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25 março 2019

A ilusão com a Inteligência Artificial

We are told AI is on an inevitable rise and humans simply can’t measure up. In no time, the headlines say, artificial intelligence will take our jobs, fight our wars, manage our health, and, perhaps eventually, call the shots for the flesh-and-blood masses. Big data, it seems, knows best.

Don’t buy it.

The reality is, computers still can’t think like us, though they do seem to have gotten into our heads. Intimidated by the algorithms, humanity could use a little pep talk.

It is true that computers know more facts than we do. They have better memories, make calculations faster, and do not get tired like we do.

Robots far surpass humans at repetitive, monotonous tasks like tightening bolts, planting seeds, searching legal documents, and accepting bank deposits and dispensing cash. Computers can recognize objects, draw pictures, drive cars. You can surely think of a dozen other impressive–even superhuman–computer feats.

It is tempting to think that because computers can do some things extremely well, they must be highly intelligent. In a Harvard Business School study published in April, experimenters compared the extent to which people’s opinions about things like the popularity of a song were influenced by “advice” that was attributed either to a human or a computer. While a subset of expert forecasters found the human more persuasive, for most people in the experiment, the advice was more persuasive when it came from the algorithm.


Computers are great and getting better, but computer algorithms are still designed to have the very narrow capabilities needed to perform well-defined chores, like spell checking and searching the internet. This is a far cry from the general intelligence needed to deal with unfamiliar situations by assessing what is happening, why it is happening, and what the consequences are of taking action.

Computers cannot formulate persuasive theories. Computers cannot do inductive reasoning or make long-run plans. Computers do not have the emotions, feelings, and inspiration that are needed to write a compelling poem, novel, or movie script. Computers do not know, in any meaningful sense, what words mean. Computers do not have the wisdom humans accumulate by living life. Computers do not know the answers to simple questions like these:

If I were to mix orange juice with milk, would it taste good if I added salt?

Is it safe to walk downstairs backwards if I close my eyes?

I don’t know how long it will take to develop computers that have a general intelligence that rivals humans. I suspect that it will take decades. I am certain that people who claim that it has already happened are wrong, and I don’t trust people who give specific dates. In the meantime, please be skeptical of far-fetched science fiction scenarios and please be wary of businesses hyping AI products.

Forget emotions and poems: Take today’s growing fixation with using high-powered computers to mine big data for patterns to help make big decisions. When statistical models analyze a large number of potential explanatory variables, the number of possible relationships becomes astonishingly large–we are talking in the trillions.


If many potential variables are considered, even if all of them are just random noise, some combinations are bound to be highly correlated with whatever it is we are trying to predict through AI: cancer, credit risk, job suitability, potential for criminality. There will occasionally be a true knowledge discovery, but the larger the number of explanatory variables considered, the more likely it is that a discovered relationship will be coincidental, transitory, and useless–or worse.

[...]

The situation is exacerbated if the discovered patterns are concealed inside black boxes, where even the researchers and engineers who design the algorithms do not understand the details inside the black box. Often, no one knows fully why a computer concluded that this stock should be purchased, this job applicant should be rejected, this patient should be given this medication, this prisoner should be denied parole, this building should be bombed.

[...]

In the age of AI and big data, the real danger is not that computers are smarter than us, but that we think computers are smarter than us and therefore trust computers to make important decisions for us. We should not be intimidated into thinking that computers are infallible. Let’s trust ourselves to judge whether statistical patterns make sense and are therefore potentially useful, or are merely coincidental and therefore fleeting and useless.

Human reasoning is fundamentally different from artificial intelligence, which is why it is needed more than ever.
Fonte: aqui
Resultado de imagem para The AI Delusion,

Profissão respeitada


  • Uma pesquisa sobre a profissão de professor em diversos países do mundo revelou que o contador é uma profissão de médio respeito por parte da sociedade: entre 14 profissões, ocupou o 7o. lugar
  • O foco da pesquisa era o professor. O gráfico é um dos resultados e mostra o respeito pela profissão, por país.

Uma pesquisa da Fundação Varkey realizada em 35 países listou as dez profissões mais respeitadas do mundo, entre 14 ocupações listadas. A nota máxima seria 14. Eis a relação:

10- Professor Secundário
9- Consultor de Gestão
8- Gerente do Governo Local
7- Contador
6- Enfermeira
5- Oficial de Polícia
4- Professor Chefe (ou diretores)
3- Engenheiro
2- Advogado
1- Médicos

Enquanto a nota dos médicos foi 11,6, os contadores receberam 7,3.

Mas o foco da pesquisa foi apresentar um índice global sobre a questão do ensino. Mais especificamente, como a sociedade percebe o trabalho de um professor. Foram mais de 30 países. Eis o resultado de uma das questões pesquisadas:
(Quanto mais à esquerda, menor o respeito)

Rir é o melhor remédio


22 março 2019

Escola do Trabalhador

No final de 2017, o então Ministério do Trabalho criou a escola do trabalhador. Ao contrário da política de qualificação profissional que predominou nos anos anteriores, com esta escola qualquer pessoa entraria no site da escola, poderia escolher um curso, estudar o seu conteúdo e após um teste, receber um certificado. Tudo isto online, sem tutoria e burocracia.

Antes disto, o Ministério do Trabalho procurava fazer a qualificação através de convênios com diferentes entidades de cada região. Entre 2008 a 2012, por exemplo, em 336 convênios, o Ministério liberou, a preços atuais, 646 milhões de reais, qualificando 223 mil trabalhadores. Ou seja, cada trabalhador qualificado custou para o contribuinte quase 3 mil reais.

Um relatório das entidades que participaram destes convênios mostrou que a principal reclamação ou dificuldade na execução dos convênios era a relação com o Ministério do Trabalho. Esta política de qualificação realizada no período foi extensamente analisada em uma tese de doutorado da USP defendida por Ludmila Melo.

Talvez o grande problema da política pública de qualificação que predominou até 2016 decorre da dependência do jogo político e dos interesses, nem sempre razoáveis, do governo. Com a escola do Trabalhador isto acaba; a entidade convenente - que intermediava o acesso do trabalhador a qualificação - deixa de existir. Assim, através de um pequena parcela do dinheiro que estava indo para estas entidades, construiu-se uma plataforma e elaboraram conteúdos. Os dados da figura permitem comparar as duas políticas públicas: enquanto os convênios atingiram 92 municípios no Brasil, a maioria deles ricos (com elevado IDH e PIB), em um pouco mais de um ano de funcionamento, a Escola do Trabalhador chegou a 3.310 municípios, muitos deles sem condições de ter um convênio com o governo central para qualificação. Os dados apresentados são de um artigo, em fase de publicação, com os cem mil primeiros trabalhadores que conseguiram o diploma de extensão na Escola, a um custo muito menor.

