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17 julho 2018

Turismo e Bens Culturais

Para se tornar Patrimônio Mundial da Unesco, um local deve submeter a um processo bastante competitivo. Mas muitos buscam este status para promover um local como atração turística e também ajudar na sua conservação. Mas segundo Jo Caust, um professor australiano, a chancela de Patrimônio por parte da Unesco tem um armadilha inesperada e pode estar ajudando a matar os locais que deveriam ser promovidos.

Segundo Caust, o principal ponto é justamente a atenção recebida pelo local. Após a promoção, existe um aumento no número de turistas. Isto pode trazer problemas que não existiam antes. Caust cita Hoi An, uma cidade do Vietnã, que teve um aumento de 22% no número de turistas em um ano. Hoi An foi considerada Patrimônio Mundial em 1999 e mesmo com a cobrança de ingresso, o número de turistas fez com que as casas fossem transformadas em cafés e lojas e as pessoas passassem a morar fora da cidade. Outra situação é Angkor Wat (foto), que recebeu o título em 1992. De 2004 a 2014, o número de turistas aumento em mais de 300%. Isto coloca em risco da estrutura da cidade, seja pela presença de muitos turistas, pela construção de grandes hotéis ou uso ilícito de água que afeta o lençol subterrâneo.

(É interessante notar que alguns modelos de avaliação de bens culturais levam em consideração o afluxo de turistas ao local. Diante dos fatos narrados por Caust, isto seria incoerente, já que aumenta o risco de destruição destes ativos)

Custo da arena

Barry Ritholtz analisa o custo de construir e manter instalações esportivas nos Estados Unidos. Segundo dados do New York Times, cerca de 330 mil novos assentos em arenas esportivas tiveram um custo de 7,5 bilhões de dólares, sendo 2,75 bilhões pagos pelos contribuintes dos Estados Unidos. Ou 8.200 mil dólares por assento.

O colunista apresenta quatro razões para a não construção destas arenas:

1. Concorrência : Esportes e música ao vivo são negócios incrivelmente bem-sucedidos e lucrativos em geral. Eles devem ser capazes de competir por conta própria pelos dólares dos consumidores. Se um local não puder gerar a receita necessária, isso indica que ele é mal administrado ou visto como não é necessário pelo mercado. Em ambos os casos, os contribuintes não deve subsidiá-lo.
2. Riquezas para os ricos: as equipes esportivas são propriedades extremamente valiosas. Por que os não-proprietários devem subsidiar empresas que podem facilmente construir suas próprias instalações? Os subsídios do contribuinte também distorcem o cálculo do mercado, destruindo os sinais que a oferta e a demanda devem enviar. Portanto, os donos ricos não apenas evitam pagar o custo total por seus locais, mas também obtêm toda um aumento do valor de suas equipes. E diminuindo o custo real da operação, os subsídios tornam muito mais fácil para os proprietários ricos obter lucro.
3. Impacto econômico : os acadêmicos analisaram os dados e há pouca dúvida: os estádios acrescentam pouco ou nada à economia local. Certamente não vale a pena dar bilhões de dólares para essas empresas. O retorno do investimento para o público é nulo. Esses subsídios perdulários têm demonstrado pouco ou nenhum impacto econômico positivo nos municípios e estados.
4. Prioridades : Dado o estado da infra-estrutura do país , é possível imaginar que possa haver projetos com maior prioridade para os dólares dos contribuintes. (...)

Nós, brasileiros, temos experiência sobre este assunto.  Talvez o nosso caso seja pior, já que os estádios construídos geraram não somente valores elevados de construção, mas representam hoje um grande problema em razão do custo elevado de manutenção. A falácia do custo perdido impede que a quase totalidade destas obras seja simplesmente derrubada.

Em 2012 fizemos uma análise do custo dos estádios da Copa. Afirmamos que “talvez” (em negrito) o custo da copa não estivesse tão superfaturado assim. Naquele momento, com um câmbio a 2,02, 587 mil assentos custavam 4,1 bilhões de dólares ou cerca de 7 mil dólares por assento para o contribuinte, um pouco abaixo do valor citado pelo colunista (aqui outros valores). Quatro pontos nestes cálculos: (1) os valores brasileiros precisariam ser atualizados (2) cada arena esportiva possui sua estrutura e torna-se complicado fazer estas comparações; (3) o desembolso do contribuinte brasileiro continua, já que ainda existem gastos de manutenção das arenas; e (4) o valor de 8.200 dólares refere-se somente a parcela paga pelo contribuinte, enquanto que os 7 mil dólares dos estádios brasileiros dizem respeito ao custo total. Provavelmente os três primeiros pontos podem significar um aumento no valor do estádio no Brasil, enquanto o último seria desfavorável ao caso dos EUA.

