Páginas

17 junho 2026

Os problemas das empresas de IA


Um texto do Futurism indica que a equação das empresas de IA parece não estar funcionando. Parece existir um início de guerra de preços entre a OpenAI e Anthropic, em razão do aumento dos custos das ferramentas. Mas guerra de preços será muito ruim: a competição é alta, os investimentos não param de crescer e o lucro parece algo distante. 

Em termos de mercado, parece que a dona do Claude está avançando sobre o GPT. E existe uma potencial abertura de capital nos próximos dias. 

Como os gastos internos de desenvolvimento e pesquisa são levados ao resultado - de uma maneira geral - a operação somente será lucrativa quando os recursos monetários começarem a entrar na empresa via receita/recebimento de clientes. Somente tendo fluxo de caixa das operações é que o negócio ficará viável. 

Impact Accounting


Eis o resumo preparado pelo GPT:

O artigo apresenta o Impact Accounting como uma metodologia que busca traduzir impactos sociais e ambientais das empresas em métricas monetárias, tornando-os comparáveis aos indicadores financeiros tradicionais. A ideia central é que a empresa não deve avaliar apenas o valor financeiro criado, mas também os efeitos positivos e negativos de sua atividade sobre sociedade e meio ambiente. Essa mensuração pode ajudar gestores a antecipar riscos, identificar oportunidades e tomar decisões melhores em cenários de incerteza. O texto ressalta que o objetivo não é substituir a contabilidade financeira, mas complementá-la com uma visão mais ampla de criação de valor.

O acesso está restrito aos assinantes. Pareceu interessante, mas com um pequeno cheiro de consultoria. Imagem aqui

Custo Aluno em Nova Gales do Sul


Acho que já vi isso antes... Mas eis um problema contábil na Austrália

Segundo o Gabinete de Auditoria de Nova Gales do Sul , nas universidades de Nova Gales do Sul, “os custos operacionais por aluno, de 37.868 dólares, excederam a receita média por aluno nacional, de 25.213 dólares, representando uma margem de défice de 33%”.

(...) Para chegar a essa conclusão, o Gabinete de Auditoria considerou os custos operacionais totais das universidades em Nova Gales do Sul e simplesmente os dividiu pelo número de alunos. Em outras palavras, atribuíram todas as despesas universitárias aos custos da educação dos alunos.

Isso pode ser aceitável para uma escola primária ou creche. Mas as universidades fazem muito mais do que educar alunos. Em particular, são organizações de pesquisa em larga escala.

As universidades não separam o ensino da pesquisa em seus balanços, mas, felizmente, o Escritório Australiano de Estatísticas divulga os gastos agregados com pesquisa universitária em nível estadual. Portanto, é possível excluir a pesquisa dos números do Tribunal de Contas.

Combinando dados do Audit Office e do ABS, constatou-se que as universidades de Nova Gales do Sul gastaram 13,6 bilhões de dólares em 2024, dos quais 5,2 bilhões foram destinados à pesquisa, restando 8,4 bilhões para todas as outras despesas.

Note que essas despesas “outras” incluem não apenas o ensino, mas também a administração, serviços de consultoria, tecnologia da informação, estacionamento — literalmente tudo o que estiver além dos custos diretamente atribuíveis à pesquisa.

Ao dividir os 8,4 bilhões de dólares destinados a despesas não relacionadas à pesquisa pelo número total de estudantes universitários em Nova Gales do Sul, chega-se a um valor de 27.091 dólares por estudante.

Isso representa um aumento de apenas 9,4% em relação à receita declarada pelo Gabinete de Auditoria, de US$ 24.763 por estudante nacional.

Não está exatamente claro o que o órgão de auditoria classifica como receita proveniente de estudantes nacionais. Consultando as tabelas de finanças do Departamento de Educação para 2024, encontro um valor de US$ 25.179 em receitas universitárias por estudante nacional, o que representa apenas 7,6% a menos do que as universidades estão gastando.

Mas será que as universidades estão realmente perdendo US$ 1.912 por ano para cada aluno nacional que educam?

Bem, não. Essa suposta perda pressupõe que tudo o que as universidades fazem que não seja diretamente financiado para pesquisa seja um custo educacional, o que claramente não é sustentável. O salário do vice-reitor não pode ser atribuído integralmente aos custos do ensino aos alunos. (...)

15 junho 2026

Auditoria com IA para o Pentágono seria solução?


O Pentágono concedeu um contrato de quase US$ 49 milhões para uma plataforma de inteligência artificial projetada para ajudar as agências a se prepararem para as auditorias financeiras anuais, enquanto o departamento trabalha para alcançar uma auditoria sem ressalvas, conforme exigido pelo Congresso, até 2028. O Comando de Contratação do Exército concedeu o contrato na segunda-feira à Groundswell Corp. para sua plataforma Agentic Auditor, de acordo com os documentos do contrato. O contrato está em vigor até 8 de junho de 2031.

Original está aqui via aqui

KPMG retira relatório sobre IA

A notícia


KPMG retirou um relatório global sobre IA depois que vários estudos de caso foram considerados imprecisos e aparentemente gerados por alucinações de IA.

O Financial Times (FT) noticiou que o relatório de outubro, "Redefinindo a excelência na era da IA ​​agente", fez diversas afirmações falsas sobre o uso de IA no UBS, no NHS Greater Manchester, nas Ferrovias Federais Suíças e no Transport for London (TfL).

O grupo de pesquisa GPTZero sinalizou diversas passagens do relatório como alucinações, o que foi verificado pelo Financial Times .

(...)Um porta-voz da KPMG International disse à publicação que a empresa "leva a sério a precisão e a integridade do conteúdo que publica".

Impostos, complexidade e conformidade


Uma pesquisa global da Deloitte sobre o impacto dos impostos nas empresas concluiu:

Os maiores impactos da política tributária são impulsionados pela crescente complexidade e pelos requisitos de conformidade — quase 40% dos entrevistados consideram o aumento da carga de conformidade como seu maior problema.

A digitalização está trazendo benefícios para a administração tributária, com a promessa de ainda mais benefícios no futuro. No entanto, a implementação de novos sistemas traz desafios; por exemplo, em relação à faturação eletrónica, o inquérito revela um declínio no otimismo quanto aos seus benefícios, passando de 59% em 2024 para 36% em 2026.