Uma vez que o conteúdo foi criado e os problemas de tecnologia superados, tem-se que para cada novo aluno, o custo unitário diminui, já que o custo fixo foi desembolsado.

Brevemente, a escola estará colocando novos cursos. Por enquanto, são 25 opções. Clique aqui e ajude a divulgar esta iniciativa.

Confiando e desconfiando

  • Uma pesquisa mostrou uma grande diferença na percepção da qualidade das informações de uma empresa
  • Os executivos confiam muito mais nas informações que os profissionais de finanças
  • O erro humano é apontado como uma das causas da desconfiança
Therese Tucker (ao lado), do CFO, comenta uma pesquisa com mais 1.100 executivos e profissionais de finanças. Foi questionado aos dois grupos se confiam

É bom lembrar que as demonstrações contábeis, a partir do escândalo da Enron, passaram a ser assinadas pelos principais executivos, além dos preparadores. Isto inclui o presidente da empresa e os membros dos comitês.

No primeiro grupo, de executivos, 71% afirmaram que confiam a precisão das informações contábeis. Isto significa dizer que estas pessoas estariam dispostas a assinar as demonstrações, como pede as normas de diversos países. Dos profissionais de finanças, muitos deles envolvidos na elaboração das demonstrações, 38% consideram que as informações refletem a realidade.

A pesquisa também verificou as razões pela desconfiança nas informações. O erro humano foi considerado a principal causa da desconfiança, já que muitas informações são manuais. Outro aspecto apontado é a grande quantidade de fonte originárias das informações. Além disto, foram apontados competência e treinamento, processos desatualizados, problemas nas verificações e nos controles automatizados, competência e treinamento. Tucker lembra que muitas pessoas tomam decisão com base em dados incorretos ou desatualizados.

Talvez a discrepância entre os dois grupos se devam ao conhecimento de como a informação é elaborada. Enquanto os profissionais sabem das grandes limitações, os executivos talvez não compreendam o processo contábil e confiam nas pessoas que estão conduzindo a contabilidade, sem saber direito como funciona.

Rir é o melhor remédio


Via Camila Gregorino, a quem agradecemos.

21 março 2019

Estoque de restos a pagar

O Tesouro Nacional publicou o Relatório de Avaliação dos Restos a Pagar de 2019. 

O documento mostra que foram inscritos para este ano R$ 189,5 bilhões em restos a pagar (RAP), um estoque 22% maior que o de R$ 155,3 bilhões inscrito no ano passado.

A mudança na sistemática de pagamento de despesas anunciada no fim do ano passado pelo Tesouro Nacional – que resulta na transferência financeira no mesmo dia em que a ordem bancária correspondente é gerada – responde por R$ 34 bilhões, ou 99,6%, de todo esse aumento.

Sem essa mudança, o crescimento do estoque de RAP teria sido de apenas R$ 0,1 bilhão em 2019 na comparação com 2018, em termos nominais, e a proporção de RAP em relação às despesas do orçamento do exercício seria de 6,3%, um dos menores valores da série histórica iniciada em 2008.

Corrigindo pelo IPCA e desconsiderando a mudança da sistemática de pagamento das ordens bancárias, o estoque de RAP inscritos diminuiu em R$ 5,6 bilhões, ou 3,5%, em 2019 em comparação com 2018.

[...]

A publicação mostra também que, na divisão por função de governo, o maior aumento do estoque de RAP em relação ao ano passado veio da Previdência Social (121%). O estoque de RAP referente a emendas parlamentares cresceu 5,09% na comparação com 2018, para R$ 13,973 bilhões. Como anexo, o relatório apresenta ainda os dados de RAP divididos conforme a estrutura administrativa dos ministérios que passou a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2019, ao lado de um quadro com a estrutura em vigência no governo anterior.

Fonte: Aqui

Mentiras na propaganda

Do Quora, Gupta mostra como a propaganda usa a “criatividade” para destacar certas qualidades dos produtos. Selecionei algumas:

Usar óleo de motor na propaganda de xarope de açúcar
Passar graxa no hamburger
Papelão dentro do bolo
Sabão líquido criando espuma de cerveja
Creme de Barbear no lugar de Chantilly
Colocar anti-ácido no refrigerante para parecer mais gás

Rir é o melhor remédio


20 março 2019

O Incrível Poder do Desconforto

Não concordo com tudo o que ele disse, mas há muita coisa legal.



Conselhos para o empreendedor

A tecnologia pode estar alterando o mercado de contabilidade no Brasil. E isto pode significar menos emprego, como temos verificado mensalmente no Contabilidade Financeira, a partir dos dados do mercado formal. Uma reportagem sobre Empreendedorismo, da Exame, mostra que por 100 reais é possível contratar uma plataforma.

Escritórios tradicionais de contabilidade cobram em média meio salário mínimo para prestar o serviço. A boa notícia é que já existem opções mais baratas oferecidas por empresas de contabilidade online, como Agilize (agilize.com.br), Contabilizei (contabilizei.com.br), Contabilivre (contabilivre.com.br), Conube (conube.com.br) e Meu Contador Online (meucontadoronline.com.br). O preço é de 100 reais mensais, em média.

Vale dizer que a modalidade na internet é uma boa alternativa para negócios menores, sem funcionários e sem necessidade de gestão de estoques e fluxo de caixa. “Quando a empresa começa a crescer e precisa cuidar de planejamento tributário, é recomendado contratar um contador”, afirma Hugo, do Sebrae.


É interessante que o título do texto é "escolha um serviço de contabilidade confiável" e inicia com o texto citado acima. Juntando o título com o texto, a reportagem parece dizer que as opções baratas são confiáveis para negócios menores. "Para bom entendedor, meia palavra basta"

O Voz de Holmes


  • A Theranos era uma empresa que prometia progressos na área de dignóstico médico
  • Liderada por Elizabeth Holmes, revelou-se uma grande fraude
  • Um documentário da HBO fala sobre como Holmes usou sua voz "falsa" de barítono 

Elizabeth Holmes fundou e tornou-se executiva da empresa Theranos. Nascida em 1984, filha de um ex-executivo da Enron, Holmes foi considerada em 2015 pela Forbes a bilionária feminina mais jovem, com uma fortuna de 9 bilhões de dólares. No mesmo ano, Holmes passou de inspiração para frustração quando investigações mostraram que a tecnologia prometida pela Theranos era uma ilusão. No ano passado, a SEC acusou Holmes e Theranos de fraude. A trajetória da empresa e da executiva encontra-se no livro Bad Blood. Entre as acusações, informações que o Departamento de Defesa dos EUA estava usando a tecnologia da empresa em situações de combate e que a receita, em 2014, era de 100 milhões de dólares (o valor real seria 100 mil).

