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Mostrando postagens com marcador Sports Illustrated. Mostrar todas as postagens
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17 dezembro 2023

IA e ética: caso da Sports Illustrated

Tudo começou quando o site Futurism denunciou que a famosa revista Sports Illustrated estava publicando textos usando inteligência artificial. Alguns dos textos eram toscos a ponto de fazer afirmações como “o vôlei pode ser um pouco complicado de se começar, especialmente sem uma bola de verdade”.

Além disso, os textos tinham pistas de que os autores eram falsos. Os autores das reportagens receberam uma descrição do tipo:


"Drew passou grande parte de sua vida ao ar livre e está animado para guiá-lo em sua lista interminável dos melhores produtos para impedir que você caia nos perigos da natureza", dizia. "Atualmente, raramente há um fim de semana que se passa onde Drew não está acampando, caminhando ou apenas de volta à fazenda de seus pais."

Mas Drew Ortiz nunca foi localizado fisicamente. Ele não existe, obviamente. E sua foto exibida no texto também estava à venda em um site que gera imagens por inteligência artificial.


No passado, a revista ficou famosa por sua qualidade. Escritores como William Faulkner e John Updike chegaram a publicar por lá. Após a denúncia, a empresa que atualmente controla a revista desmentiu. Depois, jogou a culpa em uma terceirizada que tinha sido responsável pelos textos. E, como as ações caíram, resolveu demitir seus executivos.

Qual a relação do fato com a contabilidade? Primeiro, a questão da produção de texto pode ser uma reflexão sobre ética e fraude. A revista não estava preocupada em esclarecer, para o leitor, que o texto foi gerado por inteligência artificial e não por um profissional. Depois das evidências, negou sua responsabilidade.

Outro aspecto que interessa é que o fato diz respeito ao corte de custos. Se agora eu tenho um instrumento que produz um texto mais rápido e de forma mais barata que um jornalista, meu interesse é no lucro. A inteligência artificial serve não como instrumento de melhoria de qualidade ou de produtividade.


No mesmo instante em que ocorria o escândalo da Sports Illustrated, veio à tona a notícia de que a NewsAnchored estava vendendo serviços de publicação garantidos (foto acima), sem ter de lidar com os jornalistas. A empresa é dona de sites onde é possível a publicação de qualquer coisa por 1.500 dólares por mês. Os sites são muito parecidos com sites da Rolling Stone, USA Today e outras marcas de mídia.


Parte do problema está em como o público chega a esses sites? Parte da resposta está no comércio da pesquisa e das páginas dos navegadores. Parte, na preguiça do leitor. 

11 fevereiro 2016

Biquínis e Bolsas: O indicador Sports Illustrated Swimsuit

Há uma reportagem antiga mas interessante na Of Wealth com Eric Fry, na qual ele discorre sobre o índice da Sports Illustrated criado por ele. Antes de passar a palavra a Fry, o editor Marco Polo ressaltou que os seres humanos são animais que buscam padrões. É parte crucial de nossa evolução saber sobreviver ao que a natureza nos joga. Pessoas envolvidas com investimentos são notoriamente obsecadas por padrões. Se tal e tal são altamente correlacionados com isso e isso, diz ele, então muitos concluem haver uma ligação causal.

Polo adverte que muitas estratégias de investimento se basearam em achar padrões nos movimentos de indicadores passados... apenas para descobrir que a correlação acaba assim que a estratégia é aplicada. O texto de Eric Fry fala sobre um prognosticador improvável para retornos acionários. Quando nos deparamos com ele parece impossível haver uma conexão. Mas, por outro lado, poderia haver?

Biquínis e Bolsas: O indicador Sports Illustrated Swimsuit

Há 15 anos descobri uma conexão improvável entre a nacionalidade das modelos que aprecem em cada capa da edição Sports Illustrated Swimsuit e a subsequente direção do valor acionário das ações na bolsa de valores de seu país natal.

Em um dia friorento em Nova Iorque, enquanto eu passava pela bolsa de valores a caminho do meu escritório em Wall Street 30, notei um passante carregando uma cópia da recém-publicada edição de roupas de banho da Sports Illustrated. Após uma série de aforismos aleatórios, pensei comigo “Não seria divertido se houvesse algum tipo de conexão entre a edição de roupas de banho e o valor das ações?”.

Só para ver no que dava, decidi arregaçar as mangas e me afundar nesse projeto. Após algum tempo de pesquisa e análise de dados, cheguei a esse novo indicador... e publiquei os meus achados na edição de fevereiro de 2000 de “Grant’s Investor”.
“Quando uma modelo de determinado país se torna capa da Sports Illustrated Swimsuit Issue, sua aparição tende a iniciar uma corrida de touros de quatro anos para o mercado acionário de sua terra natal.
Em 1978 a brasileira Maria João apareceu na capa da edição SI swimsuit. Após quatro anos o mercado acionário de seu país subiu surpreendentes 465%.
Em seguida, em 1986, a deslumbrante modelo australiana, Elle Macpherson, fez sua primeira de diversas aparições na capa. Nos quatro anos seguintes os 50 Líderes da Bolsa de Valores da Austrália subiu 91%”.
Se ainda não está claro, querido leitor, eu inventei esse indicador pelo seu valor de diversão e não como valor para investimentos. Mas aqui está a loucura: esse indicador tem apresentado cumulativamente um histórico tão atordoante quanto uma modelo de capa de revista de biquínis.

