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28 maio 2017

O Futuro da JBS

O jornal Estado de S Paulo traz hoje uma reportagem sobre o futuro de curto prazo da JBS (JBS corre contra o tempo para quitar R$18 bi em dívidas). O texto informa que a empresa possui dívidas de curto prazo, que vencem em 2017, de R$18 bilhões, conforme o próprio título do texto.

Para resolver este problema, a empresa tem como estratégia:

a) postegar o pagamento de fornecedores - como uma empresa dominante na cadeia produtiva, a JBS pode impor o pagamento a prazo na compra de bois. Isto já foi feito, mas nada impede da empresa aumentar este prazo. Se existirem outros compradores concorrentes, esta estratégia pode afastar os fornecedores e prejudicar no médio e longo prazo a cadeia produtiva da empresa. Além disto, este alívio é passageiro, já que a economia obtida ocorre uma vez somente.

b) redução da empresa - Isto pode ser feito de duas formas:

b.1) vendendo empresas do grupo - sendo um grupo diversificado, a JBS pode começar a vender algumas empresas que podem atrair investidores, como a Alpargatas, a Eldorado (celulose) ou a Vigor. A questão é encontrar compradores que se disponham a pagar um preço razoável pelas empresas e, de preferência, em dinheiro. Mas nada impede um acordo de troca de ativos por dívidas, por exemplo. A Alpargatas foi comprada no passado com juros de banco oficial e a Eldorado é uma empresa que teria uma valor mais adequado se a venda fosse postergada. De qualquer forma, a venda de empresa pode gerar um resultado negativo no balanço consolidado, conforme forem as negociações.

b.2) redução do tamanho da empresa de proteína - isto significa reduzir receita e porte da empresa. Aqui é necessário estar atento ao impacto dos custos fixos no resultado, mas se a decisão for por vender unidades isoladas, este problema talvez não seja expressivo. A redução do tamanho também pode ajudar na redução das necessidades de caixa.

O jornal alerta para o caráter especulativo das ações nos dias atuais e que a possibilidade de reapresentação das demonstrações contábeis pode afetar ainda mais o futuro da empresa.

Um aspecto não comentado pelo texto é a possibilidade de existência de cláusulas de proteção existentes nos empréstimos de longo prazo (covenants). Isto agravaria ainda mais a situação da empresa, conforme exposto no texto.

Ademais, ainda estamos no início do processo de “punição” pelas diabruras cometidas no passado. Outras multas e acertos precisam ser feitos, incluindo com autoridades de outros países. Assim esperamos. (Foto: aqui) (P.S. A dívida da Eldorado de curto prazo é de R$2,3 bilhões)

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