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Mostrando postagens com marcador Rodolfo Araújo. Mostrar todas as postagens
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26 novembro 2012

Elaborando uma pesquisa

Escrito por Rodolfo Araújo para o blog PharmaCoaching.

À primeira vista, elaborar uma pesquisa não parece ser das tarefas mais complicadas do mundo. Você tem um assunto em pauta, sobre o qual gostaria de colher algumas informações e tudo o que precisa fazer é organizar algumas perguntas de forma coerente.

Há diversos bons livros sobre o tema para ajudar a escolher o formato, definir escalas e fazer as análises estatísticas. Particularmente, gosto do "Pesquisa de Marketing - Uma Orientação Aplicada", do Naresh Malhotra (Bookman, 2011).

Mas há alguns detalhes importantes que podem ter influência direta não só nos resultados, mas também nas atitudes que os pesquisados podem tomar durante ou imediatamente após responder uma pesquisa. Vejamos o caso da escala, por exemplo:

Suponha que você queira conhecer melhor os hábitos de higiene do seu público, especificamente de higiene bucal. Estão você faz a seguinte pergunta, com a respectiva escala:


Quantas vezes por dia você escova os dentes?
Escala Likert
Salvo engano, a maioria das pessoas ficará nas duas primeiras opções. Agora mudemos o intervalo de tempo da pergunta, mantendo a mesma escala, pare ver o que acontece:
Quantas vezes por semana você escova os dentes?
Escala Likert
Desta vez, é provável que a maioria das pessoas fique nas duas últimas opções - o que provavelmente não muda muita coisa em relação aos dados coletados.
Mas suponha que você seja um dentista e tenha interesse em aumentar a frequência com que seus pacientes marcam consultas para um check-up de rotina. Para isto, logo após esta pergunta você acrescenta outra, que soa quase como um convite, do tipo:
Você gostaria de agendar uma consulta para um check-up?
Qual das opções anteriores você acredita que teria mais influência na decisão do seu futuro paciente? A primeira, na qual ele tem a impressão de estar abaixo da média na escala; ou a segunda, em que ele parece estar acima?


09 outubro 2012

Que tipo de financiamento para a sua empresa?

"Em recente matéria, a revista Exame lista Seis motivos para desconfiar de um investidor-anjo. O texto tem ótimas dicas para quem considera atrair um sócio-investidor para o seu negócio, mas os alertas focam questões de cunho basicamente jurídico e societário. Não há uma análise sob a ótica estratégica.

Minha dica vem de The Innovator's Solution: Creating and Sustaining Successful Growth, (Harvard Business School Press, 2003), de Clayton Christensen. Segundo o professor de Harvard, há que se diferenciar o Dinheiro bom do Dinheiro ruim.

Para o autor, Dinheiro bom é impaciente por lucro e paciente por crescimento, ao passo que o Dinheiro ruim é o paciente por lucro e impaciente por crescimento.

A explicação é bem direta: nas start-ups, especialmente aquelas focadas em Inovações Disruptivas, o lucro da operação é o melhor indicador de que um modelo de negócio é viável e sustentável. Já o crescimento, por sua vez, não ocorre da noite para o dia quando se persegue novos mercados, ou quando o público-alvo é formado por não-consumidores.

Se a empresa demora a atingir seu break even - e ainda cresce rapidamente, acelerando o aumento do rombo - ela corre o risco de transformar-se numa máquina de moer dinheiro e esgotar seus recursos, antes mesmo de ter a chance de tornar-se efetivamente sólida.

Por este motivo, até, Christensen sugere que o preço de um produto inovador deve ser determinado antes mesmo de se saber seu custo - e não o contrário. Se o preço que seu cliente está disposto a pagar pelo seu produto (você pesquisou isso, certo?) não cobre seus custos, então esqueça, pois seu negócio não é viável. E não é cobrando mais caro que você vai consertar isto."


Dinheiro Bom e Dinheiro Ruim - Rodolfo Araújo em "O Líder Acidental".
Imagem: Yonil

05 outubro 2012

Você sabe a diferença entre Incerteza e Risco?

