanto mais uma métrica conta para decisões reais, maior a pressão para corrupção, e mais ela distorce a situação que pretende medir.

Por exemplo, se a redução das taxas de criminalidade é importante para os cargos na aplicação da lei, isso cria um incentivo para subnotificar casos ou reclassificar crimes para categorias menos graves.

Efeito do Poste de Luz

Procurar onde é mais fácil olhar, em vez de onde realmente importa. Também conhecido como a busca do bêbado ou procurar debaixo do poste, o Efeito do Poste de Luz recebe esse nome de uma piada dos economistas sobre uma pessoa tateando o chão em busca das chaves do carro sob a luz de um poste. Quando lhe perguntam onde as perdeu, a pessoa responde que foi “ali adiante”, mas que a luz é muito melhor aqui.

Por exemplo, otimizar um produto existente porque ele é conhecido e já apresenta bom desempenho, em vez de trabalhar em um novo produto incerto.

Você obtém aquilo que mede

O instrumento que você usa para medir afeta aquilo que você vê.

“Por exemplo, na escola é fácil medir o treinamento e difícil medir a educação, e, por isso, tende-se a ver, nas provas finais, uma ênfase na parte do treinamento e uma grande negligência da parte da educação.” — Richard Hamming

O Efeito Cobra

Quando uma política implementada produz efeito contrário ao resultado pretendido. O nome vem de uma tentativa britânica de reduzir o número de cobras em Délhi, oferecendo recompensa por cobras mortas. Diante da recompensa lucrativa, as pessoas passaram a criar cobras, aumentando assim sua quantidade.

Por exemplo, o Efeito Streisand é um caso bem documentado de efeito cobra: quando Barbara Streisand tentou suprimir imagens do litoral que incluíam sua casa, a atenção gerada por essa tentativa fez com que milhares de pessoas fossem vê-las, embora de outra forma talvez nunca pensassem nisso.

E todos esses são exemplos da Lei das Consequências Não Intencionais, que decorre da tentativa de regular um sistema complexo com um sistema simples.

Mais ideias relacionadas à Falácia de McNamara

Se as ideias acima não forem suficientes, você também pode encontrar:

  • Na teoria, a prática é igual à teoria, mas na prática não é

  • Todos os modelos estão errados, mas alguns são úteis

  • Confiabilidade versus validade: você pode acertar o alvo, mas errar o ponto

  • Maturidade analítica

  • O que é medido melhora

  • O mapa não é o território (sem esboço!)

Para uma excelente discussão sobre a mensuração de todo tipo de coisa, incluindo riscos agudos (ser atropelado por um ônibus) e riscos crônicos (fumar), recomendo o divertido episódio de podcast: Microlives & The Art of Uncertainty, com Sir David Spiegelhalter.

O artigo sobre o peso das bicicletas é: The McNamara Fallacy and Bikes, de Peter Verdone.

Daniel Yankelovich, que deu nome à Falácia de McNamara, fez questão de frisar que não pretendia desrespeitar “um dos nossos cidadãos mais distintos”, Robert McNamara, “um homem brilhante e dedicado, que aplica ao seu trabalho uma intensidade vital”.

Algumas das complexidades da guerra e de McNamara são abordadas no documentário vencedor do Oscar The Fog of War, uma obra fascinante e, às vezes, desconfortável de assistir.

Fonte: aqui