Elizabeth Holmes era admiradora de Steve Jobs e incorporou o jeito de vestir do executivo da Apple. Esta transformação, aparentemente, foi planejada.

Voz - Agora, a HBO lançou um documentário sobre Elizabeth Holmes denominado The Inventor. O documentário mostra como Holmes conseguiu convencer investidores que a Theranos tinha uma tecnologia em diagnósticos. O documentário levanta a hipótese que Elizabeth Holmes usava sua voz para atingir seus objetivos. Alguns ex-funcionários dizem que a voz dela era falsa, existindo depoimentos onde ela “esqueceu” disto e falou com sua voz verdadeira. Em um ambiente dominado por homens, a voz falsa de barítono, presente em vídeos como o que consta desta postagem, seria uma forma de “ardil”. E parece que funcionava, já que diversas pessoas relatam um “fascínio” por sua voz.
 

Rir é o melhor remédio

Ou sorrir...

19 março 2019

A métrica que importa

De 1985 a 2009, o tamanho médio da rede social de um americano - definido pelo número de confidentes que as pessoas sentem que tem - diminuiu em mais de um terço. Podemos ter centenas de amigos no Instagram, mas há evidências que essas conexões não são as que nos fornecem o bálsamo social que precisamos, que é o contato humano. Em vez disso, quanto mais “conectados” nos tornamos, mais parecemos deixar nossos relacionamentos sociais atrofiados, deixando de conversar com um velho amigo, convidando um vizinho para um café ou participando de alguns dos rituais banais diários da vida - conversando com alguém a caminho do metrô, tomando café em um café onde você conhece o nome do barista - que acalma nossas necessidades sociais.

"Os seres humanos precisam de outros para sobreviver", diz Julianne Holt-Lunstad , professora de psicologia da Universidade Brigham Young. "Independentemente do sexo, país ou cultura de origem, ou idade ou origem econômica, a conexão social é crucial para o desenvolvimento humano, a saúde e a sobrevivência".

Em 2010, Holt-Lunstad publicou uma pesquisa mostrando que pessoas que tinham laços sociais mais fracos tinham uma probabilidade aumentada de 50% de morrer mais cedo do que aquelas com filhos mais fortes. Estar desconectada, mostrou, representava perigo comparável ao consumo de 15 cigarros por dia e era mais preditivo de morte prematura do que os efeitos da poluição do ar ou da inatividade física.


Continue lendo aqui

(Permita-me uma digressão pessoal: Hoje eu visitei o local onde trabalhei entre final 2013 a 2016. Encontrei as pessoas e percebi como fui feliz ali. Eu já sabia disto. Mas é muito bom saber desta "conexão social" que une e é fundamental para nossa felicidade)

Comércio Eletrônico

Os dados de receitas oriundas do comércio eletrônico nos Estados Unidos mostram uma tendência importante. As vendas trimestrais no final de 2018 foram de 132 bilhões de dólares, já ajustados pela sazonalidade. Em 2018 as receitas foram de 514 bilhões ou 14% maior que no ano de 2017. Isto representa 11,2% do total de vendas no varejo, segundo dados do Departamento do Comércio.

Como mais de 50% da receita do varejo ocorre em postos de gasolina, concessionárias de automóveis, produtos alimentícios e bebidas, onde o comércio eletrônico ainda é fraco, o percentual de vendas via internet é muito expressivo. Alguns varejistas tradicionais, como Sears, Toys R US e outros já perceberam isto.

O impacto tem afetado inclusive os templos do consumo, os shoppings centers. O gráfico compara as vendas dos shoppings versus comércio eletrônico:

Homenagem a Gileno

Hoje a Universidade de Brasília estará concedendo o título de professor emérito a Gileno Marcelino (foto). Uma proposta que partiu do PPGCont, programa do qual participo, e da FACE, a faculdade no qual estamos vinculados.

Para quem deseja conhecer um pouco da obra do Gileno, aqui um livro publicado pelo Gileno.

Parabéns para o prof. Gileno.

Como fazer auditoria

É melhor fazer pouca auditoria, mas imprevisível, ou ter muita frequência na auditoria, mas previsível. Parece meio óbvio. Pesquisa feita no Chile, na área da pesca, mostra o resultado. Eis o resumo:

Attempts to curb illegal activity through regulation gets complicated when agents can adapt to circumvent enforcement. Economic theory suggests that conducting audits on a predictable schedule, and (counter-intuitively) at high frequency, can undermine the effectiveness of audits. We conduct a large-scale randomized controlled trial to test these ideas by auditing Chilean vendors selling illegal fish. Vendors circumvent penalties through hidden sales and other means, which we track using mystery shoppers. Instituting monitoring visits on an unpredictable schedule is more effective at reducing illegal sales. High frequency monitoring to prevent displacement across weekdays to other markets backfires, because targeted agents learn faster and cheat more effectively. Sophisticated policy design is therefore crucial for determining the sustained, longer-term effects of enforcement. A simpler demand-side information campaign generates two-thirds of the gains compared to the most effective monitoring scheme, it is easier for the government to implement, and is almost as cost-effective. The government subsequently chose to scale up that simpler strategy

Rir é o melhor remédio

Quando usamos o Google para fazer pesquisa ele tenta nos ajudar completando aquilo que geralmente as pessoas perguntam. Veja o que encontramos quando perguntamos sobre "porque a contabilidade":
A grande angústia é o aspecto de "ciência" ou "ciência exata". Agora com o tema "contador é"

Gostei do "contador é doutor", "contador é formado em que" e "contador é necessário".  Mas o mais engraçado é o último:
Usam?

18 março 2019

Maiores marcas do mundo (2000-2018)

Via aqui

Fim do Hanko?

  • O carimbo de madeira Hanko é um elemento essencial nas transações financeiras no Japão
  • Pouco a pouco as instituições financeiras começam a substituir o Hanko por smartphone ou tablet

Texto bem interessante do Jornal de Negócios sobre o Hanko. Trata-se de um carimbo pessoal exigido para fazer transações no Japão desde o século XIX. Podem ser usados no lugar da assinatura. A tradição japonesa mandava que toda transação deveria usar o carimbo feito de madeira.

Agora, as instituições financeiras estão começando a permitir que transações econômicas sejam feitas pelo smartphone ou tablet.

"Dá muito trabalho levar o hanko e tratar da papelada só para levantar dinheiro nas agências", disse Tomoyuki Shiraishi, um operário de 24 anos em Kurashiki, no oeste do Japão. (...)

