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29 janeiro 2026

Salário e fraude


Novamente fraude

Combinamos dados do Censo dos Estados Unidos com ações de fiscalização da SEC para examinar os resultados dos empregados — como salários e rotatividade — antes, durante e após períodos de fraude em relatórios financeiros. Constatamos que funcionários de empresas envolvidas em fraude perdem cerca de 50% do salário anual acumulado, em comparação com uma amostra pareada, e que a taxa de desligamento é muito mais alta após os períodos de fraude.

Ainda assim, o crescimento do emprego nessas empresas é positivo durante o período de fraude: elas se expandem excessivamente e contratam novos empregados com salários mais baixos, diferentemente de empresas em dificuldade, que tendem a se contrair. Quando a fraude é revelada, as empresas demitem trabalhadores, revertendo esse crescimento anormal e gerando a maior parte das perdas salariais. Os efeitos negativos são mais intensos em mercados de trabalho pouco dinâmicos, e empregados de baixa renda, embora improváveis responsáveis pela fraude, sofrem perdas salariais mais severas do que os de maior renda.

 Imagem aqui

Fraudulent financial reporting and the consequences for employees
Jung Ho Choi & Brandon Gipper
Journal of Accounting and Economics 

Imigração e fraude

O resumo do paper do MIT: 

Examinamos o impacto da política de imigração dos Estados Unidos — especificamente o programa de vistos H-1B — sobre a probabilidade de má conduta financeira nas empresas. Argumentamos que empregadores têm maior poder sobre funcionários com visto H-1B, pois esses trabalhadores precisam manter um emprego elegível ao H-1B para residir legalmente no país. Sustentamos que empresas que dependem do H-1B para contratar profissionais em funções contábeis têm maior capacidade de distorcer demonstrações financeiras, devido aos custos mais elevados que esses empregados enfrentam caso sejam demitidos inesperadamente por não atenderem às exigências dos superiores ou por denunciarem irregularidades.

Utilizando a forte redução do teto de vistos H-1B em 2004 como um choque nesse tipo de emprego, constatamos que empresas que dependiam desse programa para funções contábeis antes do choque apresentaram queda de 2,3 pontos percentuais nas irregularidades contábeis após o choque. Testes transversais mostram que a redução das irregularidades é maior em empresas nas quais funcionários com visto H-1B têm (1) maior influência sobre os relatórios financeiros ou (2) menos oportunidades de emprego externas. Além disso, a relação entre o uso do visto H-1B e irregularidades é mais forte em empresas com maior participação de investidores de curto prazo, que tendem a pressionar gestores por metas de lucro imediatas. Corroboramos esses resultados utilizando o desfecho das loterias de vistos H-1B como choques adicionais nesse tipo de emprego.

Fonte: Does U.S. immigration policy facilitate financial misconduct?
Ruiting(Dan) Dai et al.
MIT Working Paper, December 2023 

Voltando na questão financeira da Fundação IFRS


Recentemente postamos sobre a preocupação com a saúde financeira da Fundação IFRS. A entidade planeja reduzir o número de pessoas do board, tanto do IASB quanto do ISSB, de 14 para 10 membros. A própria Fundação expressou essa questão no final de 2025.

Antes disso, o presidente da SEC, Paul Atkins, já havia expressado sua preocupação com a questão financeira da Fundação. Nas palavras dele, é necessário financiamento estável para cumprir o seu papel. Mas Atkins foi muito claro ao associar o fato à criação do International Sustainability Standards Board (ISSB), o que significa arrumar dinheiro para os dois boards.

Para quem estava assistindo de longe, era muito claro o processo de expansão da Fundação IFRS. O quadro de pessoal dobrou, e adicionar 14 membros a um board deve representar algo em torno de 8,4 milhões de libras esterlinas. Durante meses, o nosso CFC anunciava a abertura de vagas para profissionais no ISSB. Além disso, abriram-se escritórios em vários locais do planeta. Se estão gastando, devem estar arrecadando.

Mas há um efeito carona aqui. Quem está adotando as duas normas de sustentabilidade, que nem foram produzidas pelo ISSB, não deve estar pagando os direitos autorais. Com a troca da presidência do IASB nos próximos meses, a Fundação deve arrumar dinheiro para pagar o salário de quem está saindo e de quem está entrando. Tudo isso somado, parece que a conta não está fechando. Vamos esperar o balanço. Pelo anterior, a Fundação ainda tem reserva para queimar, mas será por quanto tempo?

Imagem aqui 

Rir é o melhor remédio

Aonde estão as fraudes?

Adaptado daqui 


 

28 janeiro 2026

Ciência e IA


Da newsletter da Nature 

Um estudo de 42 milhões de artigos nas ciências naturais descobriu que pesquisadores que utilizam métodos de IA publicam mais trabalhos, obtêm mais citações e tornam-se líderes de projetos mais cedo do que aqueles que não adotam ferramentas de pesquisa de IA. No entanto, esses cientistas que realizam pesquisas 'aumentadas por IA' o fazem em um conjunto mais restrito de tópicos e interagem menos com outros cientistas. 'Parecia claro que [a IA] estava realmente comprimindo ou meio que automatizando campos científicos existentes, em vez de gerar novas perguntas', afirma James Evans, cientista de dados e coautor do estudo.

Eis a citação do estudo:

Hao, Q., Xu, F., Li, Y. et al. Artificial intelligence tools expand scientists’ impact but contract science’s focus. Nature 649, 1237–1243 (2026). https://doi.org/10.1038/s41586-025-09922-y 

Carrie Bradshaw Index

A revista The Economist criou um indicador para avaliar a acessibilidade de viver em uma cidade europeia. Trata-se do European Carrie Bradshaw Index, assim denominado em homenagem a uma personagem de uma série de televisão. O índice é simples: um assalariado mediano pode pagar um apartamento de um quarto, mantendo o aluguel em até 30% da sua renda? Eis o resultado:

Das 39 cidades pesquisadas, somente oito passaram no teste da acessibilidade. A 
 surpresa é que na lista não estão Lisboa, Madri ou Londres. A relação entre aluguel e salário são desfavoráveis nessas cidades. Estão em vermelho no gráfico. Entre as oito, Berlin, Bonn, Berna, Bruxelas, Helsinque, Luxemburgo, Lion e Viena.