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27 setembro 2015

História da Contabilidade: Evidenciação Contábil nos anos 40 do século XIX – Parte 1

Na postagem anterior comentamos sobre a Beberibe (1). Entretanto nos anos quarenta do século XIX tivemos muito mais que esta empresa pernambucana em termos de evidenciação contábil no Brasil. Vamos mostrar algumas situações interessantes que ocorreram nesta época no Brasil.

Nuno Maia de Seixas

Desde a década de trinta, o comerciante Nuno Maia de Seixas tinha transações comerciais com diversos portos do Brasil e do mundo (2), conforme é possível constatar numa pesquisa no Diário de Pernambuco da época. Também foi vice-cônsul da Espanha (3).
Isto não impediu que em 1843 uma relação de credores fosse divulgada no Diário de Pernambuco (4). Nuno apresentou uma proposta e para isto tem-se uma adequada contabilidade. Conforme se divulgou, Nuno teve uma série de infortúnios e mesmo assim seu balanço apresentava o seguinte: “rs 239:156$186, consistente em predios, fazenda, e créditos, apenas chega o seu passivo a rs 157:742$773, ficando nossos creditos suficientemente garantidos”. Anteriormente a redação informa que “haver em balanço a favor da casa do dito snr. Nuno a quantia de rs 81:413$408”.

É interessante notar que o texto deixa claro o papel da contabilidade, então denominada de escrituração, na apuração destes valores. Outro aspecto importante é que a contabilidade considera bens permanentes para apuração do balanço. Finalmente, o termo passivo é utilizado no seu sentido estrito, da forma como as normas utilizam nos dias de hoje.

O texto afirma então que os problemas do negociante são decorrentes da situação de desconfiança geral, sendo que Nuno terminou “compelido a vender seus prédios, [pois] perderia em capital cerca de metade do seu haver”. Em razão disto, resolve conceder uma moratória de cinco anos.


(1) Vide http://www.contabilidade-financeira.com/2015/09/historia-da-contabilidade-companhia.html
(2) Vide, por exemplo, Diário de Pernambuco, 9 de janeiro de 1830, n 285, p 4.
(3) Confissão dos Amores. Folhinha para 1838. Rio de Janeiro, p. 92. Encontrei muito pouco sobre esta figura, apesar de parecer ter sido um comerciante importante da época. Somente no Diário de Pernambuco da época foram mais de 60 citações, quase todas relacionadas a chegada e partida de embarcações para diferentes portos do mundo.
(4) Diario de Pernambuco, 19 dezembro de 1843, ano XIX, n. 274, p. 4. Redação da época.

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