Por exemplo, no ano 2000, a inspiração para esse indicador, a capa era a beleza tcheca Daniela Pestova. Quatro anos depois, o Índice da Bolsa de Valores de Praga elevou-se para 86%. E os bons tempos não pararam aí...

Em 2001 a revista estampou a bela Elsa Benitez, tornando-a a primeira Mexicana a clamar a honra. Quatro anos depois, a bolsa mexicana tinha mais que dobrado.

Aí, no ano 2002, a Sports Illustrated deu a vez à argentina Yamila Diaz Rahi. Eu admito estar cético. A Argentina aparentava ser uma opção de investimento muito arriscada, dado o histórico da labuta na época. Com uma desvalorização cambial fresquinha, dentre outras dificuldades, a Argentina não aparentava ser uma quente destinação de investimentos. Mas a aparição de Yamila em um biquíni de somente prata e jade argumentou persuasivamente o contrário. Novamente o mercado acionário entregou a promessa de Yamila. Nos anos seguintes o Índice Merval Argentina pulou 73%.

Como a tabela abaixo mostra, de 2000 a 2009 o Indicador Capa da Sports Illustrated produziu seis vencedoras diretas, incluindo um ganho de 106% com a aparição em 2003 de Petra Nemcova.


Não até o ano passado a série de acertos do indicador chegou ao fim. Ninguém contesta a estonteante beleza da russa Irina Shayk. Mas sua aparição em 2011 na capa da revista lançou quatro anos verdadeiramente feios para o mercado acionário russo. Felizmente, perdas como essas são exceções.

Agora que o Indicador tem mais de três décadas, observa-se uma série de ganhos indisputável... se não improvável.

Mas fatos são fatos...

E os fatos não são somente que os mercados acionários tendem a um desempenho melhor se uma beleza nativa é a capa da Sports Illustrated, os fatos são também que a performance desses fortes mercados surraram o Índice MSCI EAFE de ações estrangeiras.

Em outras palavras, o Indicador da Capa tem excelência tanto em termos absolutos quanto relativos a mercados internacionais.


Em media, as bolsas acionárias de mercados estrangeiros indicados pela modelo da capa produziram o dobro de retorno que a média de retornos do MSCI em intervalos temporais idênticos.

Que bolsa o filantropo internacional deveria considerar? A Sports Illustrated não dá resposta.

Esse estranho indicador é, de certa forma, bobo? Claro que sim.

É totalmente fútil? Talvez não.

A seleção da modelo da capa pode refletir uma sutil sensibilidade cultural. Nós gostamos de estar com o time vencedor. E talvez o mundo fashion tenha uma percepção inata para saber qual será o próximo time vencedor.

Qualquer que seja o motivo, o indicador parece funcionar.

Sports Illustrated 2016: Garotas da Capa

Todo ano, mais particularmente em fevereiro, a revista Sports Illustrated lança uma edição especial intitulada “Swimsuit Edition”, na qual apresenta beldades com roupas de banho.

Posar para a capa é sonho da maioria das modelos. Estrelas como Kate Upton, Lily Aldridge, Hannah Davis, sucesso nas passarelas no desfile anual da Victoria’s Secret, são algumas das fotografadas. A brasileira Maria João foi capa em 1978.

Nós falamos aqui sobre a importância da capa da Sports Illustrated para o mundo dos negócios. Geralmente, quando a capa da revista é estampada por uma estadunidense, o mercado acionário deverá crescer ao longo do ano. Este ano há cinco possíveis escolhas: brasileira, estadunidense, sérvia, húngara, e uma quinta a ser anunciada amanhã, no quinto dia de "Rookie Reveals". [Em tempo: a quinta é russa].



Foi anunciado no Instagram que, em 2016, a capa poderá ser a estadunidense Ashley Graham – a primeira plus-size model a ganhar o trabalho. Ela apareceu inicialmente em um anúncio esportivo vinculado na edição de 2015 e neste ano poderá ser a capa. Há cinco concorrentes sendo apresentadas pela revista.
Uma foto publicada por Sports Illustrated Swimsuit (@si_swimsuit) em


Além de Ashley, a brasileira Sofia Resing é outra das cinco possíveis escolhas para a capa:


Você quer que a bolsa norte-americana tenha um bom crescimento ou que a capa seja uma brasileira? Prefere uma plus-size ou uma normal-size?

Em tempo: a capa será revelada amanhã - 13 de fevereiro.