Texto escrito por Rodolfo Araújo

À primeira vista estes conceitos parecem tão intimamente ligados que, escrever sobre eles, soa redundante ou mesmo inútil.

Como veremos, entretanto, há pequenas porém importantes diferenças entre Incerteza e Risco e, desconhecê-las, pode levar a decisões incorretas.


Risco é quando todas as variáveis de uma situação são conhecidas e você consegue calcular as probabilidades de cada uma delas acontecerem. Depois, ao combinar os resultados, você tem uma medida precisa das chances de aquilo resultar em algo bom ou ruim.

Mas quando uma ou mais variáveis são desconhecidas - ou quando não se sabe o impacto real que cada uma delas pode ter - então estamos tratando de uma situação de Incerteza.

Isto posto, já dá para perceber que, na vida real, a maioria das situações nas quais avaliamos Riscos estamos, na verdade, falando de Incertezas - especialmente no mercado financeiro.

Ocorre, no entanto, que cada um dos termos causa reações diferentes em quem os escuta.

Num cenário de "Incerteza", parece que alguém não sabe o que está fazendo. A falta de certeza não sugere um ambiente complexo demais ou um problema matematicamente intratável. Ao contrário, parece demonstrar incompetência - o que, vimos, não é o caso.

Já "Risco" é visto como algo controlado e previsível - como de fato é. Mas quando você tem uma visão de Risco sobre algo que é Incerto, estará sendo levado ao erro de trocar o quase certo pelo totalmente duvidoso.

17 setembro 2012

10% do Cérebro?

"Se você assistiu Sem Limites também deve ter ficado impressionado com a estória do fracassado escritor Eddie Morra (Bradley Cooper) que, ao tomar uma pílula quase mágica, transforma-se num mago do mercado financeiro, don juan infalível e exímio lutador, dentre outras coisas.

O filme - bacaninha, por sinal - apoia-se numa das mais difundidas falácias sobre o cérebro humano: a de que usamos apenas 10% do seu potencial.

A ideia é atraente porque cria uma enorme esperança em torno dos outros 90% do cérebro que, reza a lenda, permaneceriam ociosos a maior parte do tempo. Se já fazemos tanta coisa com uma pequena fração do órgão, imagine do que seríamos capazes ao utilizarmos toda a sua capacidade!

O empolgante enredo não passa, no entanto, de um mito que, de tão repetido, quase se transforma em realidade. A verdade, contudo, está bem longe disto.

A lenda dos 10% provavelmente teve seu grande patrocinador em Dale Carnagie que, segundo contam Sandra Aamodt e Sam Wang em Bem-vindo ao seu cérebro (Cultrix, 2009), teria citado um inexistente estudo de William James para justificar a lorota.

Desde então, o mito tem sido explorado e difundido pelos gurus da autoajuda, para dizer que todos somos Einsteins adormecidos, com um enormes potenciais ocultos ainda a serem descobertos. Uma animadora fantasia pseudocientífica, para alimentar a conhecida historinha de que todos estamos a um passo da genialidade.

Ocorre que nosso cérebro, assim como boa parte do resto do corpo, é altamente eficiente, tendo seus processos espalhados por uma intrincada estrutura que, até hoje, continua desafiando os cientistas. Modernos estudos de ressonância magnética funcional têm demonstrado, recentemente, que várias de suas partes estão sempre em funcionamento simultâneo, mesmo nas tarefas mais corriqueiras.

Fosse verdade o factóide dos 10%, pequenas lesões no cérebro teriam pouca ou nenhuma consequência em pacientes neurológicos, dado que afetariam partes aparentemente inúteis de nossa anatomia - o que está muito londe de ser o caso. De outro modo, o cérebro teria diminuído de tamanho ao longo da evolução humana, em vez de aumentado, de forma a economizar espaço e energia. Bem, ao menos na maioria das pessoas..."


Texto "10% do cérebro = 100% da falácia", escrito por Rodolfo Araújo, publicado no blog Auto-Atrapalha

15 setembro 2012

Não posso evitar

Nós frequentemente comentamos sobre o blogueiro Rodolfo Araújo, especialmente sobre o “Não Posso Evitar”. Mas vale lembrar que ele ainda escreve em outros blogs:

Pharmacoaching: A evolução do Não Posso Evitar.

