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23 setembro 2016

Concentração no Setor Contábil

A recente divulgação dos dados da RAIS para o ano de 2015 permite uma grande quantidade de análise. Particularmente este blog usou estes dados para verificar o grau de concentração do setor contábil. Ou seja, os escritórios de contabilidade.

A questão da concentração é muito destacada nos estudos de renda e em algumas atividades econômicas estratégicas, como as instituições financeiras. No estudo de renda da população de um país é comum usar o índice de Gini. No setor bancário o índice de Herfindahl.

Segundo as informações do governo federal, no ano de 2015, na classe CNAE 95 de “atividades de contabilidade e auditoria”, existiam 289 mil vínculos ativos. Este valor é bem menor que os 500 mil profissionais registrados no conselho, conforme informações do CFC. Ainda segundo os dados do governo federal, eram seis mil estabelecimentos na área, também um pouco menor que os 82 mil escritórios ativos da notícia do CFC. Vamos considerar aqui que os dados da RAIS sejam mais adequados e iremos usá-los para discutir a questão da concentração.

Os estabelecimentos que exercem atividades de contabilidade e auditoria no Brasil em 2015 com mais de cinquenta empregados eram em torno de 300 (302 em 2015 e 295 em 2013). Isto significa 0,43% do total de estabelecimentos. Estas unidades empregavam mais de 30 mil empregados em 2015 (observe o leitor que nem todos eram profissionais de contabilidade, já que num escritório de contabilidade pode ter um segurança, uma secretária e assim por diante). Isto corresponde a 11,09% do total de empregados dos estabelecimentos cuja principal atividade é contabilidade e auditoria. Em relação a 2013 este número diminuiu (era 11,32%), mas é inegável que representa uma concentração razoável para o setor.

Uma forma fácil de guardar estes números é imaginar 300 estabelecimentos respondendo por 11% dos empregos do setor.

A concentração do setor também é geográfica. Dos empregados, 32,1% são de estabelecimentos de São Paulo e 11,4% de Minas Gerais. Considerando as três maiores economias do país, 52% dos empregados são provenientes destes dois estados e Rio de Janeiro. Em número de estabelecimentos, Paraná, São Paulo e Minas respondem por 51% do total. O destaque aqui é, uma surpresa para este autor, o número do estado do Paraná.

Finalmente, calculamos o peso da capital em cada unidade da federação. Enquanto Manaus, Macapá, Boa Vista e Rio Branco respondem por mais de 80% do número de empregados de cada estado, o percentual de Florianópolis é somente de 11% do seu estado. (Não consideramos aqui Brasília e o Distrito Federal, com percentual de 100%) Em média as capitais respondem por 40% dos empregos.


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