(Fotografia: Estádio Mané Garrincha, um dos estádios que deveriam ser derrubados, se prevalecesse a análise dos números)

Rir é o melhor remédio

Enquanto isto na internet:



16 julho 2018

Carb Rising

Durante os jogos da Copa, talvez você tenha percebido alguns jogadores tomando água e logo após cuspindo. Isto pode parecer algo "nojento", mas é um técnica chamada Carb Rising. Beber muita água pode levar a um inchaço. Os que os jogadores fazem é colocar uma solução de carboidrato na boca para enganar o corpo de forma deliberada. Quando ingerida, a boca envia um sinal para o cérebro, dizendo que há energia a caminho. Há controvérsias se isto realmente ocorre, mas parece ser uma prática padrão em alguns times de futebol, como a Inglaterra.

Participação no lucro sem lucro

A empresa Eletrobras teria pago aos funcionários uma participação nos lucros em exercícios onde não teve lucros. Parece absurdo, mas esta é a afirmação de um relatório da CGU, segundo notícia divulgada no G1.

Particularmente acho mais estranho é o fato de que somente agora isto foi levantado. Os pagamentos são de 2013 e 2014. A Eletrobras é uma empresa que divulga suas demonstrações. É bastante conhecida de todos

Amazon

Quando a Amazon surgiu, a empresa vendia livros. Hoje é um gigante em muitos setores. É a maior empresa de serviços de computação em nuvem com 33% do mercado, na frente da Microsoft (13%) e Google (6%). Possui 49,1% das vendas de e-commerce dos EUA. Neste caso, a empresa tem vendas diretas, com um terço do total, ou vendas de outros vendedores (que usam a plataforma).

Recentemente a empresa comprou um comércio físico de comida com objetivo de dominar o setor. A empresa está conseguindo mudar a forma de compras dos consumidores: sapatos já estão sendo comprados online.

A Amazon levou 25 anos para conquistar essa fatia de mercado e continuará tentando atrair mais. A Amazon abalou o varejo dos EUA e agora é totalmente dominante. Tem o sistema de distribuição mais formidável dos EUA. O “ efeito amazônico” se tornou uma expressão comum - a Amazon compra uma farmácia on-line e as ações da CVS e da Walgreens despencam. (...)

A Amazon é uma editora de livros. É invadiu o território da TV, Netflix e outros, com suas ofertas de vídeo. Recentemente, ela começou a invadir a publicidade on-line (...). Sua Alexa e outros dispositivos inteligentes conectados à Internet estão ocupando casas e influenciando todos os tipos de decisões que as famílias tomam - sem falar nos dados que enviam de volta. A Amazon continua expandindo para novos territórios. (fonte: aqui)


O setor de atuação que acho interessante a presença da empresa é na pesquisa científica. A Amazon vende o tempo de pessoas que podem responder a sua pesquisa pela internet. (Foto: Rio Amazonas, que inspirou o nome da empresa)

Conselho para empreendedores

Sou cético aos efeitos dos conselhos para empreendedores. Mas uma pesquisa parece indicar que alguns conselhos podem realmente influenciar o desempenho. Um experimento aleatório realizado na Índia, com cem empresas de tecnologia, cujos fundadores receberam conselhos de outros empreendedores, mostrou que o tipo de conselho influenciou posteriormente. Aqueles que receberam conselhos com uma abordagem de gerenciamento de pessoas ativa (reuniões regulares, metas claras e feedback frequente) cresceram mais e foram menos propensos ao fracasso.

Vide mais detalhes em: When Does Advice Impact Startup Performance? - Aaron Chatterji, Solene Delecourt, Sharique Hasan, Rembrand M. Koning

Reformando a Fifa de dentro para fora

O professor de direito da Universidade da Califórnia, Steven Bank, discute em um artigo para o site Promarket as mudanças recentes na FIFA após os escândalos de 2015. Há três anos, mais de 40 pessoas ligadas à FIFA, a entidade que regula o futebol mundial, foram indiciadas nos Estados Unidos por fraude, suborno e lavagem de dinheiro.