As pequenas empresas usam o hanko para muitos contratos, e esses carimbos continuarão a ser exigidos para coisas como casar e comprar uma casa.

(...) No ano passado, o banco Resona Holdings passou a permitir que os clientes abram contas sem hanko em cerca de 600 agências. A mudança para o formato digital conta com o apoio do governo do primeiro-ministro Shinzo Abe, que redigiu um projeto de lei para disponibilizar mais serviços públicos online. (...)

Muitos pais compram um hanko feito à mão para os filhos quando eles atingem a maioridade, e os turistas levam-nos como lembranças, disse Keiichi Fukushima, escultor licenciado e membro da quarta geração de proprietários de uma loja que vende os carimbos no histórico distrito de Ueno em Tóquio. O fabrico de hanko é um setor que gera 1,5 mil milhões de dólares por ano, disse Fukushima, vice-presidente da associação nacional do setor.

"Ainda há muitas ocasiões em que precisamos usar o hanko", disse Fukushima.

Quem vai auditar o Novo Banco?


  • O Novo Banco, de Portugal, teve um grande prejuízo em 2018
  • O grande responsável foram os empréstimos de baixa qualidade
  • A Deloitte é a única Big Four que poderia auditar a instituição

Uma discussão acalorada em Portugal é sobre o Novo Banco (ex-Banco Espírito Santo). Já mostramos aqui que esta instituição financeira teve um grande prejuízo, parte devido ao “crédito malparado” [ou devedores duvidosos].

Diante da situação, há quem defenda a realização de uma auditoria para verificar como foi o processo de concessão de crédito. O presidente da República, Marcelo de Sousa, defende uma ampliação temporal desta auditoria recuando a quadro presidentes ou ex-presidente da instituição.

Um problema surge de imediato: nos anos recentes, o Novo Banco teve duas empresas de auditoria. Em 2017 era a PwC e no ano seguinte a EY. Já a KPMG era auditora antes disto e está sendo acusada de falhas na sua auditoria.

Sobra quem? Das quatro grandes empresas, a Deloitte.

A Deloitte só esteve envolvida na avaliação do impacto para os credores comuns da resolução versus liquidação que foi pedida pelo BdP a seguir à resolução do BES. O objectivo é garantir que os credores não perdem mais dinheiro com a resolução de um banco do que numa liquidação.

Não poderia ser outra empresa fora das Big Four? Vai ser preciso coragem.

Avaliando uma propriedade

  • Em 1987 Michael Jackson comprou Neverland por 20 milhões de dólares
  • Agora o rancho está à venda por 31 milhões, abaixo do custo histórico corrigido e do valor inicialmente pretendido
  • Parte da perda do valor se deve a má fama do cantor e ao otimismo do atual dono

Em 1987 o cantor Michael Jackson pagou quase 20 milhões de dólares - algumas fontes dizem que chegou perto de 30 milhões - por um terreno de 1,1 mil hectares em Los Olivos, Califórnia. Junto com ele, uma casa de 1,2 mil metros quadrados. Originalmente era chamado de Zaca Laderas Ranch, depois Sycamore Valley Ranch e em 1988 foi renomeada de Neverland, em homenagem a terra onde morava Peter Pan, um garoto que nunca cresce.

Era realmente a casa de Jackson e tinha um parque de diversões privado, estátuas no jardim e um zoológico. A partir de 2006 as instalações foram fechadas e a maioria dos funcionários demitida já que Jackson não morava mais no rancho. Há uma associação entre o rancho e acusações de abuso sexual do cantor. Em 2008 a propriedade passou para a Colony Capital em razão da inadimplência de Jackson com alguns credores. O valor da transação foi de 22,5 milhões. Provavelmente Jackson ainda tinha uma participação na propriedade.

Em 2009 acabou o parque de diversões e o zoológico. Em 2015 é anunciado que o rancho seria vendido por um preço inicial de 100 milhões de dólares. Por conta da falta de interessados, o preço cai para 67 milhões no início de 2017. Em fevereiro deste ano o preço pedido caiu para 31 milhões.

Parte da queda no preço se deve aos problemas envolvendo Jackson narrados em Leaving Neverland. Mas alguns especialistas, consultados pela Forbes, discordam do fato. Quando a propriedade foi colocada para venda no valor de 100 milhões acredita-se na possibilidade de um “prêmio” pelo fato de ter sido a casa de Michael Jackson. O potencial comprador poderia usar a casa para construir um museu do cantor, a exemplo do que Elvis Presley possui. Entretanto, a localização isolada do rancho e a imagem ruim do cantor são problemas para este uso.

Os avaliadores acreditam que o pedido de 100 milhões é elevado demais para a propriedade.

As celebridades geralmente pedem um valor premium por suas propriedades, mas normalmente essa “taxa” não é adicionada quando a propriedade é vendida. Um estudo da corretora de imóveis Redfin, de 2016, que analisou 60 propriedades de celebridades no sul da Califórnia, constatou que, em média, elas permaneceram no mercado por cerca de 36 dias a mais do que as outras, e a maioria foi vendida por menos do que o preço pedido.

A Forbes avaliou Neverland em 28 milhões tendo por base as entrevistas realizadas. Este valor é próximo aos 31 milhões pedidos hoje, mas abaixo dos 19,5 milhões pagos na compra corrigidos pela inflação. O custo corrigido seria aqui 44,1 milhões de dólares em 2019. Assim, o novo preço pode atrair compradores.

O uso alternativa da propriedade - como terra agrícola - é descartado pelo tamanho do terreno e o retorno produzido por este tipo de uso:

Eric O’Keefe, editor da revista especializada “Land Report”, define que os compradores normalmente gastam centenas de milhões de dólares apenas em propriedades que julgam ter a capacidade de proporcionar um retorno significativo sobre o investimento: terras agrícolas produtivas, extração madeireira ou vinhedos, por exemplo. Duas propriedades em uma área total de 1,4 mil hectare em Santa Bárbara, Califórnia, que foram colocadas à venda por US$ 110 milhões, contam com uma fazenda de gado em funcionamento e dois pomares.

Mas talvez uma explicação para esta questão seja o fato de que Jackson tenha pago um valor muito elevado quando adquiriu Neverland. E o cantor não era conhecido pela qualidade dos seus investimentos.

Rir é o melhor remédio


17 março 2019

Sinalização, Informação Assimétrica e Triagem

Katy Perry teve, em 2018, um faturamento de 80 bilhões de dólares, o maior da música no ano passado. Estima-se que sua fortuna seja de quase 1 bilhão. O ator Orlando Bloom tem uma riqueza estimada em 160 milhões. Os dois estão noivos.