Os incentivos fiscais estão a abrir cada vez mais novas oportunidades para as empresas, à medida que os governos oferecem mais subsídios e isenções para competir por investimento e talento.    

Frase


Musk tornou-se um trilionário não pelo que fez, mas por causa do que ele promete fazer."

Richard Godwin

O sócio oculto e importante da SpaceX


Todos aplaudindo o sucesso da SpaceX e aqui o papel do governo:

a SpaceX precisou de financiamento inicial da NASA e de um contrato crucial de US$ 1,6 bilhão, enquanto a Tesla se apoiou em um empréstimo federal de US$ 465 milhões, créditos fiscais para veículos elétricos e bilhões provenientes de regras de crédito de emissões que forçaram outras montadoras a comprar sua conformidade. (...)

O apoio governamental chegou quando as empresas estavam fragilizadas, não depois que a situação se tornou inevitável. A SpaceX estava quase sem dinheiro antes da NASA intervir. A Tesla ainda era uma pequena e peculiar empresa de carros elétricos quando o empréstimo do Departamento de Energia ajudou a financiar o Modelo S. Mais tarde, a venda de créditos de emissão de carbono impactou diretamente os lucros da Tesla, enquanto Musk vendia uma espécie de fantasia libertária para pessoas que, de alguma forma, se esqueceram de quem pavimentou a plataforma de lançamento.

14 junho 2026

Iasb sob nova direção: uma canadense estará no comando


A cada cinco anos, a Fundação IFRS escolhe alguém para dirigir o IASB, a entidade que emite normas internacionais de contabilidade. Da sua fundação até agora, foram três presidentes, já que há a possibilidade de recondução ao cargo, o que ocorreu com os dois primeiros presidentes.

O atual, o alemão Andreas Barckow, começou seu mandato em 2021, bem no ápice da pandemia. Seu mandato termina em 30 de junho. Pela tradição, ele seria reconduzido. Mas em 2025, Barckow já tinha anunciado que deixaria o cargo ao final do primeiro mandato. Inexplicavelmente, a Fundação não procurou um substituto ou não conseguiu alguém para a sucessão.

Agora a Fundação anunciou que pretende nomear o sucessor até início de outubro. Entre o fim do mandato de Barckow e essa data, a Fundação conseguiu que Linda Mezon-Hutter, atual vice-presidente do IASB, assuma como presidente interina. Fazendo parte do Iasb desde 2022, Mezon-Hutter anteriormente presidiu o Canadian Accounting Standards Board.

Apesar da carreira como reguladora de Linda estar vinculada ao Canadá, incluindo a adoção das normas IFRS naquele país, sua formação ocorreu nos Estados Unidos. Seria uma boa ideia a nomeação em definitivo de Linda, poupando a Fundação de gastos na transição. 

Orientação ideológica de pesquisa acadêmica em ciências sociais

Este estudo analisa aproximadamente 600.000 resumos de artigos de ciências sociais em inglês, publicados entre 1960 e 2024, para estimar a orientação ideológica de longo prazo da produção de pesquisa disciplinar. Modelos de linguagem abrangentes (LLMs) foram aplicados a cada resumo, utilizando um espectro ideológico fixo dos EUA para 2025, permitindo uma codificação consistente ao longo de seis décadas. Cinco principais conclusões emergiram. Primeiro, cerca de 90% dos artigos de ciências sociais politicamente relevantes tenderam à esquerda entre 1960 e 2024, e a posição política média de cada disciplina de ciências sociais foi de centro-esquerda todos os anos durante o período. Segundo, todas as disciplinas mostraram uma tendência à esquerda entre 1990 e 2024. Terceiro, as disciplinas mais próximas das políticas públicas geralmente mostraram uma moderação limitada à direita entre aproximadamente 1970 e 1990, enquanto as disciplinas mais distantes das políticas públicas não apresentaram essa moderação. Quarto, as disciplinas com maior orientação à esquerda geralmente exibiram maior homogeneidade ideológica. Quinto, o conteúdo sociocultural foi mais consistentemente inclinado à esquerda do que o conteúdo econômico, e essa diferença aumentou ao longo do tempo. Testes de robustez utilizando uma ampla variedade de conjuntos de dados alternativos e metodologias analíticas indicaram que esses resultados provavelmente não eram artefatos de pressupostos idiossincráticos. Metodologicamente, o estudo demonstra a capacidade da classificação de texto baseada em LLM (Long-Learning Methodology) de fornecer uma mensuração ideológica confiável e em larga escala ao longo do tempo, uma tarefa anteriormente impraticável apenas com a codificação humana. Em conjunto, a análise fornece a primeira evidência sistemática e interdisciplinar da orientação política de longo prazo da produção acadêmica em ciências sociais anglófonas, revelando tanto a persistência quanto a intensificação de suas tendências de esquerda, particularmente em domínios socioculturais.

The ideological orientation of academic social science research, 1960–2024. James Manzi. Theory and Society, March 2026

Estudo original está aqui. A origem do resumo está aqui

13 junho 2026

Quem arca com o risco climático?

Resumo (via aqui):


As regulamentações de divulgação de informações climáticas nos EUA focam em empresas de capital aberto, partindo do pressuposto de que essas empresas enfrentam riscos climáticos significativos. Testamos essa premissa comparando como empresas de capital aberto e de capital fechado respondem a desastres climáticos. Utilizando dados em nível de estabelecimento, abrangendo 8,9 milhões de empresas privadas e 13.513 empresas públicas, combinados com sete décadas de declarações federais de desastres, encontramos uma divergência notável. As empresas abertas não apresentam efeitos significativos no desempenho operacional: o crescimento das vendas em estabelecimentos localizados em condados afetados por desastres é estatisticamente indistinguível do crescimento em condados não afetados. Em contraste, as empresas fechadas experimentam quedas significativas e persistentes nas vendas, de 0,7% em média, com efeitos concentrados em empresas geograficamente concentradas e em setores de capital intensivo. A assistência governamental em casos de desastre atenua, mas não elimina, esses efeitos. Atribuímos a diferença entre os setores público e privado à diversificação geográfica: a empresa aberta mediana opera em 46 estados, enquanto 94% das empresas fechadas operam em um único condado. Nossos resultados sugerem uma discrepância entre a política de divulgação e a vulnerabilidade climática: as regulamentações visam empresas que se adaptaram ao risco climático, enquanto excluem as mais afetadas.