Diante da ameaça, a FIFA adotou uma série de reformas nos últimos anos.

A maioria dessas reformas se concentrou na tentativa de quebrar o ciclo de corrupção entre os membros de dentro do futebol, atraindo mais pessoas de fora. A FIFA criou os Comitês de Ética, Auditoria e Compliance, cada dirigido e provido por indivíduos considerados independentes segundo as regras da FIFA. Também determinou que pelo menos metade dos membros de vários comitês, incluindo Governança e Revisão, Finanças, Desenvolvimento e Subcomitê de Compensação de Auditoria e Compliance, sejam compostos por membros independentes. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, foi ainda mais longe do que o necessário, nomeando alguém sem vínculo com o esporte, Fatma Samoura, do Senegal, para o cargo de secretário-geral.


Bank critica esta estratégia, em razão do risco dos membros externos serem cooptados. Além disto, são pessoas com vínculo fraco com a entidade. Na FIFA não existe acionista para reduzir o risco de cooptação dos conselheiros, como ocorre nas empresas; também não tem doadores, como nas entidades sem fins lucrativos, que poderia fiscalizar melhor as ações da entidade. Bank afirma que diversos fatos mostram que a estratégia adotada por Infantino pode não ter dado certo: ele mesmo já foi objeto de investigação. O presidente do comitê de Auditoria e Compliance renunciou; a entidade recuou em alguns dos casos de membros indicados de forma independente.

Sua sugestão é que a entidade deveria ter dado mais força para os “denunciantes”. Ou seja, testemunhas de acusação contra as quarenta pessoas denunciadas. Elas tinham acesso a informação e se dedicavam mais à entidade que os “independentes”.

Em 2017, foi divulgada denúncia contra Samoura sobre a contração de empresa de limpeza para sua casa. 

Rir é o melhor remédio



15 julho 2018

Preço de uma Viagem Espacial

New Shepard (...) foi projetada para levar seis passageiros a 100 km da superfície terrestre suborbital. Isso será alto o suficiente para que os passageiros sentam a falta de peso e possam observar a curvatura do planeta através de uma das seis janelas de observação. Depois de alguns minutos de ausência de gravidade, a cápsula do passageiro se soltará do foguete e retornará à terra com a ajuda de paraquedas.

O que torna [voo] único é que ele decola e aterrissa verticalmente, mais como um avião do que outros foguetes que estamos acostumados a ver. O foguete também voa de forma autônoma, isto é, sem piloto.


Segundo o texto, o preço da passagem estimado: entre 200 a 300 mil dólares.Mesmo assim, não atingirá o ponto de equilíbrio; ou seja, será deficitário.

Mas o texto não leva em consideração a curva de aprendizagem, que pode compensar no médio e longo prazo.

Um assunto interessante. Em maio publicamos sobre Space X (e aqui a continuação). Em 2015, uma postagem muito interessante sobre o custo de levar o satélite para o espaço.

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Continuando a série de Kayden Hines:



14 julho 2018

Guerra comercial tem um vencedor?

No dia 14 de junho, o governo Trump declarou a guerra comercial de fato, impondo tarifas aos produtos chineses. Desde então, muitas notícias estão indicando que isto poderia reduzir os empregos nos Estados Unidos. Como o mercado de capitais reagiu?

Usando 14 de junho como ponto de partida, o mercado dos Estados Unidos subiu 0,5%; considerando o acumulado do ano, a alta é de 5,3%. Já nos países com superávit comercial com os EUA os mercados caíram: -6,8%, -5,7%, -4,7% e -2,4% para China, Coréia, Alemanha e Japão.

É bem verdade que o comportamento do mercado não expressa somente as notícias da guerra comercial. E que ainda seja cedo para alguma conclusão. Mas talvez exista um "sinal" nesses resultados. 

Escrita é originária da contabilidade?

James Scott, em Against the Grain, levanta a hipótese de que a escrita foi originária da contabilidade. Assim, a escrita foi inventada para que os primeiros estados tivessem condição de rastrear pessoas, terras e produção. Inicialmente, a escrita era uma ferramenta da contabilidade e com o passar do tempo passou a ser usada para escrever poesia e narrativas. Parece que Scott defende a ideia que o estado é tirânico e as pessoas viviam melhor no passado.