No noivado, Bloom deu para Perry um anel de 5 milhões de dólares (figura ao lado). O casamento será precedido por um acordo pre-nupcial. Um bom exemplo de sinalização, informação assimétrica, triagem ...

História da Contabilidade: Wedgwood

Wedgwood, nascido em 1730 e falecido em 1795, é conhecido pela sua contribuição para fabricação de cerâmica. Mas sua contribuição foi muito mais ampla. Wedgwood é considerado como criador do marketing moderno, incluindo a mala direta, garantia de devolução do dinheiro, entrega gratuita, atendimento ao cliente na língua nativa, catálogos com os produtos, entre outras “invenções”.

Mas Wedgwood teve uma importante contribuição histórica para contabilidade gerencial. Ele calculava o custo das máquinas, do trabalho, dos materiais e das vendas. Quando ele fez estes progressos, a contabilidade ainda era “mercantil”, originária de Pacioli e outros autores originários do comércio. Este tipo de contabilidade não era útil para o novo setor que estava surgindo, com a fábrica demandava uma contabilidade mais evoluída, mensurando os custos de produção. Mais do que isto, ele calculava a depreciação e até o juros do capital.

A época de Wedgood é também a época de Watt, que sabia que a contabilidade era uma vantagem competitiva. Watt, um inventor conterrâneo do mestre da cerâmica, entendeu que os métodos contábeis poderiam ser um segredo industrial. Mas Wedgood não somente calculava seus custos; ele usava as informações para ter uma posição competitiva melhor que seus concorrentes. Se sabia os custos de produção, Wedgood também conhecia que o trabalho infantil era mais barato e mais eficiente. Em lugar de pagar por dia, ele adotou o pagamento por peça. Ele entendia que a qualidade da contabilidade não dependia somente do cálculo dos custos, mas também o trabalho do auditor, que poderia tornar os números contábeis mais confiáveis.

Se Datini foi o caso prático de aplicação da contabilidade mercantil, Wedgood é a essência da aplicação da contabilidade gerencial. Com esta, ele conseguia produzir cerâmicas caras para nobreza e produtos acessíveis para aqueles que queriam seus produtos, mas que talvez não tivessem dinheiro se o preço não fosse baixo.

Para ler mais: O capítulo 8 do livro The Reckoning, de Jacob Soll, é um bom começo para termos uma dimensão da importância de Wedgood para contabilidade gerencial.

Caplan, segundo Demo

Pedro Demo publica um longo comentário do livro de Caplan, que já fizemos uma resenha e recomendamos. O comentário de Demo pode ser acesso aqui e colocamos a conclusão abaixo:

É provocativamente ousada a proposta de Caplan, embora, olhando mais de perto, exale o contexto do mercado por todos os poros. Isto não admira em contexto americano, porque educação sempre foi vista – cruamente – como serva do mercado. A relação assumida é dura e reta: avalia-se o que educação traz para o mercado; não se fala de “formação”, cidadania, convivência, a não ser quando empregadores veem nisso algum benefício para a empresa. Podemos acentuar consciência, elegância, comunicação, mas o que vale é a empregabilidade, que fica por conta do empregado – a empresa não tem nenhum compromisso. Sob este ângulo, a maior parte do que se faz na escola/faculdade é olimpicamente inútil. Entretanto, Caplan deixa de lado que o próprio mercado tem preferido graduados com formação geral mais visível, que a seleção é feita em entrevista para ver se o candidato tem projeto de vida interessante, mostra maturidade, sabe argumentar e expressar-se... Embora a indicação de “espírito crítico” seja uma farsa escabrosa, porque totalmente unilateral, indica, a seu jeito, que formação ampla é trunfo importante. Mas, como autores mais diretos e críticos constatam, a maior qualidade é conformidade inteligente!

Caplan descasca a inutilidade dos conteúdos – muitos são inventados e apenas enchem a cabeça. Mas há outra inutilidade: ficar na escola para não aprender nada, anos a fio, saindo, por exemplo, sem saber matemática ou sem redigir uma página. O exagero da hipótese tem finalidade provocativa, instigadora, e dificilmente “prova” que educação é apenas sinalização. Mas é muito interessante esta perspectiva, iluminando muito da relação empregador/empregado – uma encenação ostensiva, onde a aparência vale mais que qualquer realidade.

Palestra

Análise de grande volume de dados de gasto público para identificação de corrupção - oportunidades para agendas de pesquisa

O Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da Universidade de Brasília (PPGCont/UnB) convida a comunidade acadêmica para a Aula Inaugural do 1.º período letivo de 2019, a ser ministrada pelo Prof. Me. Rafael Antonio Braem Velasco, da FGV-RJ, no dia 18 de março de 2019, a partir das 14 horas, no Auditório Azul (subsolo) da FACE (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas), na Universidade de Brasília. O referido docente participou da equipe da força-tarefa da Lava-jato e da 4.ª edição do Congresso UnB de Contabilidade e Governança (CCGUnB), ocorrido em novembro de 2018.

Rir é o melhor remédio


16 março 2019

Spread Bancário por País

O Brasil só perde para Madagascar


Análise custo e benefício


Lendo John Kay aprendo a origem da análise custo e benefício. Ao comentar sobre o novo livro de Cass Sunstein, que enaltece a análise, Kay acrescenta:

Não foi uma revolução [a análise] de custo-benefício, que começou na Grã-Bretanha, na década de 1960. A análise de custo-benefício em todo o mundo ainda segue um modelo estabelecido pela primeira vez em um estudo de 1962 de Michael Beesley e Christopher Foster [citado somente 215 vezes no Google Acadêmico], que estudou a construção da linha Victoria em Londres. Eles demonstraram que, embora a linha gerasse pouca receita adicional, o valor criado em economia de tempo e redução do congestionamento acima e abaixo do solo excedia em muito os custos. Cinquenta anos depois, não pode haver dúvida de que eles estavam certos. O custo total de menos de 100 milhões de libras, equivalente a pouco mais de 1 bilhão de libras esterlinas, parece um preço muito baixo para o que hoje é parte indispensável da infraestrutura de transporte da capital.

Mais uma regra para as finanças pessoais

Tanza Loudenback escreve sobre um regra que não conhecia:

Há uma regra geral que a maioria dos especialistas em finanças recomenda: se você puder pagar, atribua 20% a 30% de sua renda para poupanças e saldando dívidas

Já tinha visto uma regra de você ter uma economia para eventualidades que corresponderia a 6 meses de seu salário. Você pode explicar esta regra imaginando uma pessoa que fica desempregado e precisa de um prazo de um ano para recolocação no mercado de trabalho. Com uma economia de 6 meses de salário e fazendo corte nas despesas é possível sobreviver até achar uma nova fonte de renda.