O Líder Acidental: “
Nem todo mundo recebe o treinamento e preparo adequados para assumir uma posição de chefia. Grandes empresas têm programas de trainee bem estruturados e processos de sucessão bem definidos. Mas a maioria das companhias por aí não têm nem uma coisa, nem outra. Por este motivo, algumas promoções acontecem do dia para a noite. Você dorme analista e acorda gerente. E agora, o que fazer? Como devo me comportar agora que meu chefe é meu par? E com meus antigos colegas, que agora são meus subordinados? O Líder Acidental pretende responder algumas destas perguntas. Não todas, porque algumas delas você terá que aprender sozinho - o que certamente você conseguirá, afinal, é por isso que foi promovido.”

Auto-Atrapalha: “(...) a autoajuda até tem a sua utilidade, que é reforçar o seu desejo de conseguir algo na vida (se você não quer nada na vida, o que está fazendo aqui?). O problema deste discurso é que ele não te leva à ação, necessariamente.

Vale a pena acompanhar. (Mas claro, concomitantemente ao Contabilidade Financeira.) ^.^

14 setembro 2012

Assédio moral

Sobre a questão do assédio moral com o funcionário da empresa Brahma, uma excelente (novidade?) postagem do Rodolfo:

Havia, no entanto, outra coisa que me parecia estranha na reportagem: se o funcionário estava tão insatisfeito com as normas da empresa, por que simplesmente não pedia demissão? Ou por que não fazia uma denúncia formal à área de governança corporativa?

A resposta estava um pouco adiante: ele queria ser demitido, mas a companhia não concordava. Ou seja: ele queria receber mais dinheiro, para deixar a empresa por sua livre e espontânea vontade.

A prática - pedir para ser demitido para receber a multa de 40% do FGTS, além do direito de sacar o fundo - é tão disseminada que ninguém questiona sua legitimidade, tampouco sua ética. Por conta disto, o rapaz da reportagem conta que ficou mais dois anos na Ambev, até que sua demissão fosse liberada - e ele pudesse se livrar do ambiente que tanto lhe fazia mal, coitado. E aí, mesmo conseguindo a demissão como queria, entrou na Justiça do Trabalho contra a empresa, por assédio moral.

05 agosto 2012

Ética

Eis um caso interessante de ética narrado por Rodolfo Araújo

(...) Numa rápida googlada encontrei o possível motivo de seu comportamento errático: Lehrer estava sendo acusado de auto-plágio, caracterizado pela reutilização de material próprio, previamente publicado, sem referência ao original. O autor requentara alguns textos antigos na The New Yorker. Uma falha grave, mas pequena em comparação com o que viria a seguir.

Em Imagine, um profundo estudo sobre as origens da criatividade e como ela funciona, Lehrer usa Bob Dylan como exemplo para alguns dos conceitos que explora no livro. Mas Michael C. Moynihan, jornalista do Tablet e fã ardoroso do ídolo pop americano, encontrou inconsistências nas referências a Dylan e começou a questionar Lehrer.

Profundo conhecedor da biografia do autor de Like a Rolling Stone, Moynihan pressionou o autor de Imagine, até que ele confessou: algumas frases e contextos haviam sido fabricados. Lehrer citou frases que Dylan nunca pronunciou e distorceu alguns fatos para embasar suas teorias.(...)


30 novembro 2011

Doutorado e a psicologia do sucesso



Postagem interessante e pertinente do blogueiro Rodolfo Araújo:


Acabo de levar um duro golpe: não fui aceito no processo seletivo para o
Doutorado em Administração da USP. Fiz as difíceis provas da ANPAD - nas quais
fui bem - e as específicas da Universidade - nas quais fui bem mais ou menos. De
qualquer forma, qualifiquei-me para a segunda fase. Elaborei o projeto de tese,
reuni a documentação necessária e fui adiante, sendo classificado para a
terceira fase, de entrevistas. Aí babou...