Um texto no Aeon, de Michael Erard, critica esta "hipótese administrativa" e condena a visão de que a escrita é vilã. E a contabilidade, inventada para ajudar os governos da antiguidade (Mesopotâmia, China etc) teria um papel preponderante.

if writing is the offspring of accounting and keeps the powerful in power, then let’s unshackle ourselves and return to purity.

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Expectativa e Realidade:




13 julho 2018

Ciência e preprint

A velocidade dos tempos modernos não está sendo acompanhada pelo processo de divulgação científica. O tempo entre o "fazer" e a "divulgação" do conhecimento científico é muito longo. Uma solução seria o preprint:

Para a América Latina, modelos como o preprint não apenas permitem solucionar um problema sobre a gestão do tempo e a gestão do trabalho acadêmico, como tende a equilibrar as desigualdades geradas sobre a publicação científica de um modelo tradicional cuja decisão do editor é soberana.

Tenho dúvidas se a forma como estamos fazendo o preprint nos periódicos de contabilidade resolvem o problema do tempo apontada.

Custo do genérico

A FDA, a poderosa entidade que regula o mercado de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou, recentemente, um medicamente chamado Lucemyra, para tratamento do vício com opióides. É o primeiro medicamento para este problema. A previsão é que a Lucemyra irá custar 1.738 dólares por semana.

A Lucemyra funciona de maneira semelhante à clonidina, informou o Medical Letter, um periódico médico (via Business Insider). A Clonidina é um genérico, que tambem pode ser usado no tratamento do vício. Mas, não foi aprovada pela FDA. A autorização tem um significado monetário importante, já que a o seu custo é de um dólar por semana.

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Existem 2 tipos de pessoas no mundo, por Kayden Hines:



 Ou três tipos:

12 julho 2018

Termos de probabilidade

Como as pessoas interpretam os termos ligados a probabilidade? Esta pergunta parece banal e sem vínculo com a contabilidade. Mas é muito importante e deveria ser considerada atentamente no nosso meio. Afinal existem muitos pronunciamentos contábeis que usam os termos de probabilidade para definir certas situações, sem um esclarecimento devido. Um exemplo simples são os processos judiciais de uma empresa: devem ser reconhecidos no balanço quando existe alta probabilidade, for possível de ocorrer ou certamente irá ocorrer?

E aqui temos uma dificuldade adicional: como muitos pronunciamentos nossos são "traduzidos" do inglês e nada impede que os contextos sejam distintos.

Dois autores (Mauboussin e Mauboussin) atualizaram uma pesquisa sobre como as pessoas percebem os termos probabilísticos em termos de distribuições de probabilidades. A fonte original pode ser obtida aqui. A figura original foi "traduzida" a seguir; use por sua conta e risco. Há termos que não temos uma tradução exata, como "slam dunk", que corresponde a "enterrada" no basquetebol. O termo "Likely" e "Probably" possuem traduções similares na internet.

Que tal alguém replicar a pesquisa para o Brasil?

IFRS pode afetar valor?

Parece que sim. Veja o caso da CPFL Renováveis, que recebeu uma oferta da chinesa State Grid. Os minoritários protocolaram uma carta na CVM contestando a nova oferta.

Os minoritários da CPFL Renováveis – grupo que inclui grandes investidores como Pátria e BTG – protocolaram nesta quarta-feira, 11, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) carta contestando a nova oferta feita pela chinesa State Grid. No fim de junho, a controladora da CPFL Energia elevou de R$ 12,20 para R$ 13,81 o preço pelas ações da Renováveis – o que representa acréscimo de R$ 390 milhões ao preço original de quase R$ 3 bilhões.

O Estado apurou que os acionistas questionam a forma como o preço foi recalculado pela chinesa e reclamam da demora do processo, que se arrasta desde 2016. Um dos argumentos usados para derrubar a revisão do preço feita no mês passado é que a State Grid teria tentado alterar os fundamentos da justificativa de preço original e usado informações financeiras selecionadas. A acusação é que a empresa não teria feito os cálculos com base no IFRS (normas contáveis internacionais), que consolida os números de todas as controladas da companhia. (...)