A regra apresentada por Loudenback naturalmente depende dos seus objetivos pessoais. Se você pretende comprar um automóvel, economizar 20% pode ajudar, mas é necessário levar em consideração o preço do carro, o valor do seu salário e quando você quer ter um automóvel. Ou seja, talvez esta regra não seja tão infalível. Mas a vantagens de regras como esta em finanças pessoais é permitir que uma pessoa comum possa ter uma "meta" para conseguir atingir seus objetivos pessoais. Não são regras "científicas", mas podem funcionar.

Guerra e Paz

Um texto do Business Insider  mostra a amizade e a briga entre as quatro grandes empresas de tecnologia: Amazon, Apple, Facebook e Google. Recentemente, a Apple descobriu que o Facebook estava abusando as regras dos aplicativos e resolveu “punir” a empresa. Mas logo depois, soube que o Google também estava fazendo a mesma coisa. Só que a Apple recebe bilhões do Google para ser o default de busca padrão dos aparelhos da empresa. E outros fatos são apresentados.

Ou seja, era uma vez um tempo onde a Amazon vendia livros, a Apple hardware, Google era mecanismo de busca e Facebook uma rede social. Hoje, Google e Amazon competem na computação em nuvem, por exemplo. Entre os quatros, a relação entre Facebook e Amazon seja a mais fraca. Mas isto pode mudar.  No passado, o CEO do Google fazia parte do conselho de administração da Apple; hoje não mais.

Conclusão : A tensão provavelmente supera a cooperação, especialmente porque cada uma das quatro empresas procura convencer os reguladores de que os outros precisam de controle. As interdependências não desaparecerão, portanto, esperem mais escaramuças 

Contabilidade difícil

Em uma entrevista para a Exame, o consultor Claudio Galeazzi fala sobre a experiência com reestruturação de empresas. Segundo a revista, ele atuou em empresas como Grupo Pão de Açúcar, BRF, Vila Romana e Vulcabras. Na entrevista, uma pergunta foi: Quais costumam ser os entraves aos processos de reestruturação?

Galeazzi cita vários entraves. Uma frase chama a atenção. Vamos a resposta:

É muito comum os donos passarem por uma fase de negação. Eles não têm a dimensão exata do problema, até porque, geralmente, eles próprios criaram a empresa e semearam seu crescimento. Há também muito ego e vaidade envolvidos. É comum, ainda, o presidente não ter acesso direto à contabilidade, que costuma ser difícil de destrinchar. Além disso, em certos casos, é preciso afastar da gestão alguns executivos próximos ao empresário que não estão mais contribuindo da forma desejada para o crescimento da empresa. São ações muitas vezes problemáticas, que enfrentam resistência.


(Grifo do blog) O texto dá a impressão que o presidente de uma empresa não tem acesso à contabilidade pelo fato dela ser difícil. E como a pergunta é sobre “entraves”, parece culpar a contabilidade pelo problema.

Rir é o melhor remédio


15 março 2019

Tradução e Comércio Internacional


Um dos requisitos para uma transação comercial é que as partes se comuniquem. É muito difícil para um consumidor comprar um produto de uma pessoa que só se expressa em uma linguagem que ele não entende. Assim, a comunicação pode ser uma barreira para as transações comerciais.

Nos últimos anos, no entanto, surgiram diferentes tecnologias que facilitam o entendimento entre duas partes que não conhecem a língua do outro. Uma lembrança óbvia é o Translate, do Google, mas existe muitas alternativas que tornam possível que uma pessoa que só conhece o português possa se comunicar com outra que não sabe nada da língua portuguesa. Esta tecnologia é possível graças ao computador e aos softwares de inteligência artificial que estão cada vez melhores.

Obviamente que podemos esperar que a introdução desta tecnologia deve afetar a vida das pessoas e ter efeitos econômicos. Com um celular eu posso digitar “Eu quero um copo de cerveja” para um dono de um bar na França, que não sabe português, e ele compreender. Assim, o software permitiu a realização desta transação.

Uma pesquisa divulgada no ano passado mostrou que realmente isto ocorre na prática e conseguiu mensurar o efeito do “translate” no comércio internacional. Usando plataformas digitais, os pesquisadores perceberam que a introdução de um sistema de “translate” aumentou significativamente o comércio. Os pesquisadores encontraram inclusive um valor: 17,5%. Eles usaram o eBay e analisaram as transações entre os Estados Unidos e países da América Latina que falavam espanhol.

Para certificar se os achados eram coerentes, os pesquisadores usaram dois testes adicionais. Um deles foi a análise da exportação dos EUA para o Brasil. O resultado persistiu nestes testes adicionais. Os autores verificaram que a presença do sistema de tradução reduzia o custo de pesquisa.

Fonte: Brynjolfsson, Erik et al. Does Machine Translation Affect International Trade? NBER Working Paper 24917, Ago 2018

Os melhores cursos de contabilidade no Brasil

Recebemos uma pergunta no twitter e com isso achamos válido atualizar a lista com os melhores cursos de contabilidade no Brasil. Segundo o Guia do Estudante, os melhores cursos estão no sudeste, única região com avaliações de 5 estrelas.


As instituições com 4 estrelas podem ser conferidas: aqui.

Sorteio: kit com mochila, livros e canetas

Estamos fazendo um sorteio lá no nosso Instagram, em uma parceria com a editora SaraivaUni:




Uma publicação compartilhada por Blog Contabilidade Financeira (@contabilidadefinanceira) em

Idade e Namoro

No livro Dataclisma, C Rudder apresenta o seguinte gráfico:
Na coluna, a idade do homem que participa de uma rede de namoro. Em vermelho, a idade "preferida" da idade de cada mulher. Observe o primeiro número em vermelho, no alto. Ele indica que homens com vinte anos de idade preferem mulheres com 20 anos. O segundo número mostra que homens com 21 anos de idade gostam mais de parceiras com 20 anos e assim por diante. Rudder usa o gráfico para mostrar que os homens, em sites de namoro, optam por mulheres jovens.

Eu me lembrei deste gráfico quando vi este outro:
Na linha vermelha, a idade de Leonardo diCaprio. Obviamente é uma linha reta inclinada. E nas barras, a idade das namoradas dele, começando por Gisele Buntchen. Uma imagem vale mais que mil palavras.

Compra de vagas nos EUA


  • Nesta semana diversas pessoas foram presas nos EUA envolvidas na "compra" de vagas em universidades de elite
  • As pessoas eram ricas e/ou famosas
  • Mostramos um pequeno aspecto contábil do fato

Um escândalo no processo seletivo em universidades dos EUA mostrou pais ricos usando seu dinheiro para comprar vagas. Isto acontecia através dos departamentos de atletismo das universidades.