Sonakshi Agrawal, Lisa Yao Liu e Shivaram Rajgopal. Artigo de trabalho da Universidade de Columbia, março de 2026. Imagem aqui

Zimbábue está vencendo a inflação

O Zimbábue, frequentemente considerado um caso perdido economicamente devido ao seu histórico de confisco de terras agrícolas e hiperinflação, está vivenciando um crescimento atípico. Os altos preços do metal e de outras commodities levaram a uma grande circulação de dinheiro em sua economia altamente informal. Isso facilitou para as autoridades interromperem a impressão de dinheiro e a interferência nos mercados cambiais; a inflação está em seu nível mais baixo em cerca de 30 anos. O FMI revisou repetidamente para cima as estimativas de crescimento econômico, mais recentemente para pelo menos 7,5% em 2025, quase o dobro da média africana…


O ouro não é a única fonte de crescimento. A atual safra de tabaco será a maior já registrada. Mineradoras de lítio, cromo e platina, muitas delas chinesas, aumentaram a produção. A diáspora do Zimbábue, principalmente na África do Sul, enviou US$ 2,5 bilhões de volta ao país no ano passado. Portanto, a demanda geral está mais alta do que nunca, afirma um banqueiro.

Isso é do The Economist, via aqui. Estou lendo O Otimista Racional, que defende o comércio e um governo fraco como a receita para o sucesso. Parece que confirma a hipótese do autor. 


Sobre os reportes de sustentabilidade voluntários

Eis a notícia

Uma coalizão formada por entidades da contabilidade, academia, auditoria, governança corporativa, mercado de capitais e investidores encaminhou uma carta conjunta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedindo a revisão da decisão que tornou voluntários os reportes de sustentabilidade das companhias abertas. Na avaliação das instituições, a mudança pode comprometer a comparabilidade das informações corporativas, reduzir a transparência para investidores e enfraquecer a convergência do Brasil aos padrões internacionais.

O posicionamento foi motivado pela edição da Resolução CVM nº 244, publicada em 29 de maio de 2026. A norma alterou a Resolução CVM nº 193 e transformou em facultativa uma divulgação que passaria a ser obrigatória para as companhias abertas a partir dos exercícios sociais iniciados em 1º de janeiro deste ano.


Realmente ainda não tenho uma posição fechada sobre o tema. Há vários aspectos em jogo. Recentemente, Otto Lobo foi confirmado na presidência da CVM, e alguns comentários que li mencionaram uma possível proximidade com a JBS, empresa que teria interesse direto na norma. Sem afirmar causalidade, é difícil afastar a hipótese de que a Resolução também possa refletir pressões de empresas que seriam afetadas pela obrigatoriedade. Nesse sentido, há um componente político — no sentido da atuação de grupos de interesse — que não deveria ser ignorado na análise da decisão do regulador.

Olhando fatos recentes, vimos diversas normas cuja relação custo-benefício segue controversa serem aprovadas e, mesmo depois da constatação de dificuldades práticas, o emissor permanecer estático, imóvel, sem tomar providências claras no sentido de reduzir os custos para as empresas. Cito aqui a norma da receita, do arrendamento e outras. Ou seja, o movimento de aprovar uma norma parece exigir menos esforço do regulador do que o reconhecimento posterior dos excessos ou dos erros.

Os argumentos usados na nota parecem, em alguns pontos, frágeis. Afirmar que a mudança pode comprometer a comparabilidade pode ser estranho se estivermos falando da comparação temporal: afinal, a norma estaria em vigor apenas a partir deste ano. Mas, se a comparabilidade for geográfica, o argumento também não é plenamente convincente, já que o número de jurisdições que adotaram as normas ainda é pequeno e notamos, em alguns países importantes, um recuo na normatização sobre a questão ambiental.

A discussão sobre a transparência para investidores pareceu interessante pelo fato de algumas entidades representativas dos investidores assinarem a nota. Mas também entendo o argumento contrário: talvez os investidores hoje não leiam essas informações com atenção, talvez o custo de implementação não tenha sido adequadamente verificado, talvez não tenha sido realizado um teste inicial de adoção, entre outros aspectos. Acho que informar pode ser um importante condutor e impulsionador para resolver alguns dos problemas climáticos do mundo, mas acredito que a principal força para enfrentar esse problema será o desenvolvimento tecnológico, como a substituição da energia gerada pelo carvão pela energia solar. Uma revisão histórica poderia ser importante para reforçar esse argumento.

Aqui também é importante listar um contra-argumento no mesmo sentido da nota: só teremos condições de saber se a norma será importante se ela for adotada. Como o assunto é relevante para a sociedade, por que não tentar? Os efeitos negativos da não adoção talvez sejam piores do que os efeitos negativos da adoção, e talvez fosse necessário discutir melhor essa comparação.

Sendo uma nota de entidades, e portanto também uma nota de posicionamento institucional, senti falta de evidências. Talvez seja um cacoete acadêmico, mas o texto me parece carregar muito efeito esperado e pouca demonstração. Há bons argumentos conceituais, especialmente sobre comparabilidade, simetria informacional e conexão com as demonstrações financeiras. Mas há pouca evidência sobre custos de implementação, grau de adesão esperada, demanda efetiva dos investidores e impacto da voluntariedade na qualidade da informação. Tudo bem que é um posicionamento de entidades, mas preocupa o fato de que parte relevante dos signatários está ligada à infraestrutura de preparação, asseguração ou uso profissional dessas informações. O texto provavelmente não passaria como um texto mais acadêmico — e talvez essa frase confirme o que escrevi no início do parágrafo: pode ser um cacoete meu. Não posso, no entanto, deixar de expressar que sinto falta de evidências.

Citar empresas que já fizeram a adesão voluntária talvez não seja suficiente para reforçar o aspecto empírico. As empresas citadas não são empresas típicas e, muitas vezes, carregam seus próprios interesses em fazer a adesão voluntária. A Vale, uma das citadas, foi responsável por dois desastres ambientais e está sob escrutínio público há muitos anos. Se o documento tivesse feito uma rápida pesquisa com um número mais expressivo de empresas, perguntando quantas iriam divulgar mesmo com a norma sendo opcional, talvez tivesse mais força do que os argumentos apresentados.