A revisão do preço apresentada pela State Grid foi feita depois que o colegiado da CVM exigiu, no início de maio, ajustes nos cálculos. Na ocasião, a autarquia suspendeu a decisão de sua área técnica que definia preço mínimo de R$ 16,69 para a Oferta Pública de Ações (OPA) – o que significava algo em torno de R$ 1 bilhão a mais de desembolso da chinesa.

A State Grid foi responsável por uma das maiores transações do País em 2016, ao adquirir o Grupo CPFL Energia. Entre a compra do controle (da Camargo Corrêa) e das ações no mercado, a empresa desembolsou cerca de R$ 25 bilhões. O negócio também incluía a compra das ações da CPFL Renováveis, subsidiária do grupo de energia. Aí começou o conflito.

A chinesa oferecia R$ 12,20 para adquirir a participação no mercado, bem abaixo dos R$ 25 oferecidos aos minoritários da holding. Os acionistas da Renováveis não aceitaram a proposta e entraram com uma reclamação na CVM, que em fevereiro deste ano decidiu a favor dos minoritários ao estipular um limite de R$ 16,69 para a oferta. Essa definição, no entanto, foi derrubada pelo colegiado da autarquia, que pediu novos cálculos para a State Grid.


Na realidade, a adoção de uma norma contábil, como a IFRS, só afetaria o valor de uma empresa se isto influenciar na apuração de certas despesas desembolsáveis. Por exemplo, ao adotar as normas internacionais, isto pode afetar o cálculo das participações, se forem feitas a partir do resultado apurado segundo a IFRS. Isto seria válido para pagamento de imposto de renda (depende do caso), certas despesas financeiras com contratos que atrelam a certas metas de desempenho e distribuição de dividendos (mesmo assim, com ressalvas, já que a decisão de distribuição pode ser alterada na assembleia). E se a qualidade da norma alterar a percepção de risco, o que é bastante questionável. Assim, o fato da empresa não ter feito os cálculos tendo por base a IFRS deve ser visto com muita cautela como argumento.

Jovem bilionária

Uma pesquisa no blog mostra que já citamos várias vezes Kylie Jenner. Quem? Em 2015 estava na lista dos adolescentes influentes, em 2017 cada postagem no Instagram valia perto de 100 milhões de dólares, neste ano ela sua empresa de cosmético que fez 420 milhões de receita em 18 meses de funcionamento e no início de 2018 ela tuitou sobre o Snapchat e esta empresa perdeu 1 bilhão de valor de mercado (aqui também).

Agora a Forbes listou Jenner como "youngest self-made US bilionaire", apesar da dúvida se cosmético seria realmente "self-made". Não deixa de ser impressionante e revela sobre a influência da celebridade no nosso mundo.

Lembrando: Jenner é uma das Kardashian.

Mudanças nas normas

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) coloca em audiência pública hoje, 12/7/2018, minuta de deliberação que aprova o Documento de Revisão de Pronunciamentos Técnicos nº 13 do CPC.

Dentre as mudanças propostas aos Pronunciamentos e Interpretações Técnicos, se destacam: alterações em função da edição do CPC 06 (R2); alterações em participações de longo prazo em coligada, em controlada e em empreendimento controlado em conjunto; modificações no CPC 33 (R1) em decorrência de alteração, redução ou liquidação do plano; transição para recursos de pagamento antecipado com compensação negativa; alterações anuais procedidas pelo IASB do Ciclo de Melhorias 2015 – 2017; e alterações anuais feitas pelo CPC para compatibilizar plenamente pronunciamentos anteriormente emitidos às IFRS.


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A ironia de Davide Bonazzi:







11 julho 2018

Incentivo perverso

É uma questão de incentivo: para vender as distribuidoras da Eletrobrás, o Congresso decidiu repartir para todos os brasileiros, via conta de luz, as ineficiências das subsidiárias da região Norte, incluindo os furtos de energia. Isto deveria ser pago pelos clientes da empresa.

O projeto, no entanto, propõe liberar a Eletroacre (Acre) e a Ceron (Rondônia) de cumprir essa regra e coloca o ressarcimento dos custos que elas tiveram com os “gatos” desde 2009 na conta de todos os consumidores brasileiros.


Isto, naturalmente, pode facilitar a venda. Mas pune as pessoas que não tiveram nenhuma relação com esta ineficiência.