Dos onze candidatos, fui um dos quatro que não passaram. Não ver o seu nome numa lista de sete futuros Doutores é algo realmente desagradável, dadas as expectativas. Não importa quantas vezes você leia, seu nome não está lá. Então algo extraordinário aconteceu.

* * * * * * * * * *

Durante boa parte da minha vida fui considerado uma pessoa acima da média. Quem me acompanha há mais tempo aqui no Não Posso Evitar... sabe que não dou adepto da falsa modéstia, da humildade exagerada, tampouco do coitadismo.

Mas carregar o rótulo de pessoa inteligente tem seu preço: você não pode errar. Porque quando você erra, põe em dúvida seus títulos, suas conquistas, suas qualidades. Errar significa passar para o outro lado - do qual você definitivamente não quer fazer parte.

Ao menos enquanto você acreditar que a divisão entre os capazes e os
incapazes é fixa, imutável, eterna. E esta é uma mentalidade limitante, é o
mindset fixo.

Quem descreve muito bem esses tipos de pensamento é Carol
Dweck, em seu imprescindível Mindset: The New Psychology of Success (Ballantine Books, 2007). Para ela, ter um mindset fixo significa acreditar que as pessoas têm uma capacidade intelectual finita, determinada, rígida. O que você é hoje, você será para sempre.

Por outro lado, ter um mindset de crescimento envolve acreditar no constante aprendizado, na eterna busca por melhoria, no desenvolvimento diário, em todos os aspectos da sua vida. E isso inclui seus revéses: o erro, a perda e o fracasso. A diferença é que você enxerga tais efeitos colaterais como mais uma etapa - e não como destino final.

Uma das piores consequências do mindset fixo é o medo de errar, porque ele se
transforma em medo de tentar. Em
O Iconoclasta, o psiquiatra americano Gregory Berns escreve que uma das principais características das pessoas que fazem o que os outros diziam ser impossível é a forma como elas lidam com o medo. Quantas vezes você deixou de enfrentar um desafio pelo simples medo de fracassar? Pelo medo de se expôr? Pelo medo de parecer - ou de se sentir - menos apto, menos inteligente?

Só perde o pênalti quem bate o pênalti Pois quando você tem o mindset de crescimento, você vê seu fracasso por outra lente. Ele faz com que você busque as razões do erro, analise em que aspectos precisa melhorar, em que pontos deve evoluir. Tivesse eu num mindset fixo, estaria chorando na cama, que é lugar quente.

Tempos atrás, confesso, é bem provável que fosse este o meu desejo no
momento. Mas aprendi a encarar tais episódios de maneira bem diferente.

Melhor dizendo, escolhi encarar tais episódios de maneira diferente. E
esta transição foi algo bem mais simples do que você pode imaginar.

Não estou feliz por ter fracassado porque, no fim das contas, isso ainda não acabou. Em vez de pensar que não passei, prefiro pensar que não passei ainda. O "ainda" faz toda a diferença. E vida que segue...

(...)

ATUALIZAÇÃO: A leitora Isabel Sales, do blog Contabilidade Financeira, lembrou-me do elemento que falta nessa equação: o esforço. É ele que faz a diferença na performance, independentemente do seu grau de aptidão para qualquer que seja a tarefa. Quem tem o mindset de crescimento reconhece no esforço o caminho para a melhoria. Já quem tem o mindset fixo, vê o esforço como uma comprovação de que você não tem o talento inato - que é um bom começo, mas não é tudo.

23 novembro 2011

Por que você quer ser um contador?

O blog "Não Posso Evitar" já foi apresentado a você aqui, aqui e aqui. Para quem não tem acompanhado (o que fortemente recomendamos), a publicação mais recente se refere a uma entrevista que o autor, Rodolfo Araújo, fez com o escritor do livro “Motivação 3.0”, Daniel Pink, que pode ser conferida na íntegra aqui.


Ressaltamos, porém, um trecho em especial:


RODOLFO: Seus pais disseram-lhe para ser advogado (Pink formou-se em Direito) ou contador e, em seguida, estas profissões foram terceirizadas para outros países – algo que eles não poderiam prever. Hoje você diz para seus filhos serem artistas. Não existe o risco de estas carreiras também serem substituídas, de alguma forma que não podemos prever hoje?