Um artigo interessante de Marc Bain lembra que o que estava em jogo não era a educação de pessoas, mas o “reconhecimento da marca”. O caso mais de Olivia Jade Giannulli, filha da atriz Lori Loughlin e do estilista Mossimo Giannulli, é interessante. Olivia queria ser influenciadora digital, não estudar. Ela gravou um vídeo em que dizia não saber onde iria estudar, mas queria “acontecer”. Afirmava: “não me importo com a escola, como todos vocês sabem”


(Na foto, Olivia, que fazia propaganda da Amazon, fala do seu dormitório da universidade)

Provavelmente muito dos acusados não imaginava que seriam pegos em uma investigação como esta. E talvez reflita a opinião que os estadunidenses possuem do seu sistema de ensino.

E a contabilidade? No meio do escândalo, encontrei um aspecto contábil. Um dos acusados, John B. Wilson era chefe do comitê de auditoria do Franklin Templeton, uma empresa de investimento. Wilson foi retirado do comitê de auditoria, conforme comunicação da empresa. Wilson também é presidente e CEO da Hyannis Port Capital, uma empresa de investimento. Afinal, não fica bem um comitê de auditoria ser presidido por uma pessoa envolvida em um escândalo deste tipo.

Código de ética 2


  • O Valor Econômico informa que a empresa Contabilizei entrou no CADE contra o Código de Ética recentemente promulgado pelo CFC
  • Ao contrário que dá a entender a reportagem do jornal, não existe nada no Código que fale da divulgação de preços de serviços na internet


Conforme postamos, o Conselho Federal de Contabilidade aprovou um novo código de ética em fevereiro.

Na quarta, o jornal Valor Econômico apresentou um texto sobre a contestação de uma empresa de contabilidade a um aspecto deste código. Trata-se da empresa Contabilizei, especializada em contabilidade de pequenas e médias empresas, que resolveu contestar no Cade, a entidade que regula as situações de abuso do direito econômico. A empresa deseja divulgar os preços dos serviços através da internet. O Código não fala em “preço” em nenhum dos seus 25 itens (e inúmeros subitens), mas em

ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja defendendo remuneração condigna

Mais ainda no Código temos:

A publicidade, em qualquer modalidade ou veículo de comunicação, dos serviços contábeis, deve primar pela sua natureza técnica e científica, sendo vedada a prática da mercantilização
A publicidade dos serviços contábeis deve ter caráter meramente informativo, ser moderada e discreta

e

É vedado efetuar ações publicitárias ou manifestações que denigram a reputação da ciência contábil, da profissão ou dos colegas, entre as quais: (a)fazer afirmações desproporcionais sobre os serviços que oferece, sua capacitação ou sobre a experiência que possui; (b)fazer comparações depreciativas entre o seu trabalho e o de outros; e (c)desenvolver ações comerciais que iludam a boa-fé de terceiros.

Lendo estas artigos fica difícil imaginar que estamos falando da divulgação de preços de serviços na internet. Mas a jornalista afirma:

O CFC determinou, no Código de Ética Profissional do Contador (CEPC) que as empresas que atuam com serviços contábeis devem primar pela natureza técnica e científica e, com isso, não poderiam impor preços no mercado da economia digital.

A empresa Contabilizei afirma, segundo o jornal, que a não divulgação pode prejudicar a comercialização dos serviços, inclusive com preços mais baixos. Segundo o jornal:

O Código aponta que “é vedado anunciar, em qualquer modalidade ou veículo de comunicação, o valor dos serviços ou de pacotes de serviços, uma vez que o valor dos serviços profissionais deve levar em conta, mediante análise individual, a relevância, o vulto, a complexidade, a dificuldade, o tempo despendido e outros elementos que irão compor o valor”.

Eu não localizei este trecho no código de ética. Na realidade, não encontrei em lugar nenhum, exceto na reportagem do Valor. Segundo a reportagem haveria problemas no código com respeito a limitação da concorrência. Novamente, não encontro isto no código.

(Ao reler o código de ética notei que é para Contador. Ou seja, não abrange 170 mil profissionais técnicos. Então, estes profissionais não precisam cumprir um Código de ética?)

(Basile, Juliano. Contabilizei vai ao Cade para publicar preços na internet. Valor, 13 de março de 2019. B8)

Rir é o melhor remédio


14 março 2019

O outro lado do burnout



O vídeo é bem legalzinho e fala sobre a síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento emocional. Há legendas em inglês.

Estudo de evento de lucros contábeis: uma medida robusta


Resumo:

Event studies of market efficiency measure earnings surprises using the consensus error (CE), given as actual earnings minus the average professional forecast. If a subset of forecasts can be biased, the ideal but difficult to estimate parameter‐dependent alternative to CE is a nonlinear filter of individual errors that adjusts for bias. We show that CE is a poor parameter‐free approximation of this ideal measure. The fraction of misses on the same side (FOM), which discards the magnitude of misses, offers a far better approximation. FOM performs particularly well against CE in predicting the returns of U.S. stocks, where bias is potentially large.

Chiang, Chin-Han and Dai, Wei and Fan, Jianqing and Hong, Harrison G. and Tu, Jun, Robust Measures of Earnings Surprises (May 3, 2016). Journal of Finance, Forthcoming. 


Resultado de imagem para event studies

Pressão contra o GAFI


  • Na sexta-feira, a União Européia rejeitou uma lista de países identificados com lavagem de dinheiro e/ou financiamento do terrorismo
  • Houve uma pressão para esta rejeição
  • Segundo a professora Julia Morse, este tipo de lista funciona

Na sexta-feira passada, os países da União Européia rejeitaram uma lista de países identificados com lavagem de dinheiro e/ou financiamento do terrorismo. Esta lista incluía Irã, Coréia do Norte, Panamá, alguns territórios dos EUA e Arábia Saudita.

Por meio do Grupo de Ação Financeira (GAFI), uma entidade intergovernamental com 38 membros (Brasil inclusive), alguns países estão tentando estabelecer um listagem para forçar alguns países a mudar o comportamento. Eis uma opinião interessante:

Isso dá aos países incentivos para agir rapidamente para mudar as leis e sair da lista. Na minha pesquisa , mostro que a lista negra do GAFI está correlacionada com mudanças significativas nas políticas. Dos mais de 60 países listados desde 2010, mais de 75% restringiram substancialmente suas leis e regulamentações no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

Então, por que os países da UE rejeitaram o plano da comissão? A lista negra da Comissão Europeia foi controversa por várias razões. (...) Mas o maior problema era diplomático. Desde que a comissão anunciou uma lista preliminar em janeiro, a Arábia Saudita tem pressionado membros da UE e ameaçando cancelar contratos lucrativos com alguns países europeus. (...)