Banco Popular

Em meados de 2017, o sexto maior banco da Espanha quebrou. O Santander assumiu a instituição por um euro. Durante 30 anos o Popular foi auditado pela PwC e aparentemente em nenhum momento a auditoria alertou para problemas na instituição, mesmo quando o banco teve prejuízo.

Agora, em um depoimento no Congresso da Espanha, o presidente da PwC (foto, no meio) daquele país afirmou que a empresa advertiu, em três ocasiões, sobre a “de las incertidumbres sobre la continuidad del negocio o los problemas que podía tener el Popular”. Isto foi feito em parágrafos de ênfase:

Sánchez ha hecho una defensa cerrada del trabajo de la firma, aunque sí que ha reconocido incoherencias aparentes a lo largo del tiempo, que ha atribuido a los nueve cambios de normativa en los 12 últimos años, “pero siempre se cumplió la ley”.

Dois aspectos importantes nesta notícia. Em primeiro lugar, parágrafo de ênfase não é ressalva. Isto não é uma desculpa razoável. É interessante que depois do parágrafo de ênfase, a PwC afirmou que “estas cuestiones no modifican nuestra opinión” que as demonstrações refletiam fielmente a situação do Banco Popular.

Outro aspecto é justificar a falha na mudança de normas nos últimos 12 anos. Os problemas do banco são mais recentes e a alteração na norma não afeta a questão da continuidade.

Resenha: Fraudes Contábeis

Esta obra, pequena em número de páginas, mas substancial em conteúdo, trata de um assunto importante para a contabilidade: a junção de fraudes contábeis com a questão tributária. Com cerca de 200 páginas e onze capítulos, a obra tem um grande desafio: como lidar com a legislação em um país onde somente a nossa constituição possui 106 emendas, o que significa 3,5 emendas por ano. E como o enfoque é o ICMS, isto significa estar atento as normas de 27 unidades da federação. A saída foi disponibilizar para o leitor arquivo atualizado no site da editora.

Os autores são experientes no tema. Tenho trocado ideias com um deles, o Alexandre Alcântara, há anos sobre fraude, um assunto de interesse comum. Anderson Cerqueira, o co-autor, tem formação jurídica. Mas o livro tem alguns pontos interessantes sobre a escrituração contábil - capítulo 2, um capítulo que gostei muito. No capítulo 3 os autores apresentam alguns aspectos normativos e conceituais. As repercussões tributárias são discutidas no capítulo 4, com ênfase na escrituração contábil. A seguir, a obra trata dos vários tipos de fraudes: as contas patrimoniais e de resultado recebem um tratamento específico nos capítulos 5 e 6. O capítulo seguinte mostra como é possível usar os índices contábeis para tentar detectar as fraudes.Os três capítulos finais tratam das consequências: a responsabilidade criminal (capítulo 8), a prova (capítulo 9) e as decisões do STF, CFC e CARF (capítulo 10). O livro encerra com a legislação.

Sem dúvida nenhum, um grande esforço dos autores em coletar as normas e organizar sob a forma de livro. Este último aspecto é que engrandece a obra. Uma coisa é listar leis, súmulas, etc. Outra é organizar de maneira didática e adequada.

SILVA, Alexandre Alcantara da; CERQUEIRA, Anderson Freitas de. Fraudes Contabeis. Juruá, 2018.

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BlockChain na prestação de contas

No portal do TCU a notícia que esta entidade está discutindo a possibilidade de usar blockchain na prestação de contas da Ancine:

Pode-se ainda afirmar, em linhas gerais, que o uso de uma rede blockchain deverá resultar em sistema de gerenciamento de informação seguro, podendo mesmo ser considerado imutável e inviolável. (...) Outra característica vantajosa do uso de blockchain é que ele é transparente, com regras claras e aplicadas a todos, constituindo-se campo fértil para a automação da execução de contratos e da prestação de contas, com transparência, confiabilidade e segurança nas operações realizadas.