PINK: Certamente que sim. Por isso não digo para meus filhos serem artistas... (Ops!)

RODOLFO: Nem advogados...

PINK: De jeito nenhum! O que digo para meus filhos é para seguirem seu coração. Sua cabeça deve pensar estrategicamente, ou seja, pensar no que será valioso no futuro. O que será difícil de fazer de forma barata? O que será difícil de ser feito por uma máquina? O que resolve os problemas que você tem hoje?

Isto é uma parte. A outra é fazer algo que você realmente gosta. Algo que lhe traga prazer e significado e trabalhar duro nisto. Vamos tomar o contador como exemplo. Se um dos meus filhos me disser: “Eu quero ser contador”, eu não responderia “Não, não, não...”. Eu perguntaria: “Por que quer ser um contador?”. Se ele me responder: “Eu gosto de ajudar as pessoas a resolver complicados assuntos financeiros. Vejo beleza em fazer os dois lados de um balanço coincidirem”, eu lhe diria: “Você será um grande contador!”.

Seria difícil terceirizar este garoto. Seria difícil dar o seu trabalho para uma máquina fazer. Então, as pessoas que fazem algo de que realmente gostam, algo em que realmente acreditam – e se esforçam bastante – vão se dar bem. Assim, o que eu insisto, é que se descubra em que você é bom, o que gosta de fazer e trabalhe muito, muito duro. E seja ágil e capaz de aprender.

16 outubro 2011

Aprender a ensinar ou ensinar a aprender?

Texto do blog do excelente Rodolfo Araújo:

"Educação tem sido um tema recorrente aqui no blog [Não Posso Evitar]. Algumas vezes é o meu lado ogro falando da falta dela. Outras, é dentro de um dos meus esportes favoritos: dar pitaco sobre o que não sei. Este texto encaixa-se na segunda categoria, tomando Educação no sentido puramente pedagógico.

O ponto de partida é o excelente
Disrupting Class: How Disruptive Innovation Will Change the Way the World Learns (McGraw-Hill, 2008), de Clayton Christensen e Michael Horn. Na obra, os autores fazem uma profunda análise do sistema educacional adotado atualmente, destacando seus prós e contras e, principalmente, sugerem uma radical solução de transformação.

Os autores valem-se, basicamente, a teoria de Inovação Disruptiva do próprio Christensen para fundamentar suas ideias que, embora espelhem o modelo americano, servem à maioria dos países, por adotarem metodologias semelhantes.

Grosso modo, o estudo parte do conceito de Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, que sustenta a tese de que cada pessoa tem um tipo particular de inteligência predominante, da qual desenvolve suas habilidades características. Gardner identificou ao menos sete diferentes características.

Um atleta ou bailarino, por exemplo, tem a Inteligência Cinética mais desenvolvida, que alia a coordenação dos seus movimentos a uma percepção espacial mais desenvolvida. Do mesmo modo, um artista terá como habilidade principal a Inteligência Estética ou a Inteligência Sonora, conforme o caso.

O reflexo disso no aprendizado é que cada uma destas predisposições influencia no modo como cada pessoa aprende. Se uma pessoa tem uma Inteligência Visual diferenciada, aprenderá melhor através de estímulos visuais - o mesmo se aplicando para as demais.

Ocorre que o sistema educacional ocidental foi desenvolvido com o objetivo de atender ao maior número possível de pessoas, numa época em que ainda não havia estudos mostrando as diferentes formas de aprendizado. Noutras palavras, as escolas hoje buscam a melhor maneira de ensinar - que não necessariamente coincide com a melhor maneira de aprender.

Esta padronização - que serviu muito bem ao objetivo da inclusão - deixa sérias lacunas no quesito efetividade. Enquanto alguns alunos se destacam por se adaptarem bem ao atual modelo, a maioria fica para trás, passando de ano aos trancos e barrancos. Em
Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us, Daniel Pink deixa claro que passar na prova de Francês é uma coisa e aprender o idioma é outra, completamente diferente.

A solução apontada por Christensen e Horn apoia-se no aprendizado individualizado, possível através da informatização das salas de aula. Eles alertam, no entanto, que entupir as escolas de computadores está longe de ser a solução. Até porque a maioria das experiências neste sentido falhou em melhorar o nível do ensino, uma vez que continuavam reproduzindo o atual modelo de ensino.

Na proposta dos autores, softwares específicos preparariam os planos de aulas mais adequados à forma como cada aluno melhor aprende, a partir de bancos de conteúdos preparados pelos professores - e até pelos próprios alunos ou seus pais.

(...)

Mas talvez a maior contribuição destes exemplos seja mostrar, no sentido mais amplo da palavra, como temas desinteressantes nas aulas com a tradicional combinação cuspe e giz (ou mesmo datashow), podem se tornar interessantes e estimulantes dependendo do formato. E, mais do que isso: alguns destes formatos já estão disponíveis por aí.

A pergunta passa a ser, então: por que não experimentar?"

17 agosto 2011

Rir é o melhor remédio

Larry Page: — I need a new phone, can someone buy me Motorola?
Employee: — Done.
Larry Page: — Great, which model?
Employee: — Model..?


Dica de Rodolfo Araújo. Grata.

30 abril 2011

Para tomar decisões melhores

Um texto* da revista Superinteressante desse mês afirma que psiquiatras da Universidade de Twente, na Holanda, demonstraram que ter bom controle da bexiga ajuda a evitar atitudes impulsivas. Numa experiência, pessoas que tomaram 5 copos de água fizeram escolhas menos imediatistas e mais vantajosas. Isso supostamente acontece porque segurar a vontade de urinar estimula o autocontrole.

Uma postagem muito interessante sobre o assunto foi publicada no blog Não Posso Evitar, que ressalta o seguinte: "a força-de-vontade funciona de forma semelhante a um músculo: durante e imediatamente após o seu uso, ele fica enfraquecido; mas quanto mais você o exercita, mais forte ele fica. (...) quando você estiver passando por momentos em que deverá tomar decisões importantes, é bom ficar atento ao que exige de sua força de vontade, pois ela pode prejudicar outros aspectos da sua vida. Por outro lado, aproveite os momentos mais calmos para exercitar sua capacidade de resistir a tentações. Deste modo, ela estará em forma quando você mais precisar dela!”.

Leia mais no blog sobre assuntos relacionados: teste do marshmallow; insistência irracional.

*Texto de Thiago Perin, Super Interessante, edição 291.

13 março 2011

Livro Livre

Livro Livre - Por Isabel Sales

Ontem eu recebi o link de um site muito legal (agradeço ao André Andrade) que organiza um tipo diferente de troca de livros. Com muito estilo e facilidade!

A ideia é simples. Você lê um bom livro, decide compartilha-lo com alguém, cadastra as informações no site (título, autor, edição e, se possível, uma imagem da capa) e com isso imprime uma etiqueta com identificação. Quem achar um desses livros também se identifica no site e assim sabe-se aonde foi parar a obra, quais as sensações geradas, além de um consequente envolvimento entre aqueles compartilham gostos literários.

A etiqueta, super legal, diz algo como: esse livro não é seu, é livre. Leia-o, nos diga o que achou e liberte-o. Deixe em um local que possa ser encontrado por outro leitor. Um banco de praça, um café, um zoológico, qualquer lugar público.

Isso vai gerar uma rede de conexões e compartilhamento muito estimulante.

Pelo mapa do site é possível observar que a movimentação tem ocorrido principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Portanto, pessoal, vamos bagunçar essa distribuição e envolver o Brasil todo! (Espero tropeçar por aí nos livros do Rodolfo Araújo. Quem sabe, não é mesmo!?)

Se desapeguem daqueles livros empoeirados, compartilhem suas preciosidades e torçam para encontrarem boas obras no caminho. Quem sabe você não irá se deparar com algo que nunca leria, se surpreender e conhecer novos mundos? Acessem o site e se cadastrem! (E depois me contem as experiências!)