Talvez a manifestação seja também uma tentativa de argumentar e colocar na mesa de negociação uma posição um pouco mais branda para a CVM: obrigatoriedade para um número menor de empresas, por exemplo, adiamento do início da norma, cronograma escalonado ou foco em alguns setores mais expostos a riscos climáticos e ambientais. 

Minha opinião é fruto de crenças pessoais. 

12 junho 2026

Crime é a preocupação nacional

 

Uma pesquisa internacional revelou a principal preocupação entre diferentes países. No Brasil, a principal preocupação é com a criminalidade. 

Erro editorial


Do Iasplus:

A Fundação IFRS publicou um segundo conjunto de correções editoriais para 2026.

O segundo conjunto de correções diz respeito a um erro ortográfico na IFRS S1 (embora seja um erro importante, pois substitui "selling" por "settling").

Por definição, as correções editoriais não alteram o significado ou a aplicação das declarações, mas sim corrigem erros inadvertidos.

O segundo conjunto de correções pode ser acessado na página de correções editoriais do site da Fundação IFRS.

Se confiamos nos reguladores, a prática de correção dos erros editoriais são aceitáveis. Evita ter um complexo processo para aprovar novamente um texto. Mas deve ter casos interessantes nessas situações que muitas vezes não são narrados. 

Nunca vi ninguém fazendo uma pesquisa sobre esse assunto. Será que não é interessante o suficiente? Imagem aqui

Uso de LLM e redução de atividade cerebral

Existe um crescente corpo de trabalho sobre os efeitos de grandes modelos de linguagem no cérebro, desde a redução da carga cognitiva até medidas diretas da atividade cerebral . Embora todo esse trabalho seja interessante, o último é impressionante, com a eletroencefalografia (EEG) sendo usada para avaliar a carga cognitiva durante a escrita de uma redação.

O resultado? O EEG mostra que o uso do LLM reduz a conectividade cerebral, o engajamento na tarefa, a recuperação da memória e a apropriação em comparação com a busca e o esforço sem auxílio. E os efeitos persistiram mesmo após o término da tarefa.

No gráfico a seguir, contextualizo a redução da atividade cognitiva, comparando-a ao que se observa quando as pessoas consomem álcool em excesso. Em termos gerais, o ChatGPT suprimiu a atividade cerebral em um nível equivalente ao dobro do limite legal.


Fonte aqui

Uso de IA em pesquisas

 Alguns trechos do resumo:

(...) O volume de submissões [para o periódico Organization Science] aumentou 42% desde o lançamento do ChatGPT no final de 2022, enquanto a qualidade da escrita diminuiu. O aumento na produção de textos gerados por IA explica quase todas essas tendências. A produção de textos gerados por IA em revisões também aumentou e é caracterizada por menor qualidade e menor diversidade temática do que a produção de textos escritos por humanos. Até onde sabemos, somos o primeiro periódico a relatar esses impactos iniciais da IA ​​no processo de revisão. Conversas com editores de diversas disciplinas científicas, no entanto, sugerem que o que observamos não se limita ao nosso periódico ou às ciências sociais. Nesta fase inicial de adoção da IA, não podemos fazer uma avaliação normativa sobre os níveis apropriados ou ideais de uso da IA. Podemos, contudo, concluir que o estado atual das ferramentas de IA, amplificado pelos incentivos existentes de "publique ou pereça", parece estar impulsionando o sistema em direção a um equilíbrio de mais pesquisas, em vez de pesquisas melhores. Para atingir um equilíbrio em que a IA sirva como um motor fundamental da inovação, será necessário que nossas instituições e as estruturas de incentivo que elas criam se adaptem.


Rir é o melhor remédio

 Para os adoradores do Excel:

Estágios da vida: elementar, ensino médio, universidade e trabalho. De contagem, operações básicas, álgebra e cálculo até planilha.
Excel foi inventado em 1985 e pessoas antes de 1985.
Como as pessoas sentem o poder: dinheiro, status e saber atalhos no Excel. Mais aqui


11 junho 2026

Receita de Turismo: o atraso brasileiro

 

Dados de 2024. Clique na imagem para ver melhor. O Brasil é muito incompetente, pois com o tamanho do nosso território, sediou dois eventos de elevada visibilidade no passado e tem elementos de sobra para atrair o visitando e, mesmo assim, não é o líder na América Latina. Estamos atrás de Iraque e Rússia, dois países com histórico de conflito. 

Hathaway está lotada de dinheiro


A famosa empresa Berkshire Hathaway mudou sua chefia recente com a aposentadoria do carismático Warren Buffett. Quando saiu da empresa, Buffett deixou 373 bilhões de dólares no caixa. Mais um semestre, agora com seu sucessor, Greg Abel, o valor chegou quase a 397 bilhões.  Do valor, algo em torno de 50 bilhões estão em caixa e equivalentes, mas a maioria dos valores estão em títulos do Tesouro. 

Enquanto vai acumulando caixa, a empresa foi-se desfazendo de ações, vendendo ações da Apple, do Bank of America, entre outras. Isso enquanto o mercado estava em alta. Tudo parece indicar que Buffett está prevendo um colapso do mercado e, tornando isso uma realidade, aproveitar as oportunidades. Um indicador usado pelo investidor, a relação entre valor de mercado e PIB, nunca esteve tão alto. Outra explicação é que na opinião da empresa de investimento não há boas oportunidades no mercado. 

Não respeitando o passado de Buffett, alguns acreditam que ele não conseguiu visualizar a alta do mercado por conta da tecnologia. Pelo histórico, essa opinião já apareceu antes, no passado, e sempre estava errada. Mas há um custo de oportunidade pela estratégia adotada: usando um valor de 250 bilhões de caixa e o rendimento da SP 500, a empresa teve um custo de oportunidade de 125 bilhões de dólares. 

Será que estamos vivendo uma bolha?

Fisco dos EUA precisa definir o que é pornografia.


Uma notícia do final do ano passado e que parece piada. Mas não é. A origem é o New York Times e parte do texto foi reproduzida no GoingConcern.

O presidente Trump prometeu isenção de impostos para as gorjetas. E começaram os problemas, já que era necessária uma definição do que seria gorjeta. Parece simples, mas, além do problema da definição, também é necessário definir quem recebe e quais são os limites. Ficou ainda mais complicado quando começaram a discutir se a pornografia estaria isenta para fins do fisco.

Em governos que gostam de ser pudicos, isso é uma bomba fácil de explodir. Uma pessoa que publica fotos de pés descalços estaria fazendo pornografia? E os strippers? Eles e elas recebem gorjetas, mas são genuinamente pornográficos? Ou seriam apenas sensuais? Haveria distinção entre os dois termos? E um criador de conteúdo do OnlyFans? E como seria a fiscalização por parte de um fiscal tributário?

Então, para operacionalizar a promessa do presidente, é necessário responder a essas e outras questões.

Ludistas, Tear e IA


Os ludistas foram pessoas que, há mais de dois séculos, revoltaram contra o uso do tear. Mais especificamente, o tear Jacquard, que foi apresentado na França em 1805. Mas fico sabendo que o tear Jacquard usava cartões perfurados para produzir as roupas. Para fabricar um tipo de roupa, bastava trocar o cartão na máquina e se tinha desenhos complicados. Se antes era necessário muitos operários para produzir uma peça, agora um operador bastava.  

Quem conhece um pouco da história do computador sabe que cartão programável lembra os antigos grandes computadores do século passado. Os ludistas são vistos de forma romântica como revolucionários que lutaram contra condições de trabalho e foram reprimidos pela polícia. Mas sem o tear Jacquard não teríamos a redução no preço das roupas e Babbage não teria a ideia de uma máquina analítica, décadas depois. 

Com a tecnologia do tear era possível fazer desenhos de roupas mais criativos, que antes não era possível. A sociedade deve agradecer a inovação, mesmo que isso tenha representado a perda de emprego para uma categoria. A história estaria se repetindo agora? 

Segundo Ada Lovelace "a Máquina Analítica tece padrões algébricos assim como o tear Jacquard tece flores e folhas".

A postagem onde li sobre isso tem uma série de comentários apaixonados sobre os motivos das ações dos ludistas. 

Ciência e Esporte


(...) Como, por exemplo, o valor de chutar a bola para fora perto do gol e deixar que o adversário a reponha em jogo por meio de um arremesso lateral — uma jogada que tem aparecido em algumas das principais ligas do mundo nos últimos anos.

Para construir o argumento estatístico em favor dessa jogada aparentemente contraproducente, o grupo de [Jesse] Davis criou um conjunto de dados de treinamento composto por mais de 1,4 milhão de passes e cerca de 60 mil arremessos laterais — em parte provenientes da Copa do Mundo de 2022. Eles usaram modelos de árvores em conjunto — essencialmente uma combinação de árvores de decisão — para simular a tática. A conclusão, apresentada pelos pesquisadores em um artigo de 2024 com o título apropriado “Boot it”, foi a seguinte: quando a bola está no terço médio do campo, chutá-la para fora no lado do adversário pode colocar sua equipe a até 10 ações — pense em passes e dribles — de um gol. Isso pode ser muito relevante em uma partida que tem 1.500 ou mais ações e pouquíssimos gols. (...)

Sobre as vantagens e as dificuldades de estudar o futebol usando a ciência. Money ball aplicado. Aqui o site, que traz, inclusive, a previsão do vencedor da Copa. 

Efeito rede na moeda digital

O resumo:


Os sistemas de pagamento digital prometem estender os serviços financeiros a pessoas mal atendidas pelos bancos, e superar as barreiras à adoção desses sistemas é, portanto, fundamental para a inclusão financeira. Este artigo argumenta que os pagamentos instantâneos podem substituir o dinheiro em espécie quando a adoção se expande rapidamente para além dos primeiros usuários de alta renda. Evidências do Brasil, Costa Rica e México sugerem que a chave é uma rápida transição para a baixa renda: os sistemas devem combinar baixos custos de adoção, redes densas, coordenação do lado da oferta, conscientização e confiança. Sem esses elementos, mesmo plataformas sólidas podem permanecer marginais.

O texto é bem interessante. O sucesso do Brasil e Costa Rica, mas não do México tem relação com o chamado efeito rede. Corresponde ao termo "expande rapidamente" do resumo. Veja a linha azul do gráfico, mostrando a rápida adoção do PIX no Brasil e a reação inexistente no México. 

No final os autores lembram:

Crie ferramentas voltadas para comerciantes separadamente das ferramentas para consumidores. As empresas precisam de sistemas de confirmação de pagamento, integração contábil e conciliação.

Rir é o melhor remédio

 Relembrando um clássico:



Copa do Mundo

Doutorado

Organizada a cada quatro anos.

Leva quatro anos só para se organizar.

Consiste em longos períodos entediantes, pontuados por momentos de pura glória.

Consiste em longos períodos entediantes.

Goooooool!!!

Tééééédio!!!

Exibições incríveis de desempenho atlético.

Um labirinto de conformidade acadêmica desanimadora.

Nos EUA, chamam de “soccer”.

Nos EUA, chamam você de trouxa.

Muitas vezes, tudo se resume a uma única cobrança de pênalti.

Muitas vezes, tudo se resume a uma única votação do colegiado.

Assistida por bilhões de fãs de todas as nações.

Usado por milhões de pós-graduandos para procrastinar.

 

Fonte: PHD Comics, Jorge Cham, 2010. Tradução via ChatGPT.

10 junho 2026

IA e escala de uma empresa


A forma como a Inteligência Artificial (IA) está mudando a produtividade dos trabalhadores também pode estar alterando a escala ideal da própria empresa. De acordo com um relatório recente da Axios , ferramentas baseadas em IA estão permitindo que empreendedores lancem e operem negócios com pouca ou nenhuma equipe. Tarefas que antes exigiam especialistas em programação, design gráfico, marketing, suporte ao cliente e contabilidade podem ser cada vez mais realizadas por um único empreendedor com o auxílio da IA. O resultado é um número crescente de "empresas de uma pessoa só" capazes de gerar níveis de receita que antes exigiam uma pequena equipe. Isso contrasta com a tendência observada desde a Revolução Industrial, na qual a mecanização crescente gerava economias de escala cada vez maiores e empresas cada vez maiores.