(...) Por todas essas vantagens e inovações é que foi promovida, na última quinta-feira (5), a primeira reunião técnica sobre o uso de blockchain para o registro e a análise de informações e documentos nas prestações de contas de projetos do setor audiovisual. (...) Na ocasião, foi debatido o aprimoramento das normas internas para melhor disciplinar a apresentação e a análise de prestações de contas dos recursos aplicados em projetos audiovisuais da Agência Nacional do Cinema (Ancine), por fomento direto ou indireto. O objetivo é substituir a Instrução Normativa-Ancine 124, de 2015, sob a premissa de que todos os novos projetos devem ter as suas prestações de contas submetidas à integral análise pelo inovador emprego de blockchain, entre outras soluções de tecnologia da informação (TI) e comunicação.


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10 julho 2018

Doutorado profissional

Saiu lá no @conversacontabil, por Priscila Santos:

[...] Pois bem, foi criado o primeiro doutorado profissional no Brasil. Fiz um resumo para compartilhar com vocês. O doutorado terá duração de 48 meses. As aulas serão nas sextas e sábados quinzenalmente OU uma vez por mês de segunda a quarta. O curso será ofertado na cidade que tiver maior demanda: Espírito Santo (ES), Rio de Janeiro (RJ), Maranhão (MA), Minas Gerais (MG), Brasília (DF), Ceará (CE), Piauí (PI) e Mato Grosso (MT). .O processo seletivo terá as seguintes etapas: 1)validação da inscrição, 2) prova objetiva ou teste Anpad e por último, 3) a entrevista. Os valores das mensalidades constam no site, variando de acordo com a quantidade de parcelas escolhida.
.
#Repost @fucape A FUCAPE lançou oficialmente, no início do mês de julho, a abertura das inscrições para o processo seletivo de seu mais novo curso: o Doutorado Profissional em Ciências Contábeis, inédito no Brasil.
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As inscrições são até o dia 30/07/2018.
.
Maiores informações: www.fucape.br/cursos/doutoradoprofissionalcc

Cortar gasto sem alterar a lei

Um texto interessante publicado no Valor (e reproduzido aqui) mostra a possibilidade de reduzir gasto de pessoal sem alterar a legislação:

De acordo com o levantamento da consultoria [Oliver Wyman], mudanças em leis e normas gerais relacionados á despesa de pessoal podem reduzir em até um terço o gasto com folha num período de quatro anos. Dessa redução, cerca de 30% pode ser conseguida sem revisão de leis ou estatutos que necessitam de aprovação na Assembleia Legislativa ou na Câmara de Vereadores.

O estudo buscou identificar alterações para reduzir despesas e para aumentar a eficiência do serviço público, e propõe 24 medidas nesse sentido. Pela proposta, a discussão do fim da estabilidade do servidor público é apenas uma das alterações necessárias para uma redução sustentada do gasto, que inclui não somente a folha dos funcionários ativos quanto dos inativos.


Os exemplos apresentados são interessantes. Talvez o problema seja a incompetência da gestão em descobrir estas possibilidades ou a sua falta de interesse. (Foto: Ana Carla Abrão, sócia da consultoria)

Como melhorar a pesquisa?

Diversas políticas são apresentadas para melhorar a qualidade da pesquisa de um país. Uma pesquisa mostrou que um fato pode ser relevante: o custo da viagem. Este fator interfere na colaboração dos cientistas. Novas rotas de empresas de baixo custo trazem um aumento de 50% nas colaborações acadêmicas.

A redução de fricções geográficas é particularmente benéfica para cientistas de alta qualidade (...)

Copa do Mundo e Imigração

Tres de los cuatro de los semifinalistas en el Mundial de Rusia 2018 tienen más en común que la proximidad geográfica entre sus países.

Francia, Bélgica e Inglaterra cuentan con un gran número de jugadores que son hijos de padres inmigrantes. Veamos los números:

Dieciséis de los 23 jugadores de Francia tienen al menos un padre que nació fuera del país. Dos más nacieron en las islas del Caribe francés, que se consideran parte de Francia.

Once jugadores de Bélgica y seis de Inglaterra son hijos de al menos un inmigrante y otros cuatro jugadores de Inglaterra tienen ascendencia afrocaribeña más distante. Uno de ellos, Raheem Sterling, nació en Jamaica.

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Dentro de um estádio abandonado da Copa

O estádio construído em Manaus para a Copa do Mundo foi tema para um vídeo do Business Insider:



Fala-se, principalmente, sobre o governo ter gastado muito com os estádio e eles estarem agora abandonados.

Rir é o melhor remédio

Quando os heróis envelhecem: