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15 agosto 2015

Sarcasmo

Apesar de ser a língua da internet, o sarcasmo não é reconhecido como uma forma sofisticada de inteligência ou um estilo de conversação para se fazer amigos. Derivada do grego e do latim, sarcasmo tem sido chamado de “hostilidade disfarçada de humor”, ou seja, um discurso carregado de desprezo que é melhor evitar.

Mas uma nova pesquisa conduzida por Francesca Gino, da Escola de Negócios de Harvard, Adam Galinsky, da Escola de Negócios de Columbia, e Li Huang, da INSEAD, uma escola de negócios europeia, considera que o sarcasmo é muito mais sutil do que pode parecer, e realmente oferece alguns benefícios importantes e ignorados, benefícios esses psicológicos, criativos e organizacionais.
Por essa você não esperava

Para criar ou decodificar o sarcasmo, tanto o emissor da mensagem quanto o receptor precisam superar a contradição (ou seja, a distância psicológica) entre os significados literais e reais das expressões sarcásticas.

Ao que os estudos indicam, este é um processo que ativa a abstração que, por sua vez, promove o pensamento criativo.

Enquanto praticantes de sarcasmo há muito tempo já acreditam intuitivamente que ele proporciona uma “ginástica mental” que exige processos cognitivos superiores, isso não tinha sido claro até agora.
Sarcasmo impulsiona a criatividade

Sarcasmo ativa criatividade tanto em quem fala quanto em quem ouve, desde que a pessoa entenda que determinada mensagem é um sarcasmo de fato.

Pela primeira vez, a ciência foi capaz de demonstrar tais benefícios cognitivos. Além disso, também pela primeira vez, uma pesquisa propôs e mostrou que o sarcasmo é melhor utilizado entre as pessoas que têm uma relação de confiança entre si.

Em uma série de estudos, os participantes foram divididos aleatoriamente. Como parte de uma conversa simulada, eles expressaram algo sarcástico ou sincero, e receberam uma resposta sarcástica ou sincera, ou uma neutra.

Aqueles em condições de sarcasmo, posteriormente, tiveram melhor desempenho em tarefas de criatividade do que aqueles nas condições de sinceridade ou neutras. Isto sugere que o sarcasmo tem o potencial de catalisar a criatividade em todos.

Dito isto, embora não seja o foco da pesquisa em questão, é possível que as pessoas naturalmente criativas também sejam mais propensas a usar o sarcasmo, o que faz com que o sarcasmo seja um resultado da criatividade em vez de causa nessa relação.

Porém, usar sarcasmo no trabalho ou em outras situações sociais é um pouco perigoso. Isso porque o sarcasmo é um estilo de comunicação que pode facilmente levar a mal entendidos e confusões ou, se for um pouco mais afiado, a egos machucados. Mas se as pessoas envolvidas no sarcasmo compartilham uma confiança mútua, há menos chance de sentimentos serem feridos, segundo os pesquisadores.

Mesmo se um conflito surgir, não vai atrapalhar os ganhos criativos para qualquer uma das partes.

Enquanto a maioria das pesquisas anteriores parecia sugerir que o sarcasmo é prejudicial para uma comunicação eficaz, porque é percebido como um desprezo à sinceridade, descobrimos que o contrário pode ocorrer.

O sarcasmo entre os indivíduos que compartilham uma relação de confiança não gera mais do que algumas boas risadas.

No entanto, mais trabalho precisa ser feito para entender melhor como o tom e o conteúdo de tipos específicos de sarcasmo – como crítica sarcástica, elogios sarcásticos, etc – afetam a comunicação nos relacionamentos, bem como nos processos cognitivos dos indivíduos. Mas já podemos considerar esses resultados como um grande avanço.

Fontes: Aqui e aqui.

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