Há impactos no custo de transação, conforme Coase, e na relação principal-agente. Devemos considerar que a própria definição de porte também pode mudar. Assim, algumas empresas que hoje são dispensadas de determinadas exigências podem passar a atender aos requisitos impostos pelos reguladores.

Gráfico aqui

09 junho 2026

Forma de dizer importa


Sobre a importância de saber dizer as coisas de uma forma convincente, encontro essa história na última coluna de Tim Harford:

As capacidades da IA ​​moderna são impressionantes. Mas o que determina se a utilizamos não é a capacidade em si, mas sim o quão impressionante ela é. Estão correlacionadas, mas não são a mesma coisa. Há uma história sobre o poeta francês Jacques Prévert que viu um homem pedindo esmola nas ruas de Veneza com uma placa que dizia "Cego sem pensão".

Prévert parou para conversar com ele; poucas pessoas se sentiram motivadas a contribuir, e Prévert se ofereceu para escrever uma nova placa.

No dia seguinte, ele voltou e encontrou o homem radiante. "É incrível; nunca recebi tanto dinheiro na minha vida." 

Prévert havia escrito: “A primavera está chegando, mas eu não a verei.” 

A nova placa não trazia nenhuma novidade — na verdade, era menos informativa que a antiga. Mas contava uma história. 

Confiança importa


Na introdução do seu livro The Confidence Game, a psicóloga Maria Konnikova explica: “O verdadeiro vigarista não nos força a fazer nada: ele nos torna cúmplices da nossa própria ruína... acreditamos porque queremos acreditar”. Uma diferença entre o vigarista e o modelo de linguagem amplo (LLM) é que o vigarista conhece a verdade e está tentando escondê-la. Uma semelhança entre o vigarista e o LLM é que ambos aperfeiçoaram a arte de parecerem plausíveis. (...)

Como Cory Doctorow, autor de Enshittification , gosta de observar: você não será substituído porque uma IA pode fazer o seu trabalho, você será substituído porque um vendedor de IA convencerá seu chefe de que ela pode. 

Fonte: aqui

Capital organizacional

Pesquisas anteriores apontaram diferenças no capital organizacional como uma razão para as discrepâncias persistentes de desempenho entre empresas semelhantes. Neste artigo, desenvolvemos e validamos uma nova medida de capital organizacional. Com base em mais de um milhão de avaliações de funcionários coletadas do Glassdoor, construímos a medida de capital organizacional em nível de empresa-ano usando o modelo de incorporação de palavras e avaliações sintéticas geradas pelo ChatGPT. Nossa medida varia ao longo do tempo de acordo com as tendências macroeconômicas e difere tanto entre empresas quanto dentro delas, refletindo a heterogeneidade organizacional e as principais mudanças internas. Validamos nossa medida testando previsões empíricas das propriedades do capital organizacional discutidas na literatura anterior. Nossos resultados sugerem que essa medida captura um ativo intangível de evolução lenta que está significativamente associado ao desempenho da empresa e à influência da alta administração, alinhando-se à conceituação de capital organizacional de Dessein e Prat. Além disso, apresentamos aplicações da nossa medida na literatura de contabilidade, economia, finanças e gestão. Em conjunto, o artigo oferece implicações para diversas partes interessadas na avaliação e gestão do capital organizacional das empresas.

CAI, W., PRAT, A. e YU, J. (2026), CAI, W., PRAT, A. and YU, J. (2026), Measuring Organizational Capital. Journal of Accounting Research. https://doi.org/10.1111/1475-679x.70073

08 junho 2026

O fim do Stack Overflow?


Subida e queda do Stack Overflow. No site, as pessoas postavam dúvidas que especialistas respondiam. A IA muda isso: em lugar de esperar alguns dias para ter uma resposta razoável para sua dúvida, a IA, buscando o conhecimento em sites como o Stack Overflow, responde imediatamente. 

SSRN está mudando

A Rede de Pesquisa em Ciências Sociais (SSRN, na sigla em inglês) foi fundada em 1994 pelos economistas Michael C. Jensen e Wayne Marr, com o objetivo de servir como um repositório de acesso aberto para trabalhos acadêmicos nas áreas de direito, economia e outras ciências sociais.

Além de fornecer um repositório pesquisável de artigos de trabalho e outros itens acadêmicos, o SSRN também enviava e-mails semanais com artigos recém-depositados em uma ampla variedade de áreas.

(...) Em 2016, os fundadores e outros membros da equipe [venderam] (...) a empresa para a Elsevier. Isso resultou no que um observador descreveu apropriadamente como "muita lamentação, ranger de dentes e o apelo obrigatório para que a comunidade contribuísse e criasse uma infraestrutura verdadeiramente aberta ".

Na época, porém, a equipe de gestão do SSRN prometeu que:

O conteúdo atual e futuro do SSRN permanecerá praticamente inalterado e... ajudaremos os pesquisadores a compartilhar versões pós-submissão de seus trabalhos de forma responsável. É importante ressaltar que a Elsevier respeita nossos principais valores e proposta central (publicação e leitura gratuitas) e garante que os autores (ou eventuais editores) manterão os direitos autorais de qualquer artigo publicado no SSRN.

[Recentemente] a SSRN anunciou "mudanças significativas e indesejáveis", incluindo:

O SSRN vai descontinuar sua Série de Artigos de Pesquisa no final de julho.

Artigos e capítulos de livros já publicados não serão mais elegíveis para publicação no SSRN após julho.

O SSRN exigirá que os autores que submeterem pré-prints ou artigos de trabalho selecionem uma licença CC-BY . Uma licença CC-BY permite que outros distribuam, remixem, adaptem e criem obras derivadas a partir do trabalho, inclusive para fins comerciais, desde que a devida atribuição seja feita.

A série de artigos científicos tem sido uma ferramenta incrivelmente útil para me manter atualizado sobre os desenvolvimentos acadêmicos recentes. Ela fornece uma lista de trabalhos publicados recentemente e, crucialmente, o resumo de cada um. Assim, você sabe se o artigo parece ser de interesse suficiente para justificar o download e a leitura completa. Sentirei muita falta dela.