Como a lista negra é eficaz, adicionar um país à lista pode ter consequências financeiras imediatas. É por isso que, poucas horas após o anúncio da comissão em fevereiro, o Departamento do Tesouro dos EUA aconselhou os bancos americanos a ignorar a lista. Depois os Estados Unidos se uniram à Arábia Saudita e ao Panamá, fazendo lobby junto aos membros da UE, o fim da lista negra estava praticamente garantido.

Custos Regulatórios e a CVM

  • A CVM está lançando um canal de sugestão para redução do custo de observância regulatória
  • Na primeira fase, algumas normas foram alteradas/revogadas
  • Nossa sugestão: olhar para o resultada da B3. 
A CVM, entidade que regula o mercado de capitais no Brasil, está recebendo sugestões para redução do custo de observância regulatória. Eis o que diz a entidade:

Por meio de aprovação do Comitê de Governança Estratégica (CGE) da Autarquia, o projeto Redução de Custo de Observância Regulatória foi iniciado em 2017. O principal foco dessa iniciativa foi o de incrementar a eficiência da regulação, sem desconsiderar os riscos que tais ações possam representar para a proteção dos investidores, mandato principal da CVM, e da maximização do bem-estar econômico decorrente da competição plena, eficiente e íntegra entre seus participantes.

O projeto foi dividido em duas fases. A primeira, intitulada Projeto Piloto de eliminação de redundâncias, teve como foco verificar a possibilidade de mudanças regulatórias de menor complexidade, de baixo impacto e direcionadas a situações específicas e pontuais, especialmente com relação a redundâncias ou sobreposições normativas. Como resultado do trabalho desenvolvido, 16 instruções da CVM receberam alterações pontuais e outras 5 foram integralmente revogadas. Mais informações podem ser verificadas na notícia divulgada no site da CVM em 13/12/2018.

A segunda fase, nomeada Carteira de Projetos e priorização de ações, será construída a partir dos apontamentos recebidos na primeira fase e que não se enquadraram nos critérios de elegibilidade no momento inicial, mas que foram considerados convenientes. Eles serão trabalhados no decorrer dos próximos anos, submetidos a critérios de priorização e alinhados ao planejamento estratégico da CVM. Para 2019, por exemplo, parte do trabalho desenvolvido no âmbito do Projeto está refletido na Agenda Regulatória da Autarquia, divulgada no site da CVM em 4/2/2019.


Sem dúvida uma boa iniciativa. Talvez fosse interessante lembrar do lucro elevado da B3. Ok, talvez isto não se enquadre no projeto ou esteja fora da alçada da entidade. Mas a principal (existe outra?) bolsa brasileira tem uma elevada margem. Obviamente isto é possível de duas formas: custo baixo e tarifa elevada. Vale lembrar que hoje nós temos menos empresas com ações na bolsa do que existia em 2008. Bem menos. O gráfico abaixo mostra a relação entre o resultado da B3 e o número de empresas com ações na bolsa.

Dificuldade de Mensurar o Passivo na Boeing


  • O acidente com o avião 737 Max pode exigir uma estimativa de passivo por parte da Boeing
  • Este é um valor difícil de ser estimado
  • Para complicar, ainda não existe uma comprovação que foi o avião o responsável pelo acidente


Em 2013, o avião Dreamliner, da Boeing, apresentou diversos problemas relacionados com a bateria. A Boeing gastou mais de 20 milhões de dólares e três meses para resolver o problema. Agora, a empresa tem um problema parecido com o 737 Max: em um semestre, dois aparelhos caíram.

Pense no contador da empresa. Como ele poderia estimar os efeitos dos dois acidentes em termos de passivo? O paralelo com o Dreamliner não ajuda muito, pois aqui tem um problema de reputação muito mais sério e o custo de atualização do software do avião - provavelmente o responsável pelo problema - ainda é difícil de calcular.

A receita futura estimada com o Max é de 550 bilhões de dólares, segundo o NY Times. Além disto, o preço das ações caíram 11% desde o acidente. Existe uma estimativa de solução do problema para abril, mas isto pode demorar mais. E quanto maior este tempo, maior o custo.

Ainda segundo o jornal, uma estimativa seria de um gasto de quase 1 bilhão por avião para resolver os problemas. Além disto, algumas empresas podem exigir compensação pelas perdas por manter um jato parado. Há também as ações judiciais das famílias. E os atrasos nas entregas futuras do avião. E talvez os descontos para as empresas aéreas. Outro efeito, seria o cancelamento do pedido de compras, mas neste caso as empresas perderiam um adiantamento de 20% do valor de cada avião; ou seja, este efeita talvez não seja expressivo.

Para complicar, alguns analistas suspeitam que talvez o problema não esteja no avião.Há uma informação que o co-piloto tinha 200 horas de experiência, um tempo curto para a profissão.

UBS é punida por OPA em Hong Kong


  • O regulador do mercado de capitais de Hong Kong puniu a UBS por problemas nas Ofertas Públicas de ações
  • No ano passado, Hong Kong foi o principal mercado de OPA do mundo
  • A punição inclui multa e um ano sem atuar no mercado



Isto não é muito comum, mas o Securities and Futures Commission (SFC), a entidade que regula os valores mobiliários em Hong Kong multou a UBS e proibiu de participar de ofertas públicas de ações por um ano na cidade. Outras entidades, como o Morgan Stanley, a Merril Lynch e o Standard Chartered também foram punidas, informou a Reuters.

É importante lembrar que Hong Kong foi o principal ponto de oferta de ações em 2018, com 36,3 bilhões de dólares captados. Assim, a punição merece destaque, além do fato de que este tipo de punição é a primeira vez que ocorre em Hong Kong. O SFC está preocupado com a qualidade do trabalho feito.

As ofertas de ações em Hong Kong precisa de um banco patrocinador, que assume a liderança da oferta. Também recebe mais por isto. Este banco deve fazer uma diligência no momento da avaliação da empresa que está sendo listada e assegura que o valor é adequado. No caso da UBS, isto não ocorreu com a China Forestry, com a Tianhe Chemicals e uma terceira empresa, não identificada, provavelmente a China Metal Recycling. A primeira empresa fez uma oferta pública de ações em 2009 e 14 meses depois o auditor relatou irregularidades; posteriormente a empresa foi liquidada. A UBS não verificou as florestas da empresa. O Stanchart chegou a visitar, mas constatou que não existia coerência entre os locais visitados e os indicados no prospecto. A segunda empresa fez a OPA em 2014 e suas ações não são mais negociadas desde 2015 depois de problemas contábeis.

Rir é o melhor remédio