Proibir a publicação de trabalhos já publicados significa que o acesso aberto às minhas publicações se tornará mais difícil. Muitas estão disponíveis gratuitamente no site da editora, especialmente no caso de revistas jurídicas, mas não existe um repositório único com ferramentas de busca (mas veja abaixo) onde seja possível encontrá-las todas em um só lugar.

Quanto à licença de direitos autorais CC-BY, ela é a licença Creative Commons mais aberta e permissiva. Permite que qualquer pessoa — incluindo provedores de IA — copie, distribua, remix, adapte ou crie obras derivadas a partir do trabalho de um criador, mesmo comercialmente, desde que dê crédito ao autor original pela criação. Uma vez aplicada, uma licença CC-BY não pode ser revogada pelo criador. A licença permanece válida durante toda a vigência dos direitos autorais da obra. Ela elimina a capacidade do autor de impor quaisquer outras limitações significativas. (...) 

A fonte do texto está aqui. Realmente, muitos textos publicados, com acesso caro, podiam ser lidos no SSRN. 

Gênero e corrupção municipal no Brasil

 O resumo, do excelente NBER (tradução GPT):

A liderança feminina reduz a corrupção? Estudamos essa questão usando eleições acirradas entre candidatos de gêneros diferentes em municípios brasileiros ao longo de duas décadas e múltiplas medidas de corrupção: escores de corrupção previstos com base no orçamento, irregularidades em auditorias e sanções legais. Não encontramos evidências de que eleger uma prefeita afete a corrupção. Esse resultado nulo se mantém ao longo de diferentes períodos, características das prefeitas e dos prefeitos, e ciclos eleitorais. Detectamos apenas um efeito negativo na pequena subamostra de municípios auditados aleatoriamente nos primeiros mandatos, o que coincide com um forte desequilíbrio na incumbência. Como a incumbência impacta diretamente a corrupção, esses efeitos documentados anteriormente provavelmente refletem o impacto da incumbência, e não do gênero.

PCAOB e a captura


Eis um trecho de um discurso:

Tenho orgulho de servir como o primeiro presidente permanente do PCAOB com experiência em auditoria de empresas de capital aberto e atribuo grande importância à certificação de Contador Público Certificado (CPA). Aliás, dois terços da equipe profissional do meu escritório são contadores públicos certificados.

Sob a gestão deste Conselho, o PCAOB valorizará e considerará a experiência dos profissionais que compreendem profundamente este trabalho e a responsabilidade que ele acarreta, pois o vivenciaram.

Passei mais de quatro décadas na profissão de auditoria. Dediquei toda a minha carreira a ela. Portanto, compreendo as pressões, as decisões difíceis, a complexidade e os riscos envolvidos. O trabalho de liderar o PCAOB exige alguém que possa desafiar o status quo, ao mesmo tempo que respeita aqueles na profissão que, acertadamente, veem seu papel como alinhado ao nosso: proteger os investidores.

Eu trago esse equilíbrio para esta função, e é por isso que acredito que o PCAOB está pronto para seu próximo capítulo.

As palavras são de Jim Logothetis, presidente do PCAOB. Fundado com a Sarbox, o PCAOB incomodava as empresas de auditoria por cobrar qualidade. A escolha de Jim para presidente tem um nome: captura. O verbete da Wikipedia começa assim: 

Captura do regulador ou captura regulatória, é uma forma de corrupção de autoridade que ocorre quando uma entidade política, legislador ou regulador é cooptado para servir aos interesses comerciais, ideológicos ou políticos de um eleitorado menor, como uma determinada área geográfica, uma indústria, profissão ou grupo ideológico.

Assim, as palavras de Jim não seriam motivo de orgulho, mas de preocupação. Image: Caçadores na Neve, de Pieter Bruegel.

Reino Unido recua na promessa de combater o oligopólio da auditoria


No final dos anos 2010 vários escândalos ocorreram no Reino Unido. O mais famoso deles foi a falência do da empresa de prestação de serviço Carillion.A reação do governo - incluindo o legislativo - foi uma promessa de endurecer  o combate ao oligopólio das empresas de auditoria. Passado os anos, a promessa política foi esquecida, segundo o influente Financial Times (via aqui). O recuo significa que o regulador, o Financial Reporting Council, não irá quebrar o oligopólio das Big Four, mas adotar uma abordagem evoluída. 

A pressão das grandes empresas de auditoria obteve efeito. E os escândalos ficam no passado. Alguma surpresa? Confesso que por um momento cheguei a pensar que finalmente alguém teria coragem para fazer algo no setor de auditoria. 

Fundador da FTX tenta perdão de Trump

Da Wikipedia:  


Em março de 2025, enquanto era entrevistado na prisão por Tucker Carlson, Bankman-Fried fez um “apelo indireto ao Sr. Trump” para que concedesse perdão ao seu caso, enfatizando suas doações a causas republicanas. Segundo o The New York Times, seus pais teriam contratado advogados ligados a Trump com a tarefa de “explorar a clemência executiva”. Bankman-Fried atribuiu sua condenação à “máquina de lawfare de Biden”. A entrevista não havia sido autorizada pelas autoridades prisionais, e ele foi imediatamente colocado em confinamento solitário. Depois, foi transferido da região de Nova York para a Federal Correctional Institution, Terminal Island, uma prisão federal de baixa segurança em Los Angeles. Em sua conta no X, Bankman-Fried publicou elogios às políticas do governo Trump sobre preços de medicamentos, gestão da economia e setor de criptoativos, além de várias políticas industriais.

No histórico de SBF há muitas doações para o partido democrata. A busca do perdão de Trump mostra um pouco da personalidade dele. 

07 junho 2026

IFRS 18 e prova contábil tributária

 


Eis o resumo

A IFRS 18, adotada no Brasil pelo CPC 51 com vigência a partir de 2027, representa a maior reformulação das demonstrações financeiras em duas décadas. Este artigo investiga, em perspectiva prospectiva e dogmático-normativa, como a nova estrutura da Demonstração do Resultado, com categorias padronizadas (operacional, investimento e financiamento), subtotais obrigatórios e divulgação reconciliada das Medidas de Performance Gerencial (MPMs), pode alterar a produção e a valoração da prova contábil no processo administrativo fiscal brasileiro. A análise dialoga com a literatura sobre book-tax conformity e contextualiza os impactos no cenário da reforma tributária (EC 132/2023). Conclui-se que a padronização e a maior granularidade das demonstrações tendem a fortalecer a função probatória da contabilidade, embora imponham ao contribuinte riscos decorrentes da transparência ampliada.

revista de direito contábil fiscal • são paulo • volume 8 • número 15 • jan./jun. 2026 - IFRS 18 (CPC 51) E A PROVA CONTÁBIL TRIBUTÁRIA - Antonio Lopo Martinez - Imagem aqui

04 junho 2026

Em defesa do mercado de previsão


Imagem aqui

Incoerência é a atitude do governo brasileiro - e seus reguladores - com os mercados de previsões. Enquanto o mercado de aposta conhecido como bet é incentivado, apesar dos profundos efeitos sobre as finanças pessoais, os burocratas parecem não gostar do mercado de previsão. Recentemente os reguladores brasileiros suspenderam o acesso aos mercados de previsões. Abaixo tem um texto comentário de Robin Hanson sobre o tema, que aborda algumas questões interessantes: 

Como economista, e não como advogado, escrevo aqui sobre o interesse público, não sobre o que é legal.

Como todos os mercados financeiros, os mercados de previsão podem desempenhar diversas funções, como movimentar e reduzir riscos, coletar e compartilhar informações, e proporcionar a emoção da ação e da competição. Durante décadas, essa função de risco foi a única justificativa permitida pelos reguladores americanos, mas há muito tempo defendo o enorme potencial informativo desses mercados, muito maior do que o que percebemos atualmente. Quero que esses mercados cresçam em direção a esse potencial. Embora eu, pessoalmente, não me importe que as pessoas se divirtam, entendo que outros se importem, e talvez tenhamos que chegar a um acordo nesse ponto.

Com foco nessa função informativa, os mercados de previsão têm muitos problemas em comum com outras instituições de informação, como fofocas, o meio acadêmico e o jornalismo. Todas as instituições de informação podem induzir as pessoas a (A) revelar informações que deveriam ser mantidas em segredo, (B) revelar segredos que prometeram guardar, (C) desperdiçar tempo e dinheiro que poderiam ser usados ​​produtivamente, (D) fazer contribuições enganosas para obter tratamento favorável, (E) mudar o mundo para obter tratamento favorável e (F) recompensar os participantes de forma desigual.

Admito que essas são questões reais, mas defendo que devemos tratar as diversas instituições de informação de forma semelhante, a menos que encontremos razões específicas para tratá-las de forma diferente. Por exemplo, se não proibimos funcionários do governo de falar com jornalistas por medo de que revelem segredos de Estado, também não os proibimos de negociar ações apenas por receios semelhantes.

Em (A), um exemplo são as previsões de quem vence no dia da eleição, que muitos dizem desencorajar o voto. Mas, como o risco de regulamentação excessiva aqui é grave, a Primeira Emenda deveria proteger os mercados de previsão como uma instituição de informação, especialmente os mercados sobre política e políticas públicas. Assim como os protestos são protegidos, já que há coisas que você pode dizer por meio de protestos que não pode dizer apenas com palavras, as negociações também deveriam ser protegidas, pois há coisas que você pode dizer com negociações que não pode dizer apenas com palavras ou protestos. Colocar seu dinheiro onde sua boca está dá mais força às suas palavras.

Em (B), as organizações têm interesses legítimos em manter segredos, mas agentes externos muitas vezes têm interesses legítimos em expô-los. Muitas das reportagens mais aclamadas da história do jornalismo foram viabilizadas por vazamentos de informações por parte das organizações. Há um dilema a ser considerado, e exigir que todos trabalhem para ajudar todas as organizações a manterem seus segredos seria um exagero. Temos regras rígidas em vigor atualmente em relação ao "uso de informações privilegiadas" no mercado de previsão, mas observe que tais regras para ações tiveram efeitos limitados. Em anúncios de empresas de capital aberto, metade da variação de preço ocorre antes, e a outra metade se deve ao uso de informações privilegiadas. Não devemos esperar que as regras do mercado de previsão tenham muito mais sucesso, ou que resultem em danos muito maiores.

Em (C), outros mercados financeiros já permitem tanto "apostas" puras quanto qualquer um possa desejar e, comparado com épocas anteriores, hoje permitimos que as pessoas dediquem muito tempo e dinheiro a diversão improdutiva de vários tipos, incluindo notícias, escolhas arriscadas de com quem namorar e escolhas arriscadas de carreiras como atuação, música ou esportes.

Em (D), os mercados especulativos são, na verdade, muito mais resistentes à manipulação do que outras instituições de informação. Quando os investidores esperam maiores tentativas de manipulação de preços, eles reagem de forma que os preços, em média, se tornem MAIS precisos. Além disso, em comparações diretas com outras instituições de informação, com a mesma pergunta, horário, participantes e recursos, os mercados especulativos têm se mostrado consistentemente tão precisos quanto, ou até mais precisos.

Em (E), o seguro de vida envolve riscos suficientemente grandes e permite uma influência pessoal tão fácil que justifica uma regulamentação adequada para evitar assassinatos por dinheiro. No entanto, quase não vemos casos de investidores sabotando empresas com sucesso para lucrar com negociações de ações; as empresas parecem ser difíceis demais para serem influenciadas por indivíduos, considerando os riscos envolvidos. E quando mercados de previsão foram criados com base em eventos que os indivíduos podem influenciar, parece que os investidores estavam bem cientes desse fato e o consideraram um fator que aumentava a sua diversão.

Em (F), outras instituições de informação também oferecem recompensas desiguais para inteligência, educação, esforço e boas conexões sociais. Sim, poderíamos criar mercados exclusivos para amadores, mas poucos desejariam negociar neles; a maioria quer tentar a sorte competindo com os melhores.

Devido ao seu grande potencial informativo, vamos aprovar os mercados de previsão por padrão, especialmente quando eles puderem informar sobre tópicos importantes, e restringi-los apenas quando virmos evidências claras de danos, aplicando padrões e rigor semelhantes aos que aplicamos a outras instituições de informação.